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Norwegian Institute for Agricultural and Environmental Research

In document Molecular Biology. Panel 3 (sider 109-112)

Como assessora de Música, surgiu o desafio de, juntamente com os professores de Teatro, Música e Arte, montar um musical no Colégio. Montou-se um grupo, sob coordenação da pesquisadora, para a produção e realização do musical.

Ao acompanhar os alunos durante os últimos sete anos, percebeu-se que eles também se constituíam como bons alunos em outras disciplinas. Notou-se também que o poder de argumentação e de reflexão crítica dos alunos aumentava cada vez mais durante as aulas, sendo que a participação efetiva na adaptação dos textos dos musicais que vieram a seguir, foi intensa. Nesse contexto, participando de um grupo de estudos vigotskyano, despertou-se o interesse em estudar nas práticas da escola a teoria sócio-histórico-cultural.

O grupo musical foi selecionado para ser objeto desta pesquisa, porque nele há alunos de várias faixas etárias (dos 9 aos 16 anos) e de diferentes segmentos. Outro motivo relevante considera o fato de que a pesquisadora é a coordenadora e assessora de música, responsável por realizar o musical na escola e de acompanhar o trabalho desde o início. O mais significativo, contudo, é o objetivo de acompanhar, observar e intervir no planejamento das aulas, mediando a reflexão do professor e observando a produção de conhecimento dos alunos.

Os participantes, portanto, são: a pesquisadora, coordenadora da educação infantil e ensino fundamental I e assessora de Música do colégio; o professor de teatro, os alunos do ensino fundamental II e do ensino médio que participam das aulas de teatro.

(A) Pesquisadora-coordenadora

O relato da pesquisadora, coordenadora e assessora de música do colégio encontra-se no início desta pesquisa em um breve memorial, que relata sua trajetória pessoal e profissional.

(B) Professor de teatro do grupo do Musical

O perfil a seguir foi relatado pelo professor de teatro do colégio, participante e colaborador para este estudo.

Ricardo Sonzin Junior

Minha história com o teatro começou quando fui para o colegial. Estudava no Colégio Liceu Coração de Jesus, onde se incentivava a prática das artes de forma que cada classe deveria apresentar uma peça teatral e um número artístico envolvendo expressão corporal, música e/ou dança. Esta atividade tinha o nome de Maratona Cultural. Havia competição e premiações entre as turmas e eu possuía verdadeira adoração por esta atividade.

Com o passar dos anos, minha formação universitária foi para a área da Psicologia. Passei a clinicar e atuar em Recursos Humanos. Na mesma época, comecei um trabalho junto a menores infratores da antiga FEBEM, em situação de Liberdade Assistida. Este era desenvolvido dentro de um centro espírita, pois o mesmo era o dono da parceria com a fundação. Paralelo a isso, insatisfeito com Recursos Humanos, passei a dar aulas numa escola da rede pública de ensino, E.E Padre Manuel da Nóbrega e atuar como Psicólogo num orfanato.

Na escola estadual montei um projeto de qualidade de vida, usando meus conhecimentos da Psicologia. Fui fazer o curso de Letras para que eu pudesse me manter na rede, uma vez que Psicologia não pertencia à grade curricular. O projeto cresceu e fui estreitando minha atividade na FEBEM e formando parcerias. Foi então que decidi montar um grupo de teatro na escola e comecei as atividades com 52 alunos do Ensino Médio. Este projeto cresceu de tal forma que precisávamos de um espaço para as apresentações. Fui ao Colégio Liceu Coração de Jesus onde estudara e o diretor, meu professor na época abriu o teatro para que fizéssemos nossas apresentações lá. Além disso, convidou todas as escolas da região para assistir, incluindo a do próprio colégio.

Estas apresentações renderam a mim convites para dirigir turmas na Maratona Cultural do Liceu, a mesma que eu participava enquanto aluno. Pude, durante alguns anos, rever a minha história e terminá-la. A primeira turma que dirigi me contratou durante seus três anos de Ensino Médio. No ano seguinte fui jurado da mesma e depois dirigi mais alguns anos, outras turmas, até formar uma parceria com uma atriz profissional, na qual me forneceu toda a bagagem e caminhos técnicos para a elaboração de uma peça teatral. Em troca, forneci a ela a bagagem pedagógica. Esta parceria rendeu muitos prêmios e conquistas. Estava fechado um ciclo na minha vida.

No centro espírita, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo ofereceu uma parceria com o Projeto Ademar Guerra. Neste, um profissional da área de Artes Cênicas vinha para dar aulas. Sem sucesso com os menores infratores, sugeri que o projeto fosse

encaminhado para a escola onde dava aulas. Com isso, o grupo foi batizado e participamos durante três anos da mostra do Projeto Ademar Guerra. Como o projeto não cabia mais na escola por questões administrativas, levei o grupo para a escola de samba Mocidade Alegre, no qual ele existe até hoje. Fomos incorporados no elenco de desfile da escola fazendo performances teatrais e coreográficas em carros alegóricos.

