6 Research activities, smart EV charging systems
6.1 Norwegian research projects
Conforme poderá ser visto na seqüência, o conceito de formação contínua não possui uma homogeneidade, tanto no âmbito nacional como internacional, devi- do à sua complexidade.
São inúmeros os autores que conceituam “formação contínua de professo- res”, desta maneira buscou-se organizar as idéias de alguns desses estudiosos on- de, primeiramente serão relacionados conceitos que possuem uma abordagem am-
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pla, ou seja, conceitos de formação contínua, que envolvem tanto a formação inicial, como a formação em serviço.
Nesse sentido Fusari & Rios (1995, p. 38, apud Nunes, 2000, p. 59), concor- dam que: “Por formação continuada estamos entendendo o processo de desenvol- vimento da competência dos educadores.”
De acordo com Menezes (1996, p. 159 apud NUNES, 2000, p. 59), “A forma- ção permanente é um processo contínuo que começa nos estabelecimentos de for- mação inicial e que prossegue através das diversas etapas da vida profissional dos professores”.
Para Garcia (1999), a formação de professores deve ser entendida como um processo contínuo, sistemático e organizado que abrange toda a carreira docente. Desta forma, esse autor lembra as palavras de Feiman (1983), mencionando que o professor em sua atividade de aprender a ensinar, no decorrer de sua carreira passa por diferentes etapas (pré-formação, formação inicial, iniciação e formação perma- nente), as quais compreendem exigências pessoais, profissionais, organizacionais, contextuais, psicológicas, etc., específicas e diferenciadas.
Agora, serão citados alguns conceitos de formação contínua de professores, de acordo com uma abordagem específica, que envolvem tão somente a formação em serviço.
Por formação contínua de professores entendemos a formação recebida por formandos já profissionalizados e com uma vida ativa, tendo por base a a- daptação contínua à mudança dos conhecimentos, das técnicas e das con- dições de trabalho, o melhoramento das suas qualificações profissionais e, por conseguinte, a sua promoção profissional e social. (PIRES, 1991, p. 143 apud NUNES, 2000, p. 59).
Por formação contínua entendemos as atividades sistemáticas de formação a que se dedicam os professores e os chefes dos estabelecimentos de en- sino após a sua titularização profissional inicial, com vistas essencialmente, ou exclusivamente, a melhorar os seus conhecimentos, as suas competên- cias e as suas atitudes profissionais, de modo a assegurar, com eficácia, a formação dos alunos. (CRUZ, 1991, p. 155 apud NUNES, 2000, p. 59). A formação contínua de professores é a formação dos professores dotados de formação inicial profissional, visando o seu aperfeiçoamento pessoal e profissional. A formação contínua visa o aperfeiçoamento dos saberes, das técnicas, das atitudes necessárias ao exercício da profissão de professor. (FORMOSINHO, 1991, p. 237 apud NUNES, 2000, p. 59).
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Entenderemos por formação contínua aquela que tem lugar ao longo da car- reira profissional após a aquisição da certificação profissional inicial (a qual só tem lugar após a conclusão da formação em serviço) privilegiando a idéia de que a sua inserção na carreira docente é qualitativamente diferenciada em relação à formação inicial, independentemente do momento e do tempo de serviço docente que o professor já possui quando faz a sua profissionali- zação, a qual consideramos ainda como uma etapa da formação inicial. (...) A formação contínua é freqüentemente concebida como complemento da formação inicial e envolve um regresso à escola ou a um centro de forma- ção. (RODRIGUES e ESTEVES, 1993, p. 44-45 e 57).
A formação contínua não pode ser concebida como um processo de acumu- lação (de cursos, palestras, seminários etc., de conhecimentos ou de técni- cas), mas sim como um trabalho de reflexividade crítica sobre as práticas e de (re) construção permanente de uma identidade pessoal e profissional, em intenção mútua. (CANDAU, 1996, p.150 apud NUNES, 2000, p. 58). A formação de docentes em serviço, dependendo da concepção teórica que a fundamente, a região, o país, as instituições ou outros fatores que influen- ciam seu desenvolvimento pode ser sinônimo de capacitação, qualificação, reciclagem, aperfeiçoamento, atualização, formação continuada, formação permanente, especialização, aprofundamento, treinamento, re-treinamento, aprimoramento, superação, desenvolvimento profissional, compensação, profissionalização. Ou, ter um significado próprio, diferente destes, que por sua vez, tem também sua especialidade. (PRADA, 1997, p. 86 – 87).
Este último autor ainda menciona alguns dos diferentes significados que cada uma dessas denominações podem ter:
• Capacitação, significa fornecer determinada capacidade a ser adquirida pelos professores, através de um curso; é um entendimento mecanicista que considera os docentes incapacitados.
• Qualificação, contrariamente ao caso anterior, não significa ausência de capaci- dades, mas continua sendo mecanicista, porque visa apenas melhorar algumas qualidades que os professores já possuem.
