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Appendix C. Letter to the institutions

In document Molecular Biology. Panel 3 (sider 127-134)

Com o objetivo de discutir as percepções dos alunos sobre o processo de construção dos personagens, foram desenvolvidas duas tarefas: (1) discussão e análise de fôlderes de musicais diversos; e (2) elaboração de descrição de personagens para o fôlder do musical A Bela e a Fera.

Nas aulas, observou-se que o grupo começava a se desvincular das instruções conduzidas pelo professor e partia para discussões com a participação de todos os alunos na construção coletiva dos personagens. Para dar significado a uma das atividades que faziam parte da atividade social, os alunos produziram a

descrição de seus personagens para o fôlder do Musical, assim como acontece nos musicais e peças teatrais reais. A escola sempre produziu esse material para os seus espetáculos, mas, a partir da proposta desta pesquisa, houve o aumento de uma página do material produzido, contendo a descrição do personagem. Essa atividade trouxe mais importância para o trabalho dos alunos e acrescentou um objetivo real para a atividade de produção escrita desenvolvida. A seguir, há a descrição das etapas propostas para a realização dessa atividade.

Primeiramente, durante a etapa destinada à discussão e à análise, os alunos receberam alguns fôlderes de outras peças, para analisar qual era o objetivo dessa produção, entendendo em que esfera da vida esse texto geralmente é produzido. A seguir, apresenta-se a disposição dessa atividade didática.

Para o nosso musical 2010, vamos produzir uma página especial. Nela, colocaremos a descrição de cada personagem com suas características físicas e psicológicas, e a descrição histórica do percurso de cada um de vocês no Colégio. Qual a importância disso para a formação dos alunos?

Figura 8: Fôlder Modelo West Side History.

Na parte Elaboração de descrição de personagens para o fôlder do musical, os alunos deveriam responder a duas questões, sendo uma referente a sua história no teatro, que se utilizou para a apresentação dos participantes no capítulo metodológico, e a outra relacionada à descrição de suas personagens no musical, conforme se citam abaixo:

(1) Nas linhas abaixo, escreva um relato do seu percurso no Colégio, contando como você chegou a fazer parte do grupo de teatro.

(2) Nas linhas abaixo, escreva uma descrição do seu personagem, envolvendo seus aspectos físicos e psicológicos.

A segunda questão foi utilizada para analisar como o aluno materializou o seu trabalho de construção do personagem, por meio de uma produção de texto. A seguir, foram selecionadas três produções da descrição.

Júlia Gonçalves Munhoz 3ª série

Sra. Potts é uma senhora que, após ser enfeitiçada, tornou-se um bule. Tem no filho, Chip, a fonte de suas forças para tentar desfazer a magia. Entre os objetos, representa a responsabilidade materna em relação aos colegas, ao seu amo e à Bela. Depois do aparecimento da moça no castelo, em nenhum momento considerou desistir do amor entre a Bela e a Fera, acreditando no seu poder de regeneração. Em momentos sérios, assume postura condizente, mas também se diverte com as peripécias de Lumiére, Ding Dong e Jean Claude.

Victor Luvizoto 1ª série

Ding Dong é o mordomo do castelo, tem características inglesas e está sempre preocupado em deixar tudo “nos trinques”. Por se preocupar muito com as horas, transformou-se em um relógio quando o castelo sofreu o feitiço. A princípio, é contra a presença de Maurice e de Bela no castelo. Nunca quer perturbar seu amo, pois sabe que ele virará uma fera.

Beatriz Borsatto Faria 1ª série

Inteligente, gentil, delicada e carinhosa. Esses são adjetivos que podem facilmente descrever a personagem Bela. Mas ela é muito mais do que isso. Influenciada pelos livros que tanto ama, sonha em viver algo ”mais que a vida do interior”. Quando vai para o castelo encantado, fica maravilhada com todos e aprende a maior lição de sua vida: o importante é amar as pessoas por aquilo que elas são e não por suas aparências.

