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DEL 1 INNLEDNING OG PROBLEMSTILLING

1.4. Oppbygging av oppgaven

“Ao adentrar no Saco do Mamanguá a bordo da baleeira que desliza morosamente pelas calmas águas do “lugar que nos protege”, o tempo que me é oferecido, é suficiente para os olhos se deliciarem com as imagens que vão sendo reveladas e que se compõem em meio ao verde exuberante da Floresta Atlântica. E então são reveladas as pequenas casas rodeadas não por menos verde, e se os olhos estiverem mesmo atentos, percebe- se que o que diferencia os lugares habitados de todo o resto, é a presença das muitas fruteiras. Por entre roupas penduradas nos varais ao vento e por entre redes de pesca e canoas à beira mar, estão as mangueiras, jambeiros, fruta-pão, abacateiros, araçás, grumixamas, laranjeiras, limoeiros, jaqueiras, muitas palmeiras de todos os tipos e flores de tantas cores, tudo, junto às casas, que em muitos casos, não com menos cores em suas janelas e portas. É ali então que a vida passa, é ali que a vida do homem do mar se confunde com a vida pungente da floresta, o espaço de transição entre o homem e a natureza: o quintal, relação esta expressa em sua última análise na cultura e na dieta caiçara” (Diário de Campo, 2001).

Os quintais agroflorestais são um tipo de sistema de produção entre os diferentes tipos de agroecossistemas. A interação entre os recursos naturais e seu manejo por parte das populações locais está baseado em suas necessidades e, em geral, se caracteriza por sua heterogeneidade e a utilização de tecnologias simples. Os quintais, como sistemas agroflorestais, através de sua complexidade, demonstram claramente as características desta interação, como: boas qualidades biofísicas, eficiente ciclagem de nutrientes, alta biodiversidade e grande potencial para a conservação da estrutura física e da fertilidade do solo (Lok & Mendez, 1998).

Os quintais são áreas próximas às moradias e ainda mesmo que abandonadas, exibem uma grande variedade de espécies frutíferas, juntamente com plantios anuais. Os quintais caiçaras, por exemplo, garantem ingresso em diferentes épocas do ano de frutos e outros alimentos, como o café, a cana e o aipim (Adams, 2000).

O quintal agroflorestal é tão diverso em quantidade e variedade, como nenhum outro sistema agroflorestal. É complexo e variado em estruturas e associações e completo em sua funcionalidade (Lok, 1996). Os quintais são estudados no mundo todo e podem ser divididos em quintais agroflorestais de clima temperado e quintais agroflorestais tropicais. Estes apresentam diferenças significativas, quanto à diversidade e aos estratos neles presentes. São conhecidos por diferentes nomes em vários lugares e são sistemas amplamente utilizados especialmente por pequenos agricultores (Lima, 1994). São desenvolvidos estudos expressivos na Ásia, sobretudo nas ilhas da indonésia, em que os quintais são reconhecidamente diversos e apresentam

diferentes estratos (Michon; Mary, 1990), na África (Okigbo, 1990), onde esse sistema possui um significado importante no aporte de gêneros alimentícios, e na América Latina, especialmente na América Central, com trabalhos desenvolvidos por centros de excelência, como o Centro Agronómico Tropical y Enseñanza-CATIE.

São muitos os tipos de quintais encontrados na América Latina, em função dos diferentes contextos sociais e culturais e aspectos geofísicos existentes nas zonas nas quais estão localizados (Lok, 1996). No Brasil existem trabalhos com quintais na Amazônia (Saragoussi et

al.,1990; Lima, 1994; Leeuwen, 1995; 1999, Amoroso, 1981) e também trabalhos no interior de São Paulo com os quintais urbanos em um projeto desenvolvido na UNESP de Rio Claro, coordenado pela profª. Drª Maria Christina de Mello Amoroso13. Esses estudos revelam as relações desses sistemas com a segurança alimentar e destacam também a função desse espaço como um campo de aclimatação e experimentação de espécies para posterior utilização em plantios maiores, sendo que um dos papéis fundamentais é a introdução de novas espécies, como no caso da Amazônia, e também no estabelecimento de uma agricultura adaptada à região. A pouca importância econômica e à baixa produtividade desses sistemas, é relatado por Leeuwen (1995), entretanto diferentes autores, entre estes Fernandes e Nariz, citado por Lok (1998b), enfatizam a importância dos quintais na complementação da dieta familiar, sendo esta sua principal função, juntamente com outros valores como: medicinal, estético e até mesmo cultural. Pois nesse espaço está expresso o conhecimento do agricultor/morador em relação ao local onde este se instala, assim como sua cultura.

De fato em muitos países os quintais agroflorestais assumem um papel significativo para a segurança alimentar das famílias de populações que praticam atividades de subsistência. Fornecem a estas um aporte extra e variado de alimentos e outros produtos, e por vezes podem também representar um pequeno ganho econômico direto ou indireto (Saragoussi et al., 1990). Os estudos relacionados aos quintais em sua maioria envolvem as questões sócio-econômicas das famílias e o aspecto cultural, são considerados como importantes dados complementares ao entendimento do sistema de produção quintal. Estes sistemas são extremamente importantes, porém complicados de serem entendidos, e requerem um enfoque multidisciplinar e integrado de

13 “Conhecimento Empírico de Sociedades Rurais ou de Origem Rural – Os quintais na área do município de Rio Claro, SP, que teve início em março de 1998.

estudo, em combinação com uma visão de promoção/extensão aberta e tolerante (Lok; 1996). E através dessa abordagem multidisciplinar trata de explorar as diferentes e complexas relações construídas e existentes nesse espaço (Saragoussi et al., 1990).

Os pesquisadores do CATIE, no Proyecto de Huertos Caseros, caracterizam os quintais estudados por sua forma. Consideram que a forma inclui um conjunto de estruturas e que esta está fortemente relacionada à função.

“Dependendo de quem maneja o quintal, a função determinará sua forma e ambas determinam seus produtos, recursos e benefícios. A forma, por sua vez, pode gerar uma série de funções biológicas, ecológicas e geofísicas importantes para a estabilidade do sistema agroecológico do quintal e para seus habitantes, sendo que essas funções podem ou não ser conscientes por parte dos habitantes” (Lok, 1998a, p.11).