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5 Findings and discussion

5.3 Excluded from one’s own society

5.3.2 Nationality and identity

Os RSS podem oferecer riscos aos profissionais da saúde, do serviço de higiene e limpeza, bem como para os pacientes e sociedade, uma vez que podem possuir características de patogenicidade, inflamabilidade, corrosividade, toxicidade e reatividade (ABNT, 2004).

Para Brilhante e Caldas (1999), risco pode ser definido como a probabilidade da ocorrência de efeitos adversos que, nesse contexto pode ser: econômico, para vida, para a saúde pública e para o ambiente.

Assim, considera-se que o gerenciamento inadequado dos RSS pode ocasionar consequências diretas e indireta para a saúde, como a possibilidade de causar doenças infecciosas, que podem ser provocadas durante o manejo dos RSS, ou seja, na segregação, acondicionamento, coleta, transporte, armazenamento, além das etapas de tratamento e disposição final (FORMAGGIA, 1995).

Na literatura científica pode-se observar que o gerenciamento inadequado dos RSS, associado ao aumento significativo de sua produção, vem agravando os riscos à saúde e à população (CHAVES, 2002).

Para a Anvisa, os RSS representam potencial risco para a saúde ocupacional dos profissionais que os manipulam, sejam os profissionais da saúde, seja o pessoal do setor de higiene e limpeza, e também para o ambiente, cujas características podem ser modificadas devido à disposição final inadequada dos RSS (BRASIL, 2006).

De acordo com Perez et al. (2004), os RSS apresentam riscos, tanto para a saúde ocupacional dos trabalhadores da área da saúde, como para os pacientes no ambiente hospitalar.

O manejo dos RSS pode apresentar sérios riscos de contaminação, durante a geração e acondicionamento, e ainda durante a coleta externa e disposição final, devido às características físicas e ao potencial de contaminação por meio de possíveis microrganismos existentes (SALKIN; KENNEDY, 2001; ZANON, 1990).

Para Salomão, Trevisan e Günther (2004), os profissionais envolvidos direta ou indiretamente com o manejo dos RSS necessitam de prudência durante o manejo e disposição final devido às diferenças na composição e classificação desses resíduos, que representam riscos ocupacionais, de infecção hospitalar e ambiental, principalmente, se descartados de forma inadequada.

O responsável técnico pelo gerenciamento dos RSS além de considerar a área de geração, a natureza dos resíduos, também deve avaliar o potencial de risco dos RSS, com o objetivo de realizar um manejo seguro (SCHNEIDER; EMMERICH; ORLANDI, 2004).

Takayanagui (2005) ressalta que a importância de um gerenciamento adequado de RSS, principalmente de sangue e hemocomponentes e de pacientes, são a principal preocupação em relação ao risco aos trabalhadores de serviços de saúde, durante seu manuseio. Segundo essa autora esses são os principais resíduos a serem considerados no manejo de RSS para importantes organismos norte-americanos, como Occupational Safety and Health Administration (OSHA) (Administração de Saúde e Segurança Ocupacional), National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) (Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional) e Centers for Disease Control and Prevention (CDC) (Centro de Controle e Prevenção de Doenças).

Ainda, é preocupante a ocorrência de falhas no manejo dos RSS, que pode infectar o solo, água e ar (VALADARES, 2009). Nesse contexto, o descarte e a disposição final inadequada dos resíduos químicos vêm merecendo destaque, especialmente, as substâncias antioneoplásicas que podem expor os trabalhadores da saúde, a população e o ambiente a potenciais riscos de contaminação (COSTA; FELLI; BAPTISTA, 2012).

Também, o manejo adequado dos perfurocortantes deve ser evidenciado pelo fato desses resíduos estarem relacionados à transmissão de doenças infecciosas, devido à capacidade de romper a integridade da pele e introduzir agentes patogênicos no corpo humano (SILVA; HOPE, 2005).

Segundo a literatura, em 1994 foram detectados 67 casos de profissionais de saúde infectados pelo HIV, devido a inoculações acidentais. De acordo com estimativas internacionais são notificados 400 novos casos por ano de transmissão ocupacional do HBV e 1000 casos por ano do HCV (CENTER FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC), 1998; INTERNATIONAL HEALTHCARE WORKER SAFETY CENTER (IHWSC), 2001).

Em estudo realizado pelo CDC, nos EUA no período de 1985 a 1998, foram notificados 55 casos confirmados de infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e 136 casos de possíveis contaminações entre trabalhadores de enfermagem e técnicos de laboratórios, sendo os acidentes percutâneos responsáveis por 89% dos acidentes registrados (MCCONNEL, 1999).

Ainda, de acordo com esse mesmo autor, em 1995, nos EUA, baseado nesse mesmo estudo cerca de 800 profissionais de saúde tornavam-se anualmente infectados pelo Vírus da

Hepatite B (HBV), e, de 2 a 4% adquiriam infecções pelo Vírus da Hepatite C (HCV), ocorridas em ambiente hospitalar pós-exposição a sangue (MCCONNEL, 1999).

