6. FORVALTNING AV INFORMASJON OM UNDERGRUNNEN
6.3 Nasjonalt arbeid
A hipótese do influxo externo, a hipótese da prioridade do Mitsein, a neutralidade própria do Man.
A análise do Man e do si próprio que o constitui está, em Sein und Zeit, intimamente ligada à questão do Mitsein, a tal ponto que a compreensão do que está em causa nessa análise não parece ser possível sem se recorrer a esta última noção.
Isso mesmo se torna manifesto se levarmos em conta o modo como Heidegger, em Sein und Zeit, introduz o problema do si próprio do Man. Com efeito, o si próprio que caracteriza aquilo a que Heidegger chama o Man parece resultar do facto de o Dasein ser constitutivamente Mitsein mit den Anderen e do facto de o
Dasein, enquanto Mitsein, se achar de alguma forma sempre já numa determinada identificação do que ele mesmo é e do que os outros são. Por outras palavras há, segundo Heidegger, uma espécie de ipseidade constitutiva do Dasein em virtude da qual este tem sempre já, explícita ou inexplicitamente, uma certa noção daquilo é, noção essa que está sempre já a ser influenciada pelo modo como o Dasein identifica de cada vez, expressa ou inexpressamente, aquilo que os outros são.
A questão do si próprio e da sua identificação não parece ser uma qualquer quando se está a considerar quer o problema do Mitsein quer o do Man, pois é justamente essa questão que motiva e articula toda a análise destas duas últimas noções em Sein und Zeit.282
Dito de outro modo, de acordo com a economia de Sein
und Zeit e com aquilo que se desenha na fenomenologia do primeiro Heidegger, quando se considera o problema do si próprio do Mitsein sc. do Man não se está a considerar uma componente qualquer destas duas estruturas constitutivas do Dasein, mas de algum modo a fundamental. Quer dizer, formulando o que nos parece ser a tese de Heidegger se compreendida em toda a sua radicalidade, não é o Mitsein sc. o
Man que constituem a partir deles mesmos o si próprio que está no seu centro e que
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corresponde à condição de possibilidade do auto-reconhecimento presente em cada uma das estruturas em causa; antes sucede que é o si próprio do Mitsein sc. do Man que constitui cada uma destas estruturas e tanto significa que o Mitsein e o Man só são aquilo mesmo que são por via do si próprio que se acha no seu centro. Ou ainda, falar do Man como o si próprio do Mitsein e, por seu turno, falar do Man-selbst como o si próprio do Man é, se quisermos, caminhar no sentido de uma cada vez mais profunda patenteação de uma mesma estrutura que, pelo menos numa primeira aproximação, parece ter no Man-selbst o seu fundamento ou a sua origem.
Heidegger parece ter isto em mente no início do §27 de Sein und Zeit. Segundo Heidegger:
“Das ontologisch relevante Ergebnis der vorstehenden Analyse des Mitseins liegt in der Einsicht, daß der »Subjektcharakter« des eigenen Daseins und der Anderen sich existenzial bestimmt, das heißt aus gewissen Weisen zu sein. Im umweltlich Besorgten begegnen die Anderen als das, was sie sind; sie sind das, was sie betreiben.”283
Como se pode ver, neste passo do início do §27 de Sein und Zeit estão em causa alguns dos aspectos que acabámos de pôr em relevo:
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1) que o que é mais relevante na análise da estrutura do Mitsein é aquilo que se diz a respeito do »Subjektcharakter« do Dasein próprio e do »Subjektcharakter« dos outros;
2) que o que o Dasein encontra ao encontrar os outros é “aquilo que eles são” (das, was sie sind).
No passo citado, encontramos também dois aspectos que já focámos quando analisámos a estrutura do Mitsein284
:
a) que o »Subjektcharakter« em questão “se determina existencialmente” (sich existenzial bestimmt);
b) que o que os outros são é “aquilo que eles fazem” (sie [die Anderen]
sind das, was sie betreiben).
Estes dois últimos aspectos vão continuar a ser importantes na análise que aqui vamos fazer.
Mas, para já, insistamos nos dois aspectos que primeiramente pusemos em destaque.
