CHAPTER 2: Theoretical framework
2.1. Oakerson’s Framework as adapted by Vatn
Lotes: (1) lote nº 166 no Núcleo Soturno (1884); (2) lote nº 581 (terra e casa -1895) Linha Quatro Norte; (3) lote nº 5 (terra de mato - 1897) Núcleo Norte - Linha Coronel Agostinho; (4) casa de madeira em lote urbano (1899) no Núcleo Norte; (5) lote de terra pra cultivo nº 38, Núcleo Norte (1906).112
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Em maio de 1899, Pedro Copetti e a esposa compraram uma casa urbana no centro do Núcleo Norte onde provavelmente se estabeleceram, adquirindo novas terras pra cultura em junho de 1906 naquela mesma região. Enquanto vendedores o casal aparece somente em uma transação, ocorrida em setembro de 1902, que indica terem os mesmos se transferido para o centro urbano do Núcleo Norte onde possuíam casa. Transmissões, São Martinho, livro 2, fl. 7-8 30.05.1899; Santa Maria - 4º distrito, livro 4, fl. 90, 5.06.1906. APERS.
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Mapa modificado do original que apresenta todos os lotes de terras demarcados região da ex-Colônia Silveira Martins em 1890. Caixa Silveira Martins, CPG-NP.
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Registros de distribuição dos lotes de terra na ex-Colônia Silveira Martins. Caixa Silveira Martins, CPG-NP; Transmissão. Santa Maria – 4º distrito, livro 1, fl. 16, 88, 115 (1895-1898); livro 4, fl. 90 (1906): Transmissões. São Martinho, livro 2 fl. 7, 8 (1899-1901). APERS.
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Um dos aspectos que sinaliza para a importância das redes de relações estabelecidas pelos imigrantes nas regiões colônias – seja entre parentes, vizinhos ou conhecidos com quem mantinham afinidades – pode ser constatado na rapidez com que o casamento de Apálice Tezzele foi organizado. O nascimento do filho natural, a realização do batizado, a escolha de um marido, a aquisição de terras, o casamento e a transferência do novo casal, tudo fora arranjado num curto espaço de tempo. Foi entre famílias que já mantinham certa proximidade que ocorreu a união matrimonial, reforçando, assim, as relações de alianças, cumplicidade e solidariedade existentes. A realização de um casamento garantia a formação de nova unidade familiar, denotava estabilidade e condição de sobrevivência para Apálice e seu filho natural.
Uma das apreensões do pai Carlo Tezzele era realizar o casamento da filha para garantir a reprodução das estruturas familiares, contornando as dificuldades – econômicas e sociais – que a posição da filha como mãe solteira representava na manutenção do grupo.113 Para superar os obstáculos, procurou reforçar e ampliar os laços de solidariedade e proteção com outra família. Ao encaminhar o destino da filha, o pai buscava afastá-la dos contínuos rumores que prosseguiam, evitando, igualmente, a amenizar a continuação dos questionamentos sobre a jovem Apálice e seu filho natural. Incomodado pelos boatos, o pai tinha consciência de que se eles continuassem a se espalhar poderiam comprometer as relações e os recursos da família.
Ao se analisar o que é recordado como memória entre os descendentes da família Tezzele, constata-se que a paternidade de Beniamino Tezzele era atribuída ao padre Arnoffi. Por ser fruto de relação sacrílega, Beniamino cresceu e sentiu desprezo da comunidade, contando com a proteção do avô, Carlos Tezzele para, por exemplo, comprar terras distante da ex-Colônia Silveira Martins (FENKER, 2009, p. 51).114 Para Carlos Tezzele, o que importava era agir no sentido de solucionar a situação antes que novos elementos surgissem e prejudicasse a reputação do grupo e, consequentemente, a posição da família. Suas atitudes deveriam contornar os eventos que causavam vergonha, evitando, assim, que o rumor da comunidade prevalecesse. Valores como desonra e vergonha estavam no centro da moral dos
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Sheila Faria (1998, p. 134) aponta para a importância da constituição de laços familiares estáveis através do casamento no meio rural, durante o século XVIII e XIX. A instituição de uma família era um princípio básico de funcionamento das unidades domésticas nas regiões agrárias. “Os casamentos e recasamentos orientavam a
estabilidade”, pois dificilmente um homem ou mulher poderiam sobreviver sozinhos na zona rural.