Shiferaw, Abebe e Mihret (2011) revelaram uma alta prevalência de infecção por hepatite B em trabalhadores que manuseavam RSS, comparado com trabalhadores que não tinham contato com RSS. Nesse estudo, os autores identificaram a ausência de imunização, falta de treinamento dos trabalhadores envolvidos no manejo dos RSS e a omissão das medidas de precaução universal como responsáveis pela alta prevalência de HBV entre esses trabalhadores.

Para Rimi et al. (2014) o manejo inadequado e inseguro dos RSS, especialmente a segregação e o acondicionamento dos resíduos perfurocortantes, podem aumentar o potencial de transmissão de HIV e hepatites B e C, tanto para os profissionais da saúde, quanto para os profissionais que trabalham com a coleta interna e externa dos resíduos.

O manuseio inadequado dos resíduos perfurocortantes infectados pode ocasionar acidentes, tendo como consequência a contaminação dos profissionais de saúde e funcionários do serviço de higiene e limpeza. Nesse cenário, enfatiza-se que a população também pode estar exposta aos riscos biológicos, caso os RSS sejam acondicionados de forma inadequada e tenham uma disposição final irregular (SILVA, 2004).

Para Almeida (2003), o acondicionamento inadequado dos RSS em estabelecimentos de saúde também pode gerar riscos para as pessoas que transitam nas proximidades ou na área de disposição dos RSS, em contrair doenças, por vetores que podem estar alojados nesses locais.

No contexto hospitalar, os RSS também contribuem para o aumento dos riscos para os pacientes, como a infecção hospitalar, podendo ser ocasionada tanto pela ausência de higiene como por falta de conhecimento das técnicas adequadas de manipulação ou ausência de equipamentos apropriados (VALADARES, 2009).

Em 1974, foram realizados os primeiros estudos que identificaram microrganismos presentes nos RSS. Suberkeropp e Klugg (1974) identificaram os microrganismos: Coliformes, Salmonella typhi, Shiguella sp., Pseudomas sp., Streptococcus, Staphylococcus aureus, Cândida Albicans. Destaca-se que nesse estudo o Mycobacterium tuberculosis apresentou um tempo de resistência ambiental de até 180 dias na massa de resíduos.

A Anvisa também relata a presença dos microrganismos Escherichia Coli, Klebsiella sp, Enterobacter sp., Enterococus e Bacillus sp. nos RSS (BRASIL, 2001b).

Para Bidone (2001), os microrganismos Escheria Coli, Pseudomas aeruginosa e Staphylococus aureus são de interesse sanitário, por serem comumente causadores de

infecção hospitalar, além de serem os principais microrganismos identificados nas análises microbiológicas dos RSS.

A relação entre os RSS e a infecção hospitalar interfere na determinação das normas de biossegurança. Desde o fim da década de 1980, esse tema tem sido enfatizado e discutido pela comunidade acadêmica e profissionais da área, principalmente, após o desenvolvimento do campo da infecção hospitalar e de estudos relacionando o ambiente à saúde (RIBEIRO FILHO, 2000).

No que se refere à contaminação de profissionais de estabelecimentos de saúde, em um estudo realizado por Johnson et al. (2000) foi relatado a notificação de três indivíduos que trabalhavam com RSS, contaminados pelo Mycobacterium tuberculosis. A pesquisa investigou todas as possibilidades de contágio dos três trabalhadores e concluiu que os indivíduos foram contaminados por meio da manipulação de RSS infectados com o Mycobacterium tuberculosis. Esse estudo, ainda, recomenda a descontaminação de resíduos contaminados por meio de autoclave ou outros métodos, preferencialmente no local onde os RSS são gerados, para minimizar os riscos de infecção de indivíduos que trabalham com RSS.

O conteúdo potencialmente patogênico presente nos RSS pode ser beneficiado pela ação seletiva de antibióticos e quimioterápicos, por apresentarem comportamento multiresistente no ambiente hospitalar, podendo contaminar artigos hospitalares e contribuir para aumentar o risco de infecções (SCHNEIDER, EMMERICH; ORLANDI, 2004).

Uma pesquisa realizada na Malásia revelou a presença de agentes patogênicos nos resíduos, como a existência de Pseudomonas aeruginosa e Staphylococus aureus tanto nos resíduos comuns como nos resíduos infectantes dos hospitais, ressaltando a necessidade da segregação no momento da geração, a fim de eliminar as possibilidades de infecção hospitalar e mesmo de uma possível poluição ambiental (HOSSAIN et al., 2013).

Ressalta-se que o manejo adequado dos RSS, associado à implementação dos serviços de vigilância epidemiológica e sanitária, técnicas de assepsia, desinfecção e esterilização, e ainda a modernização da estrutura hospitalar, são ações necessárias para a redução dos índices de infecção hospitalar.

Assim, os responsáveis pelo gerenciamento de RSS devem monitorar frequentemente o manejo dos resíduos, visando exercer as atividades com segurança e evitar que os riscos traduzam em danos para a saúde pública e/ou ambiente (CONFORTIN, 2001).