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Esses dois aspectos dizem, pois, respeito à constituição do si próprio do
Mitsein e do Man enquanto aquilo mesmo que, de cada vez, os torna possíveis. O modo como Heidegger concebe o Mitsein e o Man, bem como o si próprio que intrínseca e fundamentalmente os constitui, resulta bastante estranho para o ponto de vista “normal”. Heidegger reconhece esse facto e é, em parte, por isso mesmo que insiste em marcar a diferença entre a) a concepção que o ponto de vista “normal” tende a ter no que diz respeito à constituição de um si próprio “comum” no Mitsein e no Man e b) a concepção que a analítica existencial parece sustentar.
Quando Heidegger tenta marcar esta diferença não pretende, porém, tornar os seus enunciados mais fáceis de compreender pelo ponto de vista “normal”; ao fazer isso Heidegger pretende, pelo contrário, transformar o ponto de vista “natural” no ponto de vista da analítica existencial.
A perspectiva “normal” tende, então, a conceber a tal constituição de um si próprio “comum” com base num modelo de composição real a partir de uma multiplicidade de sujeitos. Não se trata aqui apenas do facto de a multiplicidade a compor ser a de sujeitos no sentido moderno do termo; antes sucede que, quer se trate de “sujeitos” nesse sentido quer de “outros” no sentido que esta noção tem na analítica, não está de modo algum em causa um modelo de composição. Disso mesmo dá testemunho o que Heidegger diz um pouco mais abaixo no §27 de Sein und Zeit:
“Das Wer ist nicht dieser und nicht jener, nicht man selbst und nicht einige und nicht die Summe Aller. (…) Das Man, das kein bestimmtes
ist und das Alle, obzwar nicht als Summe, sind, schreibt die Seinsart der Alltäglichkeit vor.”285
O que Heidegger diz de relevante neste passo é, fundamentalmente, que o “quem” (das Wer) ou o Man (enquanto o quem do Mitsein) não se forma por meio de uma “soma de todos” (Summe Aller).
“Soma” (Summe) é o termo com que Heidegger aqui se refere ao problema da composição real; este termo exprime, mais precisamente, um modelo peculiar de conceber a constituição de um si próprio “comum”, modelo de concepção esse que implica a tese segundo a qual há um conjunto de “sujeitos” sc. de “outros” já constituídos, cuja soma produz o si próprio do Mitsein sc. do Man como seu resultado final. É esta a concepção que tendemos a ter normalmente daquilo que possa ser um si próprio “comum” a vários seres humanos e daquilo que possa ser a sua origem ou a sua forma de constituição.
Neste mesmo passo, Heidegger apresenta aquela que parece ser a sua tese fundamental, a saber, que o Man sc. o si próprio do Mitsein é aquilo que todos são, ainda que não enquanto soma (das Man, das Alle, obzwar nicht als Summe, sind). O que fica sugerido a partir deste passo é, desde logo, que há uma outra forma de constituição daquilo que todos são (sc. de um si próprio “comum”) que não obedece à lógica da soma (sc. da composição real) de todos os sujeitos; e fica sugerido também que essa outra forma de constituição é tal que faz ser algo que não é um ente determinado (kein bestimmtes), ou seja, algo que pela sua indeterminação precede e torna possível a constituição de cada sujeito determinado enquanto tal. Como é !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
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evidente pelo que já aqui vimos, esse algo de indeterminado é o Man sc. o Man-
selbst, isto é, o si próprio que está sempre já implicado no Mitsein e que é a condição de possibilidade quer do reconhecimento de qualquer outro enquanto outro, quer da constituição e do reconhecimento espontâneo de uma “comunidade” no Besorgen.
No entanto, o esforço de diferenciação relativamente ao ponto de vista “normal” não se fica por aqui; aliás, o que acabámos de ver representa apenas um pequeno momento de um processo mais longo e mais complexo. Assim se, por uma parte, a rejeição do modelo da composição real na constituição do si próprio “comum” corresponde a um momento importante e não negligenciável para se poder compreender o que está em jogo em tal constituição, por outra parte, essa rejeição é ainda insuficiente para se perceber minimamente de que forma é que se constitui então o si próprio “comum” do Mitsein sc. do Man, ou ainda, de que forma é que todos são sempre já o Man e este os precede sempre já como algo indeterminado.
