O sistema argentino de defesa da concorrência, assim como o brasileiro, tem suas bases no direito constitucional. O sistema ora estudado toma como base o artigo 42 da Constitución de la Nación Argentina, cuja promulgação se deu no ano de 1994 e na qual o texto admite a existência de um sistema para controle dos atos referentes à concorrência, conforme transcrição:
Art. 42 - Los consumidores y usuarios de bienes y servicios tienen derecho, en la relación de consumo, a la protección de su salud, seguridad e intereses económicos; a una información adecuada y veraz; a la libertad de elección, y a condiciones de trato equitativo y digno.
Las autoridades proveerán a la protección de esos derechos, a la educación para el consumo, a la defensa de la competencia contra toda forma de distorsión de los mercados, al control de los monopolios naturales y legales, al de la calidad y eficiencia
de los servicios públicos, y a la constitución de asociaciones de consumidores y de usuarios.
La legislación establecerá procedimientos eficaces para la prevención y solución de conflictos, y los marcos regulatorios de los servicios públicos de competencia nacional, previendo la necesaria participación de las asociaciones de consumidores y usuarios y de las provincias interesadas, en los organismos de control.
Assim, pode-se notar que a lei de defesa da concorrência argentina exibe preocupação com a existência de posições dominantes consolidadas na maioria dos mercados de sua economia. Realmente, o processo de concentração econômica avançou, mas vários debates não foram suficientes para que se estabelecesse uma apropriada segmentação dos problemas enfrentados pela Argentina.
Nesse sentido, informa Abdala (1999, p. 6):
La aplicación de la política de competencia es controvertida por varias razones. En primer término, las acciones o conductas que dañan la competencia no son fáciles de tipificar, sino que tienen que ser demostradas caso por caso, creando un problema de legitimación y por ende susceptible de discreción. Hay conductas aparentemente similares como las fusiones que son
sancionables en un caso y en otro no, dependiendo si el aumento de concentración viene acompañado o no de eficiencias de costos que resulten en menores precios y/o mejor calidad.
Debido a esto, la aplicación de la ley se apoya en la denominada regla de la razón, que requiere la demostración del perjuicio del “interés general”.
A legislação de defesa da concorrência existe na Argentina desde o início do século XX. A primeira lei sobre esse assunto foi sancionada no ano de 1923 (Lei nº 11.210) com o objetivo principal de controlar os atos que estabeleciam ou sustentavam monopólios. Ao término de 1946, foi sancionada a Lei nº 12.906, que tentou corrigir as dificuldades na aplicação concreta prévia do normativo, mas não houve êxito.
A modificação seguinte foi em agosto de 1980, quando, em plena ditadura militar, foi promulgada a Lei nº 22.262. Segundo críticas, as fraquezas principais da legislação nova residiam em não haver a proibição direta de certos comportamentos ou atos anticompetitivos que residiam fora do alcance de um controle prévio para os atos de concentração econômica com relação à estrutura do sistema (CUNHA, 2003, p. 151).
A Lei de ordenação nº 22.262 informa que os atos e comportamentos proibidos são aqueles que “limitem, restrinjam ou alterem a concorrência ou aqueles que constituam abuso de posição dominante e assim gerar dano para o interesse geral”, com essa regra aplicando-se o que se avaliar de conduta, caso a caso.
A propósito, vale destacar que a norma não definiu o que se entende como “interesse geral econômico”, mas a “jurisprudência” do órgão de controle argentino (CNDC – Comisión Nacional de Defensa de la
Competencia) assinala que ele foi incorporado como conceito de “bem-
estar geral”.
Para que a mencionada lei se efetivasse, foi necessário ultrapassar várias dificuldades, como aquela contida na própria lei ou, ainda, aquelas relativas à falta de autonomia do órgão sancionador (CNDC). No mais, observou-se uma afronta interpretativa na aproximação do interesse geral “econômico” e exceções aos comportamentos proibidos pelas normas específicas (o que se pode denominar como conflito de norma aparente com a Lei de Patentes Argentina). Além disso, podem-se apontar os controles e regulamentos (particularmente quando considerados os preços) como dificuldade para aplicação da lei concorrencial argentina, pois deixaram, em segundo plano, a lei de defesa da concorrência.
Nesse sentido são as observações de García (2000, p. 2) sobre os debates a respeito da legislação vigente:
[...] Después de un largo trámite y debate parlamentario, el Congreso de la Nación dio sanción definitiva a una nueva Ley de Defensa de la Competencia, que reemplaza el sistema vigente desde 1980, regido por el decreto-ley 22.262.
Las actuales políticas de liberalización de los mercados, de desregulación de las actividades económicas y de privatización de empresas que pertenecieron al sector público, han impuesto la imperiosa necesidad de fortalecer los regímenes antimonopólicos, para evitar que las antiguas regulaciones estatales fueran reemplazadas en la práctica por barreras impuestas por el sector privado.
No otra cosa es lo que han hecho en las últimas dos décadas numerosos países del mundo, tanto desarrollados como en vías de desarrollo. Entre otros se puede citar a Canadá que en 1986 reformó su legislación antimonopólica, a Gran Bretaña que lo hizo en 1980, a la Unión Europea que complementó en el año 1989 la normativa del Tratado de Roma, aprobando una reglamentación sobre el control de las fusiones que entró en vigencia en septiembre de 1990, a España que actualizó su ley en 1989. [...]
Embora uma legislação antitruste tenha vigência durante várias décadas, o mesmo não era aplicado na prática, mesmo diante de várias modificações que, supostamente, tentaram corrigir falhas. Vale observar que os aspectos normativos ou de aplicação da regra matriz, nos anos 1970, foram marcados por uma grande eclosão dentro de um sistema capitalista, o que levou a Argentina para um processo de forte concentração econômica.