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Fangstminne i Nordfjella og Raudafjell

4.1 Kvalitative data frå oppsynsrapportar

4.2.1 Fangstminne i Nordfjella og Raudafjell

O poder de barganha, no processo de captura ou apropriação de valor, sofre importantes variações em mercados de oligopsônio, fenômeno pouco estudado, mas muito frequente em mercados capitalistas modernos.

Nesse sentido, Pindyck e Rubinfeld (2006) relatam a presença do oligopsônio na indústria automobilística, ao revelarem o poder de compra das empresas General Motors e Ford sobre os fornecedores de autopeças e componentes automotivos dos Estados Unidos:

Os grandes fabricantes de automóveis nos Estados Unidos adquirem normalmente determinada autopeça de pelo menos três e, frequentemente, de até uma dúzia de fornecedores. [...]. Isso torna possível que a GM e a Ford tenham uma excelente posição de barganha em relação a seus fornecedores. [...] Consequentemente, as empresas automobilísticas possuem considerável poder de monopsônio. (p.316)

Lustgarten (1975) já advertia que a literatura econômica da segunda metade do século XX, até então, havia focalizado um interesse predominante pelos monopólios e oligopólios,

em detrimento do oligopsônio, mediante o pressuposto implícito de que o mercado comprador seria atomizado. Não obstante, o autor afirmou que:

[...] a maioria das transações na economia norte-americana envolve vendas entre firmas comerciais nas quais o número de compradores é quase sempre pequeno o suficiente para exercer uma significativa influência sobre os preços de mercado, e isso é particularmente verdadeiro no mercado manufatureiro (p. 02)

O autor disse também que, à exceção de Galbraith (1952) que inaugurou a discussão com sua “teoria do poder de compensação”, bem como de Stigler (1966) e Bain (1959), que abordaram o “poder de monopólio na compra” e sua influência sobre a “estrutura dos cartéis de venda” criados pelo mercado vendedor, os estudos sobre o oligopsônio não tiveram avanço significativo.

Conceitualmente, o oligopsônio é um fenômeno ligado ao funcionamento dos mercados e revela o poder dos compradores sobre os vendedores na determinação de preços de produtos ou serviços transacionados.

De acordo com Burkett (2006), a chave para se entender o oligopsônio está na interação estratégica entre os compradores, o que significa dizer que o fenômeno não se define somente pela concentração de compradores em face da pulverização de vendedores.

Diversamente, Lustgarten (1975), que estudou o impacto da concentração de empresas compradoras sobre 327 setores da indústria manufatureira dos Estados Unidos, entendeu que, diferentemente do oligopólio, no oligopsônio não há evidências de eficácia de acordos entre os compradores. O autor afirmou que as firmas tipicamente compradoras, por atuarem em diferentes mercados, não dependeriam de interação para que exercessem poder sobre os vendedores, bastando apenas a concentração de grandes e poucos compradores para se caracterizar o poder de oligopsônio. A posição de Lustgarten (1975) é a acolhida nesta dissertação.

Interessa, portanto, firmar a posição de que a relação mercadológica havida entre as empresas do segmento de moldes e estampos e a indústria automobilística é caracterizada por uma demanda concentrada por poucos compradores que, por sua vez, favorece a inelasticidade da oferta de um grande número de vendedores, o que confere aos primeiros o poder de controlar preços e demais condições de fornecimento, chegando até em situações de aquisição de um produto ou serviço por valor inferior ao custo marginal ou, pelo menos, inferior ao que prevaleceria em um mercado competitivo (LUSTGARTEN, 1975).

Para os objetivos do presente estudo, importante observar que a relação oligopsonista se operacionaliza em meio ao conceito de Global Value Chain (GVC), estabelecido por Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005), os quais ofereceram novas lentes à análise das relações inter empresariais, desenvolvidas e intensificadas a partir da integração da produção global e consequente fragmentação da cadeia de valor global.

Isso porque as empresas dedicadas à construção de moldes e estampos nascem e se desenvolvem como resultado da denominada “fragmentação dos processos produtivos”, ou o processo de separação física das diferentes partes da “cadeia de valor” (ARNDT; KIERZKOWSKI, 2001 APUD GEREFFI, 2004), possibilitando que as atividades de manufatura fossem realizadas em diferentes países, por meio de redes transnacionais de produção, constituídas tanto entre unidades de negócios de uma mesma empresa, quanto entre diferentes empresas.