A solução para este problema passa pela compreensão de algo que já vimos antes286
e que já mencionámos neste ponto, ou seja, pela compreensão da determinação existencial do »Subjektcharakter« do Mitsein sc. do Man.
No primeiro passo do §27 de Sein und Zeit, Heidegger diz o seguinte:
“(…) der »Subjektcharakter« des eigenen Daseins und der Anderen sich existenzial bestimmt, das heißt aus gewissen Weisen zu sein.”287
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Vide supra o Primeiro capítulo da Segunda parte.
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Com base neste passo, podemos confirmar que a tese de Heidegger é a de que o »Subjektcharakter« do Mitsein se acha determinado de forma existencial e podemos verificar, além disso, que essa determinação existencial é explicitada por Heidegger como algo que é relativo a “certos modos de ser” (gewisse Weisen zu sein) do Dasein.
Isso quer dizer que aquilo que o Dasein é para si mesmo e para os outros e que os outros são para si mesmos e para o nosso Dasein (numa palavra, aquilo que constitui o Mitsein enquanto tal ou que constitui o si próprio “comum” do Mitsein sc. o Man) tem uma determinação existencial; e tanto significa, segundo a explicitação de Heidegger, que a determinação própria disso (a sua identidade própria) provém do modo como de cada vez se é.
Dizer que o »Subjektcharakter« des eigenen Daseins und der Anderen (sc. o si próprio “comum” do Mitsein) se acha determinado de forma existencial ou a partir de certos modos de ser é, em primeiro lugar, rejeitar a adequação da perspectiva teórica ou cognitiva para compreender o que está em causa na constituição desse “sujeito” ou si próprio “comum” (ou seja, é rejeitar a adequação de uma perspectiva que ilegitimamente transforma os seus correlatos em algo que tem o carácter de um objecto e que, por isso mesmo, parece ser susceptível de ser captado nas suas propriedades objectivas e enquanto se define essencialmente por tais propriedades); e é, em segundo lugar, sustentar que o “sujeito” ou si próprio aqui em jogo consiste em algo cuja identidade se constitui na própria execução dos seus múltiplos modos de ser, isto é, na própria expressão das mais variadas formas de estar em causa para si mesmo.
Ora, quando Heidegger considera a questão do si próprio do Mitsein sc. do
possíveis do Dasein, mas sim para uma modalidade determinada que admite várias outras desformalizações na sua esfera: a modalidade correspondente ao Besorgen.
Por outras palavras, quando se trata do si próprio do Mitsein sc. do Man, a determinação existencial que tem preponderância é apenas uma das determinações ou um dos modos de ser possíveis da existência.
Assim, como já vimos antes288, o Besorgen é uma modalidade da existência, o
que quer dizer que é uma modalidade ou forma de expressão do estar em causa para si mesmo. Se, por um lado, o estar em causa para si mesmo é o sentido fundamental da execução289
do Besorgen, por outra parte, o Besorgen caracteriza-se ainda pela circunstância de estar de cada vez numa relação concreta290
com algo determinado291
. Dito de outro modo: se, por uma parte, o Besorgen é uma forma de execução do “por mor de si mesmo” (Umwillen seiner selbst) do Dasein (ou seja, se é a execução de uma determinada possibilidade do “por mor de si mesmo” que, por seu turno, se exprime de cada vez numa determinada possibilidade — por exemplo, a do martelar), por outra parte, para que uma determinada possibilidade do Besorgen se possa executar, é preciso que o Dasein de cada vez se relacione com determinados entes cujo manuseamento torna possível tal execução (no caso do martelar, é preciso que o Dasein use de um martelo). Assim, podemos dizer que o martelar é a própria relação em que o Dasein se acha e cuja execução é aquilo que de raiz torna possível o
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Vide supra Primeira parte, Terceiro capítulo, §5.
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“Sentido da execução” (Vollzugssinn).
