As exigências do jornalismo televisivo no sector de documentação refletem-se na necessidade de pesquisar e recuperar informações em tempo útil, com destreza e competência, de modo a serem incluídas em novas reportagens para os noticiários diários. Contudo, os programas informativos têm uma problemática específica pela quantidade de material que geram. Por isso, também aqui há a necessidade de ser definir previamente o que deve e o que não deve ser selecionado para ser introduzido no sistema de informação. Normalmente, tanto pelo seu valor
histórico como pelo índice reutilização, a escolha seletiva recai sobre reportagens e as sequências de materiais não editados, bem como uma cópia de emissão do noticiário e uma cópia paralela.
“(os) elementos decisivos para uma reportagem ser mantida no sistema são a importância do jornalístico e a qualidade técnica da imagem, embora também sejam preservadas matérias sem qualidade técnica ideal devido ao interesse e importância do seu conteúdo.” (Júnior, 2008: 30)
Para fazer parte do arquivo, a informação que é produzida originalmente sob a forma de reportagem, passa por diversas operações de seleção, extração e redução. Deste modo, as reportagens tornam-se para os arquivistas num “objeto a ser submetido a esquemas de análise e a modos de categorização que promovem novos recortes, outras identificações e reagrupamentos através de um processo de releituras e reinterpretações” (Júnior, 2008: 37). A intenção é poder ter acesso a elas de forma imediata para serem recuperadas e, caso necessário, editá-las em novas reportagens com outros propósitos e outros contextos.
Para terminar este capítulo, convém referir que a importância dos arquivos não se resume apenas ao valor utilitário que estas imagens podem ter na produção de conteúdos. Estes podem também tornarem-se numa fonte de lucro para as empresas mediáticas, sendo exploradas em diversos contextos:
i) reemissão de programas, na sua totalidade ou apenas de alguns fragmentos;
ii) comercialização de programas para serem emitidos noutras cadeias ou editados em vídeo;
iii) difusão de conteúdos pela internet ou pelo cabo, através do serviço VOD - video on demand, onde é oferecido o acesso a toda a grelha de programação e alguns extras22;
iv) venda de imagens de arquivo a empresas/organizações ou diretamente ao telespectador com interesse nesses conteúdos.
No que concerne à comercialização dos arquivos a terceiros, as televisões públicas estão obrigadas a facilitar o acesso à informação e à sua possível venda. Porém, as televisões privadas !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
22 As televisões que contam com muitas visitas no seu site oficial começam por lucrar graças aos anunciantes, seja através de publicidade
audiovisual antes da visualização dos conteúdos selecionados pelo utilizador, seja pela publicidade estática nos seus espaços destinados na própria página web. Quanto ao VOD, normalmente, este é auto-sustentável, uma vez que o telespectador, para aceder a estes conteúdos, tem que efetuar a compra de determinado pacote imposto pela operadora ou canal.
que decidiram explorar as potencialidades do seu departamento de documentação seguem parâmetros empresariais.
Os custos do material dependem sempre de variados factores: quem compra, qual a sua finalidade e os formatos e suportes de difusão. Por exemplo, os materiais comprados por telespectadores com simples interesse pessoal em algum conteúdo são adquiridos por um valor inferior ao que é praticado para empresas com intenções comerciais e/ou publicitárias subjacentes.
Esta comercialização de conteúdos tem vindo a ganhar preponderância. Aliás, Caldera-
Serrano (2010: 233) afirma que “a comercialização dos arquivos das televisões será uma fonte de
rendimentos importante nos próximos anos para as cadeias televisivas”. No entanto, garante que a possibilidade de adquirir este material será muito mais valorizada e utilizada quando os custos baixarem. No seu entender, esta redução de preços acontecerá com o “uso de tecnologias de difusão de informação como forma rápida, cómoda e ágil de aceder à informação” (Caldera-
Serrano, 2010: 233). Para o autor, “negar esta comercialização é negar a existência de uma nova
forma de mercado, de um novo consumidor de informação e de novos interesses por parte das empresas e dos telespectadores” (Caldera-Serrano, 2010: 233).
Para além do mais, a informação e os programas informativos são um testemunho insubstituível da história e dos acontecimentos. Juntamente com os programas de ficção e de entretenimento, constituem um espelho de uma determinada sociedade. São assim “janelas para o passado, já que são eles que marcam o real” (Pires, 2011: 35). Existindo estes documentos audiovisuais em bom estado de conservação, abre-se a possibilidade de variadas utilizações, podendo, como salientado pelo autor, servir como meios de estudo para todos os níveis de educação, pesquisa, entretenimento ou como peças de valor histórico para a humanidade.
Feita esta breve análise, torna-se clara que os arquivos audiovisuais têm grande valor histórico para qualquer pessoa, região, país e, no fundo, para a humanidade. De tal forma que Alberto Sá, na sua tese de doutoramento sobre os arquivos dos media e a preservação da memória, afirma que
“o peso desta herança que é património cultural da sociedade não pode ser responsabilidade única dos media detentores deste espólio. Assiste aos órgãos de decisão política a observância de políticas culturais orientadas para a preservação dos
arquivos e da memória, e que implicam um diálogo estratégico direto com os media” (Sá, 2011: 291)
4.2.4. O impacto da crise económica nos serviços de