É pelo eixo de concreto pelo qual faz dirigir a máquina que o Avião intenta levantar voo. A máquina oscila a norte e a sul, procurando encontrar seu próprio eixo com suas asas. Mas a cabeça da máquina precipita-se para mais adiante, onde lá na frente procuram-se ansiosamente acionar inúmeros dispositivos de painéis, entre botões, teclas e comandos.
Quiçá para não perder de vista o controle e o domínio sobre o nomos da terra quando porventura esteja suspenso no ar.
Dispositivos são manuseados por funcionários que exercem suas funções no âmbito de suas atribuições. Comandos são acionados na medida em que são apertados botões e teclas, consoante estejam programados para executar determinadas funções. “Funcionar é permutar símbolos programados”.5 Entre dispositivos que se combinam e se recombinam, a
permutação dos códigos para o seu funcionamento perfaz e refaz um gradiente de possíveis para os quais operadores se põem a vasculhar, recombinando-os em seus usos, até que os dispositivos sejam reprogramados para funcionar e reprogramados de novo e vez mais para desempenharem suas funções dentro do gradiente de possíveis que novamente então se abre, previsto dentro do alcance do que então fora programado para funcionar. Pois dispositivos, inclusive os normativos, coimplicam-se, e são levados a funcionar conforme estejam dispostos para funcionar no âmbito da máquina.
É o preço por adentramos de cabeça no “esplendor” do progresso técnico: as máquinas tendem a substituir o fator humano e as atividades acabam sendo desempenhadas automaticamente, num funcionamento que se reproduz repetidamente por meio de seus dispositivos, até que seja alternado por outro programa, em se esgotando os programas vigentes que rodam. Submergindo integralmente nas reproduções técnicas permutadas a partir de dispositivos, dispõem-se aí de aparatos diversos, como aparelhos eletrônicos [em inglês, devices], assim como outros tipos de aparelhos, como aparelhos administrativos e judiciários, aparelhos econômicos e financeiros, aparelhos religiosos, aparelhos midiáticos, etc, precipitando-se, além disso, nos bytes e nos pixels.
O pêndulo saiu de uma extremidade e foi colidir em outra, quer dizer, bateu agora no extremo oposto, onde atracou e não mais se move, sem potência para movimentá-lo novamente. Pois agora estagnou-se no entorno de onde se estancou, quer dizer, ao redor das técnicas incomensuráveis de que dispomos, que se manobram e se manipulam. A colisão ribombou, estrondando como um automóvel que colide num paredão, destruindo o que encontra pela frente, ficando preso nas ferragens e nas vigas de sustentação de concreto e ferro levantado pelos homens. E diante destes, parece ter restado meios que se reproduzem inadvertidamente, com um uso automático e indiferente (e mesmo descartável), em que o fator humano se dilui no automatismo e na artificialidade das máquinas que se manobram e se manipulam.
5 FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Hucitec, 1985. p. 16.
Vimo-nos hoje em dia cercados de incalculáveis técnicas que se movem a partir de engrenagens de vários sistemas elaborados pelos entes humanos. Tais engrenagens permitem que aparelhos se toquem e se coimpliquem, num inter-relacionamento técnico múltiplo e engenhoso. São tantos os sistemas montados para funcionamento que ficamos impossibilitados de os conhecer a todos. Afinal, não somos computadores, nossa memória tem capacidade de armazenamento (ou bytes) limitado. Tendemos então a nos especializar em determinados sistemas específicos ou em partes de seus sistemas, a fim de os fazer funcionar dentro de cada âmbito de funcionamento com que se opera e se brinca, mas permitindo que seu funcionamento seja desempenhado consoante o universo programático previsto para funcionar e, principalmente, conforme possibilitem coimplicações ad infinitum com outros sistemas e aparelhos, de tal sorte que poder-se-á finalmente vislumbrar no seu limiar uma Grande Máquina, capaz de operar, criar e armazenar dados incomensuráveis que desaguam num oceano de informações, dados esses que, por sua vez, são distribuídos entre várias partes e aparelhos menores, como um grande computador que programa e reprograma constantemente o fluxo de dados, mas sem que se possa, desde a superficialidade dos inputs de aparelhos pontuais, conhecer a profundidade do seu interior, que é pretidão. Com efeito, operadores, que operam cotidianamente partes de aparelhos específicos em que são absorvidos, precisariam tão apenas saber acionar os comandos (mormente a partir de botões e teclas), segundo estejam formatados para funcionar – o que, em outros termos, poderia ser dito desta maneira: operadores (funcionários, por exemplo) não precisariam conhecer a profundidade dos aparelhos que operam para fazê-los funcionar, e desde a superficialidade, manobram, manipulam e brincam com seus dispositivos.