Minha chegada ao Colégio Albert Sabin se deu por uma indicação de um coordenador do Liceu Coração de Jesus. Fui ao Sabin realizar uma apresentação apenas para uma Feira Cultural. No ano seguinte, o colégio me contratou como professor de teatro. Quando comecei tinha apenas dois grupos, hoje são nove, mais um grupo de musical, envolvendo cerca de cem alunos.

Neste momento, estou cursando uma pós-graduação em Artes Cênicas e estudando técnicas do movimento.

(C) Os alunos

Os participantes desta pesquisa são alunos entre 9 e 16 anos do grupo de teatro do musical do Colégio Albert Sabin. Os alunos são escolhidos de acordo com as suas características físicas e emocionais, e com sua participação nas aulas de teatro do Colégio.

Na sequência, há o relato dos alunos selecionados como foco, em que comentam a sua trajetória no colégio e no grupo de teatro. Tais alunos foram escolhidos, pois já participam do grupo de teatro há algum tempo e, nos últimos dois anos, do musical. Esses relatos foram produzidos dentro de uma Atividade Social proposta com o objetivo de conhecer a história de cada aluno, pelo seu próprio olhar. A questão colocada foi: “Nas linhas abaixo, escreva um relato do seu percurso no Colégio, contando como você chegou a fazer parte do grupo de teatro”.

Júlia Gonçalves Munhoz

Entrei no colégio na segunda série (terceiro ano) em 2001 e logo me interessei pelo grupo de teatro, no qual ainda não podia ingressar.

Na quarta série (quinta ano) fui convocada a participar do espetáculo de dança “O Quebra-Nozes”, quando me descobri apaixonada pelo palco e pelo trabalho teatral. Em 2005, na sexta série (sétimo ano), finalmente entrei no grupo e hoje, seis anos depois me formando no 3º colegial, tenho certeza de que os ensaios do teatro serão os momentos dos quais sentirei mais falta no ano que vem. Durante os meus anos Sabin, participei de 17 montagens, descontado o Quebra-nozes: 15 atuando e 2 com o coral. Por muitos anos quis, graças às experiências no colégio, fazer do teatro minha profissão. Não opto por uma peça favorita, pois acredito que cada uma tem expectativas e desafios diferentes, e talvez a arte dramática me apaixone tanto devido exatamente à sua pluralidade.

Victor Luvizotto

Tudo começou em maio de 2007, quando entrei no grupo do 7º ano, que ensaiava a peça “No Mundo da Ganância e da Ambição, qual é o preço da Alegria?” minha primeira peça, na qual tive o papel de “rei” no ano seguinte continuei no teatro do Sabin, com a peça “Liberdade o segredo real”, além de ter ingressado na peça de inglês “Oh, My God”, em que interpretava o atrapalhado anjo A 1001” e, no musical “Peter Pan” fazendo parte como Pirata da Tripulação do Capitão Hooke.

2009 “foi, com certeza, o ano mais difícil e corrido para mim no teatro Assumi dois papéis grandes: Adorável Avarento” além da peça “Hominis” (minha favorita que participei junto com “The Fi...”

2010 com certeza está sendo um ano muito bom. Neste ano, fiz parte das peças “My fair lady” e “Existo, logo resisto”, além do musical “ A Bela e a Fera”. Enfim, o teatro na escola é de uma vibração indescritível, tem uma ótima “vibe”.

Beatriz Borsatto

Minha família inteira é apaixonada por música, Não foi por acaso que comecei a fazer aulas de teclado, piano popular e coral há nove anos. Já me apresentei em diversos lugares, como na Câmara Municipal de São Paulo e no Mosteiro de São Bento. Música, para mim, é muito mais que um diferencial, é algo que me completa. Entretanto, eu sempre busquei me apaixonar pelos outros tipos de arte e foi por isso que eu comecei a fazer teatro, pois ver uma peça é simplesmente maravilhoso. Porém, fazer sua própria apresentação, ter suas falas, seus figurino, suas encenações, é uma experiência única. Além disso, o vínculo emocional que nós criamos com o nosso grupo é enorme. Eles são nossa segunda família, nossos companheiros fiéis e confiamos muito uns nos outros.

O grupo do Musical é incrivelmente especial. Nele, nós temos a oportunidade de conhecer pessoas de todos as idades. Pessoas tão distintas umas das outras unidas pela paixão de fazer teatro e música e mesma tempo. Nenhum grupo é tão mágico quanto o do musical.

Hoje, participo do grupo de teatro do colégio, o grupo de inglês e o musical. É muito bom se envolver com trabalhos tão diferentes durante o ano inteiro, para mim, vale muito a pena.”

In document Molecular Biology. Panel 3 (sider 109-112)