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4. Paper (#2): Pace Burge: Some Empirical Warrant for Epiphobia

4.4. Causal Relevance in Psychology and Neuroscience

4.4.1. Neural and Psychological Patterns of Events

O panorama do conflito mundial se mostrava bastante desfavorável para os Aliados com o avanço alemão nos Bálcãs no final de 1941. O temor de uma eventual derrota desencadeou uma série de ações que reverteriam em desdobramentos significativos no panorama político do Egito. A situação dos britânicos naquele momento era particularmente difícil, sendo que seu próprio território era palco de milhares de mortes e grande destruição provocadas por bombardeios aéreos nazistas –a série de ataques conhecida como Blitzkrieg ou The Blitz para os britânicos. Tal cenário implicava fortes pressões sobre as tropas britânicas no Egito, onde se encontrava a base voltada para a defesa do Deserto Ocidental, junto à fronteira com a região da Cirenaica. Uma vitória no fronte africano era imperativa para elevar o moral e gerar esperanças de derrotar o Eixo.

Desta forma, os investimentos do Reino Unido, sejam financeiro, logístico ou político, a fim de garantir o apoio dos egípcios, não foram poupados. A própria repressão contra a SIM, que causou as prisões de al- Banna e al-Sukkari, foi resultado direto da política de contenção de toda e qualquer resistência à presença britânica no país, que decorreu do empenho do ocupante para se afirmar. O sucesso naquela frente da guerra era visto como sendo de vital importância por uma série de razões, não apenas a psicológica mencionada anteriormente. Do ponto de vista geopolítico, o Canal de Suez já desempenhava um papel indispensável como meio mais rápido e seguro nas comunicações com a Índia e para a passagem de petroleiros, ainda mais essenciais em tempos de guerra. A importância de manter e controlar o canal e defender sua ascendência sobre o território egípcio cresceu ainda mais durante o conflito. Principalmente por ser um ponto estratégico para o abastecimento de navios e a escala de aviões de guerra, em especial entre a Europa e o Sudeste Asiático, onde se encontravam outras colônias britânicas. Além disso, havia a necessidade vital de garantir a provisão de alimentos para as tropas estacionadas na região, que era comprada das lavouras egípcias, que produziam trigo e milho, entre outros grãos379. A incipiente indústria nacional local também precisou envidar esforços para atender outras

379 REID, 2009, p. 234.

necessidades das tropas aliadas no país, a fim de superar a falta de segurança e o alto custo do transporte de produtos pelo Mar Mediterrâneo.

Além da vulnerabilidade do próprio território inglês, o Império Britânico parecia estar ruindo. Em outubro de 1941, Mahatma Gandhi convocou os indianos a iniciarem uma resistência pacífica contra os britânicos. A repressão ao movimento demandava o envio de mais tropas, o que tornou o controle do Canal de Suez, principal rota entre a Grã-Bretanha, a Índia e as demais colônias na Ásia, ainda mais importante. Esta situação se agravou em dezembro, quando o Japão empreendeu uma ofensiva que conquistou boa parte dos territórios das atuais Tailândia e Malásia. Em decorrência, muitos reforços militares dos Aliados foram transferidos do Norte da África para o Sudeste Asiático e, por um breve período, o fronte africano ficou menos guarnecido380.

Era grande a expectativa dos egípcios em relação à chegada de tropas que iriam substituir as forças enviadas para a Ásia e que teriam a tarefa de fazer frente aos avanços dos Afrika Korps, no fronte do Deserto Ocidental381.

Sob a liderança do general alemão Erwin Rommel, a campanha do Eixo na Líbia ganhou fôlego desde o início de 1940 e já havia ultrapassado a fronteira em alguns pontos específicos. Além disso, no verão de 1941, pelo menos 650 pessoas morreram em Alexandria e arredores em consequência dos ataques aéreos empreendidos pela força aérea nazista, a Luftwaffe 382 . Muitos

moradores fugiram da cidade portuária à beira do Mediterrâneo, a segunda mais populosa do Egito, ou enviaram parentes para outras localidades do país.

Em 29 de janeiro de 1942, Rommel e suas tropas reconquistaram Benghazi, na Cirenaica, próximo à fronteira com o Egito, aumentando ainda mais a tensão entre a população egípcia, que via como provável uma nova onda de bombardeios e até a invasão mais ampla de seu território. O medo disseminou-se entre os egípcios ao receberem as notícias sobre os intensos ataques aéreos sofridos por outra colônia britânica não muito distante, a ilha de Malta, que se mantinha isolada e carecia de suprimentos básicos. Ou seja, se a Grã-Bretanha não estava tendo sucesso em proteger suas colônias, o Egito,

380 KIRK, 1952, p. 13.

381 KILLEARN, 1972, p.194-5, Cairo, 7 de Janeiro de 1942.

que estava sendo atacado tanto por meio aéreo como terrestre, se encontrava sob grande risco.

Todos os revezes nas colônias e na frente de batalha do Deserto Ocidental arranharam o mito da supremacia britânica e esta mudança de percepção se mostraria significativa e duradoura entre os africanos383. A capacidade de Londres e dos demais aliados de ganhar a guerra foi colocada à prova. Levando isso em conta, naquele momento, os nacionalistas egípcios e outros grupos, como a SIM e o Misr al-Fatat, se tornaram mais desafiadores. As críticas contra o poder colonial contidas em jornais e panfletos –estes, não raro, apócrifos– se tornaram ainda mais mordazes. O embaixador britânico sir Miles Lampson afirmou em relatório endereçado ao Foreign Office em fevereiro de 1942 que: “Entre outras coisas, surgiram uma série de panfletos difamatórios, um deles incentivando os egípcios a se insurgir em nossa retaguarda se formos forçados a recuar”384. Uma revolta egípcia contra o

domínio britânico passou a ser uma ameaça real.