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Apesar das indicações de existir preconceito, em setembro de 1904, Beniamino casou-se com Paula
Dall‟aglio, afilhada de Apálice Tezzele e Paulo Bortoluzzi, importante comerciante da região colonial. Livro de
imigrantes, sendo elementos que dificultavam as relações familiares e comunitárias, prejudicando a manutenção de recursos para os indivíduos.115
Se de fato o pai da criança era o padre Vitor Arnoffi, nem dote ou punição poderiam aliviar a ofensa à família desonrada, uma vez que o culpado – o vigário – não mais figurava entre os vivos. As informações que se possuía sobre a morte do padre são resultado das interpretações dos imigrantes frente ao acontecimento “repentino”. Logo, as explicações de que o pároco cometera suicídio estão relacionadas à própria percepção da população quanto aos comportamentos que provocavam vergonha e desonra. A versão do suicídio ganha legitimidade quando se avalia a sua responsabilidade na gravidez de Apálice Tezzele. Devido à gravidade do ato, verdadeira ofensa moral cometida pelo padre Arnoffi, o medo de possíveis coerções sociais e punições o fez buscar a morte.
A partir dessa perspectiva – alertando que este ponto de vista foi o que surgiu entre a população italiana no local onde Arnoffi era vigário –, consciente de sua responsabilidade, do peso da ofensa à família e das possíveis limitações e constrangimentos que estaria sujeito, escolheu o próprio castigo. Os sacerdotes deviam procurar respeitar a castidade e o celibato eclesiástico, portanto, os delitos sexuais cometidos por esses tinham um peso maior enquanto atos reprováveis. Na visão dos imigrantes, o padre Arnoffi, temendo os possíveis prejuízos à sua posição de pároco local, cometeu suicídio, fornecendo provas evidentes da própria responsabilidade. De acordo com essa perspectiva, a morte foi causada, principalmente, pela idéia de vergonha, pecado e temor que atormentava o pároco.116
Através das informações encontradas nos registros paroquiais, apresentou-se o comportamento da família Tezzele após estes fatos, colocando à prova os elementos presentes na interpretação dos imigrantes. Não se teve a intenção de confirmar a versão do suicídio, da paternidade do filho de Apálice e da responsabilidade do padre Arnoffi, mas, antes, analisar o desempenho dos indivíduos frente a determinados fatos inesperados e, principalmente, a maneira como foram interpretados pelos contemporâneos da comunidade de Silveira Martins. Neste espaço, a gravidez inesperada de uma moça demandava a rearticulação das estratégias de sobrevivência, podendo desencadear consequências desastrosas para as famílias
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Emmanuel Le Roy Ladurie (1997, p. 250, 440), ao reconstituir os modos de vida numa aldeia francesa, destaca o papel da honra e vergonha como principais valores a estabelecerem as distinções entre famílias e pessoas. As famílias tinham preocupação em seguir uma ética loca que, por sua vez, se fundamentava mais no que era considerado socialmente vergonhoso do que na ideia de pecado.
116O suicídio, segundo Marcel Mauss (2003, p. 349), “é, com frequência, a maneira como o indivíduo, em certos estados de pecado ou de magia, multiplica seus atentados à própria vida (...). Trata-se de casos de morte causada brutalmente de forma elementar, em numerosos indivíduos, mas simplesmente porque eles sabem ou creem que
camponesas que não dispunham de recursos para garantir casamento à mãe solteira. Assim, apesar da existência de nascimentos antes do casamento, não quer dizer que as oportunidades estavam fechadas às moças, que elas não encontrariam pretendentes. Os próprios filhos naturais eram tolerados nessas uniões, porém, acredita-se que era importante que a paternidade fosse reconhecida quando da realização do ritual do batismo.
