Del II Oppskrift på essenser
5 Om kontingent a priori
Considerando que as crianças de 6 anos que antes freqüentavam a pré-escola que tinha uma estrutura física que permitia aos alunos passarem mais tempo em espaços externos à sala de aula, como por exemplo, nos parques, pátios, jardins, brinquedoteca, casa de boneca etc, e que a proposta do EFNA não tem como objetivo fazer do primeiro ano uma primeira série, faz se necessário analisar como o espaço tem sido atualizado ou não.
A avaliação das professoras é unânime em relação ao espaço físico: o espaço físico não mudou, ele é precário até para a proposta do EF Oito anos.
Antonia: Apesar da escola ter uma deficiência grande de espaço físico! O ideal seria que a gente tivesse um espaço, levar lá fora, as crianças... ler uma historinha, passeando lá fora...
Delma: O espaço físico, a senhora, avalia que não mudou? Antonia: Não
Delma: E a sala de aula?
Antonia: Também não. A única coisa que mudou foram os móveis que colocaram menorzinhos também.
Antonia pontua que nem o espaço da sala de aula e nem os outros espaços da escola sofreram alteração. A sala de aula continua da mesma maneira, com uma ressalva apenas para o mobiliário que é novo e adequado ao tamanho das crianças.
Analisando este trecho percebe-se também que o que é proposto como uso do espaço externo não é bem uma proposta de ensino aprendizagem pautada nas características das crianças de 6 anos. Tem-se a impressão que o uso dos espaços externos é visto como um momento de descanso desvinculado à proposta pedagógica.
Patrícia, nas linhas abaixo, apresenta uma tese de que nada muda na escola. Para confirmar sua hipótese entra num movimento de balizar um conjunto de coisas, que estão dentro e fora da escola, para confirmar que muitos eventos na escola permanecem em inércia. Dentre essas, aponta que o espaço físico não se adequou a nova situação do EFNA.
Patrícia: É o que eu te falei! Conserva o espaço físico. Conserva uma direção autoritária. Não digo a direção daqui, a secretária da educação, é muito autoritarismo. E a gente que ter um trabalho diversificado, mas não tem condição, por fim, você acaba sendo tradicional. Não tem como você não ser tradicional porque trinta e cinco alunos numa sala de três metros por três, não tem como você não ser tradicional. Como que você faz um circulo pra você trabalhar em circulo, você tira as carteiras, não cabe os alunos. Então, acaba sendo conservação. Não adianta mudar tudo no papel e não dar condição pra nós. Por exemplo, que fazer um novo processo? Diminuir a quantidade de aluno por sala. Aí dá. Ou muda a escola inteira, faz sala disso, daquilo e a gente caminha com essas crianças.(L: 223-232)
Delma: Você acha que escola não mudou?
Patrícia: Não mudou? Não mudou a estrutura física da escola, muito errado porque a gente quer atualizar tudo e continua no mesmo padrão... aquelas carteiras, aquela sala pequena, é... acho que poderia ter uma estrutura física diferente, a gente poderia trabalhar fora de sala, se um bate papo, sabe uma coisa pra cativar mais a criança. Sabe outra coisa que atrapalha muito nas escolas públicas é que quem constrói uma escola não tem olhar do pedagogo, um olhar de um professor. Vem constrói aleatoriamente. Então, nada é de fácil acesso, tudo é complicada. Então, isso não mudou. Desde quando eu estudava, os prédios escolares são os mesmos. Exigem-se muitas mudanças nossas, muitas capacitações que não interagem com espaço físico da escola.(L: 65-74)
Patrícia, ao ponderar sobre a precariedade do espaço físico, coloca que muitas mudanças políticas e estruturais são propostas na e para escola, mas nunca a arquitetura dos prédios acompanha ou se adequa a tais inovações. Ela também denuncia uma prática que supõe acontecer quando as escolas são construídas, a de que nunca um profissional, como pedagogo, que entende da dinâmica de funcionamento da escola, é consultado para dar um parecer da conformação pedagógica do espaço.
A professora também situa historicamente sua constatação de não mudança dessa parte da escola ao comparar como era a estrutura física da escola na época em que foi estudante e como é agora que está na instituição como professora. Enfim, observa-se, neste segundo trecho, que Patrícia destaca que a continuidade do espaço físico é uma questão histórica, ela diz que o espaço não só não mudou agora com a transição do EF de Oito para Nove anos, este não muda há muito tempo porque, desde quando era aluna, permanece o mesmo arranjo.
É importante destacar como é pertinente o questionamento da professora quando coloca que se muda tudo na escola, mas o espaço físico é sempre o mesmo. Como é possível uma atualização de todas as coisas e do espaço físico não. Outra questão levantada pela professora é como nas formações o item espaço físico nunca é contemplado como questão pedagógica.
Laura não só faz a leitura de que o espaço físico não foi reorganizado para receber as crianças de 6 anos como demonstrar ter mais noção das consequências de não se ter um espaço adequado para crianças dessa faixa etária. Ela descreve abertamente que na escola não tem espaço físico para brincadeira e para qualquer outra necessidade da criança de se movimentar.
Laura: (...) a escola em termos de espaço não se organizou pra receber essa criança de seis anos. Tanto é que a escola não tem o espaço adequado pra brincadeira, não digo só a de playground, essa coisas não. Mas ela não tem o espaço adequado, adequado pra a questão da brincadeira, do movimento e isso acho uma grande falha. E também não sei... se existe essa preo... não, essa preocupação existe, mas a efetivação dela está longe de acontecer, porque ainda não foi absorvido que é uma criança de seis anos que está no fundamental e que tem outras necessidade. O que algumas professores estão fazendo é de enaltecer, mas pelo esforço próprio e não porque a escola tem estrutura, a escola é... tem essa política, porque não é só adaptar a sala de aula, mas é adaptar a escola mesmo, porque são crianças de seis anos, e isso eu não tenho visto. Então, eu tenho medo de que torne não, isso, eu tenho também que falar, isso não é uma política da secretaria da educação que torne esses anos um ano conteudista, isso eu tenho certeza, muito pelo contrário, estão girando em torno mesmo que seja saudável, que seja bom, que leve em conta essa questão do movimento, dá arte, mas a escola não tem se preparado pra isso, e isso tem tido o esforço de alguns professores, esforços isolados.(L: 186-207)