Del I Innsigelser og forvekslinger
2 Materielle opphav og materiell komposisjon
Nas entrevistas, a temática do currículo foi introduzida por meio de perguntas sobre a adequação do currículo principalmente para as crianças de 6 anos.
Infelizmente, foram poucos os dados que obtivemos sobre essa temática. Em geral, as professoras fazem alusão ao currículo quando falam das disciplinas e suas áreas de conhecimento. No trecho a seguir, Antonia fala sobre as mudanças da matriz curricular e dos conteúdos.
Delma: E as disciplinas que são ministradas a eles, existiu alguma alteração, ou era...?
Antonia: Eu acho que mudou o nome e o tratamento... Matemática, agora, é Raciocínio Lógico Matemático, ai entram as áreas: Espaço e Forma, não é. Aí tem a parte de Aritmética, bom não é, tem a parte Informática: tratamento e informação, você trabalha com gráfico, então isso aí, a parte de Geometria, que é Espaço e Forma. Depois Geografia e História, agora, é Sócio- Histórico-Cultural, entendeu? Ao invés de ser Língua Portuguesa é Língua e Linguagem.(L: 249-254)
Aqui, a professora fala de uma mudança no âmbito do currículo, destacando que, com o EFNA, houve uma mudança nas disciplinas ministradas no que se refere à nomenclatura e tratamento, sugerindo que existe uma proposta de apresentá-las e trabalhá-las com os alunos de maneira diferente. No entanto, não narra nenhuma situação concreta em que se pudesse visualizar a mudança do currículo materializada na cultura da escola.
disciplinas e seus conteúdos não serem tão fragmentados, mas explorados de forma mais contextualizada.
Enfim, embora Antonia deixe transparecer que existe algo diferente na organização formal e documental do currículo, quando narra as condições de estrutura na qual o currículo é efetivado, parece que mudanças neste sentido ainda não haviam sido feitas, impossibilitando a concretização de um currículo mais flexível e adequado à nova condição dos alunos do EFNA.
Quando Patrícia é questionada sobre o mesmo assunto, pode-se dizer que na resposta proferida pela professora circula um sentido semelhante ao atribuído por Antonia. A diferença está no que Patrícia menciona na parte final do trecho. Ela sugere um conteúdo para o currículo que no passado estava vinculada à disciplina de Educação Moral e Cívica e salienta que o Referencial Curricular Municipal não contempla um currículo voltado para formação política dos alunos.
Delma: E as disciplinas pra essas crianças mudaram?
Patrícia: Mudou só o nome, não é? Ciências é... fala... mudou o nome no papel, mas continua a mesma coisa. Você vai trabalhar tempo em História, Geografia... aula de Artes tem nomes diferentes. Se você me perguntar, eu tenho que pegar o referencial pra dá uma olhada porque é o que eu estou falando, eu não trabalhei com isso. Mas eu acho que falta muita coisa na parte social. Eu, igual, estudava Educação Moral e Cívica, cidadania, eu acho que é falha do referencial. Nenhum ponto eles falam de cidadania, de amor à pátria, de respeito à escola. Então, eu acho que falta muito a ser melhorado no referencial. (L: 182-188)
Aqui gerou-se um impasse: não sabemos se a professora Patrícia ignora o conteúdo do currículo que é proposto no documento Referencial Curricular Municipal ou se o que está previsto em termos de documento não se traduz na prática. De qualquer forma, este fato indica, de alguma forma, como a apropriação deste currículo está sendo negociada no cotidiano da escola. Isto é, parece não haver um esforço coletivo das professoras para se chegar a um entendimento de currículo. A atividade de compreensão e apropriação fica na responsabilidade de cada indivíduo.
Embora Mara tenha elaborado uma resposta positiva para a pergunta sobre a alteração do currículo, na hora de descrever o que mudou acaba usando os mesmos argumentos que Antonia e Patrícia utilizaram para dizer que não teve tantas modificações ainda.
Delma: Você acha que o currículo mudou? Mara: Mudou.
Delma: O que você acha que mudou do currículo?
Geografia, História... hoje não, a gente tem Língua, Raciocínio Lógico Matemático, Natureza e Sociedade, eu o meu próprio corpo e... então esse primeiro e segundo ano que é o que eu conheço e é o que tem aqui, a gente vê essa relação e a preocupação de está trabalhando os conteúdos atrelados sem compartimentar e pra criança faz muito mais sentido, e não determinar mais. Por exemplo, vamos estudar os animais, que é Ciências, ou vamos estudar os espaços, isso aqui é Geografia, não, a gente é... consegue trabalhar sem estar dividindo ou falando o que é , isso tem no referencial separado por área, então a gente não mais dividido. Mas agora tem uma coisa é quando eu falo que a mudança é difícil a começar pelo material didático.
Delma: Fica diferente?
Mara: Ele não é diferente porque a gente tem muito pouco ainda. Então, você encontra muito material pra primeira série, primeira, segunda, terceira série...(L: 256-263)
No final desta fala, Mara comenta que a mudança no currículo ainda não aconteceu porque não existem tantos materiais didáticos. Podemos compreender esta colocação de Mara como uma explicitação de que não existem suportes e as condições concretas para as modificações que o documento acena. Aqui parece que a transformação do currículo esbarra numa cultura escolar que pouco se alterou com o EFNA, fundada em materiais e recursos inexistentes, por serem construídos ou ainda não compatíveis com as novas orientações.
No caso da coordenadora, observa-se um discurso um pouco diferente. Para esta há uma mudança de abordagem das disciplinas, contudo se restringe ao aspecto da aprendizagem cognitiva.
Delma: E os currículos, os tempos, as disciplinas?
Laura: O Tempo não! A esperança é que esse tempo mude com a gradativa implantação. Mas assim o conteúdo teve uma outra abordagem, embora a referência seja só a aprendizagem, no sentido cognitivo, ela mudou sim. Agora, em relação ao tempo, as crianças continuam muito em sala de aula. (L: 211-215)
Laura diz que em relação à organização do tempo escolar, o currículo claramente não conseguiu avançar, contudo acredita que ainda possam ocorrer modificações conforme for acontecendo a implantação do EFNA. Sobre a perspectiva teórica que fundamenta as concepções de aprendizagem, ela diz perceber mudanças, mas esboça certa insatisfação com a abordagem a que se filia o documento.
Enfim, no geral, percebe-se que existe uma proposta de inovação do currículo para o EFNA que até já tem uma concretude em termos de documentos mais gerais, mas ainda não atingiu com a mesma força o projeto político-pedagógico da escola e, principalmente, a prática das professoras.