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Oppgavens utforming

In document Eiendomsverdi i borettslag (sider 24-32)

Sobre a circuncisão podemos afirmar que não era um mero rito, mas a garantia de que o recém-nascido era verdadeiramente um judeu em sintonia com os princípios da religião. Essa cerimônia era realizada normalmente na casa do recém-nascido (Lc 1,59) com a presença de certo número de testemunhas que, segundo a tradição talmúdica90, eram dez, entre as quais estava o padrinho que segurava o menino no decorrer da cerimônia. Durante o rito, o pai da criança proferia, conforme a tradição talmúdica, uma benção com estas palavras: “bendito aquele que nos santificou com os seus mandamentos e nos ordenou de introduzir a este na aliança de Abraão, nosso pai”.91 Entre os direitos próprios do pai está o de dar o nome ao filho (Cf. Mt 1,19) e esse direito só lhe é conferido após o rito da circuncisão. A validade dos

89 A história dos magos é, sobretudo, teológica, como interesse e como objetivo. Jesus é apresentado como o Rei-Messias dos gentios, reconhecido pelos gentios, mas não por seu povo, os judeus; a apresentação é elaborada com base em certos textos do Antigo Testamento. A estrela é o “astro” procedente de Jacó (Nm 24,17). A vinda do rei dos judeus é um eco de Gn 49,10. O nascimento do Messias em Belém se baseia em Mq 5,1-3. Cf. MCKENZIE, J. Magos, p. 570.

90 “Talmud (aramaico talmûd, “doutrina”). Nome de uma coleção de literatura rabínica judaica. O nome Talmude propriamente pertence somente a uma parte da coleção, mas seu uso tradicional indica a coleção inteira. As origens e a divisão do Talmude são um pouco complexas. O núcleo da literatura talmúdica é uma coleção de opiniões rabínicas chamada Mishná; esta coleção foi feita pelo rabino Judá ha-Nasi em 200 d.C. Os rabinos, cujas opiniões foram colecionadas na Mishná, são chamados tannaim, “mestres”. A língua do Mishná é o hebraico, porém em uma fase de desenvolvimento posterior chamada neo-hebraico ou hebraico mishinaico. A Mishná é dividida em 6 partes ou “ordens” (seder): 1. Sementes. 2. Festas. 3. Mulheres. 4. Danos. 5. Santidade. 6. Pureza/levítica. Cada seder é dividida em certo número de tratados (masseket), e cada tratado em capítulos ou secções (perek). O total dos tratados da Mishná é de 63”. Cf. MCKENZIE, J. Talmude, p. 905.

direitos passa pelo rito da tradição imposto a todos os judeus do sexo masculino. O que parece ser um fato secundário, ganha uma conotação extremamente importante. Todas as outras obrigações estão travadas se não houver a circuncisão. Consideremos essa reflexão desde o ponto de vista judaico e a partir da prática religiosa de então. Sendo o Templo o centro da vida das pessoas, era inviável para qualquer cidadão pensar a vida de forma paralela ou deslocada da religião oficial.

A circuncisão não foi invenção dos hebreus, porque esta já era conhecida entre os povos com os quais o povo hebreu teve contato. Próprio dos hebreus foi ter assumido este rito como símbolo da aliança com Deus e da santidade de Israel entre as nações. A carne do hebreu circuncidada é o sinal da aliança mantida e, portanto, do direito das promessas feitas por Deus a Abraão, e é também um título para o exercício do culto (Ex 12,43-44s). Em suma, é um sinal de pacto com Javé.

A circuncisão de Jesus não pode ser considerada apenas uma circunstância que permitiu introduzir uma ação importante na sua vida, ou seja, dar-lhe o nome, embora reconhecendo a ênfase sobre a imposição do nome.92 Sem dúvida, Lucas não inseriu o rito da circuncisão como notícia de crônica e nem quis com isso enfatizar a solidariedade de Jesus com o gênero humano, uma vez que esta verdade já estava presente na encarnação. Também não é específico da circuncisão de Jesus a sua inserção na descendência de Abraão, porque esta podia também ser dada para estrangeiros como possibilidade para que participassem do culto (Gn 17,12; Ex 12,48). O episódio se torna ainda mais significativo porque Lucas relata que Maria era desposada com um homem chamado José, da casa de Davi.

