1 Smart EV charging systems
1.1 How to define "Smart EV charging systems"
Conforme apresentado no capítulo 3 deste trabalho, o DRS não é um programa, mas uma estratégia geral do BB associada à sua natureza de instituição financeira pública para cumprir sua missão de reduzir as desigualdades e promover o desenvolvimento das regiões mais carentes onde o Banco atua (FRANCO, 2006; BUARQUE; TAVARES, 2008).
Para verificar essa característica do Banco e sua relação com a estratégia negocial DRS, foram feitas algumas afirmações para testar o grau de concordância dos entrevistados. A elaboração dessas afirmações foi concebida para extrair a opinião dos principais formuladores, isto é, os policy makers (os responsáveis pelas diretrizes do DRS), da estratégia negocial DRS (público-alvo do nível estratégico e tático do Banco). A escala de
resposta para essas afirmações era: não concordo, concordo pouco, concordo razoavelmente, concordo muito e concordo totalmente.87
Segundo a maioria dos entrevistados88, o BB é um meio para a disseminação de políticas públicas do Estado Brasileiro, isto é, serve como instrumento para políticas conjunturais ou estruturais que levam ao desenvolvimento do país. Um exemplo para a atuação do BB na política conjuntural é sua participação no aumento da oferta de crédito na economia brasileira na crise recente (2008/2009), conforme apresentado no segundo capítulo desta dissertação. Enquanto os bancos comerciais privados contraíram o crédito no mercado financeiro, o BB atuou com uma política anticíclica (CARVALHO; TEPASSÊ, 2010). Em relação à atuação em políticas estruturais, a estratégia negocial DRS busca ocupar esse espaço com sua visão de desenvolvimento regional.
Concomitante a essa visão, os entrevistados concordam89 que o DRS é uma forma do BB, em consonância com políticas públicas do Estado, por meio da promoção do desenvolvimento local e regional sustentável, contribuir para o desenvolvimento do país. E vão além, ao afirmarem que a estratégia negocial DRS promove o desenvolvimento regional e local sustentável nas regiões onde o Banco atua.90
Os agentes da estratégia negocial DRS também reconhecem, em sua percepção, que na atual conjuntura econômica do país e da Instituição BB, o principal objetivo do Banco, como empresa de capital aberto, é gerar lucro.91
Porém, quando a pesquisa afirma que o principal destaque do DRS está calcado no fato de ser uma estratégia de negócios que visa gerar resultados financeiros ao BB, isto é, prioriza ou deve priorizar resultados econômicos à instituição, as opiniões dos entrevistados se dividem: 25% não concordam e 13% concordam pouco com essa posição, enquanto que, 15% concordam razoavelmente, 38% concordam muito e 9% concordam totalmente com que o fator de principal destaque do DRS seja a geração de resultado financeiro ao Banco.
Esta característica peculiar da estratégia negocial DRS de buscar atender, ao mesmo tempo, objetivos privados e públicos do Banco, isto é, o fato do BB ter de atender as
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Para maiores detalhes, consulte o Apêndice A deste trabalho, módulo 2.
88 Dentre os entrevistados, 44% concordam muito e 34% concordam plenamente com essa afirmação. 89 Dos entrevistados, 63% concordam totalmente e 19% concordam muito com esse argumento. 90
Essa afirmação tem a concordância de 97% dos entrevistados (47% concordam totalmente e 47% concordam muito).
91 Segundo a pesquisa, 28% dos entrevistados concordam totalmente e 25% concordam muito com essa afirmação.
expectativas de seus acionistas, gerando resultados financeiros, e assumir as funções de um Banco público, voltado ao desenvolvimento, gera certa tensão.92 Essa tensão é percebida ao menos por 50% dos entrevistados, que concordaram totalmente (25%) ou muito (25%) com esse argumento. A outra metade dos entrevistados apresenta opinião destoante, concordando razoavelmente (9%), pouco (25%) ou não concordando (16%) com a ideia.
Essa divisão na interpretação desses entrevistados, acerca do papel do Banco e da estratégia negocial DRS, segue presente. O DRS surgiu em 2003, originada da parceria estabelecida entre o BB e o Governo Federal, por meio do Programa Fome Zero.93 Essa parceria é fruto de uma agenda socioambiental94 que reforça o caráter social dos bancos públicos comerciais brasileiros nos anos 2000. Quando afirmado que essa estratégia não surge de forma natural, mas por meio de uma demanda do Estado Brasileiro, por meio do Governo Federal ao Banco, os entrevistados se dividem ao dizerem que não concordam (28%) ou concordam pouco (9%), enquanto que 31% concordam razoavelmente, 19% concordam muito e 13% concordam totalmente.
