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The Neptun project: Research and technology development Initial cooperation: The Neptun project

4 Fermenting fish: Innovation in practice

4.2 The Neptun project: Research and technology development Initial cooperation: The Neptun project

Em termos de sistemas de informação, a usabilidade está relacionada aos estudos de Ergonomia e de Interação Humano-Computador (IHC), duas áreas nas quais se consideram que as experiências humanas não estão restritas à tela do computador ou outros suportes tecnológicos.

A princípio, a ergonomia esteve ligada a ambientes industriais, voltada, sobretudo, às condições de produtividade. Depois ela passou a ser utilizada em áreas que envolvem a interação homem-objeto. Consta-se que a partir dos anos de 1970, a ergonomia é utilizada para identificar problemas no uso de sistemas. Logo, o conjunto de técnicas e métodos criados para tal função passou a se chamar de Usabilidade ou Engenharia de Usabilidade. Por outro lado, Camargo (2010), cita que áreas como as de Ergonomia e Usabilidade já estavam atreladas aos estudos de Design e similares desde os anos de 1950, momento que culminou no processo de digitalização de informações e os sistemas de informação automatizados.

A usabilidade faz uso de conceitos ergonômicos para minimizar ambiguidades na identificação e classificação de qualidade. Nesse sentido, o objetivo da Ergonomia é “conceber e avaliar produtos e ferramentas que possam ser utilizados com o máximo de conforto, segurança e eficiência, enquanto a Usabilidade visa a aumentar e melhorar o uso do produto” (CAMARGO, 2010, p. 28).

Como abordagem holística, a ergonomia leva em conta fatores físicos, cognitivos, sociais, organizacionais, ambientais, dentre outros. Recomendações ergonômicas podem ser usadas com o duplo propósito de auxiliar o processo de concepção ou guiar a avaliação (WINCKLER; PIMENTA, 2002).

Segundo Barbosa e Silva (2011, p. 10), “IHC é uma disciplina interessada no projeto, implementação e avaliação de sistemas computacionais interativos para uso humano, juntamente com os fenômenos relacionados a esse uso”. Na interação humano-computador, a usabilidade se faz presente para avaliar quesitos de simplicidade de uma interface ou sistema de informação. Esse conceito de simplicidade tem sido contestado, isso por que a qualidade de um sistema não está na sua facilidade de uso, isso por que usuários costumam procurar meios mais fáceis de realizar uma tarefa, mas nem sempre consegue obter êxito nos resultados da execução.

3.4 Usabilidade na Web

A usabilidade permite que o usuário alcance suas metas de interação com o sistema de informação. Segundo Garzotto (1998, apud GÜELL et al. 2001), usabilidade de aplicações web se constitui como

a habilidade do usuário em utilizar websites e acessar o conteúdo deles do modo mais efetivo. Como consequência, tornou-se obrigatório prover tanto o critério de qualidade que os websites têm que satisfazer para ser utilizáveis, como os métodos sistemáticos para avaliar tal critério.

Se um usuário sente dificuldades ao interagir com uma interface web e nela não conseguir executar uma tarefa até o fim, é sinal que há problemas de usabilidade. Sistemas web com este tipo de problema têm sua credibilidade comprometida, chegando até mesmo a serem rejeitados pelo usuário.

A respeito disso, a lei “Não me faça pensar”, de Steve Krug (2008), dispõe de medidas que mostram aquilo que pode ser evitado no ambiente web, como a utilização de ações, links, menus, ou títulos não-óbvios, enganosos e consequentemente frustrantes. Conforme citado em Brasil (2010), a usabilidade deve estar comprometida com vários aspectos de um website, entre os quais estão: concepção, programação da aplicação, criação de funções, desenhos das páginas, estruturação/arquitetura das informações, e redação das informações.

Na maioria das vezes, muitos desses problemas não estão relacionados com o conteúdo do produto, mas com o seu acesso, ou seja, os usuários sentem dificuldades para

localizar a informação desejada ou não sabem retornar a um ponto anteriormente visitado. Ausência ou demasia de elementos está entre os grandes vilões da composição de interfaces web, deixando o usuário perdido ou confuso ao interagir com a interface. Existem muitos outros fatores que comprometem a usabilidade de produtos web, entre eles estão: referências culturais; ao suporte tecnológico utilizado, como, por exemplo, o navegador.

As primeiras versões de websites não davam muito importância ao grau de usabilidade de suas interfaces, e por isso, depois de prontos, estes websites apresentavam falhas e não preenchiam as necessidades de seus usuários. Para Nielsen e Loranger (2007), algumas das antigas dificuldades que os usuários encontravam ao navegar foram atenuadas em consequência do aprimoramento da tecnologia e da adaptação desses usuários a certas abordagens de design. À medida que as ferramentas web melhoraram, tendo, inclusive, uma conexão mais rápida, alguns dos problemas antigos de usabilidade encontrados nas páginas web foram contornados. No entanto, esses mesmos autores declaram que muitos problemas de usabilidade ainda continuam presentes nas interfaces web, sendo os principais deles:

a) Links que não mudam de cor quando visitados: isso faz com que usuários visitem página sem querer, fiquem desorientados ou suas ações sejam prejudicadas;

b) Alterar a função do botão Voltar: quando a função “voltar” é desativada por truques de codificação, impossibilitando desfazer ou alterar ações;

c) Abrir novas janelas de navegador: dificuldades para abrir uma nova janela, visualizá-la minimizada ou fechá-la, entre outros problemas;

d) Janelas pop-up: proliferação de janelas que abrem inesperadamente a ou ao se apertar algum link;

e) Elementos de design que parecem anúncios: banners que confundem a leitura; f) Violação das convenções da Web: usuários acostumados com convenções ficam

confusos quando elas são violadas;

g) Conteúdo vago e modismo vazio: páginas com conteúdo textual inútil ou de linguagem complexa;

h) Conteúdo denso e texto não-escaneavél: blocos densos de texto que dificultam a coleta de informações.

Apesar de Nielsen ter apontado esses problemas, existem outros bem mais graves, os quais impõem custos inaceitáveis e ocasionam o desprezo por parte dos usuários. É preciso pesar a gravidade do problema para poder corrigi-los. Problemas triviais, por exemplo, são resolvidos com poucos esforços. Com relação a isso, Nielsen e Loranger (2007) apontam três

fatores que afetam a gravidade de um problema: a quantidade de usuários afetados; o impacto causado pela dimensão de dificuldades; e, por último, a persistência dos problemas.

Preece, Rogers e Sharp (2005), com base nos princípios de design de Donald Norman, orientam que um produto bem sucedido em termos de usabilidade deve levar em conta princípios como: visibilidade; feedback; restrições (físicas, lógicas e culturais); mapeamento entre controle e feitos; e, por último, consistência (combinação de tarefas e de elementos similares). Esta lista inclui ainda o princípio de affordence (dar pistas), porém, segundo os referidos autores, este não é propício no caso de interfaces web, pois sua aplicabilidade não surte o mesmo efeito entre objetos físicos e virtuais.