4. THE COMPLEXITY OF ARCHITECTURE
4.7 N ATIONAL T OURIST R OUTES AND C ULTURE
A escolha da profissão é para a maioria das pessoas um momento complexo, já que a escolha profissional sofre influências tanto do mundo em que a pessoa vive como pela forma como a pessoa compreende o mundo. Pode-se dizer que existem fatores subjetivos, emocionais e pessoais que estão envolvidos na escolha da futura profissão. É dessa forma que a relação entre o homem e o mundo é determinante nas diversas escolhas, dentre elas, a própria escolha da profissão, que nem sempre é resultante de uma opção pela vocação.
Segundo Luz (2010), a escolha profissional assume grande importância no plano individual, pois envolve a definição de quem quer ser, ou seja, a definição do sujeito. Essa escolha exige do sujeito um autoconceito/autoconhecimento, sobre si mesmo, ou seja, o sujeito se autopercebe nas suas vontades, aptidões, valores, competências e sentimentos, para que venha distinguir seu projeto pessoal de sua identidade profissional, e ainda, diferenciar-se das expectativas e desejos das outras pessoas que o cercam e das demais influências externas, como mídia, escola, entre outros.
Na opinião de Müller (1988), fazer uma escolha profissional requer um processo de tomada de consciência de si mesmo e da possibilidade de fazer um projeto, imaginando-se cumpridor de um papel social e ocupacional. Ao mesmo tempo, a escolha deve ser feita levando em conta o conhecimento das condições e oportunidades educativas e de trabalho. Não existem receitas prontas, universais, que sirvam como roteiro para a tomada de decisão profissional.
Nesse sentido, partindo dos dados obtidos, pudemos identificar que as razões para a escolha pela profissão docente resultam de aspectos diferenciados. Os motivos
que levaram os professores envolvidos nesta pesquisa a sua escolha referem-se a aspectos diversos, como: sonho de infância, vocação, dificuldade financeira, facilidade de conseguir emprego, influência familiar, dentre outros. Nos relatos obtidos pelos memoriais e nas entrevistas pudemos verificar essa realidade, conforme observamos nas falas dos nossos interlocutores:
Foi um sonho de infância. Achava uma bela profissão, daí escolhi prestar vestibular para o curso de História. (P1)
Desde os doze anos ajudava minha tia a dar reforço. Meu início na docência aconteceu numa escola de freira, fui observando que essa era de fato a profissão que eu queria seguir (P2).
Gostava desde a adolescência, quando então optei por fazer o antigo pedagógico. (P6)
Sempre me identifiquei com a docência, então fiz Licenciatura em Educação Religiosa no ano de 2002. (P9)
Nos relatos de P1, P2, P6 e P9, observamos a presença da vocação como sendo a razão que determinou a opção profissional, uma vez que desde a infância eles já tinham o sonho de se tornarem professores. O fator vocação entendida como algo inato, surge com muita força no momento de tomada de decisão na hora da escolha da profissão. Uma motivação semelhante teve P3, que cultivou esse sonho desde a infância, o desejo de se tornar uma professora:
Desde a infância, sempre imaginei que no futuro seria uma educadora. Tudo começou pelo fato de sempre ser monitora em algumas disciplinas que cursava. Durante o período de faculdade sempre era escolhida por um professor(a) para monitorar a disciplina, sempre ficava observando os professores atentamente. Muitas vezes, ajudava e até tentava imitá-los e desde então decidi que realmente queria seguir esta profissão. (P3)
A professora P3 alimentou desde a infância, assim como outros professores, o desejo de ser professora de profissão. Portanto, sua escolha parece ser livre e inspirada nas práticas de professores que passaram pelo seu processo formativo, deixando marcas significativas. Nesse sentido, notamos que a escolha da profissão, assim como as aprendizagens relevantes em suas trajetórias, resulta das experiências escolares anteriores e que relações determinantes com professores contribuem também para fortalecer a identidade pessoal dos professores e seu conhecimento prático.
Diferente dos relatos anteriores, observamos o surgimento de outros fatores, dentre os quais, a questão da sobrevivência e também como meio mais fácil e mais rápido para ingressar no mercado de trabalho, conforme revelam nossos interlocutores:
Por dificuldade financeira achei que qualquer coisa me servia, então surgiu a minha entrada no Ensino Religioso que modificou minha vida, estou até hoje. (P7)
Meus pais eram humildes. Nasci numa família de 06 (seis) irmãos. Na época eu sempre escutava o meu pai falar que ser professor era uma profissão que arranjava logo um emprego e eu sentia a necessidade de ajudá-lo de alguma forma. Com 15 (quinze) anos comecei a dar reforço escolar para ganhar algum dinheiro, foi então que escutei as palavras do meu pai e resolvi fazer o pedagógico, mas na verdade eu queria o científico. Ao ingressar no magistério fui percebendo que estava gostando e com 16 (dezesseis) anos me ofereceram uma vaga de professora numa escola de João Pessoa. Ao assumir a sala de aula descobri minha verdadeira vocação. (P10)
A dificuldade financeira, segundo P7, foi o grande motivo que o fez optar pela profissão docente. Neste caso, percebemos que praticamente não houve uma escolha livre e consciente da profissão. A questão da sobrevivência foi a justificatica para a escolha da profissão, como meio mais fácil e mais rápido para o ingresso no mercado de trabahlo.
Conforme o relato de P10, a escolha da profissão docente foi motivada pela estrutura familiar. Por ser de uma família humilde, P10 sentia necessidade de ajudar seus pais. A precisão de arranjar emprego era urgente, ao afirmar: ―[...] de repente, me vi dando reforço para umas vizinhas para ganhar algum dinheiro para ajudar pelo menos com alguma despesa minha‖. Neste caso, a escolha da profissão docente parecia ser realmente a forma mais rápida de ingressar no mercado de trabalho. A opção pelo magistério foi graças a sua condição financeira que não oferecia saídas para a escolha de outra profissão que não ofertasse o acesso imediato ao trabalho.
O quesito da escolha da profissão, no caso dos parceiros desta pesquisa, está sendo evidenciado como decorrente de fatores de naturezas diversas, conforme já comentado. Dessa forma, a opção profissional surge ora como imposição do contexto político e sócio-político, ora como opção pessoal consciente.
Observamos, portanto, que a escolha pelo magistério, para nossos interlocutores, neste estudo, revelou-se como um processo de construção social, delineado por
interesses pessoais, vocação e, ainda, marcado pela influência familiar e de bons professores no percurso da vida estudantil. Além disso, para outros colaboradores da nossa pesquisa, a escolha da profissão foi consequência da urgência de ingressar no mercado de trabalho por questões financeiras, para quem vivia em meio a uma sociedade onde as opções de emprego na época não eram muitas.