Conforme se constatou anteriormente, mesmo em tempos diferentes, as versões sobre as mortes dos padres Vitor Arnoffi e Antônio Sório se assemelham, pois a comunidade apontou motivos análogos a esses acontecimentos. De certa forma, a morte do padre Sório, ocorrida dezesseis anos depois a de Vitor Arnoffi, foi interpretada pela comunidade à luz das certezas que tinham a respeito do “suicídio” desse último. Apesar das suspeitas da população, em ambos os casos não houve qualquer investigação policial para averiguar as circunstâncias das mortes dos párocos da sede da Colônia. Essa ausência é um indício da existência de um entendimento próprio e creditado pela população local em relação a morte do pároco. Assim, para os imigrantes, o falecimento de ambos os padres estavam relacionados a infrações de normas locais que desestabilizavam a posição e fama pública de algumas famílias. Os rumores e comentários, enquanto opções para colocar em debate os eventos ocorridos na comunidade, aparecem como uma maneira para esclarecer os motivos que causaram a morte dos sacerdotes. Mas entre as mortes há, contudo, diferenças.
Enquanto Arnoffi cometeu suicídio devido à consciência da gravidade da própria situação, Sório será espancado e “batido do baixo ventre”. Diferentemente do primeiro, não houve qualquer reconhecimento público que justificasse os falatórios em relação à morte de Antônio Sório. Pelo contrário, com a elaboração do testamento, momentos antes da morte, os familiares do pároco não conferiram provas oficiais para as suspeitas locais de que teria sido „‟vítima de uma agressão planejada. O silêncio, a não acusação dos possíveis “malfeitores”, contribuiu para a não abertura de investigação judicial. Mas, não impediu o surgimento de explicações por parte da população e nem impossibilitou a preservação de uma memória em relação às circunstâncias da morte do pároco.
Estas histórias com finais trágicos podem revelar muito sobre as maneiras que os indivíduos e famílias se articulavam para solucionar os imprevistos cotidianos, sociais e naturais, permitindo, assim, analisar um dos aspectos de interesse da presente pesquisa: a dinâmica das redes sociais nas comunidades coloniais. No processo de conformação de um espaço circunscrito, os valores como a honra e a vergonha evidenciam diretamente a qualidade das relações interpessoais, segundo destaca Edoardo Grendi (1977, p. 512). E, até
experiências singulares podem mostrar excepcionalmente o que é normal e significativo para compreensão das práticas cotidianas numa determinada realidade. Considerar alguns episódios e situações, por meio de uma investigação qualitativa, possibilita compreender os
valores que orientavam a ação, independentemente dos indivíduos agirem de maneira diversa. As trajetórias dos referidos padres imigrantes se assemelharam, havendo
compartilhado experiências e expectativas comuns quando decidiram emigrar e reiniciar as vidas no sul do Brasil. E, talvez, por coincidência, as explicações sobre as mortes apresentem motivações parecidas. A interpretação em relação ao destino trágico dos párocos de Silveira Martins permite pensar as atitudes que foram consideradas como responsáveis por esse drama vivido pelos indivíduos que descuidaram, em algum momento, da observação de certos códigos morais existente nas comunidades coloniais. Tanto o entendimento das narrativas das mortes dos padres quanto a não investigação por parte das autoridades permite compreender o funcionamento das redes sociais comunitárias. O que se mostra relevante para a investigação não é o “rígido funcionamento de um sistema de normas” e valores, mas, sim, o processo de adaptação de regras e a variedade de interações sociais.117 Nesse sentido, o principal não é o indivíduo em si, mas sim o contexto cultural, social, as escolhas cotidianas, bem sucedidas ou fracassadas, e, sobretudo a constituição das redes interpessoais na dinâmica local (LEVI, 2000:2003).
Por meio da análise dos circuitos de contatos interpessoais estabelecidos por Antônio Sório na Colônia Silveira Martins será possível começar a entender diversos aspectos sobre a política local desse indivíduo e também o silêncio público da comunidade com relação à morte do pároco. A versão pública apontou para a “queda do cavalo”, mas os imigrantes interpretaram os ferimentos do padre como consequência de um ato de castramento, pois acreditavam que o mesmo havia desonrado uma moça. Porém, os nomes dos envolvidos – familiares e maçons – não foram divulgados pela população colonial – senão décadas depois – como no caso do padre Arnoffi, em que a família da moça e o possível filho do pároco foram apontados.
