2.3 Den nye nordområdepolitikken
2.3.1 Nordområde- og stortingsmeldingane
Depois de levantar todos os sufixos de base substantiva concreta das doze entre- vistas analisadas (-ito (a) / -illo (a) em espanhol e -inho (a) em português), definir seu nível de lexicalização e classificá-los como de função referencial ou subjetiva segundo os critérios contextuais e co-textuais, nos perguntamos – do ponto de vista morfoprag- mático – se há divergências no uso entre as variantes do português e do espanhol estu- dadas.
Foram excluídas as formações cuja base é um substantivo abstrato, um adjetivo ou um advérbio, as ocorrências em estágio avançado de lexicalização e as formações diminutivas com outros sufixos. Das doze entrevistas, seis são do projeto PRESEEA, de Alcalá de Henares, e seis do projeto NURC-RJ; em cada variante foram analisados três homens entre 28 e 33 anos e três mulheres entre 23 e 31 anos, todos com ensino superi- or completo. A escolha das variantes deve-se ao fato de o Rio de Janeiro e Alcalá de Henares terem um papel importante no modelo normativo.
As entrevistas sociolinguísticas que compõem os corpora foram selecionadas em meio a uma série de entrevistas coletadas para o projeto PRESEEA (Projeto para o Es- tudo Sociolinguístico do Espanhol da Espanha e da América) de Alcalá de Henares – Espanha e para o NURC-RJ (Projeto da Norma Linguística Urbana Culta) – Brasil.
O projeto PRESEEA é um corpus oral da língua espanhola representativo do mundo hispânico em sua variedade geográfica e social. O corpus de Alcalá de Henares
– membro da comunidade autônoma de Madrid – foi compilado em 1998 para contribu-
ir a estudos comparativos entre as cidades hispano-falantes do mundo. As províncias que são membros da comunidade autônoma de Madrid possuem uma vida socioeconô- mica totalmente articulada à capital hegemônica – Madrid. A variante linguística de Alcalá de Henares está vinculada à norma culta de Madrid, que orienta os usos dos fa- lantes desse território. A variante madrilena constitui o canon da norma culta do centro peninsular.
O NURC foi criado em 1992 para construir um banco de dados de oralidade ur- bana culta de cinco capitais brasileiras, dentre elas o Rio de Janeiro. Ambos os projetos pré-estabeleceram os temas a serem tratados nas entrevistas, como família, trabalho e
cidade, e foram criados por motivos outros de investigação, nada relacionado ao objeto de nossa pesquisa – os diminutivos. A importância histórica e socioeconômica do Rio de Janeiro justifica a difusão e importância nacional da variante carioca.
O primeiro ponto a ser tratado é a escolha pela atividade entrevista sociolinguís- tica. Por atividade, é entendida toda situação comunicativa socialmente constituída e culturalmente reconhecida, orientada para uma meta, podendo envolver diferentes graus de padronização (LEVINSON, op. cit.).
Os graus de padronização estão relacionados aos tipos de contribuições permiti- das como participantes, local, duração da atividade, o que é dito e como é dito, etc. No caso das entrevistas investigadas, há a limitação de participantes na atividade propria- mente dita, há um local pré-estabelecido assim como a hora de começar a entrevista e uma previsão da hora que deve terminar.
O tamanho das entrevistas sociolinguísticas analisadas em número absoluto de palavras é bastante desigual como pode ser observado na tabela abaixo, na qual os códi- gos que identificam as entrevistas se refere à variante linguística (português ou espa- nhol), ao gênero (homem ou mulher) e à idade, respectivamente.
Tabela 1- Número de palavras das entrevistas para o NURC-RJ e PRESEEA-Alcalá de Henares ENTREVISTAS Rio de Janeiro
nº de palavras de cada entrevista Alcalá de Henares nº de palavras de cada entrevista MULHER1(PM27) / (EM30) 2.905 9.379 MULHER2(PM27) / (EM31) 3.940 9.221 MULHER3(PM27) / (EM23) 4.466 5.642 HOMEM 1 (PH33) / (EH30) 2.583 10.991 HOMEM 2 (PH32) / (EH28) 4.617 8.130 HOMEM 3 (PH28) / (EH32) 3.728 5.526 TOTAL DE PALAVRAS 22.239 48.889 Fonte: Própria.
Tendo em vista o tamanho das entrevistas – o corpus carioca tem um total de 22.239 palavras e o corpus madrileno apresenta 48.889 palavras – foi necessário calcu- lar a frequência relativa dos diminutivos com o objetivo de descrever e comparar as formações diminutivas selecionadas segundo os critérios de lexicalização, classe grama- tical (substantivo concreto) e sufixos -ito, -illo e -inho.