Perdidos diante dos mares de tantas técnicas e informações de que se têm à disposição, velejam a esmo, levados apenas a assimilar indiferentemente o funcionamento de alguns sistemas específicos e conjuntos de técnicas. Assim, tomando parte em algumas funções na sociedade, entes humanos são levados a executá-las segundo funcionalidade automática, segundo o previsto programaticamente pelos seus sistemas, fazendo suas funções funcionarem e sendo absorvidos por elas, por indiferença que vai lhes expurgando de si próprios, funcionalmente. Técnicas se banalizam, tão apenas reproduzidas, diante do que entes humanos (programados para funcionar) acabam sendo formatados. Assim, o que se poderia dizer é que uma possível versão contemporânea para um relato odisseico talvez venha a se dar como um breve relato codificado
por números binários numa aventura informática acelerada, ou num jogo de videogame6, em que
pelas superfícies de telas se acessam rapidamente alguns pontos (pixels), ilhas e arquipélagos, passando-se as fases, mas sem que se possa lembrar de que, na verdade, o propósito da viagem seria o retorno ao lar, vagando a esmo em esquecimento pelo oceano na medida em que se navega entre os bytes. Além disso, há o fator de que a viagem possivelmente deixaria de vir como um relato escrito – isto é, em estrofes ou cantos, como um registro que se grafa no papel para servir de conselho, auxílio, admoestação ou mesmo regramento aos que passariam pela viagem na posteridade, no atravessamento pela vida –, ocorrendo de as imagens técnicas imaginadas no aqui e agora importarem mais nas configurações das superfícies dos games com que jogam jogadores (em detrimento das memórias escritas). Imagens técnicas são instantâneas, podem ser montadas de salto em salto, dependendo de como sejam instantaneamente captadas a partir do gradiente programático previsto pelos seus programas; sendo que elas poderiam acabar nos levando inclusive ao esquecimento de registros escritos (ou mesmo ao menosprezo da FALA).
Mas navegando entre os dados e informações (datas e infos), e boiando sobre esse oceano gigante, surge então a pergunta: somos capazes de enxergar os perigos entre os bytes e os pixels? Com efeito, parece que nos dias de hoje entes humanos, programados, passam tão-somente a assimilar os conjuntos de técnicas, impingidos a ter que lidar com o funcionamento dos vários sistemas engrenados para o mero desempenho de aparelhos. São programados (e formatados) a aprender/apreender (inclusive em instituições de ensino, quer dizer, em aparelhos voltados para o ensino) as técnicas de funcionamento de sistemas que terão de manusear tecnicamente no desempenho de profissões. Nas faculdades de direito, por exemplo, os instruídos são receptores programados por instrutores e manuais de instrução para processar muitos dados, a prever as várias possibilidades de arranjos e combinações entre os múltiplos dispositivos contidos nos tantos códigos, leis, jurisprudências, súmulas, manuais de funcionamento etc.
Pelos painéis que estão a seu alcance, destarte, funcionários fazem acionar as funções dos dispositivos com que operam, encarregados de executá-los no aparelho em que atuam, fazendo-os funcionar no âmbito das funções em que estão investidos.
E tomando conta das possibilidades de usos dos dispositivos com que vão manobrando, funcionários colocam-se a calcular os modos de funcionamento com que dispositivos possam vir a funcionar, segundo os modos como vão rearranjando e
6 Nos games, o objetivo se restringe apenas a superar fases, passando de uma a outra e fazendo esgotar o seu programa.
recombinando funções e comandos dentro do gradiente previsto pelas programações coimplicadas para funcionar nos jogos que calculam e desempenham.
