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Fonte: produção própria.

Apenas 4% dos respondentes do Colégio Mauá e 2% do Ernesto Alves dizem ter o hábito de sempre compartilhar notícias em suas redes sociais – o que corrobora com o baixo índice de leitura de con- teúdos jornalístico já apresentado. Além disso, a maioria dos estudantes afirma que nunca estabelece qualquer tipo de interação nos sites ou redes sociais dos veículos jornalísticos (76% dos respondentes da escola Ernesto Alves e 73% do Colégio Mauá). Daí, infere-se que a incorporação de sistemas que viabilizam a participação do usuário na produção, característica da quarta etapa evolutiva do jornalis- mo digital, não resulta efetivamente em interação. O modelo Pro-Am (profissionais atuando em parce- ria com amadores), uma das marcas do processo de convergência midiática (Barbosa, 2009; Jenskins, 2005), não procede junto ao grupo estudado.

Em termos de credibilidade da informação, 38% dos estudantes da escola particular (a maioria) dis- seram que preferem veículos impressos e 46% dos alunos da escola pública não constatam diferença entre as duas plataformas. Dentre os argumentos daqueles que assinalaram a opção “veículo impresso”, encontram-se:

“Mais chance de ser verdade.” - “Porque as chances de existir fakenews são mínimas”. - “Tem mais notícias e não é qualquer um que pode colocar notícias lá”. - “Compromisso com a ver- dade parece maior”. - “Porque a chance de ter fakenews é menor”. - “A internet pode ser mais facilmente manipulável”. - “Menos fakanews.” - “Pois não é qualquer pessoa que pode compar- tilhar e não possui matérias falsas”. - “Porque é mais confiável”. - “Nem sempre um conteúdo digital pode ter informações verdadeiras, depende muito do site”. - “Pois há uma menor chance de internautas modificarem e manipularem as informações”. - “Pois não é compartilhado nem

modificado por pessoas com má intenção”. - “Houve uma notícia e atestamento se a notícia é correta e depois é impresso”. - “Pois é mais garantido a verdade”. - “Pois demanda um maior tempo para ser postada, devido a análise dos fatos”. - “Pois geralmente em veículos digitais há mais notícias fake”. - “Porque nem sempre as coisas na internet são de fontes seguras”. - “Pois um veículo digital pode estar dando informações não verdadeiras”.

Já aqueles que marcaram a opção “ambos” (impresso e digital), disseram:

“Porque ambos têm informações verídicas e importantes”. - “Pois ambos partilham da mesma notícia”. - “Verificando a fonte, ambos podem ser confiáveis”. - “Ambos são bons, basta saber filtrar o que se vê na internet”. - “Com cautela e olhando a fonte dos posts, ambos são eficazes”. - “Pois procuro por diversas fontes confiáveis”. - “Se complementam”. - “Porque depende muito da fonte”. - “Pois não acredito que mude algo”. - “Porque eu procuro a mesma notícia nos dois veículos”. - “Pois muitas vezes o que não é verídico na internet, é possível encontrar no veículo impresso”.

Observa-se, a partir das falas, que a questão da credibilidade/confiabilidade é bastante mencionada pelos estudantes, em especial aqueles que selecionaram o impresso na resposta. Já os que responderam “impresso e digital”, entendem que é preciso saber filtrar e/ou verificar a fonte. Depreende-se, então, que os jovens da geração Z têm consciência de que o ambiente digital é propício à propagação de fake

news e de que veículos jornalísticos têm como premissa a checagem e veracidade das informações.

CONCLUSÕES

Embora muitos estudantes saibam conceituar notícia – e também de responderem, em sua maioria, que as acompanham para se manter informados e que este hábito é importante para todos os cidadãos –, o consumo de conteúdo jornalístico entre eles é frágil e se dá com maior frequência no ambiente digital (se comparado aos suportes impressos), especialmente através do uso de smartphones. As redes sociais (Facebook e Twitter) estão entre os principais sites que os jovens acessam para ler notícias e o Grupo Gazeta de Comunicações também foi bastante lembrado. Alguns participantes relacionam a questão da credibilidade informativa ao suporte em papel, porém, é baixo consumo de material jorna- lístico impresso, o que ocorre não apenas porque a geração Z tem hábitos e características peculiares (Prensky, 2001), mas também pela dificuldade financeira das famílias, que optam por não pagar por jornais, revistas ou conteúdo online. Há jovens que também justificam esta opção por acessarem con- teúdo gratuitamente na rede mundial de computadores.

Infere-se, a partir de elementos e princípios que constituem o jornalismo, que a produção editorial multiplataforma pode contribuir para o desenvolvimento da literacia midiática e digital no cenário de convergência. Conforme já pontuado, este paradigma comunicacional promove novas formas de produção, circulação e consumo mediáticos, o que desencadeia acessos diferenciados a conteúdos mul- timodais, exigindo a postura ativa tanto dos produtores quanto dos consumidores (Lindemann, et. al., 2018; 2019). Percebe-se, na contramão, que os adolescentes pesquisados não têm interesse em assumir atitudes desta natureza.

jornalístico. A introdução e ampliação da literacia digital, que envolve o contato com novos disposi- tivos, mudanças na apropriação de linguagens, estilos e características de um meio por outro (García, 2009) parece ser uma realidade entre os pesquisados. Verifica-se que a leitura de notícias não é uma prática socialmente compartilhada, visto que eles sabem manusear e têm à disposição diferentes supor- tes, bem como acesso à internet, entretanto, não se interessam por conteúdo jornalístico.

Neste sentido, a imagem que o jornal constrói de si, o seu ethos discursivo, também necessita passar por uma fase de renovação para adaptar-se ao processo de convergência. É preciso reforçar sentidos para que o veículo seja percebido pelo público como relevante. (Lindemann, et.al., 2019). A presente pesquisa também evidenciou este argumento ao mapear a opinião e os hábitos dos estudantes de En- sino Médio de Santa Cruz do Sul-RS, permitindo a compreensão, de suas atitudes e perspectivas (Ba- wden, 2008) – sabendo-se, evidentemente que se trata de um público restrito e, portanto, assumindo as limitações desta investigação.

Por fim, ressalta-se que os resultados desta investigação podem ser utilizados por veículos jornalísticos locais e/ou regionais posteriormente, para que possam ajustar suas estratégias de produção de conteúdo e até mesmo de modelo de negócio. É importante lembrar que uma parcela dos gestores de veículos jornalísticos ainda é composta por migrantes digitais, ou seja, pessoas que não nasceram na era tecno- lógica e, portanto, tiveram de aprender a trabalhar com estas ferramentas. “It’s very serious, because the single biggest problem facing education today is that our Digital Immigrant instructors, who speak an outdated language (that of the pre-digital age), are struggling to teach a population that speaks an entirely new language.” (Prensky, 2001, 2).

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