No que diz respeito à frequência de uso dos diminutivos em ambos os corpora, com o intuito de comparar as amostras de tamanhos diferentes, calculamos a freqüência relativa de diminutivos nos corpora, o que possibilitou visualizar a distribuição dos mesmos nos gráficos a seguir. Ainda que os números sejam diferentes, consideramos a unidade entrevista sociolinguística e normalizamos o número de diminutivos levando em conta o número de entrevistados, o grau de escolaridade e a idade dos mesmos. A tabela a seguir apresenta o total de todos os sufixos diminutivos que aparecem em cada entrevista sociolinguística, seja de base substantiva concreta ou não.
Tabela 2- Total de diminutivos em cada entrevista sociolinguística
ENTREVISTAS RIO DE JANEIRO ALCALÁ DE HENARES
MULHER(PM27) / (EM30) 10 20 MULHER(PM27) / (EM31) 12 26 MULHER(PM27) / (EM23) 10 0 HOMEM (PH33) / (EH30) 2 18 HOMEM (PH32) / (EH28) 3 20 HOMEM (PH28) / (EH32) 3 2 TOTAL DE DIMINUTIVOS 40 86 Fonte: Própria.
Portanto, dividimos o número de diminutivos totais de cada corpus pelo número de palavras de cada entrevista e multiplicamos por cem. Em seguida dividimos o núme- ro de diminutivos de base substantiva concreta pelo número de palavras de cada entre- vista, visando um resultado mais normalizado.
Dessa forma, foi possível chegar a uma estimativa de quantos diminutivos de ba- se substantiva concreta há em cada corpus a cada 100 palavras (torre vermelha dos grá- ficos), podendo-se assim comparar os corpora a partir de um mesmo parâmetro.
A seguir apresentamos os gráficos separados por gênero e variante com os resul- tados desta normalização.
Gráfico 1- Variante Carioca (total de diminutivos presente no corpus versus diminutivos de base substantiva concreta)
Fonte: Própria.
A cada cem palavras do corpus das mulheres, foram encontradas 0,2 formações diminutivas e 0,1 diminutivos de base substantiva concreta. Já no corpus dos homens, foram encontrados 0,07 formações diminutivas e 0,009 diminutivos de base substantiva a cada cem palavras.
As formações sintéticas foram mais produtivas em outras classes gramaticais tanto para as mulheres quanto para os homens; sendo que no corpus feminino a dispari- dade entre os usos de outras bases e os de base substantiva foi bem superior à do corpus masculino.
Tal constatação nos permite pensar que as formações sintéticas de base substan- tiva concreta são pouco produtivas porque os sufixos diminutivos talvez não sejam usa- dos para a expressão de tamanho, mas para expressar a subjetividade do falante.
Gráfico 2- Variante Madrilena
(total de diminutivos presente no corpus versus diminutivos de base substantiva concreta)
Fonte: Própria.
O gráfico acima revela que a cada cem palavras do corpus das mulheres madrilenas, 0,18 são formações diminutivas e 0,06 são diminutivos de base substantiva concreta. Já no corpus dos homens, foram encontradas 0,16 formações diminutivas e 0,03 diminutivos de base substantiva a cada cem palavras; enquanto no corpus carioca todos os entrevistados realizaram formações diminutivas, no corpus madrileno a entre- vistada mais nova (mulher de 23 anos) e um homem de 32 anos não realizaram nenhu- ma formação diminutiva de base substantiva concreta.
Tendo em vista que para alcançar o objetivo do presente trabalho devem ser con- trapostas as funções dimensionais e pragmáticas em uma formação que seja passível de desempenhar ambas as funções, foram excluídas todas as ocorrências cuja base não é um substantivo concreto. O quadro seguinte revela em números a quantidade de diminu- tivos -inho, -ito e -illo não analisáveis, ou seja, formações de base adjetiva, adverbial e verbal.
Não é fácil classificar as ocorrências diminutivas;, pois, como levanta Turunem (op. cit.), não se sabe ao certo se os diminutivos formados a partir de bases outras (ad- verbiais, pronominais, verbais, etc.) que não as nominais devem ser legitimadas como diminutivos “verdadeiros” ou lexicalizações em estágio avançado. Cunha e Cintra (op. cit.) tentam resolver essa questão admitindo que os sufixos diminutivos podem criar novos substantivos, advérbios etc.