Por essa razão, ressaltamos que a circuncisão não pode ser considerada apenas como uma circunstância para dar o nome a Jesus. Lucas não diz expressamente que Jesus foi circuncidado, mas usa a expressão: “Quando se completaram os oito dias para a circuncisão...” (Lc 2,21). Este detalhe é importante para evitar que Jesus pudesse vir a ser colocado entre os circuncidados como se fosse um membro da aliança, ele que é a própria aliança.93 É bom recordar que Jesus não é um beneficiário das promessas, pois ele é a Promessa (2Cor 1,20) por ser aquele que “salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1,21). Ele não está, portanto, entre os eleitos e salvos.94

No caso de Jesus era fundamental o vínculo com o Templo. O teor religioso impregnado em sua história de vida leva necessariamente seus pais a cumprirem as obrigações

92 Ibidem.

93 STRAMARE, T. San Giuseppe nel mistero di Dio, p. 93. 94 Ibidem, p. 91.

próprias de um casal israelita que carrega consigo toda a mensagem do Antigo Testamento transmitida pelos antepassados, desde Abraão, Isaac e Jacó até passar por Moisés, Davi, Salomão e todos os demais profetas, como Isaías, Jeremias e Ezequiel.

No relato do desenvolvimento deste rito José, como pai de Jesus, providenciou, preparou e preocupou-se com todos os requisitos para a sua realização. Em seguida, José, impondo-lhe o nome de Jesus, declarou como afirma a Exortação Apostólica Redemptoris Custos, “a própria paternidade legal em relação a Jesus; e, pronunciando esse nome, proclamou a missão deste menino, de ser o salvador” (RC 12). Ele foi o primeiro a pronunciar oficialmente para o mundo o nome de Jesus e a proclamar, conseqüentemente, a sua missão de salvador da humanidade.

O nome Jesus significa: “Deus Salva” e tem um sentido escatológico, por isso José deveria seguir as ordens do anjo, porque era a vontade de Deus.95 Nem tudo José poderia fazer conforme o seu querer, pois a missão que lhe fora dada não era um projeto pessoal, mas de Deus. Nesse sentido, foi importante José não ter ignorado o nome que o anjo lhe sugeriu quando o menino estava sendo concebido no ventre materno de sua esposa, Maria.

Ao dar o nome do filho nascido de sua esposa virgem, José também proclamou sua paternidade. O Filho de Deus veio a ser conhecido por “Jesus, filho de José” (Mt 13,55; Lc 3,23, 4,22; Jo 1,45; 6,42). José criou laços com ele como um pai por exercer o seu papel. Ele agiu como um “servus et dispensator,” servindo e ministrando para aquele que veio em nosso meio “como aquele que serve” (Lc 22,27). Ao nomear José para ser o pai de Jesus, Deus o chamou a ser um “ministro da salvação”.96

Ainda que a circuncisão e o nome sejam dados uma vez só à criança, era necessário educá-la nos princípios da religião para que pudesse entender o que se passava com ela e qual o sentido da responsabilidade que já carregara consigo. Jesus foi aprendendo a importância do seu nome e compreendendo o sentido da circuncisão na cotidianidade da vida. José foi ensinando a Jesus a religião, transmitindo os conhecimentos que possuía sobre o Antigo Testamento e os ensinamentos que os doutores apresentavam no Templo. Esses ritos de

95 “O Novo Testamento conhece um único salvador histórico, Jesus de Nazaré, não tanto por causa da significação literal de seu nome (Yehoshoua ou Yeshoua, “Javé salva”), mas porque todo o processo de salvação está ligado a ele como a seu protagonista indiscutível: “Não há nenhuma salvação a não ser nele, [...] nenhum outro nome [...] que seja necessário à nossa salvação” (At 4,12). O título que pertence predominantemente a Deus (cf. Lc 1,47: “Deus, meu salvador”) é agora atribuído de maneira predominante a Jesus (16x; cf 1 Jo 4,14: “O Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo”). PENNA, Romano, salvação, In: DCT, p. 1594, 2004. 96 TOSCHI, L. O Mistério da Circuncisão e o Dever do Pai em Impor o Nome, p.8.

passagem na vida de Jesus eram parte da tradição dos judeus. José também teve que passar pelo mesmo processo e compreender o que a religião significava na vida do ser humano.

Lembremos que a circuncisão de Jesus trás o pacto de Abraão o qual pede o cumprimento da lei.97 Hoje a circuncisão física não é mais necessária porque Jesus trouxe a circuncisão espiritual do coração. Quanto a José, foi ele quem providenciou e presidiu o rito (cf. Lc 2,21). Também foi responsável em dar o nome (cf. Mt 1,25). Nesse sentido, é ministro da salvação por ter cooperado para o nosso resgate. Ao dar o nome “Jesus” José acredita que aquela criança “salvará seu povo dos seus pecados. Jesus recebe uma identidade cultural a partir de sua humanidade como ‘filho de José.98 Para concluir, afirmamos que o senso da paternidade pode ser resgatado a partir do exemplo de José.

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