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Department of Cancer Research and Molecular Medicine, Faculty of Medicine

In document Molecular Biology. Panel 3 (sider 74-78)

Neste item, adotou-se o Sistema Stanislavski, porque serão utilizados os princípios propostos pelo autor russo, já que o estudioso trata de importantes aspectos da composição da personagem.

O russo Constantin Stanislavski (1863-1938) dedicou-se a produzir fundamentos e métodos para o trabalho do ator, contribuindo com os livros “A preparação do ator”, “A construção da personagem” e “A criação de um papel”. Sua proposta era que o ator lutasse contra a falsa teatralidade e o convencionalismo. Dessa forma, utilizou as bases do naturalismo psicológico, para exigir do ator, nos ensaios ou diante do público, a concentração e a fé cênica, construindo, assim, uma “quarta parede” imaginária. Suas ideias foram divulgadas no Brasil por Eugênio Kusnet.

A essência do teatro, para Stanislavski (1993), é a criação da vida interior de uma peça e sua realização física no palco. Para isso, constrói um método que trabalha essencialmente com a natureza do ator, para a construção das personagens.

1.4.1 O Sistema Stanislavski

Para Stanislavski, um dos principais sentimentos que caracterizam o ser humano é a busca pela beleza criadora da vida. Para ele, o teatro tem as maiores riquezas, pois afeta seus expectadores fazendo aflorar as emoções.

A arte do teatro é tão viva e pictórica, ilustra tão plenamente uma peça, que se torna acessível a todos, do professor ao camponês, do jovem ao velho. O bom teatro existirá sempre, e será o objetivo fundamental da arte do ator. (STANISLAVSKI, 1997, p.181)

Stanislavski desenvolveu, durante toda a sua vida de teatro, um método de trabalho baseado nas leis da natureza, no qual os atores criam as imagens dos personagens, personificando o espírito humano. A força do seu trabalho está na atuação como arte e na arte como a expressão mais alta da natureza humana. As bases do seu método estão colocadas em três proposições.

Na primeira proposição, o verdadeiro estado criador do ator é o estado normal de uma pessoa na vida real. Para isso, o autor afirma que um ator precisa ser: a) fisicamente livre, tendo sob seu controle músculos livres; b) sua atenção deve ser infinitamente vigilante; c) deve ser capaz de ouvir e observar, em cena, da mesma forma como o faria na vida real; d) deve acreditar em tudo o que estiver acontecendo em cena e tenha ligação com a peça.

Já, na segunda proposição, sua preocupação expõe que um verdadeiro estado interior de criação em cena permite a um ator executar as ações que lhe são necessárias, para que possa ajustar-se às circunstâncias da peça, tanto as ações psicológicas interiores quanto as ações físicas exteriores. A união dessas duas ações resulta na ação orgânica em cena.

Por fim, na terceira proposição, o autor aponta que a ação orgânica sincera resultará certamente na expressão de sentimentos sinceros. Stanislavski (1997, p. 135) expõe que “em cena, um verdadeiro estado interior de criação, mais a ação e o sentimento, resultam em vida e naturalidade cênicas na forma de um dos personagens.” Ao trabalhar a aula de teatro como atividade, Stanislavski deparou-se com alguns desafios, como a formação dos profissionais da educação e do teatro que atuam no ensino fundamental, bem como a necessidade de ruptura com as concepções teatrais existentes na escola.

Para esta pesquisa, vamos colocar o foco na composição da personagem que foi desenvolvida a seguir, utilizando, principalmente, o Sistema Stanislavski.

1.4.2 A personagem

Stanislavski trabalhou a vida toda em cima de um método para atores que lhes dessem a condição de criar a imagem de um personagem que absorvesse o

espírito humano e o colocasse em cena com riqueza e beleza artística. Para ele, os atores que trabalharem com vontade conseguirão conhecer e disciplinar a sua própria natureza, sendo que, somente depois dessa conquista, poderiam somar seus talentos e tornar-se verdadeiros artistas.

Brait (2006), nesse ínterim, reforça que a personagem existe na relação entre o ser reproduzido e o ser inventado. Assim, pretende se observar nos dados desta investigação como os alunos podem trabalhar a construção de seus personagens, trazendo seu repertório de vivências do cotidiano, para produzir resultados mais significativos de conhecimento, com a mediação do professor e dos próprios alunos.

O teatro é uma criação coletiva que inclui todos os funcionários, desde o bilheteiro, o porteiro, ou seja, todas as pessoas com as quais o público tem contato fazem parte de uma criação conjunta com o dramaturgo, que leva o público a se reunir em função da peça que escreveu. Todas as pessoas envolvidas também são responsáveis pela atmosfera necessária para o espetáculo acontecer. A importância de todos também aparece nos ensaios, pois os artistas só podem ser bem sucedidos se puderem trabalhar o seu personagem em um bom ensaio. Nesse contexto, Stanislavski (2009, p. 33) afirma: “[...] Nossa arte é um empreendimento coletivo em que todos dependem de todos. [...] Os talentos só podem desenvolver- se [...] sob uma atmosfera de amizade recíproca.”

Dentro de todo esse universo, aprofundou-se a construção da personagem, pois, para Stanislavski, refletir sobre o aspecto interior de um papel é muito importante, já que:

“[...] As fontes mais profundas do subconsciente de um ator só se revelarão espontaneamente, trazendo consigo os sentimentos, [...] quando ele sentir que, em cena, suas vidas interior e exterior estiverem fluindo natural e regularmente.” (STANISLAVSKI, 2009, p. 58)

Para ele, a caracterização interior vem de elementos interiores do ator que são sentidos e escolhidos para se ajustarem ao personagem. Se esse trabalho for eficiente, a caracterização exterior será natural, pois o ator utilizará recursos de sua própria vida, dos modelos de vida de outras pessoas, de situações imaginárias, de estudos sobre pinturas e obras literárias ou, ainda, observando fatos do cotidiano. O importante é que ele não perca a sua própria identidade.

Continuando seus estudos, no palco, o artista pode ser o senhor de sua própria inspiração e também saber evocá-la na hora exata, sendo um diferencial importante do ator. Para isso, os atores precisam criar consciente e verdadeiramente, pois estarão preparando o caminho para o subconsciente trazer a inspiração. Em uma atuação verdadeira, viver o papel significa ser exato, lógico, coerente, empenhar-se, sentir e atuar em uníssono com o seu papel (processos interiores), ajustando-os a vida física e espiritual da pessoa que estão representando.

CAPÍTULO 2

Argumentação na sala de aula: um espaço de negociação e

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