A interpretação do resultado dessa afirmação não é tão simples. De um lado, a percepção dos entrevistados que acreditam que o surgimento do DRS seja um processo natural do Banco, derivado de sua missão institucional e de seu caráter público, é correta. A visão desses agentes pode estar embasada na vivência e observação sobre a atuação do BB ao longo de sua história. Vale lembrar que o Banco é o principal agente fomentador do crédito agrícola brasileiro, atua com o PRONAF – beneficiando as famílias de baixa renda no campo –; é o principal agente de crédito do comércio exterior brasileiro; contribui para o desenvolvimento de micro e pequenas empresas – com linhas de financiamento específicas como o Programa de Geração de Emprego e Renda (PROGER)95, por meio de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) –; além de repassar linhas de crédito subsidiado em
92 As principais características dessa tensão foram discutidas no segundo capítulo deste trabalho.
93 Deve ser lembrado que, com base nos três eixos de atuação desse Programa (inclusão social, fortalecimento da cidadania e desenvolvimento regional sustentável), o Banco traçou os objetivos e as estratégias orientadoras para a implementação de ações identificadas com seu escopo de atuação, visando assim, contribuir para a solução dos problemas nacionais identificados no Fome Zero, isto é, a busca pela promoção do desenvolvimento, por meio da estratégia negocial DRS (BB, 2007).
94 Conforme apresentada no Capítulo 2 desta dissertação.
95 Os programas de geração de emprego e renda do FAT/PROGER compõem-se de um conjunto de linhas de crédito disponíveis para interessados em investir no crescimento ou modernização de seu negócio (empreendimento) ou obter recursos para o custeio de sua atividade. Enfatizam o apoio a setores intensivos em mão de obra e prioritários das políticas governamentais de desenvolvimento, além dos programas destinados a atender necessidades de investimento em setores específicos, objetivando aumentar a oferta de postos de trabalho e a geração e manutenção da renda do trabalhador (BRASIL, 2010).
vários setores da economia (VIDOTTO, 2005; ANDRADE; DEOS, 2007; GUIMARÃES, 2007; CARVALHO; TEPASSÊ, 2010; BRASIL, 2010).
Por outro lado, os entrevistados que concordam que o surgimento da estratégia negocial DRS não seja um processo natural do Banco, exclusivamente derivado de sua atuação pública, têm a percepção voltada ao caráter comercial adquirido pelo BB no seu passado recente.96 Marcado por uma atuação comercial latente, o BB:
[...] continua sendo uma entidade híbrida [características de atuação pública e privada], mas [...] a diferença é que a lógica de atuação define-se, no presente, preponderantemente nos mesmos termos de um banco privado típico, embora o controle acionário desta instituição financeira pertença majoritariamente ao Estado brasileiro e (ainda) persistam programas e ações de natureza pública. [...] Neste sentido, a idéia aqui é chamar a atenção para o fato de que, deixado ao seu bel prazer, isto é, conferindo-lhe maior autonomia para definir seus objetivos e estratégias, descolado de políticas governamentais mais amplas voltadas à promoção do desenvolvimento sócio-econômico, o banco público tende a se tornar cada vez mais banco estatal “privado”. (ANDRADE; DEOS, 2007, p. 3,6). Neste sentido, o caráter público ou social do BB fica qualificado a um segundo plano. Logo, uma estratégia de desenvolvimento só tende a ganhar consistência se referendada por uma política – ou estratégia – pública, isto é, com a participação do Estado. No caso do DRS, a percepção desses agentes, que acreditam que o processo de surgimento dessa estratégia não acontece de forma natural, faz muito sentido.
O DRS surge como apoio ao programa Fome Zero criado em 2003 no governo Lula. É uma forma de o Banco contribuir com a redução da pobreza, por meio da geração de trabalho e renda, utilizando-se do seu escopo de atuação. Por sua vez, o maior diferencial ou desafio do DRS é mesclar duas características distintas do BB: gerar o desenvolvimento regional (caráter público) e, ao mesmo tempo, criar oportunidades de negócios ao Banco (caráter privado).
Desse desafio pode-se supor que não há espaço no Banco para uma política denominada apenas pública, isto é, que apresente apenas um caráter social. Pela atual configuração em que o BB está inserido, o DRS deve ter uma contrapartida: o lado comercial. Entretanto, há indícios de uma possível tensão entre essas duas características presentes no DRS, pois o lado comercial tende a tomar uma proporção ainda maior que o próprio lado social da estratégia gerando um antagonismo de forças.
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