Embora seja possível formar diminutivos a partir de outras categorias lexicais, a possibilidade de uma formação diminutiva apresentar noção reducional se limita às ba- ses nominais, mais especificamente aos substantivos concretos. Por esse motivo, foram excluídas da análise as seguintes ocorrências.
Quadro 5 – Diminutivos de classe gramatical ≠ de substantivo concreto
ENTREVISTAS RIO DE JANEIRO
adjetivos, advérbios e subst. abstrato (nº de ocorrências) ALCALÁDE HENARES adjetivos e advérbios (nº de ocorrências) MULHERES certinho (1) baixinho (1) pequenininha(2) novinha (1) fininho (1) velhinha (1) bonitinha (2) briguinha (1) normalito(1) pequeñito (4) escapadilla(2) bajito (1) cerquita (1) tranquilillo(2) tranquilito (1) cuidadito (1) paradilla(1) delgadita (1) fresquito (1) poquito (9) HOMENS pouquinho (3) igualzinho (1) calminho(1) iniciozinho (1) quietinho (2) finalzinho (1) certinho (1) viejito(1) bajito(2) tranquilito (1) ratito (1) cerquita (1) delgadito(1) normali- to(1) facilito (1) famosillo (1) fresquito (1) poquillo (1) poquito (10) ladito (1) pequeñito (6) TOTAL DE DIMINUTIVOS DE OUTRAS CLASSES 20 54 Fonte: Própria.
Desconsideramos ainda os diminutivos formados por outros sufixos, posto que a partir de um ponto de vista sincrônico o sufixo –inho/a se apresenta como o mais produ-
tivo no corpus carioca (KOIKE, op. cit.). Já no corpus madrileno optamos pelos sufixos
–ito e –illo, visto que a região espanhola investigada realiza formações diminutivas com
–ito (SOLER ESPIANUBA, op. cit.) e o sufixo –illo foi acrescentado à pesquisa devido a dois fatores: (a) sua produtividade no corpus e (b) o afirmado por Beinhauer (1985) de que tal sufixo compreende os valores dimensional e subjetivo – relevantes ao presente trabalho. Desse modo, o quadro a seguir apresenta os outros sufixos encontrados nas entrevistas madrilenas, que não são analisáveis segundo nossa proposta.
Quadro 6 – Formações diminutivas com sufixos em Espanhol que não -ito e -illo ENTREVISTAS ALCALÁ DE HENARES
MULHER1/ (EM30) Ø
MULHER2/ (EM31) Pequeñajo, chiquitajo MULHER3/ (EM23) Agujetas, serieta
HOMEM 1/ (EH30) Regordeta
HOMEM 2/ (EH28) Ø
HOMEM/ (EH32) Ø
Fonte: Própria.
A seguir serão analisados todos os diminutivos de base substantiva concreta que apareceram no corpus. Nas entrevistas sociolinguísticas foram encontrados diminutivos de base adjetiva, adverbial e substantivo abstrato. No entanto, optamos por substantivos concretos por serem intercambiáveis, ou seja, as entidades a que se referem são passí- veis de redução e podem desempenhar um comportamento pragmático dentro da intera- ção. Essa intercambiabilidade contribui com idéia de que os diminutivos são marcado- res polissêmicos altamente flexíveis, podendo ir muito além da expressão dimensional atingindo todo o ato comunicativo. No material do NURC, < loc> é o entrevistado, o locutor; no PRESEEA, < 1> é o entrevistado.
Em todas as amostras, as ocorrências de diminutivos analisáveis foram classifi- cadas segundo a tipologia morfopragmátca descrita anteriormente, além dos conceitos que envolvem um processo de elaboração de face (GOFFMAN, [1959] 2002). O tama- nho dos corpora possibilitou apresentar todas as ocorrências no corpo do trabalho.
Em todos os 42 dados buscamos identificar as causas promotoras das formações diminutivas, atentando para o contexto e o co-texto, fornecido através do todo transcrito em cada entrevista, além do conhecimento do ethos de cada comunidade de fala. Os corpora investigados apresentam um repertório limitado de atos de fala que, em princí-
pio, se deve à atividade entrevista sociolingüística. A atividade em questão restringe a ocorrência de uma infinidade de atos de fala, porém favorece as sequências textuais narrativas, descritivas e argumentativas que propiciam a observação do trabalho de face desenvolvido pelos entrevistados.
Dada a quantidade de diminutivos de base substantiva concreta analisada, as conclusões serão de ordem qualitativa. Para melhor compreensão dos elementos consti- tuintes das cenas destacadas para análise, sugerimos a consulta das doze entrevistas que se encontram no CD em anexo ao trabalho.