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Om skjult struktur

In document Nødvendighet og opphav (sider 8-28)

Del II Oppskrift på essenser

4 Om skjult struktur

As professoras, quando indagadas sobre os recursos pedagógicos, responderam de forma consensual que a escola conta com um acervo considerável de jogos em geral. Isto é, a escola recebeu uma quantidade e variedade de jogos relativamente grande, considerando o que se tinha antes, para serem utilizados no ensino das crianças do primeiro ciclo. Entretanto, as professoras não produziram relatos de como utilizam e trabalham com esses materiais em suas aulas.

Antonia: Agora veio muito material, não é, jogos, isso veio. Veio bastante material.(L: 242-243)

Mara: (...) Com a aquisição dos novos materiais quebra cabeça, jogos, tem muita coisa mesmo, alfabeto móvel trabalha numa outra proposta tem muito mais espaço pra isso. (L: 300-302)

Patrícia: Ninguém sabe é como trabalha no físico com esse aluno, porque veio um monte de jogos, materiais, mas não tem espaço pra trabalhar (...) (L: 86-88)

Patrícia confirma a disponibilidade de material existente na escola para trabalhar com os alunos como as demais colegas, mas acrescenta que não há espaço nas salas para se trabalhar com esse material e não há uma formação na qual possam aprender a manipular tais jogos e explorá-los em suas aulas.

Antonia, em outro trecho da entrevista, também fala de como é difícil trabalhar jogos e outras atividades no espaço que tem disponível na escola.

Delma: E mudaram as práticas pedagógicas? Antonia: Ah! Tivemos que mudar?

Antonia: Tem que trabalhar muito com jogos, com a questão do concreto, entendeu. Apesar da escola ter uma deficiência grande de espaço físico! O ideal seria que a gente tivesse um espaço, levar lá fora, as crianças... ler uma historinha, passeando lá fora...(L: 232-237)

Como já dito, a participante aponta a proposta de se trabalhar com jogos como algo ilustrativo das modificações que a escola vem sofrendo. Contudo, quando analisa outros elementos que constituem a escola e que também falam sobre qual concepção de ensino a escola trabalha e se essa concepção tem mudado, o que se verifica, até porque a escola está num processo de transição, é que existe uma facilidade, por um lado, de promover mudanças em determinados aspectos da escola, adquirir materiais pedagógicos, e uma imensa dificuldade, do outro lado, de fazer as adequações necessárias para concretizar a nova proposta de ensino e atendimento à criança de seis anos.

Diferentemente dos jogos, os livros didáticos e os paradidáticos destinados à nova proposta de ensino e aprendizagem do EFNA, segundo Mara, ainda não estão disponíveis nem na escola e nem no mercado.

Mara: Mas agora tem uma coisa é quando eu falo que a mudança é difícil a começar pelo material didático.

Delma: Fica diferente?

Mara: Ele não é diferente porque a gente tem muito pouco ainda. Então, você encontra muito material pra primeira série, primeira, segunda, terceira série...

Delma: No mercado?

Mara: No mercado e na escola também, é que ... a gente acaba fazendo muito material por causa das formações, sendo muito orientada através das formações que pra muito professores é péssimo, já pra outros é ótimo. Eu acho ótimo porque consegue orientar o que você quer fazer. Então, muito material do primeiro ano é produzido pelos próprios professores. Então, nos primeiros dias, eu fui procurar a biblioteca. Então, todo material que eu encontrei era primeira série. E eu esperava encontrar uma coisa de primeiro ano. Sai daqui e fui procurar as editoras pra encontra material. Consegui muito material, mas muito pouco direcionado pra primeiro ano. E quando chegava lá, ah, mas eu não queria pra primeira série, eu queria pra primeiro ano. “Ah, então você quer material de alfabetização?” Entendeu. Então, isso é visível. E a gente tem produzido muito material, tem trabalhado, eu, por exemplo, tenho trabalhado com livro de alfabetização porque o livro de primeira série é muito além do que a gente propõem, entendeu.(L: 264-281) Mara expõe a dificuldade que tem em acessar materiais didáticos direcionados aos alunos de 6 anos e aos demais que frequentam o EFNA. A dificuldade de se ter material parece não ser uma limitação da escola para adquiri-los, mas se estende a toda uma área que ainda está se organizando ou não para atender às demandas dessa política.

governo que regulamentou a política e do sistema de ensino do país que faz as exigências de mudanças nas escolas sem ter condições de respaldá-las.

