Montadoras TEMAS
M1
(15) Há muitas modificações nos ferramentais antes da fase do lançamento do produto. Por isso é necessário trabalhar com antecipação e ter rapidez. (24) Simultaneamente ao processo de construção das ferramentas ocorrem muitas
modificações no produto e no projeto.
M2
(17) Parceria significa o fornecedor disponibilizar sua capacidade para atender a automobilística nos momentos de overload.
(22) O fornecedor assume compromissos de investimentos e ampliação da capacidade instalada para continuar atendendo a automobilística.
(24) A montadora valoriza a capacidade de pronto atendimento, suprimindo até mesmo as fases de negociação, por conta da relação de parceria que desenvolve com o fornecedor.
(25) A parceria gera ao fornecedor a expectativa de que a Automobilística manterá a ocupação de sua capacidade instalada.
M3
(14) Hoje para poder ganhar tempo em um projeto você inicia a execução da ferramenta sem uma solução final de design.
(19) Na área de ferramentaria o Brasil tem uma boa reputação, têm boas empresas mas uma capacidade limitada. Inclusive nos momentos de vale de mercado, o Brasil até exporta essas ferramentas de estampagem.
(21) Não adianta nada eu poder comprar a máquina que alguém, no outro país, tem. Eu tenho a ocupação que ele tem? E aí, uma coisa que, no Brasil, ainda não é muito bem trabalhada, é custo de ociosidade.
(26) Existe uma baixa ocupação de alguns equipamentos.
(25) Os concorrentes internacionais têm mais escala porque eles têm investimentos em tecnologia e processos.
(29) O custo das ferramentarias estrangeiras é menor por causa da ocupação e da capacidade.
(30) A indústria automotiva, premida por uma nova realidade de mercado, vai buscar não o menor custo mas o menor tempo.
(30) As ferramentarias nacionais de ponta não conseguem atender porque existe um ciclo de alta tomada de ferramentas seguido por uma queda.
(32) No exterior as ferramentarias italianas e alemãs, por exemplo,procuram manter uma ocupação sempre. A estratégia maior deles é combinar a busca da eficiência com técnica e ocupação de máquina que dá um bom preço final.
(33) Existe uma diluição dos custos entre as ferramentarias européias. Uma complementação.
(34) as automobilísticas não preferem comprar ferramentas no mercado externo, pois gerenciar à distancia é extremamente complexo.
(38) A distância torna mais difícil o processo de validação das ferramentas (40)A indústria automotiva não compara preço com preço mas custo total com
custo total.
(45) O pênalti logístico é impactante para os negócios.]
(46) Boas ferramentarias indicadas tem políticas de preço firmadas. Existe flexibilidade comercial mas não rompem com sua política, pois ela vende um diferencial: é cumpridora de prazo e todos sabem que a ferramenta entra em funcionamento.
M4
(1) O segmento ferramenteiro é sazonal, e isso impede as empresas de avançarem e criarem uma estrutura robusta.
(2) O custo de ociosidade é pesadíssimo dentro da nossa indústria. (8) É arriscado ficar altamente dependente do mercado externo.
(11) A capacidade tecnológica e o tempo são mais determinantes que o fator econômico na decisão de compra de uma ferramenta.
Fonte: Autor
5.1.1.3. A questão da capacidade produtiva do fornecedor
O valor atribuído ao setor automobilístico também recai sobre a capacidade do fornecedor, que assume diferentes significados: a) capacidade para fabricação de ferramentas de grande porte; b) capacidade para fabricação de ferramentas consideradas complexas; c) capacidade, tida como qualidade e comprometimento.
Primeiramente, entende-se a capacidade para fabricação de ferramentas de grande porte como um requisito objetivo e prévio ao fornecimento, o que elimina as ferramentarias que não dispõem de recursos como máquinas e equipamentos necessários para fabricação de
Capacidade do Fornecedor
Fabrica ferramentas de grande porte Fabrica ferramentas complexas
ferramentas para produção de componentes como painéis, portas ou pára-choques de veículos, consideradas de grande porte.
De acordo com M2 “[...] o fornecedor é avaliado pela sua capacidade instalada, pelo tamanho das ferramentas que é capaz de produzir e pela organização”. Para M3, “As ferramentarias de destaque são identificadas por especialização e pela capacidade de fazer ferramentas de grande porte”.
Tendo em vista a raridade dos recursos envolvidos, o valor atribuído à capacidade de fabricação de ferramentas de grande porte, para o entrevistado M4, é razão para que sua empresa mantenha uma estrutura altamente verticalizada para construção de moldes e estampos. Segundo M4, “[...] manter uma ferramentaria interna para peças de grande porte é estratégico”.
M2, numa alusão ao critério prévio de definição de fornecedores com quem a montadora irá desenvolver uma relação comercial, concluiu dizendo que “[...] no passado se considerava o menor custo. Hoje, não. O fornecedor que tem uma estrutura adequada [...]”.