Segundo Gereffi (2004) as empresas multinacionais descobriram as vantagens das estratégias de cooperação inter organizacionais (incluindo-se aí os acordos de cooperação com concorrentes e fornecedores da cadeia de valor) visando à realização de grande parte de suas atividades operacionais, tanto em seus países de origem quanto no exterior.

Desenvolveu-se, portanto, o mercado internacional de bens e serviços intermediários e de natureza industrial (YEATS, 2001), resgatando o conceito de cadeia de valor estendida (KOGUT, 1985), também denominado por Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005) como cadeia de valor global.

A Figura 04, abaixo, ilustra as diferenças entre a visão da cadeia de valor (PORTER, 1985) e da cadeia de valor global, pela qual as empresas passaram a se articular em relações inter organizacionais mais complexas:

Figura 4: Da cadeia de valor à rede de valor global Fonte: Cummings e Wilson, 2003, p. 140.

A chamada “fragmentação” da cadeia de valor trouxe novos desafios para as empresas globais que, até então, enfrentavam o tema sob uma abordagem dualística do tipo “fazer versus comprar” (GEREFFI; KORZENIEWICZ, 1994), segundo a qual as empresas baseavam suas decisões em cálculos econômicos, custos de transação ou critérios estratégicos.

Gereffi e Korzeniewicz (1994), contudo, passaram considerar também as relações de poder que as grandes empresas transnacionais passariam a exercer sobre o fluxo de produtos e serviços globais, dando origem a diferentes formas de coordenação e com variadas combinações de padrões ou estruturas de governança sobre os elos da cadeia de valor.

Gereffi e Korzeniewicz (1994) criaram o conceito de cadeias de valor “producer- driven”, assim definidas ante a posição dominante das firmas transnacionais que controlam o conjunto de fornecedores e distribuidores que compõem a produção, e que envolvem sistemas produtivos complexos, economias de escala, capacidades tecnológicas distintivas, a exemplo do que ocorre com a indústria automobilística.

A abordagem de Gereffi e Korzeniewicz (1994) retrata a emergência de uma nova fase do capitalismo na qual tanto compradores quanto produtores globais, também chamados de “manufaturas sem fábricas”, passariam a ocupar papel central no processo econômico tendo em vista o poder de gerenciamento e formação de redes de produção e comercialização geograficamente dispersas.

Posteriormente, Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005) procuraram entender de que maneira seriam estabelecidos e gerenciados os padrões de governança que atenderiam à complexidade dessas relações fragmentadas as quais não se reduziriam apenas a uma escolha entre transações de mercado e utilização de estruturas de governança hierárquica (WILLIAMSON, 1991; BARNEY; HESTERLY, 2008).

Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005) formularam a Teoria da Governança da Cadeia de Valor Global onde identificaram cinco formas pelas quais as firmas coordenam as relações entre as atividades da cadeia de valor. Segundo os autores, são cinco tipos ou padrões de governança, dentre os quais dois coincidem com as estruturas cobertas pela abordagem econômica da teoria dos custos de transação (COASE, 1937; WILLIAMSON, 1991) e três se baseiam em estruturas de governança de redes. Os tipos de governança da cadeia de calor global estão definidos no quadro 2, abaixo:

Quadro 2: Tipos de Governança da Cadeia de Valor Global Tipos de

Governança

Natureza Definição

Mercado Econômica As transações são transitórias e há facilidade na prospecção e substituição de fornecedores e compradores. As estruturas de governança de mercado são governadas pelo preço.

Modular Rede

O fornecedor fabrica o produto com as especificações do cliente, assume responsabilidades pela tecnologia do processo, limita os investimentos em ativos específicos e realiza compras de materiais e componentes em nome dos clientes.

Nas cadeias modulares, as transações entre firmas envolvem fornecedores de produtos específicos, mas que dispõem de uma ampla independência em termos de capacitações tecnológicas e comerciais.

Por esta estrutura as informações, geralmente complexas, são codificadas em processos digitalizados e transmitidas a fornecedores que, normalmente, são altamente capacitados.