Neste capítulo, buscou-se uma integração entre as narrativas, no caso aqui as versões sobre a morte do padre Sório e os dados encontrados nas outras fontes documentais, abordando a partir da relação entre a realidade concreta e as possibilidades do contexto vivido
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Carlo Ginzburg (1989, p. 158) destaca que é necessário identificar, além dos valores morais que legitimam as ações de determinados ações populares, as circunstâncias em que elas ocorrem. Nesse sentido, existe uma distância entre uma moralidade e a forma como ela se manifesta em determinadas situações cotidianas.
pelas famílias camponesas nos núcleos coloniais.118 As explicações sobre determinadas práticas de punição, noção de justiça, atuação das famílias e as situações que geravam os sentimentos de vergonha num evento específico podem ser entendidas a partir de uma percepção cultural própria que aponta um universo de probabilidades válidas para os imigrantes.
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Natalie Davis (1987, p. 21), em sua obra o Retorno de Martin Guerre, reconstitui através da trajetória de um indivíduo a experiência de homens e mulheres que também viveram no mesmo tempo e espaço. É a excepcionalidade do caso de Martin que ilumina uma realidade que é pouco documentada. No entanto, quando não encontra o sujeito que estava procurando, a autora se volta para outros documentos para reconstituir o mundo em que ele deve ter vivido e as reações que deve ter sentido. Essa relação entre provas e possibilidades também é destacada por Carlo Ginzburg (1989, p. 183).
CAPÍTULO 2
A trajetória de um camponês “ambicioso”
(...) nessuno piú lavorava la terra riservandosi si farlo quando fosse arrivato nel Nuovo Mundo, sognando soltanto ricchezze, felicità e bene stare. Ed
intanto tutti que‟ fittabili avevano fatto le loro comunicazioni a‟ padroni che
pel prossimo [dia de] S. Martino (11 novembre) avrebbero consegnate le proprietà che avena in affitto, decisi ormai di emigrare pel Brasile. (...) inutile si tornava qualunque sforzo per smuoverli dal fermo propósito. Tutti ad uma voce rispondevano: VOGLIAMO EMIGRARE – BASTA DI MISERIA! Giulio Lorenzoni 119
Neste capítulo, serão analisadas as iniciativas tomadas pelo italiano Paulo Bortoluzzi quando, a frente de amplo grupo parental, partiu da comuna de Piavon, província de Treviso, para fundar uma comunidade de imigrantes no sul do Brasil. Como se verá, Paulo Bortoluzzi aderiu às ideias divulgadas pelo pároco de Piavon para sair da Itália e criar uma nova povoação do outro lado do Atlântico, em terras que o Império brasileiro desejava colonizar. A articulação entre alguns indivíduos da comuna de Piavon permitiu que um número significativo de famílias se organizasse para a longa viagem, formando um agrupamento de aproximadamente trezentas pessoas. Mecanismos de coesão baseados em redes de apoio comunitária e parental permitiram a transferência dos que desejavam imigrar para o sul do Brasil. Nesta parte do trabalho, pretende-se abordar as intenções de Paulo Bortoluzzi, o contexto em que realizou suas escolhas antes de imigrar para a América e, ainda, o desempenho do mesmo na região da ex-Colônia Silveira Martins para a concretização do projeto pessoal, familiar e comunitário.
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Tradução: “Ninguém mais trabalhava a terra, reservando-se a fazê-lo quando chegassem ao Novo Mundo, sonhando somente com riquezas, felicidades e bem-estar. E todos os arrendatários tinham comunicado os patrões que no próximo dia de São Martinho (11 de novembro) entregariam a propriedade que possuíam em arrendamento, já decididos a imigrar para o Brasil. (...) inútil se torna qualquer esforço para fazê-los desistir do firme propósito. Todos a uma só voz respondiam: QUEREMOS EMIGRAR – CHEGA DE MISÉRIA.” (Lorenzoni apud FRANZINA, 2008, p. 7).
