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professoras desta pesquisa, informações relativas aos saberes docentes que foram produzidos no curso de formação inicial e, que se tornaram definidores na construção dos primeiros anos da experiência docente.

Os saberes da docência produzidos na formação inicial, como: saberes disciplinares, saberes curriculares, experiências e saberes profissionais, para Tardif (2002, p.61) são considerados como uma fonte privilegiada de produção do saber fazer profissional na vivência da experiência do trabalho no trabalho; para o autor, aprende-se a ensinar ensinando

Diante do exposto pelas professoras, há um grau de contentamento acerca da aprendizagem da docência e dos saberes produzidos na formação inicial, devido às oportunidades concedidas pelas disciplinas cursadas e principalmente pelos estágios, apesar de ressaltarem as limitações do ensino dessas disciplinas.

FORMAÇÃO INICIAL NO CURSO DE PEDAGOGIA

Insuficiente para iniciar na docência

Falta de articulação da teoria na prática ensino

Reduzida carga horária do estágio

Forma para o saber fazer docente

Descontextualizado do lócus de atuação

“Os conhecimentos que se leva da universidade são mais teóricos. Os estágios eles são poucos em um período curto. A coisa boa que a gente levou foram os saberes que se pode relacionar com a prática que se vivencia em sala de aula, pois quando a gente tem alguma dificuldade na prática sabe procurar nos livros, pesquisar os autores que fundamentam.” (PI 1).

“Então todas essas teorias que a gente vê na academia foram importantes e me deram assim certa base que juntamente com a prática diária poder para atuar na sala de aula que eu estou hoje.” (PI 2).

“A universidade me deu uma formação com ênfase na questão teórica, eu sei fazer, eu sei dizer o que e como fazer, mais não tinha a prática. Então, a base teórica e prática relacionada à educação infantil eu acredito que não foi “mil maravilhas”, mas ela deu suporte para trabalhar com a educação infantil.”(PI 3).

De acordo com as professoras iniciantes, os saberes docentes são as aprendizagens e os conhecimentos adquiridos no percurso da formação inicial que as fundamentaram para realizar a sua prática docente a aprender a ensinar nesse cotidiano. Assim, é que Tardif (2002) considera o saber docente como um conjunto de saberes que alicerçam o ato de ensinar, e podem ser incluídos os conhecimentos, as competências, as habilidades e atitudes inerentes ao trabalho do professor.

No entanto, ressaltaram que na formação inicial foram produzidos insuficientes saberes da experiência, os quais foram, de fato, adquiridos no pleno exercício da docência, conforme as narrativas que seguem:

“Com relação ao curso, tive uma visão muito ampla e teórica do que é ser professor, porque a gente aprende através da nossa prática no dia a dia. Eu aprendi que o professor tem que ser pesquisador e na minha prática observo que para exercer um bom ensino tem-se que pesquisar a prática.” (PI 4). “Acredito que aquele conhecimento teórico adquirido no curso se juntou com a prática e ficou mais fácil pra trabalhar, pois só a teoria não adianta, e nem só a prática não adianta.” (PI 5).

“E na academia a gente ver mais a teoria e parece que a escola é o paraíso. E quando você chega, a realidade é outra coisa principalmente quando fala na questão da inclusão você tem que se virar.”(PI 6).

“No curso a gente vê muito teoria de que é fácil ser professor, mas na prática, é bem diferente o modo como tem que trabalhar. E quando partir para prática não conseguia articular o conhecimento que eu tinha para saber para ensinar.” (PI 7).

As professoras afirmaram também, que adquiriram conhecimentos teóricos com ênfase nas disciplinas pedagógicas na sua formação inicial e, que as vivências educativas no ambiente de atuação do pedagogo foram insuficientes para a formação docente, conforme afirma a professora “Então na área de conhecimento da Pedagogia só tenho a enaltecer a parte do ensino de didática.” (PI 6).

“No curso de Pedagogia estudei muito as “gias”, como dizem algumas pessoas e até criticam[...].Mas essas "gias" (filosofia, psicologia...) disciplinas pedagógicas nos ajudou a entender o ensino e a aprendizagem na sala de aula.” (PI 2).

“A psicologia ajudou muito para compreender a criança e, a didática a compreender as técnicas e de como ensinar para assumir as divergências em sala de aula. Então, aprendi que só se pode resolver os problemas vivenciando-os no dia a dia da sala de aula.” (PI 7).