Relacional Rede

Existe dependência mútua e entre as partes em razão da complexidade das informações e da dificuldade de codificá-las. Assim essas informações tácitas são compartilhadas entre os compradores e os fornecedores, geralmente altamente capacitados.

As cadeias relacionais são estruturadas por redes de empresas cujas relações são conduzidas por fatores como reputação, proximidade geográfica, relações familiares ou étnicas.

Cativo Rede

Fornecedores menos capacitados recebem instruções detalhadas por parte dos Compradores.

Os fornecedores são pequenos aliados e economicamente dependentes de compradores muito maiores. Enfrentam custos significativos de mudança, por isto se encontram em “cativeiro”. Essas redes são caracterizadas por alto grau de vigilância e controle por parte das empresas líderes.

Os fornecedores geralmente recebem as informações dos Compradores, e se limitam a cumprir rigorosamente as instruções, sem possibilidade de interagir no processo.

Hierárquico Econômica É a governança caracterizada pela integração vertical, isto é, as operações têm lugar dentro de uma única empresa. A forma dominante de governo é o controle gerencial.

Fonte: Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005), p. 82; Sturgeon et al (2007), p. 307, adaptado pelo Autor.

Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005) afirmam que os tipos de governança de cadeia de valor global não são estáticos nem restritos a um determinado setor industrial. Os modelos são dinâmicos e são influenciados pela combinação de três variáveis, que os autores denominam de “dimensões dos padrões de governança da cadeia de valor global”, a saber: (a) a complexidade das informações e da transferência de conhecimentos requeridos para sustentar uma transação, especialmente quanto à especificação de um produto ou processo; (b) A habilidade em codificar as transações, entendida como a extensão pela qual as informações e conhecimentos podem ser codificados e transmitidos de forma eficiente e sem necessidade

de investimentos transacionais específicos entre as partes envolvidas no negócio; e (c) as capacidades dos fornecedores atuais e em potencial, em relação aos requisitos da transação.

Assim, a partir da combinação dessas três dimensões com os cinco tipos de estruturas de governança acima elencados, os autores estabeleceram um modelo de mensuração que leva em conta o nível de coordenação explícita e a assimetria de poder em cadeias de valor global, conforme ilustrado no Quadro 3.

Quadro 3: Fatores Determinantes da Governança da Cadeia de Valor Global Tipo de Governança Complexidade das transações Habilidade para codificar transações Capacidades na base de suprimentos

Nível de coordenação explícita e assimetria de poder

Mercado Baixa Alta Alta Baixa

Modular Alta Alta Alta

Relacional Alta Baixa Alta

Cativo Alta Alta Baixa

Hierárquico Alta Baixa Baixa Alta

Fonte: Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005), p. 87.

Em linhas gerais essas variáveis seriam os direcionadores que determinariam o nível de coordenação e assimetria de poder que empresas líderes de cadeias de valor “producer- driven” exerceriam sobre seus fornecedores com conseqüências para o processo de apropriação do valor criado ao longo de toda a cadeia.

No que diz respeito à complexidade das transações, Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005) adotaram o mesmo conceito formulado por Williamson (1985), que associou o termo com a idéia de incerteza, entendida como a falta de informações que emerge na tomada de decisão.

Vasconcelos e Ramirez (2000), ratificaram essa compreensão sobre a complexidade das transações quando definiram a complexidade natural como um “fenômeno identificado com a ausência de informação ou como uma função do nível de desconhecimento do ator sobre os princípios que regem uma realidade.” (p.2).

Conforme Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005), quanto maior a complexidade das informações envolvidas numa transação, maior a interação entre os integrantes da cadeia. Por esta razão a complexidade é uma dimensão presente em todas as estruturas de governança baseadas em rede (modular, relacional e cativa) bem como na estrutura de governança hierárquica.

Os autores também identificam que o aumento da complexidade da informação, provocado pela evolução das dimensões competitivas, pode gerar o efeito de redução da capacidade dos fornecedores que não acompanham tais exigências, e isso favorece as estruturas de governança hierárquicas, modulares, relacionais e cativas. Por outro lado, a diminuição da complexidade pode aumentar a possibilidade de codificação das informações, favorecendo as estruturas de mercado.