• Aperfeiçoamento, significa tornar os professores perfeitos, sendo que a natureza humana é imperfeita. Está relacionado a maioria dos outros termos, contrapondo- se entre outros a: permanente, cotidiano, da formação docente, da função docen- te, da formação docente.
• Reciclagem, denominação própria de processos industriais e, principalmente, referente ao reaproveitamento do lixo. Os professores desenvolvem um trabalho social no qual não são transformados em resíduos da sociedade e menos ainda pode-se compará-los com o lixo.
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• Atualização, consiste em uma ação parecida à do jornalismo; manter os profes- sores atualizados com relação aos acontecimentos. Algumas vezes encontra-se a denominação de atualização continuada e atualização em serviço.
• Formação continuada, alcançar níveis mais elevados na educação formal ou a- profundar como continuidade dos conhecimentos que os professores já possuem. • Formação permanente, realizada constantemente, objetiva a formação geral e
integral da pessoa sem se preocupar somente com os níveis da educação formal, porém, nos outros aspectos, é quase similar à continuada.
• Especialização, é a realização de um curso superior sobre um tema específico. • Aprofundamento, objetiva aprofundar alguns dos conhecimentos que os profes-
sores já tem.
• Treinamento, adquirir uma habilidade por repetição, utilizada em processos in- dustriais para manipulação de máquinas, sendo que no caso dos professores, esses se relacionam e interagem com pessoas, construindo conhecimento.
• Re-treinamento, voltar a treinar o que já havia sido treinado.
• Aprimoramento, melhorar a qualidade do conhecimento dos professores.
• Superação, subir a outros patamares, ou outros níveis, por exemplo de titulação universitária, ou, pós-graduação.
• Desenvolvimento profissional, procura de melhor desempenho profissional. Cur- sos de curta duração que procuram a “eficiência” do professor.
• Compensação, suprir algo que falta. Atividades que pretendem subsidiar conhe- cimentos que faltaram na formação anterior.
• Profissionalização, tornar profissional. Conseguir, para quem não tem, um titulo ou diploma.
Quanto aos objetivos ou finalidades da formação contínua, traz-se para análi- se, as seguintes concepções:
A formação contínua tem como finalidade garantir a qualidade da educação e do ensino, através da melhoria das competências profissionais dos docen- tes. Constituem objetivos da formação contínua: promover a atualização dos conhecimentos; assegurar o desenvolvimento das competências profissio- nais; possibilitar a progressão e intercomunicabilidade/mobilidade na carrei- ra docente; permitir a reconversão profissional; proporcionar especializa- ções profissionais no âmbito da função docente. (PIRES, 1991, p. 149 – 150 apud NUNES, 2000, p. 60).
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A formação contínua tem como finalidade última o aperfeiçoamento pessoal e social de cada professor, numa perspectiva de educação permanente (...) A formação contínua deverá, assim, colmatar as deficiências da formação inicial de vários professores e adaptar a generalidade dos professores à complexidade das tarefas educativas numa escola de massa. (FORMOSI- NHO, 1991, p. 238 apud NUNES, 2000, p. 60).
“É uma evidência que a formação contínua tem como objetivo maior a melho- ria das competências profissionais do professor, que comportam múltiplas facetas.” (TEODORO, 1991, p. 47 apud NUNES, 2000, p. 60).
“Quanto à formação continuada (ou permanente, ou em serviço, etc.), visa ao acompanhamento e atualização de professores que já militam no ensino.” (RAMOS, 1991, p. 83).
A formação dos docentes em serviço é um dos elementos mais importantes, quando se tem como alvo o progredir do sistema educativo para contribuir na melhoria do mundo no qual todos os seres tem direito a viver em condi- ções dignas. (...) Contudo, esta formação contribui especificamente, quando constitui-se em inúmeros e diferentes meios para conseguir progressiva- mente, transformar as práticas educativas cotidianas dos professores. (...) A formação de docentes em serviço tem constituído um fundamento teórico em ação, uma metodologia de pesquisa cujo desenvolvimento implica a in- tenção de melhorar o trabalho docente, tentar transformar relações cotidia- nas entre professores, estudantes, sociedade em geral e, especificamente, no contexto educativo do tempo e local de trabalho, onde os docentes cons- troem ou reconstroem conhecimentos com os estudantes. (PRADA, 1997, p. 97-98).
Pode-se perceber, que a concepção dos objetivos da formação continuada dos professores dependerá da abordagem em que tal formação foi conceituada (a- bordagem ampla ou abordagem específica), conforme visto anteriormente. No entan- to, a formação contínua oportuniza indissociavelmente melhoria no desenvolvimento pessoal e profissional, que refletirá na qualidade do ensino, mas para tanto, o sujeito que a recebeu deve utilizar os conhecimentos adquiridos em suas situações profis- sionais do dia-a-dia.
Numa tentativa de homogeneizar o conceito, bem como a finalidade da for- mação contínua do professor, Lundgren (apud RODRIGUES e ESTEVES) no relató- rio apresentado à Conferência Permanente de Ministros da Educação do Conselho da Europa, defende a tese de que a formação contínua dos professores consiste no
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principal instrumento de mudança das qualificações destes, porém ressalta que, por si só, a formação contínua não resolve os problemas, dentre os quais considera co- mo principal o do desenvolvimento insuficiente dos conhecimentos requeridos. Con- cluindo então, que a formação contínua deve ser associada à investigação e ao de- senvolvimento.