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“Sentido da relação” (Bezugssinn).
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uso do martelo e a sua compreensão enquanto martelo (enquanto algo que serve para martelar).
Ainda que à primeira vista pareça irrelevante, o que acabámos de considerar é fundamental para se perceber aquilo que está em jogo na constituição do si próprio “comum” do Mitsein, pois o mais das vezes o Dasein executa o “por mor de si” da existência no modo do Besorgen e o reconhecimento espontâneo que o Dasein de cada vez produz provém da possibilidade concreta que está a executar.
A possibilidade do martelar é algo que executo, por exemplo, como carpinteiro, de tal modo que aquilo que sou (o modo como espontaneamente me reconheço e os outros espontaneamente me reconhecem) está determinado existencialmente — quer dizer, pelo que faço, pelo que corresponde à desformalização da existência (do “por mor de si”) sc. do Besorgen: a carpintaria.
É isso mesmo que Heidegger procura exprimir quando, depois de se referir à determinação existencial do si próprio do Mitsein, diz:
“Im umweltlich Besorgten begegnen die Anderen als das, was sie sind; sie sind das, was sie betreiben.”292
Este passo de Sein und Zeit refere, além disso, que é uma determinação existencial do mesmo género (quer dizer, relativa ao Besorgen) que faz que os outros sejam para nós das, was sie betreiben. De tal sorte que há uma identidade “comum” a todos nós que é relativa àquilo que fazemos.
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Mas uma identidade “comum” a partir do Besorgen pode corresponder à instituição de uma “comunidade” por via de uma verificação de certas características em todos os sujeitos enquanto entes já constituídos (enquanto entes de cuja constituição depende a constituição de uma “comunidade” e em cuja constituição a constituição da dita “comunidade” em nada influi).
Todavia, Heidegger parece apontar para a possibilidade contrária, ou seja, para a possibilidade segundo a qual é a “comunidade” sempre já constituída que precede a constituição individual de todos nós; como “comunidade” do Besorgen, ela precede a constituição (existencial) de todos nós e determina (existencialmente) o reconhecimento espontâneo daquilo que somos: por meio do Besorgen, todos nós somos sempre já aquilo que fazemos.
Vimos até agora a) que a “comunidade” do Mitsein (a sua “comunidade” de identidade sc. o seu si próprio “comum”) não se constitui por composição real, mas está sempre já constituída; e vimos também b) que essa mesma “comunidade” está, o mais das vezes, dominada pela modalidade do Besorgen.
Porém o que nos interessa, nestas considerações introdutórias sobre o Man, não é só a rejeição heideggeriana do modelo da composição real; esta questão, vendo bem, constitui apenas o ponto de partida para se perceber um outro problema que se acha relacionado com a recusa, por parte de Heidegger, da compreensão do Man a partir do modelo do influxo externo.
Como é evidente, a rejeição do modelo da composição real não é mais do que o lado “negativo” da tese de Heidegger segundo a qual o si próprio do Mitsein está sempre já constituído e precede sempre já os elementos da “comunidade” em causa.
Depois de se dizer isto, no entanto, nada se disse ainda sobre a natureza dessa “comunidade”; os elementos que fornecemos sobre a pertença do si próprio do
Mitsein ao plano do Besorgen avançam já na direcção de uma exposição clara da discussão heideggeriana do modelo do influxo externo, mas ainda ficam bastante aquém disso.
Com efeito, para que se possa perceber bem o que está em causa em tal modelo, é preciso primeiro compreender bem que influxo é esse e porque é que o mesmo é caracterizado como externo.
Devemos ter presente também aqui, tal como na discussão do modelo da composição real, que Heidegger se bate contra o modo como o ponto de vista “normal” tende a conceber a “comunidade” no Besorgen, ou melhor, que Heidegger procura transformar esse ponto de vista (enquanto aquele que nós tendemos a ter normalmente) no ponto de vista da analítica a tal respeito.
A expressão influxo externo não é de Heidegger; corresponde, antes, a uma formulação que procura exprimir o modo como mais espontaneamente tendemos a conceber a constituição do si próprio do Mitsein ou a constituição do Man enquanto este tem que ver com o âmbito da actividade humana.
