Os principais indicadores tanto das redes de pesquisadores brasileiros quanto da rede dos pesquisadores da Fiocruz e seus colaboradores são apresentados na Tabela 15. São mostrados, além do número de nós e links, os graus médio e máximo, o coeficiente de agregação, a densidade e a distância média da rede. As medidas de rede das publicações em LN foram realizadas levando-se em consideração todo o período: 1984 a 2013.
TABELA 15. Indicadores da rede de colaboração em pesquisa sobre leishmaniose
Indicador Valor – Geral Valor – Fiocruz
Número de nós/pesquisadores 1.908 1.184
Número de links 12.210 4.727
Grau médio 12,7 7,9
Grau máximo 185 185
Coeficiente de agregação 0,585 0,59
Distância média da rede 3,72 3,53
Grau de centralização da rede 0,09 0,14
Densidade da rede 0,007 0,007
Como dito anteriormente, o número de pesquisadores foi retirado das publicações científicas coletadas da base WoS com um recorte para aqueles que possuíam três ou mais publicações no período analisado. O recorte se deu pelo fato de haver um número muito grande de pesquisadores com pouca representatividade quanto ao número de publicações em LN, dificultando o trabalho de análise. Como o objetivo principal era entender como os grupos de pesquisa podiam ser classificados quanto a sua posição geográfica, áreas de pesquisa e influência na rede, o recorte com pesquisadores mais frequentes na rede pareceu adequado.
Quanto à rede de pesquisa da Fiocruz, foi levado em consideração o mesmo recorte anterior, sendo retirados os pesquisadores que não tinham nenhuma relação com pesquisadores filiados à Fiocruz segundo os dados da WoS. Da rede LN com recorte no Brasil, 724 pesquisadores não tinham relação direta com pesquisadores da Fiocruz, representando cerca de 38% da rede. Esse número indica o quanto a Fiocruz é relevante no que diz respeito a atividades de pesquisa e suas colaborações nessa área.
No que concerne à análise das redes, mesmo com um número de nós e links diferentes, as duas redes são bastante semelhantes em alguns de seus indicadores, como o coeficiente de agregação, a distância média e a densidade. Isso pode ser resultado da ampla participação dos pesquisadores da Fiocruz na rede. Do total de pesquisadores da rede, 28,3% ou 332 nós
correspondem a pesquisadores afiliados a essa instituição. Mesmo quando são retirados os autores não conectados aos pesquisadores da Fiocruz, a rede permanece inalterada na maioria de suas características. O grau máximo, por exemplo, é idêntico nas duas redes, uma vez que o pesquisador mais conectado está diretamente ligado a pesquisadores da Fiocruz e, portanto, está inserido em ambas as redes.
A avaliação do parâmetro de densidade, que se traduz na razão entre as interações efetivamente existentes entre os atores da rede e o total de ligações potenciais ou possíveis, mostra que as duas redes são similares. O grau de centralização complementa a avaliação da densidade, demonstrando que as redes analisadas não estão concentradas em seus nós mais centrais. De fato, o aumento da rede por si só pode levar a uma diminuição de sua densidade.
A rede também demonstra que alguns autores mantêm um alto grau de relacionamentos, principalmente com os demais pesquisadores, o que a caracteriza como rede Livre de Escala. Esse tipo de rede apresenta uma distribuição irregular de ligações entre os diferentes nós, seguindo uma lei de potência. Nelas há um grande número de ligações a um grupo pequeno de nós (instituições) denominados hubs. Barabási e Albert (1999) mostram que atores em redes com essas características, à medida que crescem e novos atores são incorporados, tendem preferencialmente a se conectar aos nós com maior grau, ou seja, aos atores que já possuem um número elevado de colaborações com outros pesquisadores.
No que diz respeito à análise do componente gigante da rede geral, há apenas 34 pesquisadores que não se conectam com o resto da rede. Isso significa que 98,2% dos pesquisadores estão conectados ao restante da rede. Uma vez definido o componente gigante, foi aplicado o algoritmo para clusterização da rede ou de formação de comunidades, a ser discutido no item 1.3 deste capítulo.
A Figura 34 ilustra a rede de colaboração em pesquisas sobre LN que envolve cientistas brasileiros. Os pesquisadores brasileiros estão representados pelos nós de cor vermelha, e os pesquisadores de outros países estão representados pelos nós de cor azul.