3.9 Rotinas e horários

As rotinas e horários também foram pautados no roteiro das entrevistas e quando a questão era abordada, a resposta era sempre muito parecida. Os horários das disciplinas e dos recreios não sofreram nenhuma alteração. A quantidade de aulas das disciplinas de educação física e artes não foram ampliadas. E também não existe um horário na matriz curricular que prevê espaço para brincadeira livre ou dirigida.

Delma: E as rotinas mudaram? Antonia: É...

Delma: Eles entram na mesma hora, saem na mesma hora, têm o mesmo tanto de recreio?

Antonia: É, não mudou nada. Entra no mesmo horário, sai. O recreio é o mesmo.(L: 269-272)

Delma: E as rotinas?

Patrícia: Então, as rotinas? É prática em sala de aula, eu não tive, mas pelo que eu vejo, eles têm o horário como era! Porque eles têm recreio no mesmo horário. Eles ficam dentro da sala de aula porque não tem espaço. Então, eu acho que a mesma coisa, a rotina deveria ser vamos dividir de jogos. Vamos pra sala de jogos. Vamos voltar pra sala pra fazer... não existe! Não existe esta rotina de pré-escola, não existe no ensino fundamental! Mesmo sendo menores. Não tem espaço. Então, eles têm educação física de cinquenta minutos, como era. Eu não vejo mudança de rotina. Agora, eu não sei dentro da sala de aula como é feito, se tem... porque a gente que faz o nosso horário de sala de aula. Então, a gente pode pára uma hora e trabalhar jogos. Fora... saindo de sala de aula não existe. È rotina normal da escola.(L: 189-199)

Embora Patrícia ainda não tivesse trabalhando com EFNA, ela consegue observar que quase nada mudou em relação às rotinas e horários e até faz sugestões de como organizar o tempo e o espaço pensando as especificidades das crianças que estão matriculadas no EF.

Já Laura embora não negue que os horários são os mesmos de antes, pontua que existe um trabalho diferenciado que está sendo feito nas salas de aulas. Dá como exemplo o trabalho com música que é feito pelas professoras em sala e o trabalho com movimentos dentro da disciplina de educação física. Contudo, admite que neste ano (ano em que ocorreu a coleta: 2008) não tem presenciado muito tais atividades porque as professoras têm um perfil “tradicional”, que resistem às propostas de trabalho como exige o EFNA.

Delma: E as disciplinas, você que eles pensam na questão da arte, do movimento. Aumentaram as disciplinas de educação física, por exemplo, de artes ou se mantiveram os mesmos horários?

Laura: Os horários continuam divididos da mesma forma que antes, isso não mud... até pela estrutura da escola, mas dentro desse horário as crianças trabalham com movimento, com professor específico em educação física, as professoras trabalham muito dentro da sala com música, bastante com a questão da arte mesmo. Isso eu falo aqui na escola, as outras realidades das outras escolas , eu não conheço, eu posso te falar da minha. E te falo assim, esse trabalho mais assim... não digo alternativo porque se não dá impressão assim... de trabalho mais... como é que eu posso te dizer, mas é um trabalho mais próximo à concepção que se está propondo do ensino fundamental de 9, eu vi muito mais nas professoras do ano passado. Esse ano vieram pra minha escola aqui algumas professoras que têm uma abordagem mais tradicional de ensino, tão tentando efetuar alguma mudança, mas você percebe que a essência é ainda tem o pezinho lá na abordagem mais tradicional de alfabetização.(L: 216-230)

Percebe-se que a coordenadora tenta dizer que a proposta da escola é que os professores ocupem e usem os horários de sala de aula de maneira diferente, nas palavras dela: “mais próximo do que EFNA está propondo”, mas as professoras oferecem resistência. E como as professoras resistem, a coordenação aceita que o trabalho seja realizado de forma “tradicional”.

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