• No results found

OCSSP as an efficient enforcer of rightholders’ copyright protection

3.1 Policy motivations underlying the DSM Directive’s system of OCSSP copyright

3.1.1 OCSSP as an efficient enforcer of rightholders’ copyright protection

Ao traduzir os dados numéricos em infográfico e visualização de dados, o público pode captar o invisí- vel, àquela informação que não está aparente em uma observação sobre o assunto abordado. A partir da narrativa visual é que ele consegue fazer cruzamentos entre os dados apresentados e estabelecer análises diante do que está sendo exposto.

Tudo começa com o levantamento dos dados, que, segundo Cairo (2011), os dados fazem parte do processo de codificação da mensagem. São representações de números ou palavras que podem repre- sentar a realidade. Por ser um produto visual, a representação gráfica, segundo Cairo (2011), constitui como a fusão da arte e visualização, resultando em narrativas onde os dados são transformados em informação, e posteriormente em conhecimento.

Configurando como modelo autêntico e pouco usado em veículos de comunicação que utilizam a internet como plataforma, a análise buscou isolar e entender um exemplo divulgado pelo Nexo Jornal. Ao mesmo tempo que trazemos à tona esse tipo de narrativa procuramos compreender novos modelos que surgem e vão se desenvolvendo. O foco principal foi no formato, a narrativa que surgiu a partir da visualização de dados posta pelo jornal escolhido para análise. Fizemos o estudo com base na análise descritiva, que faz parte do universo do Estudo de Caso, método escolhido para este trabalho.

O tema reforma da Previdência foi bastante debatida durante o ano de 2019, sendo aprovada em 23 de outubro daquele ano. Para detalhar o assunto, vários veículos discutiram por meio de diversos formatos, um deles foi a visualização de dados usada pelo Nexo, publicada em maio de 2019, como mostra a figura 1. Foi um fenômeno contemporâneo que gerou bastante dúvidas acerca do tema. O vídeo introduziu a temática falando de um contexto mais geral e histórico como mostra a figura 2.

Figura 2. Início do videográfico no Nexo Jornal

Fonte: Nexo Jornal

Ao longo de todo o vídeo, que tem duração de nove minutos e 35 segundos são usados elementos de codificação como na figura 3. Entendemos que hoje, contar uma história não é mais traduzir os dados com começo e fim. Trata-se de descrever também com uso de gráficos, mapas, infográficos, etc. A visualização encontra-se enriquecida pela “interatividade”. “Os leitores constroem uma nova experiência: eles podem se confrontar com um tema de maneira inabitual, interativa, pesquisarem sozinhos e, a partir dos fatos, construírem sua própria opinião”. (Charbonneaux & Gkouskou-gian- nakou, 2015, 282)

Figura 3. Uso de codificação no videográfico no Nexo Jornal

Para chegar a esse formato recorremos ao que Cairo (2011) abordou em um esquema conceitual que é usado para explicar como é processada e apresentada a informação por meio da visualização de dados como mostra a figura 4. Primeiro é apresentada a informação desestruturada, que é a mesma coisa que nossa realidade, como aponta Cairo (2011). “São todos os fenômenos suscetíveis de serem observados que estão constituídos de informação”. (Cairo, 2011, 394. Tradução nossa)

Figura 4. Esquema conceitual usado para explicar como é processada e apresentada a informação por meio da visualização de dados

Realidad

Segundo nível de codificación

Recolección, tratamento y

primer nivel de codificación común con la memoria y las Adquisición y puesta en experiências previas del usuario

Información

estructurada Conocimiento Sabiduría Información desestructurada Datos Evaluación, interpretación, reflexión, memorización Productores Consumidores

Fonte: El Arte Funcional

O exemplo escolhido para análise trata-se de um tema que foi bastante complexo durante sua confi- guração enquanto projeto. Logo após, segundo o esquema, buscamos os registros passível de obser- vação, os dados, que descrevem a realidade por meio de números ou palavras. É o primeiro nível da codificação. Em seguida é configurada a informação estruturada, onde é dado sentido àqueles dados. Para Cairo (2011, 406. Tradução nossa), “o consumo de informação pode levar ao aumento do co- nhecimento. O leitor assimila o que é apresentado, mesclando e comparando essa informação com sua própria memória e experiência”. É aí que o videgráfico do Nexo Jornal buscou ao traduzir o contexto da previdência para que cada usuário análise de acordo com o seu contexto.

E a sabedoria, que segundo o esquema apresentado por Cairo (2011), traduz como um conhecimento profundo acerca do que foi absorvido nos passos anteriores.

Cairo (2011) complementa afirmando que a visualização se baseia no uso de gráfico (representação visual esquemática) figurativos, que representam fenômenos físicos, e os não figurativos, abrangendo os fenômenos abstratos.