FIGURA 34. Rede de colaboração em pesquisa sobre leishmaniose dos pesquisadores afiliados a instituições brasileiras com os parceiros internacionais
Fonte: elaboração do autor
Legenda: os nós representam os pesquisadores, e as arestas (ligações entre os nós) representam o compartilhamento da autoria de uma publicação científica. As cores dos nós indicam se o pesquisador é afiliado à instituição brasileira (vermelho) ou a instituições estrangeiras (azul).
Nessa primeira avaliação da rede de pesquisadores ligados a instituições brasileiras e seus colaboradores pode-se perceber uma forte coesão na rede. Os pesquisadores parecem se comunicar fortemente entre eles, não sendo percebidos grupos distintos nesse momento. Percebe-se também que alguns pesquisadores se encontram mais na periferia da rede, enquanto um grupo bastante ativo se encontra no centro da figura. Essa situação central e periférica está relacionada diretamente ao número de publicações e colaborações dos pesquisadores, pois a partir do momento em que as publicações científicas se tornam mais frequentes, os pesquisadores tornam-se também mais centrais na rede. A distribuição utilizada para a formação dessa figura foi a Frunchterman Reingold.
Na Figura 35 observa-se a mesma rede com os pesquisadores da Fiocruz, representados pelos nós de cor vermelha, e os demais pesquisadores, independentemente de sua nacionalidade, representados pelos nós de cor azul.
FIGURA 35. Rede de colaboração em pesquisa sobre leishmaniose dos pesquisadores afiliados a instituições brasileiras
Fonte: elaboração do autor
Legenda: os nós representam os pesquisadores, e as arestas (ligações entre os nós) representam o compartilhamento da autoria de uma publicação científica. As cores dos nós indicam se o pesquisador é afiliado à Fiocruz (vermelho) ou a outras instituições (azul).
No que diz respeito às relações e aos grupos, já se pode perceber na Figura 35 que existem grupos relativamente separados dentre os pesquisadores da Fiocruz, estes se encontram um na parte superior da figura e outro na parte inferior. Quanto maior o detalhe aplicado na figura, mais informações se consegue extrair dela. Essa figura ainda retrata todos os 1.908 pesquisadores. A diferença agora é a ênfase dada aos pesquisadores da Fiocruz. Pode-se perceber a existência de grupos de pesquisadores não conectados diretamente aos nós de cor vermelha, entendendo-se com isso que estes não possuem trabalhos de coautoria com pesquisadores da Fiocruz.
Na Figura 36 é feito um recorte no qual são apresentados apenas os pesquisadores da Fiocruz e sua rede de colaboração direta. A rede agora possui 1.184 pesquisadores, conforme descrito na Tabela 15. Os pesquisadores da Fiocruz estão representados pelos nós de cor
vermelha, e os demais pesquisadores, independentemente de sua nacionalidade, representados pelos nós de cor azul. A figura demonstra que não só a participação da Fiocruz por meio de seus pesquisadores é extensiva na área da pesquisa em LN, como também sua rede de colaboração e consequente influência.
FIGURA 36. Rede de colaboração dos pesquisadores da Fiocruz
Fonte: elaboração do autor
Legenda: os nós representam os pesquisadores, e as arestas (ligações entre os nós) representam o compartilhamento da autoria de uma publicação científica. As cores dos nós indicam se o pesquisador é afiliado à Fiocruz (vermelho) ou a outras instituições (azul).
Com foco na rede de pesquisa da Fiocruz e seus colaboradores, pode-se avaliar como esse trabalho de colaboração ocorre. De acordo com os dados apresentados, percebe-se a existência de uma característica de pesquisa relacionando a Fiocruz à academia, uma vez que dentre as instituições brasileiras com maior número de pesquisa todas elas são entidades de ensino, com exceção da Fiocruz, ou seja, além de a Fiocruz ter relações diretas dentro do seu universo de colaboradores, ela também colabora constantemente com outros institutos de ensino. Outra análise que pode ser feita, com base na Figura 36, é que na Fiocruz se pode perceber agora uma crescente subdivisão, com três grupos aparentemente distintos na parte inferior da figura.