2. THEORETICAL BACKGROUND
2.3 Northampton
2.3.2 Northampton speech
No entendimento do espaço dentro da perspectiva do transporte urbano de cargas, a que se propõe este estudo, não poderia ser negligenciada a discussão sobre o espaço no contexto intra-urbano. Apesar da ausência, ou estagnação dos estudos sobre esta dimensão do espaço e crescente desenvolvimento das investigações regionais, conforme constatado por Villaça (2001), ao longo de seus diversos estudos dedicados à temática.
Segundo este autor, estes poucos estudos existentes, mesmo no período de maior produção sobre o tema (entre 1930 e 1970), não apresentaram grande contribuição visto que foram resultados de uma decomposição da cidade em vários elementos e produziu-se uma série de estudos atomizados sobre temas específicos, como a densidade demográfica, as áreas industriais e comerciais, entre outros. Neste sentido, tendo pouco se avançado nas investigações sobre o conjunto da cidade e sobre a articulação entre suas áreas funcionais, ou seja, sobre a estrutura urbana (VILLAÇA, 2001).
Visando melhorar a compreensão sobre o que seria o espaço intra-urbano, este autor recorre-se a comparação entre o espaço urbano e o espaço regional, destacando que,
A estruturação do espaço regional é dominada pelo deslocamento das informações, da energia, do capital constante e das mercadorias em geral eventualmente até da mercadoria força de trabalho. Já o espaço intra- urbano, ao contrário, é estruturado fundamentalmente pelas condições de deslocamento do ser humano, seja enquanto portador da mercadoria força de trabalho como no deslocamento casa/trabalho seja enquanto consumidor reprodução da força de trabalho, deslocamento casa compras, casa-lazer, escola, etc. (VILLAÇA, 2001, p. 20).
O fator estruturador do espaço intra-urbano, citado pelo autor, pode ser exemplificado pelas áreas comerciais e de serviços das cidades, dada a capacidade de geração e atração de viagens, destes locais, por motivações diversas (trabalho, lazer ou consumo). Desta forma, dois atributos contribuem significativamente para a localização urbana, uma rede de infraestrutura (vias, redes de água, esgotos, pavimentação, energia, etc.) e a oferta de transportes que possibilita o deslocamento de pessoas e cargas bem como a comunicação entre dois pontos (VILLAÇA, 2001).
Outra característica do espaço intra-urbano da metrópole moderna são os diferentes usos dado ao solo e as interações entre organizações diversas materializadas por fluxos, com destaque para o fluxo de capital (CORRÊA, 1997, p. 121). A intensidade destes fluxos manifesta-se, entre outras formas, através da circulação de mercadorias pelo espaço urbano, cuja principal atividade consiste no transporte de cargas.
Visando compreender a dinâmica da circulação dos veículos dedicados ao transporte urbano de cargas, se faz importante, identificar os processos espaciais que influenciam a localização das atividades industriais e comerciais no espaço urbano, uma vez que estes estabelecimentos funcionam como polos de atração e/ou geração de viagens de veículos de cargas.
Sobre esta questão Corrêa (1997, p. 121) destaca que,
Os processos espaciais apresentam-se como responsáveis imediatos pela organização espacial (característica marcante da metrópole moderna) e estes resultam da atividade de atores como: os proprietários dos meios de produção, proprietários de terras, empresas imobiliárias, construtoras, associadas ou não ao grande capital, e o Estado. Entre os processos espaciais relacionados a localização das atividades industriais e comerciais, destacam-se a centralização, a descentralização e a coesão (CORRÊA, 1997, p. 121).
Destaca-se a existência de trabalhos que analisam a relação dos transportes e a forma urbana que por vezes resulta dos processos espaciais. Neste sentido, os sistemas de transportes de cargas se ajustam constantemente aos processos de concentração, dispersão ou mesmo a especialização das atividades econômicas pela cidade.
Sobre o processo de centralização das atividades comerciais, segundo (Corrêa, 1997, p. 121), este se apresenta como:
[...] produto da economia de mercado levado ao extremo pelo capitalismo industrial. Este processo, característica comum das metrópoles modernas, manifesta-se através de uma área onde se concentram as principais atividades comerciais e de serviços, bem como os terminais de transportes interurbanos e intra-urbanos (CORRÊA, 1997, p. 121).
Porém, destaca-
diferentes realidades referindo-se aos centros tradicionais ou históricos, uma área central mais ampla, ou centro expandido, ou mesmo uma cidade central ou áreas metropolitanas inteiras (VILLAÇA, 2001). Estas áreas representaram principalmente na segunda metade do século XIX, e representam atualmente para determinadas atividades econômicas, a localização ideal na busca da rentabilidade de suas operações.
O caso reverso ao processo de centralização das atividades a descentralização, historicamente mais recente que o processo de centralização ocorre de forma espontânea ou planejada, sendo que quando planejada emerge visando minimizar os reflexos negativos resultantes da excessiva centralização, entre os quais, destaca-se:
Aumento constante do valor da terra, impostos e aluguéis, afetando certas atividades que perdem capacidade de se manterem localizadas na Área Central;
Congestionamento e alto custo do sistema de transportes e comunicações, que dificulta e onera as interações entre firmas;
Dificuldade de obtenção de espaço para expansão;
Restrições legais implicando na ausência de controle do espaço;
Ausência ou perda de amenidades, afetando atividades e população de alto status; mas também se deve as pressões contra determinados tipos de uso da terra, como indústrias poluentes, por exemplo, (CORRÊA, 1997, p. 125).
Importante mencionar que o baixo valor dos imóveis (aquisição ou locação) bem como as facilidades de acesso pelos sistemas de transportes (vias menos congestionadas e oferta de serviços de transporte público), entre outras variáveis, ao contrário do que ocorre nas áreas centrais, incentivam o processo de descentralização.
Outro importante processo espacial que influencia a intensidade e as características do transporte urbano de cargas é o processo de coesão que é visualizado em determinadas áreas comerciais através da aglomeração de vários estabelecimentos, independentes entre si, porém, do mesmo ramo de atividade econômica.
Esta concentração acaba por especializar um determinado local devido ao surgimento de atividades espacialmente coesas e muitas vezes da instalação de comércios e serviços de categorias complementares de produtos gerando, em consequência, a demanda necessária para a instalação de serviços diversos como os de transportes (CORRÊA, 1997).