E, ao se depararem com a realidade da escola e da sala de aula puderam constatar que a teoria estudada no decorrer do curso nem sempre pode ser contextualizada na prática docente. A professora PI 5 abordou a questão do professor saber conviver com os alunos partindo de uma relação de compreensão, confiança e dialogicidade , aspectos essenciais para aprender a ensinar, haja vista que o professor formador é uma referência de profissional.

“O que eu aprendi é que o professor tem que se importar com o aluno, é não só a questão de exigir que ele aprenda, mais é bom colocar o aluno para aprender compreendendo, conversando é melhor. E o curso me faz acreditar que sou professora e que posso com os saberes que eu tenho lidar com as situações na escola.” (PI 5).

No entanto, mesmo evidenciando que tiveram dificuldades iniciais quanto ao saber articular as teorias na prática escolar, acreditam que trouxeram este saber da formação inicial e o aperfeiçoaram na prática. Duas das professoras consideraram que foram produzidos, em maior dimensão, os saberes docentes para o ensino na educação infantil, tanto teóricos quanto práticos, facilitando a gestão da sala de aula e garantindo mais segura no lidar com crianças nesta faixa etária, conforme assinalado:

“Em relação ao ensino infantil acho que foram muitos os saberes, a questão do referencial da educação infantil, ter ido logo para as creches e ter lidado com a questão do trabalho com crianças, tivemos que fazer jogos, procurar interagir com os alunos, conquistar, trabalhar com o útil e concreto.”(PI 3).

“Aprendi que temos que respeitar os limites da criança, pois cada criança é única. E que através da ludicidade ela pode se desenvolver de forma integral. Às vezes eu penso nos autores que falam de determinada fase da criança, e me questiono o que fazer e como fazer com essa informação.”

(PI 4).

Para Tardif (2002, p.61), os saberes docentes são provenientes também da formação inicial e, como espaço de produção destes saberes podem servir de base para aprender a ensinar, e “não se limitam a conteúdos bem circunscritos que dependem de um conhecimento especializado [...] ou tão pouco, a os conhecimentos teóricos obtidos na universidade e produzidos pela pesquisa na área da educação [...]”.

Evidenciando os saberes produzidos na formação e apropriados no início da atuação profissional as professoras pontuam que na formação como professoras produziram saber de estudar, pesquisar e tomar decisões diante da realidade da sua atuação profissional e, que os saberes disciplinares, como a psicologia e a didática, forneceram subsídios importantes para compreender o papel do professor e do aluno no processo de ensino aprendizagem. Saber lidar de forma dialógica e compreensiva na relação professor aluno na escola foi uma competência citada pela professora (PI 5) que é de fundamental importância para que haja satisfatória relação ensino - aprendizagem escolar.

Para as professoras (PI 3 e PI4), os saberes produzidos para o ensino da educação infantil, uma das bases de formação do curso de Pedagogia foram significativos e contemplaram os aspectos teóricos e práticos para que se iniciassem na docência, destacando a oportunidade de vivências de ensino, convivência com crianças, execução de projetos educativos e formativos, bem como adquiriam conhecimentos e competências de como lidar com crianças nesta faixa etária.

Apresentam, ainda, um entendimento de que na prática mobilizaram saberes da formação inicial mediante a reflexão crítica das teorias que fundamentam esta prática, ou seja, efetivaram uma prática com características reflexivas. Entendem ainda, que o professor aprende a ensinar na prática, como professor, na vivência e experiência da profissão balizada pelos saberes da formação inicial. E que os saberes da experiência, importantes na aprendizagem da docência, são produzidos e mobilizados concretamente na prática pedagógica. De acordo com Tardif (2002, p.36), os saberes experienciais são “saberes específicos desenvolvidos no exercício da prática e brotam das experiências e por eles são validados.”

Assim, os saberes docentes necessários ao exercício da profissão podem ser produzidos na formação inicial, no entanto, continuam sendo produzidos, reforçados e mobilizados no cotidiano da atuação docente e no desenvolvimento profissional.

A seguir, apresentamos síntese das falas das professoras sobre os saberes docentes da formação inicial. Trata-se de dados que apontam em direção à proposição de possíveis indicadores para a formação inicial no curso de Pedagogia.

Figura 3. Saberes produzidos na formação inicial

Fonte: Entrevistas narrativas reflexivas, 2014.