Em segundo lugar, a habilidade para codificação das transações. Segundo Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005), essa característica favorece as estruturas modulares, cativas e de mercado, nas quais há facilidade com a interface de comunicação entre os atores da cadeia de valor, proporcionando maior integração de processos.

Por outro lado, nas estruturas de governança relacional, embora a complexidade das transações e a capacidade dos fornecedores sejam altas, a codificação é baixa. Os conhecimentos tácitos são compartilhados entre compradores e vendedores, e a elevada capacidade dos fornecedores motiva os compradores a terceirizar os processos como meio de acesso a competências complementares. Existe ainda uma tendência para o desenvolvimento de dependência mútua entre as empresas que se guiam mais por relações baseadas pela reputação e pela proximidade territorial e relacional.

Nesse caso, Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005) afirmam haver tensão contínua entre codificação e inovação. Isso porque a inovação pode tanto promover a decodificação de conhecimento tácito, quanto tornar obsoleta a codificação existente.

Em terceiro lugar, as alterações das competências dos fornecedores. Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005) afirmam que, em geral, o aumento das competências dos fornecedores influencia as estruturas de governança hierárquica e cativa tornando-as mais próximas aos tipos relacionais, modulares e de mercado. Por outro lado, novas tecnologias que não forem absorvidas pelos fornecedores da cadeia de valor implicarão na diminuição de suas competências, o que pode resultar na substituição do fornecedor ou na adoção da governança de estrutura hierárquica.

Além de reconhecerem que os diferentes tipos de estrutura de governança da cadeia de valor se estabelecem por um processo guiado pelas dimensões acima especificadas, Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005) também identificam diferentes níveis de assimetria de poder entre os atores da cadeia associadas com diferentes níveis de coordenação explícita.

Vale dizer que o poder de oligopsônio não se apresenta de forma estática nem mesmo monolítica (GEREFFI; HUMPHREY; STURGEON, 2005). Ele varia sob a influência das dimensões dos padrões de governança, e, por decorrência, se apresenta em maior ou menor

gradação, conforme a estrutura da cadeia de valor se aproxime mais ou menos de um dos tipos de governança apresentados.

A Figura 5 ilustra a relação entre os níveis de coordenação explícita e assimetria de poder nos diferentes tipos de estrutura de governança. De acordo com Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005) as setas estreitas representam que as relações se baseiam em fatores econômicos, como preço, enquanto as setas largas representam fluxos centrais de informação e controle, regulados por meio de um processo de coordenação explícita.

Mercado Modular Relacional Cativa Hierárquica

Fornecedores Fornecedores Fornecedores de Materiais e Componentes Fornecedores de Materiais e Componentes Fornecedores Cativos

Grau de Coordenação Explícita Grau de Assimetria de Poder

Figura 5: Os cincos tipos de governança da cadeia de valor global Fonte: Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005), p.89, traduzido pelo Autor

A coordenação explícita inclui instruções provenientes do comprador, detentor de maior poder na cadeia de valores, dirigidas aos fornecedores, de menor poder (ou subordinado), tal como ocorre nas estruturas de governança das cadeias cativas ou dentro das estruturas de governança hierárquica. Gereffi, Humphrey e Sturgeon (2005) também evidenciam certa medida de coordenação explícita nas estruturas do tipo relacional, traduzidas pela ocorrência de sanções sociais que interferem no comportamento dos participantes e na condução das transações por eles realizadas. Ela ainda pode ocorrer entre os fornecedores de cadeias relacionais e modulares, com seus subcontratados de serviços e componentes, reproduzindo-se a relação típica da cadeia cativa.

Materiais Usuário Final C ad ei as de v al or Preço Firmas líderes Fornec. Turn-key Firmas líderes Forneced. Relacionais Firmas Líderes Firmas Integradas Alto Baixo

No caso das relações envolvendo as empresas fabricantes de moldes e estampos com o setor automobilístico, que constitui o ambiente estudado, os tipos de governança dominantes são os cativos e relacionais, o que se verifica diante das especificidades apresentadas no capítulo seguinte.

3. ESPECIFICIDADES DAS EMPRESAS FABRICANTES DE MOLDES E