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Forestillbarhet og uforestillbarhet

In document Nødvendighet og opphav (sider 40-44)

Del III Gjennomgang av argumenter

6 Forestillbarhet og uforestillbarhet

Buscou-se entender como a criança de 6 anos é vista pelos professores no EFNA e que lugar ela ocupa e/ou é posicionada nessa nova situação. De maneira geral, os professores

percebem que os alunos do primeiro ano do EF9 são mais imaturos do que aqueles que ingressavam na primeira série de antes. Contudo, essa imaturidade, que de fato existe porque a criança ingressa mais cedo no EF, é compreendida por diferentes ângulos.

Num trecho que Antonia é provocada a se posicionar sobre as mudanças advindas do EFNA, ela fala que as mudanças são positivas para o aluno porque este tem mais um ano para se alfabetizar. Aqui a professora está fazendo referência ao ciclo inicial que foi ampliado de dois para três anos.

Destaca-se desta parte a continuação muito forte do sentido de que o objetivo do primeiro ciclo é alfabetizar. Ao se manter esta meta, pode se entender que a criança de 6 anos está sendo vista não como criança sujeito de direito de se expressar e desenvolver por meio das diferentes linguagens, mas como aluno que precisa se alfabetizar.

Delma: Então, em relação assim, como a senhora vê a mudança, é positivo pro professor, não é, pro aluno como que é?

Antonia: É positiva porque o aluno vai ganhar um ano, tem um ano a mais para poder estar se preparando pra alfabetizar. Aquele que não conseguiu no primeiro ano, ele vai conseguir, você entendeu, ele tem um ano a mais pra alfabetizar.

(...)Então, ter um pouco mais de tempo pra poder desenvolver as habilidades. Eu acho que houve um ganho porque tem criança que vem completamente crua pra escola. (L: 236-245)

Nas últimas linhas, a narrativa de Antonia explicita novamente este sentido de que a criança é um aluno não completo e não uma criança em desenvolvimento quando diz esta “vem completamente crua para escola”.

Mara já faz outro movimento. Ao analisar quem é esta criança que circula hoje no EF, num primeiro momento, conforme a professora destaca o que avalia ter mudado, pontua que existe outro foco na educação hoje, que não é mais só como se ensina e sim como se aprende. Como quem aprende é o aluno, parece razoável entender que a professora está dizendo que agora se olha mais para criança e para suas necessidades reais. E que cada criança é vista na sua particularidade. Não existe um padrão, existem crianças que precisam ser atendidas.

Mara: Eu vou falar por mim, mas eu não sei, eu acho que hoje a preocupação é mais voltada pra quem ensina e pra quem aprende. E antigamente, na minha época, não era assim. Então, era um menino só, a professora ensina da mesma forma pra todos alunos, hoje eu acredito que tem a preocupação da gente estar tentando fazer com que todos passem por todas as fases, cada um no seu ritmo, isso não existia. Antigamente quando o aluno tinha alguma defasagem, não conseguia, tinha alguma dificuldade, em casa, muitas vezes, o pai e a mãe conseguia ajudar, hoje eu já percebo que não é viável entre meus alunos. As dificuldades que eles têm, têm sido mais trabalhadas na sala de aula do que em casa. (L: 23-30)

matriculada no EFNA, trazendo que esta tem um ritmo diferente e que está numa situação de desenvolvimento diferenciada das crianças que os professores estão acostumados a receberem em suas salas. Percebe-se que a professora vê essa discrepância como algo natural e já esperado. Consequentemente ela posiciona a criança não como alguém que ainda não sabe, mas como alguém que está em processo de desenvolvimento que necessitada de um direcionamento do professor adequado às demandas de sua “fase” de desenvolvimento.

Delma: Falando ainda em relação às mudanças, você falou que a forma de dar aula mudou, e os alunos você acha que eles mudaram?

Mara: Mudaram. Delma: Em que sentido?

Mara: Eles entram mais novos, vem com uma postura diferente, então, a maior dificuldade nos primeiros dias, por exemplo, é que eles fiquem, que eles entendam... “ a minha mão dói de cansada, ah, mais tem copiar da lousa, mas tem lição, tem lição de casa”... então, você vê que eles vem uma outra assim, não vou fala é cru não, vem com outro nível desenvolvimento, eles são muito mais infantis, você percebe que as atividades lúdicas, que comecem no lúdico e depois vão pro papel, são muito mais produtivas do que você tentar fazer no papel. Você que trabalhar é materiais alternativos antes de passar no papel conquista muito mais. Eu acho que essas são mudanças positivas porque o que a gente vivência a gente não esquece. Então, às vezes, eles fazem uma multiplicação muito rudimentar sem saber que tá fazendo e, depois, você sistematiza, eles olha... então, você que não tem como antigamente. A introdução de livro de didático demora um pouco mais porque eles ainda não têm... não sabe lidar. Até eu faço uma analise de material e os pais pedem desde o começo do ano. Então, eu tive dificuldade de questão motora, escrever no papel de linha. Então, lá no primeiro dia a letra desse tamanho, entende, tudo isso. Se você pensa bem, você questão de maturidade mesmo(L: 238-252).

Observa-se que, embora Mara tenha uma compreensão de que a criança de 6 anos é um ser com características próprias de desenvolvimento, as quais precisam ser respeitadas no EFNA, ao final do relato ela dá indícios de que acaba fazendo um trabalho que prioriza atividades que eram mais recomendadas aos alunos do EF Oito anos (atividades acadêmicas no caderno) do que aquelas que são mais condizentes com o tempo, o ritmo e a forma de aprender da criança que frequenta o 1º ano do EFNA.

A coordenadora Laura, quando perguntada sobre a mudança do aluno, esboçou uma leitura de como os professores enxergam os seus alunos. Na sua concepção prevalece ainda muito forte no imaginário das professoras uma idéia de aluno ideal, que supostamente existiu há décadas atrás: selecionado, educado e preparado pela família para entrar na escola. Ela destaca que os professores ainda esperam que os alunos cheguem de alguma forma mais preparados na escola e se decepcionam quando tem de lidar com um alunado que tem outro perfil, apresentando fortes resistências em desenvolver um trabalho com estes alunos que não correspondem as suas expectativas.

Delma: Você falou que o aluno mudou, a clientela que a escola... Laura: O aluno mudou.

Delma: ... e a escola não acompanhou...? Laura: Não acompanha.

Delma: Por que você acha que não acompanhou?

Laura: Porque a escola ainda está fundamentada e estruturada em prática do século XIX. Se a agente for perceber, e o que é muito forte, hoje, ainda, é a idéia de um aluno ideal, por mais que a gente fale que não, por mais que os professores falem que não, eles ainda acham que a escola de 30, 20 anos atrás era melhor. E por que era melhor? Porque era um público seletivo, não é. Era um público que tinha todas as condições em casa. Então chegava na escola educado, obediente, com todos os recursos materiais possíveis, então era mais fácil a profissão e a profissão também era mais valorizada. E agora não, agora o público é público assim que a escola não se preparou para receber, com resistência em se preparar e em aceitar. Todos vêem a realidade, mas não conseguem se adaptar a ela.

(...) E isso acaba tendo um choque porque a criança não é mais a criança de vinte anos atrás. (L:70-80)

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