O tema sexo começou a surgir na internet concomitantemente à evolução da Era da Informação, principalmente com a origem dos chats ou salas de bate-papo. O primeiro
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registro de conversas originadas nessas salas é de 1993. Apesar de atualmente haver a possibilidade de se conversar por meio das redes sociais online, a princípio, esse tipo de comunicação via computador era feito somente por meio do software IRC – Interney Relay Chat, que começou a permitir uma conversa em tempo real. O mais famoso era o mIRC
(www.mirc.com), que funciona até hoje. Para acessar as salas de bate-papo, o usuário precisa
fornecer um codinome e um endereço eletrônico. Ao digitar uma frase em uma janela – a sala – e teclar enter, seu codinome e texto são publicados na janela, originando um diálogo com quantas pessoas estiverem online. É possível, também, escolher um dos participantes do chat para começar, em outra janela, uma conversa privada. E é essa possibilidade que permitiu a muitos iniciar o chamado sexo virtual. Até o ano de 1999, a maioria dos bate-papos era feita por jovens – 39% tinham até 20 anos), talvez pela facilidade que eles tinham com o manuseio da rede. Segundo Semerene (1999, p. 36), “isso se justifica principalmente porque a principal característica da juventude é a busca de uma identidade. Nos chats, eles têm a oportunidade de realizar diversas experimentações. É como vestir várias roupas para escolher a que serve melhor”. Torna-se claro que o “conhecer o outro” na internet é, na verdade, conhecer a si mesmo, pois relacionar-se com um ser invisível e estranho é um ato realizado com o objetivo do autoconhecimento. Além disso, a internet pode ser considerada como um dos lugares em que a sexualidade atrai diversas personalidades, já que nela há sites com fotos de sexo heterossexual, homossexual masculino e feminino, e até de zoofilia. As salas de chats também são distribuídas de acordo com a opção sexual.
Segundo Porto (1999, p. 62), “os símbolos dos chats de sexo acomodam-se aos símbolos já existentes da pornografia useira e vizeira”. Isso porque a tal liberação sexual nos chats esbarra nas possibilidades da linguagem, como Foucault ressalta ao dizer que para controlar a sexualidade, nenhum método é tão eficaz quanto colocá-la em uma linguagem. A internet começou a ser vista e frequentada por indivíduos que buscam um estímulo do imaginário, e a ser um lugar no qual se criou um novo comportamento sexual e afetivo. Entretanto esse espaço que apresentaria novas maneiras de expressar fantasias é mais um meio utilizado da maneira mais óbvia para se conhecer pessoas, como bares e boates. É claro que há um diferencial que é a comunicação sem contato visual, que valoriza o texto e não a aparência física. Mas isso também não é uma novidade, visto que os disque amizade e os penpal (amigos por correspondência) já existem há bastante tempo. Mas, na maioria das vezes, é fato que os chats estimulam um despejar de palavras comuns a outras mídias: ao invés de discursos inovadores, as falas dos chats só demonstram clichês e os mesmo
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estereótipos divulgados pela mídia, o que torna a sonhada liberação em apenas uma uttopia. Haje e Attuch (1999, p. 94) destacam que o discurso nos chats parece uma mera repetição do que se diz na vida real.
A internet surgiu como um espaço inovador, livre dos interditos do mundo concreto. As possibilidades pareciam infinitas. Contudo, os usuários estão impregnados de velhos discursos, de antigos padrões. Mesmo com todo o potencial do novo meio, a utilização que dele se faz segue orientada por uma cultura ainda intacta (Haje e Attuch, 1999, p. 94)
Observando essa lógica, o Ministério da Saúde – especificamente o Programa de DST e Aids – criou o primeiro hotsite específico de aids (www.aids.gov.br/diamundial - atualmente, fora do ar) para atingir o público do ciberespaço com a campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Aids de 2004, lembrado no dia 1° de dezembro. A aids também está muito presente em páginas de relacionamento de pessoas soropositivas. Giacomini (2010) fez um estudo minucioso sobre as comunidades virtuais como espaços de promoção da saúde das pessoas que vivem com HIV/AIDS. Segundo ele, foi por meio de sua intensa atividade virtual em seu blog pessoal que encontrou sites cujo objetivo é promover a comunicação de pessoas soropositivas para o HIV. “Isso é feito na perspectiva, principalmente, do fortalecimento da autoestima mútua e da promoção de uma melhor qualidade de vida da pessoa que vive comHIV e Aids. Esses sites são construídos sobre plataformas que permitem aos internautas criar perfis com fotos, músicas, vídeos, blogs, e a interagirem com outros internautas em grupos de interesses e fóruns de discussão”, afirma o autor (2010, p. 16).
Giacomini concluiu que as comunidades virtuais têm potencial ao serem percebidas pelos usuários como espaços de promoção da saúde e de incentivo a práticas de autocuidado, fundamentais à adesão ao acompanhamento médico e ao tratamento antirretroviral pelas pessoas que vivem com HIV e Aids em seguimento nos serviços de atenção e cuidado à saúde, sejam eles públicos ou privados.
Para além de serem amplamente difundidas nas comunidades virtuais de e para pessoas que vivem com o HIV/aids, as estratégias de promoção da saúde foram assimiladas, incorporadas, e são referidas como cotidianas por seus participantes. A alusão à prática de exercícios físicos e de uma boa alimentação é corrente nos textos, em todo o corpus estudado, o que efetivamente pode contribuir para a melhora da qualidade de vida de outras pessoas em contextos semelhantes (GIACOMINI, 2010, p. 120).