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The oldest recorded Cenozoic glacial history in Norway

In document geology of norway Quaternary (sider 31-35)

Redenção

Goa bela!

Olha os Gates (1) em chama! Olha a crista revolta

que se inflama! Andam tigres à solta nos bosques de Bengala! É a Índia que te fala! É a Índia que te chama!

Olha os Gates floridos, Goa bela! Seus píncaros parecem mil canteiros de corolas subtis, multicolores; nos seus desfiladeiros,

a Água se transforma em mar de leite e o leite em mar de Flores!

Eis a Manhã de Glória, que desponta num clarão!

Goa! Olha os Gates floridos! Olha os reflexos da Aurora da tua redenção!

Vês como, além, o areal palpita e as arequeiras

suas copas virentes entrelaçam ao seu calor?

No jangál (1) já vê o wág (1) se não agita, e, alacres, despertam capoeiras,

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e mil casais se enlaçam com amor...

É o fulgor

da tua manhã de Glória que os excita!

Ó Goa bela, ouve os Gates cantando: nos seus milhares

de ôllos (1) seculares

— imensas catedrais abobadadas — acordam as ninhadas!

A brisa do Decão traz-nos, dos ninhos, suas canções:

parecem luz a entrar aos bocadinhos nos corações!

Olha os Gates, ó Goa, Goa bela! Vê como as verdes olas se espanejam nos seus palmares;

e os bule-bules gárrulos festejam a hora do resgate!

O coco, escrínio de oiro, tingiu-se de mais loiro, e nas searas das morodas (1) se aloira mais o bate!(1)

Goa bela!

Eis o pólen da Vida

que Súria (1) vem verter nos teus jardins! Abre à Vida o teu peito:

o seu beijo fecundo redimida, a Natureza juncará teu leito de mogarins (1) !...

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teu velho amante,

estorce-se em tuas praias suplicante, esmolando carícias:

(blandícias de traição...)

Mas não lhe volvas teu olhar amigo, ó Goa bela!

O mar é um inimigo: se te traz a monção, também te traz procela e já te trouxe a santa Inquisição...

O Mar, teu velho amante?

Tola a paixão qu´inda por ele nutres! pelos trilhos

do seu dorso gigante, pombas de brancas asas, (por dentro abutres de goela hiante...)

vieram sobre ti banquetear-se e te servirem fogo em vez de luz: e mancharem teus lares

e queimarem teus filhos,

teus livros, teus tesouros, teus altares frias, pálidas mãos alçando a Cruz!

E com os filhos queimados, com os livros perecidos, os altares destruídos e os templos profanados, os teus Deuses te deixaram, os teus sábios morreram as virtudes debandaram e... os abolins feneceram...

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Hoje na tua vida tudo é monotonia:

sem ciência nem cultura, sem génios nem poetas vegetas...

Pobre mina exaurida!

No ritmo da ataxia a seiva produtiva

estancou em tuas veias... E crês-te progressiva!

E pensas iludir essa melancolia

caiando de alvaiade as faces bronzeadas, a fingir de .... europeias!

Mas ficam furta-cores...

Águias ousadas e inquietas, condores

ansiosos de vida e de espaços, teus filhos,

buscando novos trilhos

abandonam-te em triste debandada. Uns encontram a Glória, outros a Morte: eles, águias inquietas

na sua sede de vida e de espaços! Mas tu, indiferente à sua sorte, comes do ganho dos seus braços e encostas-te às muletas

como uma velha trôpega e cansada!

Eis a lição, «a exploração»,

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que te legou a Europa, tua senhora: ela explorou-te outrora,

tu exploras agora

os filhos do teu próprio coração!

Pobre Goa, tão pobre! Em que ignóbil carcaça pôs a tua alma d´ouro, a hora da desgraça! Teu cérebro esgotado

dormiu na inconsciência! E, esquecido o passado, interrupta a História,

bate em vão a alheias portas em busca da Ciência! Vai em balde a estranhas terras à procura da Glória!

Ó Goa bela! Acorda! Esquece-te e recorda!

Esquece os longos anos de desdita, de miséria infinita,

de revolta, de luto, de opressão! Esquece a Inquisição,

e o Jesuíta

que te torceu a alma, que te deixou por arma a hipocrisia,

e cavou mil abismos penetrantes (fé, costumes, língua, tradição...) entre

os filhos do teu ventre.

Esquece-te das noites horrorosas e trágicas, de incêndios crepitantes em que, templo após templo, campo após campo,

se consumia

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que no teu seio havia.

Ó Goa bela, acorda! Esquece-te e recorda!

Recorda a tua História!

Folheia o Livro de Ouro do Passado! Volve às eras de glória

em que eras grande, em que eras moça e sábia, em que os homens do Pérsico e do Tigre te vinham ofertar corcéis da Arábia e tu lhes davas sândalo e gengibre; em que os teus cinco rios,

cantados

pelas Puranas santas lavavam os pecados e eram visitados: rios cuja água, bebida,

era uma fonte de amor, doçura e vida!

Esses tempos passaram, estas glórias morreram,

essas árvores d´ouro feneceram, e as águas sagradas,

abandonadas, se profanaram... Jamais um batelão de quilha donairosa

flutuou triunfante à tona do Zuari (1); e a flor da tradição

tremeu e, pressurosa fugiu de ao pé de ti...

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e reinos mais seguros guardaram com unção o seu botão.

Hoje, desabrochada, as pétalas estrela e estende para ti:

E sobre o gineceu — exulta ó Goa bela! — surge, de novo, ovante, a Deusa Lakximi (1)!

E agora

olha a manhã de glória que desponta num clarão:

É ela

— Ó Goa bela! São os Gates floridos! São os reflexos da Aurora da tua redenção!

(1) Glossário de termos de origem indiana:

Gates - do concanim «Ghant» ou cordilheira que separa a zona litoral de Goa do planalto de Decão.

Jangál - floresta

wág - tigre

ôllos - rimas populares

morodos - terrenos cultivados nas encostas das colinas

bate - arroz antes de ser descascado. Súria - Sol

mogarins - flores brancas e cheirosas, muito procuradas pelas senhoras indianas para adorno da cabeça e para grinaldas.

abolins - flores encarnadas, sem notável cheiro, e muito utilizadas em Goa nos serviços religiosos, e para fabricar grinaldas.

Zuari - o maior rio ao sul de Goa.

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ANEXO XVII – Poema de A. Barreto “Sivaji”

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