Vale ressaltar que as iniciativas de formação contínua tendem a ganhar maior possibilidade de transformação tanto do professor, como da escola e também da educação, se centradas na investigação da prática, se desenvolvidas de forma com- partilhada entre os professores e também se trabalhadas interativa com projetos de desenvolvimento e inovação da escola e desenvolvimento e inovação curricular.
Aproximando-se dessa idéia, Nóvoa (apud CUNHA e FERNANDES, 1994 p. 208), apresenta cinco teses sobre a formação contínua de professores:
1ª) A formação contínua de professores deve alimentar-se de perspectivas inovado- ras, que não utilizem as “práticas tradicionais”, mas que procurem investir nas alter- nativas que têm a escola como referência;
2ª) A formação contínua deve valorizar as alternativas de formação participada e de formação mútua, estimulando a emergência de uma nova cultura profissional no seio do professorado;
3ª) A formação contínua deve alicerçar-se numa reflexão na prática sobre a prática, através de dinâmicas de investigação-ação e de investigação-formação, valorizando os saberes de que os professores são portadores;
4ª) É necessário incentivar a participação de todos os professores na concepção, realização e avaliação dos programas de formação contínua e consolidar redes que viabilizem uma efetiva cooperação institucional;
5ª) A formação contínua deve capitalizar as experiências inovadoras e as redes de trabalho que já existem, investindo na sua transformação qualitativa em vez de ins- taurar novos dispositivos de controle e enquadramento.
No processo de formação contínua do professor, estão implícitas diversas di- mensões que contribuirão para o desenvolvimento do professor enquanto pessoa e enquanto profissional. Tais dimensões, na visão de Howey (1985, apud GARCIA, 1999, p. 138) seriam:
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b) Conhecimento e compreensão de si mesmo; c) Desenvolvimento cognitivo;
d) Desenvolvimento teórico; e) Desenvolvimento profissional; e f) Desenvolvimento da carreira.
Silva (2000, p. 102-103), levando em consideração algumas dimensões da formação contínua, diz que:
o desenvolvimento profissional se estrutura não só no domínio de conheci- mento sobre o ensino, mas também em atitudes do professor, relações in- terpessoais, competências ligadas ao processo pedagógico, entre outras, os professores terão de mobilizar nas suas práticas não só conhecimentos es- pecíficos das disciplinas que lecionam, mas um conjunto de outras compe- tências que concorrem para o sucesso dessas práticas e, conseqüentemen- te, para o seu desenvolvimento e realização profissional e pessoal. (...) En- volve, por isso, três dimensões fundamentais: a do saber (conhecimentos específicos), a do saber fazer (desempenho profissional, atitudes perante o aspecto educativo) e a do saber ser e saber tornar-se (relações interpesso- ais, autopercepção, motivações, expectativas).
Já Nunes (2000, p. 66) depreende as seguintes dimensões da formação con- tínua:
• Privilégio do desenvolvimento de ações de formação contínua no próprio ambien- te de trabalho do professor;
• Suas ações devem ser diversificadas e corresponder às reais necessidades for- mativas dos professores, identificadas a partir dos problemas que vivenciam no exercício do trabalho;
• Reconhecimento e valorização dos saberes que os professores são portadores; • Constituição de grupos de estudos e pesquisas no interior das escolas visando à
discussão e reflexão na e da prática pedagógica do professor;
• As ações propostas devem fazer parte de um programa de formação contínua de professores, articuladas com o projeto pedagógico da escola, elaborado e defini- do coletivamente.
Nóvoa (apud ANDRÉ,1994, p.73), observa a formação contínua de professo- res sob três eixos:
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b) A profissão e seus saberes; c) A escola e seus projetos.
Quanto aos motivos que levam os professores a buscarem e serem incluídos em atividades de formação contínua, Leão (1998, p.48) exprime: “Acredito que a ên- fase na formação continuada de professores/as é fruto, tanto da pressão e da luta dos profissionais da educação e dos movimentos sociais em geral, quanto da racio- nalidade econômica que reivindica eficiência do ensino público”.
Porém torna-se fundamental alertar, para que não se criem expectativas mui- to além das quais devem ser esperadas, de que a formação contínua não pode ser concebida como a panacéia para todos os problemas da educação. Mesmo porque na educação, existem muitos (falta de espaço físico, falta de professores, professo- res mal remunerados e sobrecarregados, falta de recursos financeiros para investi- mentos em equipamentos de informática, entre outros) que fogem completamente as raias do desenvolvimento profissional.
Nessa mesma linha de raciocínio, corroborando com o exposto, Prada (1997, p. 97) afirma que: “Assim como a educação não é a solução de todos os problemas sociais, a formação em serviço dos docentes também não o é do sistema educativo”.