Infere-se, portanto que enquanto a estrutura é condição prévia para participar das concorrências abertas pelas montadoras, o custo é um dos critérios para se ganhar o pedido das montadoras.
Em segundo lugar, o entendimento sobre capacidade para fabricação de ferramentas complexas envolve tanto o aspecto objetivo quanto o subjetivo, que por sua vez é analisado tanto prévia quanto posteriormente ao fornecimento.
A complexidade remete para a existência de recursos necessários para construção de ferramentas geometricamente mais sofisticadas, tais como máquinas de usinar com comando numérico em cinco eixos, softwares de simulação e modelação (CAD, CAM e CAE) e equipamentos de medição e controle tridimensional. A complexidade envolve também o conhecimento humano e o know how para projeto de ferramentas relativas aos itens especializados e de difícil construção.
Construção de Ferramentas de Grande Porte
Dispõe de recursos como máquinas e equipamentos com capacidade dimensional para usinagem, montagem, movimentação e controle das ferramentas para os maiores componentes do automóvel, como painéis, tetos, portas, capô, pára-choque, etc.
Em que pese o reconhecimento feito por M1 de que no Brasil existem ferramentarias competentes, M4 afirmou que “[...] há poucos fornecedores capacitados para fornecer ferramental de alta qualidade [...]”, o que indica a capacidade construtiva de ferramentas complexas como um fator raro no segmento ferramenteiro nacional.
A dificuldade declarada para contratar ferramentarias para itens complexos é também razão para a verticalização da atividade mantida por M4 que disse: “Mantemos uma alta verticalização por uma questão de ineficiência do mercado local. As ferramentarias não acompanharam o nível tecnológico que nós requeremos”.
Por outro lado, o entrevistado M1 apontou a complexidade como critério de estratificação entre as diversas ferramentarias aptas ao fornecimento para as montadoras: “Há diferentes critérios de seleção das ferramentarias conforme a complexidade dos moldes e/ou ferramentas”. Do mesmo modo, M2 informou: “Nós potencializamos o fornecedor de acordo com as características de cada empresa e orientamos o investimento necessário para ele se tornar um parceiro de negócios com nossa montadora”.
Em terceiro lugar, a capacidade como conceito de qualidade e comprometimento envolve a avaliação do fornecedor em sua habilidade para interagir com o cliente na busca de melhorias ou aperfeiçoamento do processo de desenvolvimento do ferramental, bem como na reputação do fornecedor, construída com base no histórico de projetos anteriores bem sucedidos.
É dado grande valor à pró-atividade e interação do fornecedor com a Montadora, uma vez que, conforme M1, “[...] pode haver diferentes processos para se obter a peça a partir de uma ferramenta [...]”. Sendo assim, segundo relato de M2, “[...] o fornecedor pode propor melhorias no processo idealizado pela montadora. Têm surgido muitas novidades nesse meio entre fornecedor e cliente”.
Qualidade e Comprometimento
Interação e pró-atividade
Reputação com base em projetos anteriores Construção de
Ferramentas Complexas
Dispõe de recursos como máquinas 5 eixos e softwares CAD/CAM/CAE e de simulação
Know how para projeto e construção de ferramentas de alta dificuldade de construção
A interação foi evidenciada por M2 quando afirma que “[...] a automobilística trata o fornecedor como se fosse pertencer ao processo das montadoras. A automobilística envolve o fornecedor nos seus processos, conferindo-lhe participação e transferindo-lhe responsabilidade”.
A capacidade do fornecedor também se verifica também pela sua reputação com base em projetos anteriores. De acordo com M2: “[...] o desenvolvimento do fornecedor ocorre pela oferta de novos negócios como moeda de troca pelo bom resultado gerado nos negócios anteriores com a montadora”. Já M3, salientou que “[...] as boas ferramentarias brasileiras estão firmadas em cima de tradição [...]”. M2 pontuou que “O fornecedor tem que ser parceiro”.
A reputação, por sua vez, é construída ao longo do tempo já que a ferramenta é um produto de experiência, definido como bem cuja qualidade não pode ser avaliada antes de ser comprado ou usado (BESANKO et al., 2006).
De fato, conforme afirmou M3: “Só se conhece o desempenho da ferramenta quando ela entra em uso. São necessários ajustes finais”. Também atestou M1 que “[...] há incertezas no processo de construção que só no teste final serão resolvidas”. Por fim, concluiu M4 que “O que se espera de uma ferramenta é que ela funcione quando estiver na linha de produção”.
As análises acima foram feitas com base nos temas que formam a Categoria 03 – Qualidade, Estrutura e Localidade, conforme Quadro 9 abaixo.
Quadro 9: Categoria 03 – Qualidade e Estrutura