2 Omtale av instituttene og rapport for bruken av basisbevilgningen
2.9 NIFU - Nordisk institutt for studier av innovasjon, forskning og utdanning
A terceira Conferência Geral aconteceu na cidade mexicana de Puebla, de 28 de janeiro a 12 de fevereiro de 1979. O tema proposto foi: "A evangelização no presente e no futuro da América Latina" A data original deveria ser de 12 a 18 de outubro de 1978, mas com a morte de Paulo VI e de João Paulo I e como a eleição de João Paulo II uns dias antes da data proposta, a Conferência foi adiada para inicio do próximo ano. O Papa se fez presente na abertura dos trabalhos. A Conferência mostrou claramente que as propostas de Medellín tinham sido muito frutíferas. Aparece uma forte consciência da identidade própria da Igreja Católica na América Latina. Uma Igreja engajada, preocupada com o povo, com clareza dos desafios que devem e estão sendo assumidos. “Comunhão e participação” é a expressão utilizada em Puebla para definir o método da ação evangelizadora. Mas o que mais marcou esta conferência foi a coragem de expressar a necessidade de a Igreja Católica ter opções preferenciais. Assim a “opção preferencial pelos pobres” e a “opção preferencial pelos jovens”, expressas na conferência, impulsionaram a ação da Igreja Católica em seu engajamento social, político, econômico.
O Documento de Puebla (DP) apresenta um forte discurso apologético diante do pluralismo religioso e das “seitas”. Também, incentiva para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso principalmente com o judaísmo, islamismo. A Igreja reconhece o “proselitismo como um sério obstáculo para o verdadeiro ecumenismo” (DP, 1108). Estes grupos apresentam “proselitismos muito acentuados, fundamentalismo bíblico e literalismo estrito com respeito às doutrinas” (DP, 1109); impedindo o diálogo e o ecumenismo. Porém, denuncia “a presença do fenômeno religioso como o da invasão de seitas, que, por parecerem marginais, não devem ficar desapercebidas ao evangelizador” (DP, 419). A mudança de religião acontece por causa da escassez de fé ou, nas palavras do próprio documento “nem sempre encontraram os meios eficazes para superar a escassez da fé, permanecendo insegura diante do proselitismo sectário e dos movimentos pseudo-espirituais” (DP, 628).
O Documento de Puebla tem uma avaliação cautelosa e reticente da caminhada ecumênica (BEOZZO, 2007:34). Ao lado dos muitos avanços, como a promoção conjunta da difusão, conhecimento e apreço da Sagrada Escritura; as orações privadas ou públicas pela unidade; o surgimento de grupos de reflexão inter-confessionais, de trabalhos conjuntos para a promoção humana, a defesa dos direitos humanos e a construção da justiça e da paz (Cf. DP, 1107), elementos negativos são, por sua vez, apontados como a desconfiança para o ecumenismo, o proselitismo e tendências alienantes entre outros:
Persistem, contudo, em muitos cristãos a ignorância ou desconfiança com respeito ao ecumenismo. Desconfiança que, em nossas comunidades, se origina em grande parte do proselitismo, sério obstáculo para o verdadeiro ecumenismo. Outro fato negativo com respeito a este é a existência de tendências alienantes em alguns movimentos religiosos, que apartam o homem do seu compromisso para com instrumentalizações políticas que desvirtuam o caráter do diálogo (DP, 1108).
O Documento de Puebla vê o diálogo como comunhão e participação, fazendo uma chamada para “incrementar o diálogo ecumênico” (Cf. DP, 1096) entre os cristãos não-católicos, os não-cristãos e os não crentes (Cf. DP, 1098). Embora o Continente tenha sido evangelizado pela fé católica, o que lhe deu um traço de “identidade”, há o reconhecimento do “crescente pluralismo religioso e ideológico” (DP, 1099). Apesar das muitas dificuldades “o diálogo sempre tem um caráter de testemunho, dentro do máximo respeito à pessoa e à identidade do interlocutor (..) Não se pode pregar Cristo dividido” (DP, 1114). Ao tratar da situação no campo religioso, atravessado por
crescente pluralismo, Puebla assinalava ainda a emergência de “movimentos religiosos livres ou, como são conhecidos popularmente de ‘seitas’, alguns dos quais se mantêm nos limites da profissão de fé basicamente; outros, porém, não podem ser considerados como tais” (DP, 1102) e concluía, mais adiante, numa avaliação matizada:
Os ‘movimentos religiosos livres’ manifestam não raro desejo de comunhão, de participação, de liturgia vivida que se devem levar em consideração. Não podemos ignorar, contudo, no tocante a estes grupos, proselitismos muito acentuados, fundamentalismo bíblico e literalismo escrito com respeito às suas doutrinas (DP, 1110).
O documento não deixa de fazer uma apologia em defesa da fé católica. Ao analisar a realidade eclesial, parte para a defensiva diante do secularismo, do ateísmo, do marxismo, das mudanças culturais e da urbanização do Continente.
Muitas seitas se têm mostrado clara e pertinazmente não só anticatólicas, mas até injustas contra a Igreja e têm procurado minar seus membros menos esclarecidos. (...) devemos confessar que, em grande parte, até determinados setores da Igreja, uma falsa interpretação do pluralismo religioso permitiu a propagação de doutrinas errôneas e discutíveis sobre a fé e a moral, produzindo confusão no povo de Deus. (DP, 80)
Referindo-se ao Catolicismo popular, as preocupações aumentam. Para evitar qualquer desvio o texto vai expor as verdades da doutrina Católica (DP, 1120). O catolicismo popular é uma religião voltada para a vida cotidiana, uma religião prática baseada principalmente na execução de promessas e na realização de festas aos santos. Por isso deve ser purificada, e é vista com ressalva pelos bispos. Deve-se privilegiar “a promoção da dignidade do homem, a libertação de todas as servidões e idolatrias” (DP, 344); e “a redenção integral das culturas, antigas e novas, do nosso Continente tendo em conta a religiosidade de nossos povos” (DP, 343). Há uma religiosidade popular devocional que a Igreja Católica considera secundária e perigosa dando em tudo valor principal ao secundário, e vice-versa. Trata-se, sobretudo da devoção aos Santos, dos quais se esperam vantagens materiais e soluções para os problemas. Esse tipo de religiosidade deve ser purificada. Há “necessidade de evangelizar e catequizar adequadamente a grande maioria que foi batizada e que vive um catolicismo popular debilitado” (DP, 461). Mas Puebla, não quer acabar com ela, seria um meio para manter os católicos. Por isso, convida a “favorecer, reformular e assumir as expressões religiosas populares com participação de grandes massas pela força evangelizadora que possuem” (DP, 467). E ainda acrescenta: “se a Igreja não reinterpretar a religião do
povo latino-americano, se dará um vazio que será ocupado pelas seitas, pelos messianismos políticos secularizados...” (DP, 469).