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No ano de 2007, o Ministério da Saúde começou a pensar em novas estratégias comunicacionais ao perceber o crescimento das redes sociais online. Com isso resolveu que

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era a hora de agir no ciberespaço e alcançar o público da cibercultura. Nesse ano, foi realizada uma primeira ação durante a campanha de doação de órgãos, quando comunidades de redes sociais relacionadas ao tema foram acionadas para repassarem adiante informações oficiais do Ministério da Saúde. “Nessa época, já notávamos o crescimento do Orkut no Brasil e passamos a estimular a doação, para que as pessoas se manifestassem favoráveis às suas famílias e redes de amigos”, afirma o ex-chefe da Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Saúde Marcier Trombiere (TELES, 2010, p. 93).

Depois dessa primeira experiência, foi realizada uma ação contra o tabagismo em 2008 voltada para a população jovem do país. Verificou-se que a audiência desse público na internet era grande e o ministério decidiu por divulgar um vídeo com o comediante Danilo Gentili, que fez voluntariamente uma gravação de comédia stand up com piadas de cigarro. Isso foi postado de forma anônima no YouTube, porque a equipe sabia que o público jovem tinha uma resistência natural à mensagem oficial (do governo), e houve grande aceitação. Na primeira semana, foram 400 mil visualizações. A ação no YouTube teve o mote do Dia Mundial de Combate ao Fumo (29 de agosto) e o vídeo entrou no ar um dia antes.

A proposta ganhou um peso ainda maior na campanha de vacinação contra a rubéola, também em 2008. Segundo Trombiere, o Ministério da Saúde enfrentou problemas com e- mail que circulava na internet afirmando que a imunização era, na verdade, uma campanha de esterilização em massa. À época, houve um trabalho específico, que contou com a participação de uma agência a fim de esclarecer a população. A operacionalização foi efetuada da seguinte forma: fazia-se um monitoramento da “mensagem” na internet, que, além de circular por e-mail, entrava nas redes sociais, seja no texto em sua íntegra ou comentários a respeito do seu conteúdo. Finalizado o levantamento, as respostas com as informações pertinentes eram enviadas.

Mas a criação dos perfis do Ministério da Saúde só aconteceu mesmo em 2009. O lançamento surgiu como estratégia de combate à epidemia de Influenza H1N1. Diante de uma doença nova, que trouxe muitas dúvidas à população, o órgão se atentou à necessidade de buscar outros meios, inclusive de fácil acesso, para retirar dúvidas e, principalmente, esclarecer boatos que poderiam alarmar os cidadãos. Neste período, buscando disponibilizar informações mais precisas à população, foi criado o perfil oficial do Ministério no Orkut e também comunidade referente ao tema, onde as dúvidas eram respondidas diretamente às pessoas os questionamentos sobre a doença. Na mesma ocasião, foi lançado o canal no Youtube, espaço utilizado para postagem de vídeos esclarecedores sobre as principais dúvidas

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que acometiam às pessoas naquele momento. Após o feedback positivo da atuação e a necessidade de continuar atendendo bem as pessoas, foram criados os perfis em outras redes, como o Formspring – que acabou se tornando o grande canal de resposta aos internautas – Twitter e Facebook. Em 2010, o órgão criou o perfil oficial no Flickr para compartilhar fotos oficiais. No ano seguinte, foram criados os perfis no Soundclound – para disponibilização de áudios referentes ao Ministério, e o Slideshare, para compartilhamento de arquivos. Por fim, foi criado o Blog da Saúde, para criar um vínculo maior com blogueiros e facilitar a linguagem dos temas para melhor entendimento da sociedade.

No final de 2011, a equipe de redes sociais começou a criar os chamados perfis segmentados. Depois de verificar a forma como alguns assuntos se sobressaíam com relação às dúvidas e ao número de postagens, o Ministério da Saúde decidiu dar início aos perfis específicos de aids, dengue, doação de sangue, hepatites virais, Programa Nacional de Imunização, doação de órgãos e amamentação.

Atualmente, a equipe de redes sociais online do Ministério da Saúde é composta por sete profissionais, sendo que duas jornalistas são responsáveis pelo Blog da Saúde. Os demais profissionais atuam na produção de conteúdos, nas respostas aos internautas e monitoramento das redes. Com a busca de informações segmentadas por parte dos usuários, foram criadas páginas temáticas, como fan pages e perfis no Twitter específicos de doação de sangue, de órgão e aids. Quando eles se engajam em uma campanha, em uma temática, quando curtem uma página, eles esperam que o conteúdo daquela página seja atrativo e atualizado dentro daqueles parâmetros que os levaram a estar ali.

As respostas são personalizadas e são publicadas em aproximadamente 24h para as perguntas mais simples e até 72h para as respostas complexas, que demandam maior apuração da área técnica. O procedimento para o esclarecimento das dúvidas é o seguinte: após verificar algum questionamento nas redes, a equipe verifica se a dúvida pode ser respondida com os materiais disponibilizados no Portal da Saúde, Blog da Saúde ou materiais de apoio. Para perguntas mais complexas, a equipe de redes sociais realiza a apuração junto às Áreas Técnicas responsáveis pelos temas referidos.

A fan Page no Facebook “Ministério da Saúde - Campanha „Atitude contra a Aids‟" foi criada em 29 de junho de 2009. Mas suas atualizações constantes começaram a ser realizadas em 1º de dezembro de 2011, no mesmo dia em que foi criado o perfil @aidsms no Twitter. E assim pode-se dizer que a aids oficial do governo federal chegou nas redes sociais online.

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3.7 Considerações

Não há como comprovar que a midiatização da aids possa promover, efetivamente, a saúde e, em particular, a prevenção à aids. Entretanto, é sabido que não é possível ignorar todo o fenômeno por trás do trabalho do Ministério da Saúde em midiatizar a doença, seja pela imprensa tradicional, publicidade ou internet, e mesmo com a consciência de que todo esse trabalho realizado já não cause tanta audiência, como quando a aids foi descoberta. Verificou-se que a linguagem oficial do ministério em veículos como jornais e na publicidade, principalmente, mudou desde as primeiras campanhas veiculadas. Se antes, a aids era vista como uma doença mortal, era tratada somente como uma doença física, atualmente o combate também é feito à doença social do preconceito. Mas como será que a aids está sendo retratada neste novo lugar, o ciberespaço? É o que o capítulo a seguir aborda.

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CAPÍTULO IV - A AIDS NAS REDES SOCIAIS ONLINE DO MINISTÉRIO DA