Vice-Reitor Para Área Académica do ISCTAC
Email:[email protected]
O
presente trabalho consiste na resenha da obra “A Educação Como Projecto: Desafios de Cidadania” de Emanuel Oliveira Medeiros, publicada pelo Instituto Piaget na Colecção Horizontes Pedagógicos, em 2010. A obra está estruturada em sete capítu- los onde o autor procura demonstrar que os diversos projectos educativos só encontram sentido se forem pen- sados, desenvolvidos e avaliados à luz da Filosofia e da educação e que a educação, a cidadania e os pro- jecto educarivos implicam-se mutua- mente e devem configurar a pessoa numa dinâmica de acção reflexiva participa na Polis, de modo construti- vo, crítico e prudencial. A pessoa é agente responsável pela educação cultura e cidadania. A resenha está estruturada em seis partes dispostas da seguinte forma: título do texto, autores do texto, resumo do texto, - síntese das ideias do autor e as impli- cações, para realidade moçambica-na. No final consta a referência bibliográfica.
Os diversos projectos educativos só encontram sentido se forem pen- sados, desenvolvidos e avaliados à luz da Filosofia e da educação. O verdadeiro projecto educativo não tem um objectivo instrumental mas uma finalidade antropológica. Edu- cação Cidadania e Projecto impli- cam-se mutuamente e devem confi- gurar a pessoa numa dinâmica de acção reflexiva participa na Polis, de modo construtivo, crítico e pruden- cial. A pessoa é agente responsável pela educação cultura e cidadania. As questões da cidadania, transver- sais ao currículo do ensino básico e secundário exigem uma reflexão filo- sófica que esteja apara além das contingências do tempo, embora se situe no horizonte da vivência e com- preensão reflexiva e crítica da con- temporaneidade educacional. A cidadania é intervenção mas talvez seja, antes de tudo, hermenêutica
que interpela o sentido da acção de cada pessoa em concreto e das dinâmicas nas diferentes Instituições Educativas.
Medeiros (2010: 9-27) inicia a sua discussão apresentando as bases ontológicas da educação, enquanto acto de educar, e da cidadania, enquanto exercício dos direitos e deveres políticos e sociais dos indiví- duos. Se seguida, ele presenta a famí- lia como pressuposto básico no pro- cesso educativo, tendo em conta que uma cidadania efectiva é cons- truídos caso as bases educativas familiares seja boas.
A filosofia e os limiares da identi- dade humana constituem desafios no processo da educação para a cida- dania, porque trata-se de um proces- so educativo virado para a socieda- de (Medeiros, 2010: 41-50). Desta fei- ta, os diversos projectos educativos só encontram sentido se forem pensa- dos, desenvolvidos e avaliados à luz da Filosofia e da educação. Portanto, o verdadeiro projecto educativo não tem um objectivo instrumental mas uma finalidade antropológica. É nes- te contexto que aducação, cidada- nia e projecto passam a ser aspectos que implicam-se mutuamente e que devem configurar a pessoa numa dinâmica de acção reflexiva partici- pa na Polis, de modo construtivo, críti- co e prudencial.
No processo educativo, há um conjunto de virtudes que devem estar impregnadas no educando, sobe pena do processo não produzir os resultados desejados (Medeiros, 2010: 51-65). A pessoa no processo educati- vo é agente responsável pela educa-
ção cultura e cidadania. As questões da cidadania, transversais ao currícu- lo exigem uma reflexão filosófica que esteja apara além das contingências do tempo, embora se situe no hori- zonte da vivência e compreensão reflexiva e crítica da contemporanei- dade educacional.
Na filosofia da educação para a cidadania é preciso ensinar a ver, dis- tinguir e discernir em relação aos objectivos educativos que lhes são apresentados (Medeiros, 2014: 79). A cidadania tem que ver com a inter- venção, mas talvez seja, antes de tudo, hermenêutica que interpela o sentido da acção de cada pessoa em concreto e das dinâmicas nas diferentes Instituições Educativas.
As questões de educação para cidadania e os assuntos transversais ao currículo do ensino no geral, em Moçambique, exigem uma reflexão filosófica, ontológica e epistemológi- ca que vai para além das contingên- cias do tempo, embora se situe no horizonte da vivência e compreensão reflexiva e crítica da contemporanei- dade educacional. A presente obra torna-se relevante para a realidade moçambicana, uma vez que chama atenção para a necessidade de incorporar a cidadania no processo educativo, uma vez que educa-se alguém para lidar com o mundo. Em Moçambique, como em qualquer parte do mundo, a educação deve proporcionar ao indivíduo um conjun- to de conhecimentos que permitam dar clareza e evidências dos seus direitos e deveres, sob pena de ser ter muita instrução e ser mal-educado e muito menos um cidadão.
Para educar para a cidadania, em Moçambique, há que envolver e disperar nos vários actores do proces- so educativo a necessidade de se ensinar a questão dos direitos e deve- res dos cidadãos logo no processo de socialização primária, para que o indivíduo ao ir as instituições formais de ensino possa ter um manancial de princípios e valores que conduzem e moldem a sua atitude e comporta- mento com vista a cidadania.
Referência Bibliográfica
Medeiros, Emanuel Oliveira (2010), A Educa-
ção Como Projecto: Desafios de Cidadania,
Instituto Piaget na Colecção Horizontes Pedagógicos, Lisboa.
A Revista Científica do ISCTAC é um veículo informativo do Instituto Superior de Ciências e Tec- nologia Alberto Chipande – ISCTAC com tiragem trimestral que se destina a servir de foro livre para a apresentação e publicação de conhecimentos e ideias inovadoras sobre os diversos temas candentes da sociedade moçambicana e internacional, tendo em conta as linhas de pesquisa do ISCTAC e outras áreas afins. As opiniões expressas ou insinuadas nesta revista per- tencem aos seus respectivos autores e não representam, necessariamente, as do ISCTAC ou qualquer outro órgão da instituição. Os artigos que constam desta edição podem ser reprodu- zidos no todo ou em parte, para fins académicos, desde que a revista e o autor sejam citado como fonte.