Entendemos que o videográfico produzido pelo Nexo também utilizou de elementos da WebTV, que são ancorados nos princípios do seu meio de origem, a televisão. No entanto, pode-se entender que a WebTV possui uma linguagem própria da internet. Nesse caso, utilizou de uma narrativa própria do ambiente online permeando com gráficos para que pessoas fossem capazes de extrair significado daqueles dados, adquirindo assim, conhecimento sobre a temática abordada, a reforma da Previdência. CONCLUSÕES

A partir da análise feita no videográfico do Nexo Jornal percebemos que a visualização de dados é um componente indissociável ao jornalismo de dados. Além disso, por o vídeo hoje possuir um consumo elevado, o objeto para análise obteve 202 mil visualizações, segundo consta na plataforma Youtube onde foi publicado até o dia da análise, que foi 27 de março de 2020.

Com base no esquema apresentado por Cairo (2011), as informações foram simplificadas para que os dados possuam sentido e se tornem conhecimento e sabedoria, onde cada usuário que consumir esse tipo de visualização será capaz de interpretar e fazer análises a partir da sua realidade, de seu contexto. Podemos compreender que a visualização de dados é uma ferramenta que podemos usar para gerar in- sights a partir dos números que vemos todos os dias, e em muitas ocasiões são difíceis de interpretação. Dessa forma, a visualização nos permite ver além da complexidade dos dados.

Veículos como o Nexo Jornal é mais uma experiência digital que trabalha o jornalismo de dados para dar mais contexto à realidade, e por meio dos vídeos, neste caso, do videográfico, ampliar o acesso a dados até então pouco compreensíveis pelos usuários de conteúdo online.

REFERÊNCIAS

AMARAL, R. (2010). Infográfico Jornalístico de Terceira Geração: Análise do uso

da multimidialidade na infografia. Florianópolis. Dissertação. UFSC.

BARBOSA, S. A.; TORRES, V. (2013). O paradigma ‘Jornalismo Digital em Base de Dados’: modos de

narrar, formatos e visualização para conteúdos. Galaxia (São Paulo, Online), n. 25, p. 152-164.

BRADSHAW, P. (2012). O que é Jornalismo de Dados? Manual de Jornalismo de Dados. Consultado 27 de março de 2020. Disponível em: datajournalismhandbook.org/pt/introducao_0.html. CAIRO, A. (2011). El Arte Funcional – infografia y visualización

de información. Madrid. Alamut. Kindle Edition.

CAIRO, A. (2008). Infografia 2.0 – visualización interactiva de información em prensa. Madrid. Alamut. CHARBONNEAUX, J.; GKOUSKOU-GIANNAKOU, P. (2015). O Jornalismo de “Dados”. Uma

Prática de Investigação? Um olhar sobre os casos alemão e grego. Brazilian Journalism Research. Volume 11. Número 2. Traduzido do francês por Fábio Pereira e revisado por Lia Seixas.

LIMA, S. (2016). Jornalismo de Dados no Brasil. Tendências e desafios. Soraia Lima. In. Silva, T.; Stabile, M. (Orgs.). Monitoramento e pesquisa em mídias

sociais: metodologias, aplicações e inovações. São Paulo: Uva Limão.

MANCINE, L.; VASCONCELLOS, F. (2016). Jornalismo de Dados: conceito e categorias. Revista Fronteiras – estudos midiáticos. 18(1):69-82 janeiro/abril. Unisinos – doi: 10.4013/fem.2016.181.07.

MARÍN-OCHOA, B. & CANO, F. M. (2018). Infografía periodística o visualización de datos en clave de semiologia In: Sancho, J. L. V; Zumeta, A. C. Nuevas

narrativas visuales. Barcelona: Sociedade Latina de Comunicación Social

MARÍN-OCHOA, B. E. (2009). La infografía digital, uma nueva forma de comunicación. Tesis

doctoral. Faculdade de Ciencias de la Comunicación. Universidad Autónoma de Barcelona

PALACIOS, M. ET AL. (2002). Um mapeamento de características e tendências

no jornalismo online brasileiro e português. Comunicarte, Revista de

Comunicação e Arte, Portugal, Universidade de Aveiro, vol. 1, nº 2.

PALACIOS, M. (2003). Ruptura, continuidade e potencialização no jornalismo on-line: o lugar da memória. In: MACHADO, Elias; PALACIOS,

Marcos. Modelos de Jornalismo Digital. Salvador: Calandra.

PERNISA JÚNIOR, C. (2010). Comunicação digital: jornalismo, narrativas,

estética. Wedencley Alves. Rio de Janeiro: Mauad X.

RODRIGUES, A. A. (2009). Infografia Interativa em Base de Dados

no Jornalismo Digital. Salvador. Dissertação. UFBA

SANCHO, J. L. V. (2001). La Infografia: Técnicas, Análisis y Usos

Periodísticos. Barcelona: Universitat Autónoma de Barcelona.

SILVA, C. C. DA. (2014). A WebTV no eixo Portugal-Brasil: definições, tendências e

desdobramentos. São Bernardo do Campo, v. 35, n. 2, p. 315-351, jan/jun.

TEIXEIRA, T. (2010). Infografia e Jornalismo – conceito, análises e perspectivas. Salvador: EDUFBA. YIN, R. K. (2001). Estudo de caso: planejamento e métodos. 2ª ed. Porto Alegre: Bookman.

A imagem do Brasil nas matérias das revistas