O influxo é caracterizado como externo porque tendemos a conceber a influência que os outros têm sobre aquilo que nós fazemos como uma influência que provém de entes já constituídos naquilo que são (sc. os outros) e que exercem influência sobre aquilo que fazem entes também eles já constituídos (sc. nós); porque aqueles que influenciam e aqueles que são influenciados se acham ambos já constituídos no próprio momento em que influenciam ou são influenciados, a
influência em causa é extrínseca em relação quer à constituição de nós mesmos a partir do fazemos quer à constituição dos outros a partir do que fazem.
Ora, no que diz respeito à influência propriamente dita, ela não tem que ver apenas com a tese geral (inexplícita ou não) segundo a qual os outros influem decisivamente na constituição do que somos (na identidade que temos), pois isso pode suceder de vários modos; na verdade, uma vez que, como já aqui apontámos, a identidade que temos se deixa definir, o mais das vezes, por aquilo que fazemos na modalidade do Besorgen, a influência que está em causa no Man (e que nós tendemos a conceber como externa) tem que ver com aquilo que fazemos, ou melhor, com o modo como fazemos aquilo que fazemos.
Tendemos a conceber a influência dos outros sobre aquilo que fazemos (ou seja, a conceber o facto de fazermos aquilo que fazemos porque é aquilo que os outros também fazem) como uma influência que provém do exterior e que em nada diz respeito à constituição original da nossa identidade e das nossas accções. Por outras palavras, tendemos espontaneamente a admitir que os outros têm influência sobre o que somos e o que fazemos, sim, mas no sentido em que isso corresponde a algo que sobrevém àquilo que já somos e fazemos independentemente dessa influência: ou seja, no sentido em que isso corresponde a uma modificação do que já somos e fazemos de raiz.
Trata-se, portanto, de uma influência que vem de fora de nós enquanto entes independentes e cuja constituição é anterior a qualquer influência de outros entes diferentes de nós.
Parece ser este, com efeito, o modelo do influxo externo que está implicado nos enunciados de Heidegger quando este diz, com vista a uma crítica desse modelo:
“Das Wer [des Mitseins] ist nicht dieser und nicht jener, nicht man selbst und nicht einige und nicht die Summe Aller. (…) Das Man, das kein bestimmtes ist und das Alle, obzwar nicht als Summe, sind, schreibt die Seinsart der Alltäglichkeit vor.”293
De sorte que a expressão influxo externo (e o modelo que lhe corresponde) é apenas uma formulação que procura exprimir a composição real (e o seu modelo) aplicada ao âmbito do Besorgen, isto é, ao âmbito de uma determinada modalidade de execução do por mor de si do Dasein.
Que o que está em causa no si próprio do Mitsein (no Man) é algo que tem que ver com o domínio do Besorgen (da actividade quotidiana) fica bem patente quando Heidegger diz:
“Weil das Man jedoch alles Urteilen und Entscheiden vorgibt, nimmt es dem jeweiligen Dasein die Verantwortlichkeit.”294
Quando aqui falamos de Besorgen como um domínio de actividade ou de execução de possibilidades concretas do quotidiano da vida humana, importa perceber
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SZ 126-127.
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isso em sentido amplo, de tal modo que aí estejam compreendidas actividades como as do “ajuizar” (Urteilen) e do “decidir” (Entscheiden).295
Segundo este passo, parece que aquilo que caracteriza o Man é o facto de ele “dar de antemão” (vorgeben) os modos possíveis de ajuizar e decidir, ou seja, o modo como se pode exercer qualquer tipo de actividade no quadro do Besorgen. É justamente porque isso sucede que Heidegger diz que o Man “tira” (nimmt) ao Dasein a “responsabilidade” (Verantwortlichkeit): ou seja, a possibilidade de o Dasein ser o princípio a partir do qual se determina que actividade se trata de executar e como se trata de executá-la.
A noção de responsabilidade designa a característica segundo a qual os seres humanos são considerados entes livres (isto é, entes que têm em si mesmos o