Percebe-se que a construção descritiva traz o olhar particular desses alunos sobre os outros seres do mundo, testemunhando as suas subjetividades. É por meio dessa ferramenta que o aluno-ator se singulariza, se especifica, apropria-se de uma forma particular, criando a sua própria forma de ver as coisas, visão composta de seus sentidos e sentimentos (CHARAUDEAU, 2009).

Observa-se que é recorrente nos três textos produzidos pelos alunos a inserção de marcas descritivas de cada personagem, como por exemplo:

� adjetivos (“enfeitiçada”, “preocupado”; “Inteligente”; “gentil”; “delicada”; “carinhosa”; “maravilhada”; Influenciada”);

� predicados nominais que expressam atributos (“é o mordomo do castelo”; “está sempre preocupado”; “é contra”; “Sra. Potts é uma senhora”; “ela é muito mais do que isso”; “o importante é amar as pessoas”);

� predicados nominais que indicam modificação de atributos (“fica maravilhada”; “transformou-se em um relógio”; “tornou-se um bule”); � verbos-suporte (“tem características inglesas”); e

� verbos dinâmicos que expressam características ou ações referentes ao comportamento psicológico das personagens (“Nunca quer perturbar seu amo”; “assume postura condizente”; “se diverte”).

Dentre essas marcas, é possível estabelecer uma relação entre os adjetivos utilizados pela aluna Beatriz para descrever a personagem Bela e o fato de que ela passou boa parte dos ensaios recebendo orientações de suavidade e delicadeza, conforme aponta o trecho analisado. Os adjetivos gentil, delicada e carinhosa apontam para o contexto em que a representação foi construída pela aluna em diálogo com colegas e professores, lembrando que ela, no Musical Adorável Avarento, fazia o papel de um fantasma chamado Marley, apresentando características totalmente opostas à Bela.

O mesmo pode ser observado no aluno Victor que, na peça Adorável Avarento, faz o papel principal como o avarento Ebenezer, personagem difícil de ser construído, principalmente, pelas características que apresentava, como: rabugento, ranzinza, bravo e avarento. Já no Musical A Bela e a Fera, Victor constrói o personagem Ding Dong, um relógio com características inglesas, comprometido com seus afazeres, responsável e dedicado ao seu amo. A dificuldade na construção desse personagem está mais presente em personificar um inglês em um relógio, com os movimentos parados que representam tal objeto.

Já a aluna Júlia assume o papel de Senhora Potts com alguém que cuida de todos e faz o papel da mãe. Essa aluna está no último ano do ensino médio e, na relação com os outros alunos, também realiza o papel da cuidadora de todos no grupo de teatro, por ser a mais velha no grupo, por isso aparece em sua descrição “uma senhora”.

Para concretizar a função social dessa atividade, essas descrições foram materializadas no fôlder da peça.

Figura 9: Fôlder produzido com a coparticipação dos alunos

Observou-se que a ação mediada pelo professor, utilizando a linguagem como instrumento na discussão, possibilitou a reflexão dos participantes sobre suas ações, criando ZPD como instrumento-e-resultado no compartilhamento dos significados, o que moveu o objeto da atividade no sistema e transformou-o em produto (MAGALHÃES, 2009).

Pode-se, inclusive, compreender que todo esse movimento foi resultado da mediação mútua, possibilitando que, dialeticamente, fossem relacionados sentidos pessoais, trazendo os significados compartilhados nas interações. A descrição dos personagens foi produto do compartilhamento e possibilitou, cada um a seu modo, transformações refletidas, ou seja, reorganização das estruturas mentais a partir das informações compartilhadas e das relações que se estabelecem com os conhecimentos já existentes no indivíduo.

Embora se acredite que esta seção tenha apresentado uma análise dos momentos vividos no decorrer dessa pesquisa e que, por si, já se constituiu como um sólido corpus que permitiu responder as perguntas de pesquisa, avançou-se um pouco mais com o objetivo de apresentar, na próxima seção, os depoimentos dos alunos para as últimas considerações sobre o processo.

4.3 Encontros que mudaram o cenário: as personagens construídas e a visão

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