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2.10 Nordlandsforskning AS

A Quarta Conferência Geral do Episcopado Latino Americano teve lugar em Santo Domingo, na República Dominicana, de 12 a 28 de outubro de 1992. O tema da Conferência foi: “Nova Evangelização, Promoção Humana e Cultura Cristã”. Também se celebrava o V Centenário do início da evangelização da América Latina. Participavam apenas três observadores das Igrejas Cristãs, que em um momento ameaçaram abandonar a Conferência. No discurso inaugural, o Papa João Paulo II nem menciona, nem saúda os observadores, que se sentem chamados de lobos vorazes, identificados com as “seitas”, que ameaçavam o rebanho católico. (BEOZZO, 2007:35)

A Conferência representou uma espécie de balanço da ação evangelizadora. Segundo Beozzo (1994: 309), se esforçaram por controlar a Conferência a partir do veto formal ao uso da metodologia tradicional do ver-julgar-agir. Em torno desta conferência, muitas foram as análises críticas feitas à ação do cristianismo na América Latina nos cinco séculos. O cristianismo reconheceu sua parcela de responsabilidade pela situação de opressão, pobreza e injustiça, que marca a realidade latino-americana. O cristianismo não foi suficientemente cristão. Por isso, renovou-se nesta Conferência a vontade de se contribuir para a construção de uma sociedade mais marcada pelos valores cristãos. Assim, três expressões ficaram como que marcas registradas da Conferência de Santo Domingo:

A nova evangelização, não é nova apenas em seu conteúdo, mas também em sua forma e em seu ardor. Esta nova forma de evangelizar não deveria de repetir os erros do passado e deveria tentar atingir os católicos nominais do Continente.

A promoção humana é vista seguindo as opções feitas já na Conferência anterior, esta amplia o leque, apontando novos desafios a serem assumidos preferencialmente. Assim, fala-se novamente da questão da pobreza, mas também dos direitos humanos, da ecologia, da terra, da democracia, de uma nova ordem econômica. Em suma, a promoção humana, em seus muitos aspectos, foi destacada como uma dimensão privilegiada da nova evangelização.

A cultura cristã pensada na inculturação, que foi fortemente abordada na Conferência. É necessário que a ação da Igreja, por um lado, leve em consideração a

diversidade cultural e suas riquezas. A contribuição das culturas indígenas, afro- americanas e mestiças foram especialmente destacadas. A riqueza da pluralidade cultural foi reconhecida. Neste contexto, a conferência chama a atenção para a importância da consciência da ação da Igreja em entrar nestas culturas, da importância da evangelização inculturada e da contribuição desta para a construção de uma cultura verdadeiramente cristã.

No documento final de Santo Domingo (SD), aparece a preocupação com as “seitas” e com o proselitistas na América Latina, o que tem levado a uma crise demográfica a Igreja Católica perante o pluralismo religioso.

O grande desafio que nos defrontamos é essa divisão entre cristãos; divisão que se agravou por diversos motivos ao longo da história; a existência de uma confusão sobre este tema, fruto de uma deficiente formação religiosa e de outros fatores. O fundamentalismo proselitista de grupos sectários que dificultam o são caminho do ecumenismo. (SD, 133).

Para combater o problema, são apresentadas propostas pastorais concretas e práticas, mostrando um contraste entre o trato morno da tarefa ecumênica e a ênfase na temática das “seitas”: “a presença dessas seitas religiosas fundamentalistas na América Latina aumentou de maneira extraordinária de Puebla aos nossos dias” (SD, 140). Prosseguia, ainda, o documento: “o problema das seitas adquiriu proporções dramáticas e chega a ser verdadeiramente preocupante, sobretudo pelo crescente proselitismo”. Todo o texto do número 140 de Santo Domingo é dedicado a caracterizar estes grupos religiosos, sua forma de atuar e sua doutrina, descrevendo-se então o desafio pastoral para a Igreja Católica:

Dar uma resposta pastoral eficaz ante o avanço das seitas, tornando mais presente a ação evangelizadora da Igreja nos setores mais vulneráveis, como migrantes, populações sem atenção sacerdotal e com grande ignorância religiosa, pessoas simples ou com problemas materiais e familiares (SD, 141).

Como tática defensiva frente ao avanço do pentecostalismo, ou “seitas” os bispos convidam ao uso dos meios de comunicação, especialmente a televisão para defender os católicos das “seitas” (Cf. SD, 280) e de uma leitura fundamentalista da Palavra de Deus:

...Cresce o interesse pela Bíblia, que exige uma pastoral bíblica adequada que dê aos fiéis leigos critérios para responder às instituições de uma interpretação fundamentalista ou de um afastamento de vida na Igreja para refugiar-se nas seitas (SD, 38).

Com a preocupação de responder ao desafio da perda de fieis da Igreja Católica, os bispos identificam os tipos de religiões, os cultos, os grupos sincréticos para-cristãos ou semi-cristãos, como testemunhas de Jeová e Mormos, os quais manifestam um proselitismo e milenarismo na América Latina. As formas esotéricas, as filosofias e cultos com facetas orientais tais como Hare Krishna, Luz Divina entre outros. As religiões asiáticas como o budismo e o hinduismo. Finalmente, uma multidão de centros de “cura divina”. (Cf. SD, 147). O texto pede para centrar-se sobre “a causa de seu crescimento e os desafios pastorais que levantam” (SD, 148). Também o Papa João Paulo II apresentava como proposta, diante dos desafios da modernidade e pós- modernidade, a nova evangelização, que os bispos assumem no Documento como resposta as mudanças:

A nova evangelização tem como finalidade formar pessoas e comunidades maduras na fé e dar respostas à nova situação que vivemos, provocada pelas mudanças sociais e culturais da modernidade. Há de ter em conta a urbanização, a pobreza e a marginalização. Nossa situação está marcada pelo materialismo, a cultura da morte, a invasão de seitas e propostas religiosas de diversas origens (SD 26).

Santo Domingo apresenta, por fim, uma série de recomendações pastorais para poder reverter o processo de perda de fiéis:

Que a Igreja seja cada vez mais comunitária e participativa, e com comunidades eclesiais, grupos de famílias, círculos bíblicos, movimentos e associações eclesiais, fazendo da paróquia uma comunidade de comunidades (SD 142).

A preocupação do ecumenismo ou diálogo inter-religioso é periférica, aparece mais como apologia defensiva: “o problema das seitas adquiriu proporções dramáticas e chaga a ser verdadeiramente preocupante, sobretudo pelo crescimento do proselitismo” (SD, 139). O Documento, embora assuma como prioridade pastoral do ecumenismo e faça algumas propostas e linhas pastorais com relação ao tema, a pastoral não é pouco mencionada (Cf. SD, 135). Podemos concluir que a Conferência de Santo Domingo foi muito defensiva da tradição da fé na “nova evangelização” não deixou, no campo específico do ecumenismo, boa memória. O documento insiste várias vezes, de diferentes maneiras e formas a necessidade de enfrentar as “seitas” como parte estratégia da defesa da Fé.