2.1. A família Bortoluzzi na Itália
Originários da comuna de Francenigo, localizada na Província de Treviso – norte da Itália –, os membros da família Bortoluzzi se estabeleceram em Piavon no início da década de 1860. A frente estava o patriarca e viúvo Angelo, os filhos Luiz, Francisco Maria – ambos casados – e Paulo, além do irmão Antônio e a esposa, sete crianças e a anciã Domênica.120 O grupo composto por dezesseis pessoas vivia junto em uma mesma casa em 1862, e cultivavam coletivamente as terras compradas e arrendadas em Piavon. Nos anos que se seguiram, a família aumentou. O último filho do patriarca Angelo, o jovem Paulo Bortoluzzi, com vinte anos, casou-se na paróquia de Oderzo com Stela Furlan, em 1868, consolidando a ligação entre as famílias, pois um irmão de Paulo já havia se casado com uma irmã de Stela Furlan.121 Do matrimônio de Paulo e Stela nasceram, entre 1870 e 1876, quatro filhas: a terceira morreu poucos dias após o nascimento, enquanto a quarta nasceu em novembro de 1877, um mês antes da partida do grupo para a América.122
A família havia aumentado desde que se estabelecera na comuna de Piavon no início da década de 1860. Francisco e Luiz, os irmãos mais velhos de Paulo, com a morte das esposas, casaram-se uma segunda vez. E os três primos mais velhos, filhos do tio Antônio, também haviam se casado. Um dos primos casou-se três vezes em pouco tempo, pois as duas primeiras mulheres morreram prematuramente.123 Em julho de 1877, Paulo Bortoluzzi apareceu apadrinhando os filhos gêmeos de outro dos primos, porém, um deles não sobreviveu. O ano de 1877 foi um tanto trágico para a família Bortoluzzi, pois morreram o tio Antônio e o pai Angelo, além de dois recém-nascidos. Estes fatos devem ter pesado nas decisões tomadas por Paulo e os irmãos, pois deviam estar preocupados em relação ao futuro da família e com o crescimento dos filhos, não podendo ficar todos a trabalhar nas mesmas terras. Seria difícil permanecerem unidos, sendo imperativo o deslocamento de alguns deles
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De acordo com o registro de controle da população da paróquia de Piavon, realizada pelo pároco entre 1861 e 1862, residiam em uma mesma casa todos os membros da família Bortoluzzi: o viúvo Angelo (65 anos), o irmão Antônio (42 anos) e a esposa Ângela Borsoi (41 anos) e seus respectivos filhos Domingo (14 anos), João (13 anos), José (11 anos), Rosa (6 anos) e os gêmeos Santo e Maria (2 anos). Além desses, os irmãos Francisco (35 anos) e Luiz (34 anos), ambos casados, porém, apenas o primeiro tinha um filho, e o jovem Paulo Bortoluzzi (17 anos). Registro de Stato delle Anime da paróquia de São Bento Abade. Arquivo Paroquial de Piavon (APP). 121
Em fevereiro de 1867, um ano antes do casamento de Paulo, casou-se uma segunda vez Francisco Bortoluzzi com a viúva Catarina Furlan, irmã da futura esposa do primeiro. Livro de registro dos matrimônios da paróquia de Piavon, 1835-1907, APP.
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Livros de registros de batismo, casamento e morte, da paróquia de Piavon. APP. 123
Dos primos de Paulo Bortoluzzi, Domingos casou-se com Santa Puppin e teve seis filhos. Após a morte das duas primeiras esposas, João uniu-se com Andreana Drusian. José, em 1876, batizou a primeira filha Regina, e no ano seguinte nasceu um casal de gêmeos, morrendo um deles poucos meses depois (BERNARDI, 2008, p. 78).
para outras regiões da Itália, ou mesmo para outro país, para buscar trabalho temporário, já que temiam viver com escassos recursos.