Jogos são articulados desde dispositivos que se permutam, que, por sua vez, são programados e reprogramados para serem desempenhados segundo determinado gradiente de funcionalidade previsto para rodar no aparelho. É dentro do gradiente previsto pelo programa inserido que determinado dispositivo vem a ser operado, sendo levado a funcionar reiteradamente até o seu esgotamento, quer dizer, até fazer esgotar os modos de utilização, de arranjo e rearranjo, os modos de permuta e de combinação. Vilém Flusser visualizaria a questão pelas lentes de sua alegoria da caixa preta, pela qual procura, entretanto, particularmente fazer repercutir eventuais desdobramentos do impacto do fenômeno das imagens técnicas, tendo em mente a imagem alegórica da fotografia, do aparelho fotográfico e da figura do próprio fotógrafo:
As fotografias são realizações de algumas das potencialidades inscritas no aparelho. O número de potencialidades é grande, mas limitado: é a soma de todas as fotografias fotografáveis por este aparelho. A cada fotografia realizada, diminui o número de potencialidades, aumentando o número de realizações: o programa vai se esgotando e o universo fotográfico vai se realizando. O fotógrafo age em prol do esgotamento do programa e em prol da realização do universo fotográfico.7
Assim, como agentes que diuturnamente lidam com informações – mormente informações relacionadas à sua própria pasta –, funcionários agem imersos nos aparelhos (como aparelhos administrativos), e com o uso de outros aparelhos (como computadores, através das superfícies de suas telas). Os dispositivos com que lidam variam; podem, por exemplo, abranger desde textos normativos impressos e instituídos para surtirem efeito e terem execução de seus comandos, até teclas de teclados de que dispõem para acionarem outros dispositivos.
Há painéis para serem dirigidos por funcionários. Mas as seções dos painéis de que tomam parte funcionários variam conforme a respectiva posição hierárquica, conforme estejam investidos em cargos ou funções determinados, haja vista que funções especificamente delineadas para acionar comandos são comumente atribuídas a agentes especificamente designados para dirigir as incumbências que se atribuem às funções, ficando circunscritos ao âmbito das respectivas funções de que se encarregam. Dito de outra maneira, funcionários não têm acesso a qualquer uma das partes dos painéis da Grande Máquina Aviadora, muito embora atuem para fazer funcionar o que esteja ao alcance de seus dedos (e
7 FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Hucitec, 1985. p. 15.
até onde possam ter alcance quanto ao fluxo de informações que procuram dominar desde seu próprio campo de visão), conquanto tais funções estejam formatadas para serem desempenhadas dentro do gradiente previsto pelas programações inseridas para rodar em aparelhos diversos que tendem a se coimplicar nas redes de poder que se tecem.
Seja como for, poderíamos dizer que quem vai a palco tende a participar do jogo e dos jogos que se tramam, imiscuindo-se com dispositivos de aparelhos. De fato, funcionários estão incumbidos de fazer a máquina funcionar, no âmbito das funções em que são colocados a desempenhar. E quem joga, brinca de arranjar e rearranjar os comandos dos dispositivos que se manuseiam dentro das funções com que se manobram, esquadrinhando o máximo de probabilidades de combinação que puder antever, catalogando todos os possíveis que encontrar dentro do gradiente de possibilidades rearranjáveis para o desempenho das funções. Pois que, uma vez que se depara com algum dos arranjos possíveis, dentro do gradiente dos possíveis, versado que está nas possibilidades do jogo, poderá antecipar-se à jogada no jogo que se vai jogando no bojo de aparelhos com que se brincam, já que poderá recorrer-se ao prévio catálogo de jogadas virtualmente antevistas.
O fotógrafo manipula o aparelho, o apalpa, olha para dentro e através dele, afim (sic) de descobrir sempre novas potencialidades. Seu interesse está concentrado no aparelho e o mundo lá fora só interessa em função do programa. Não está empenhado em modificar o mundo, mas em obrigar o aparelho a revelar suas potencialidades. O fotógrafo não trabalha com o aparelho, mas brinca com ele.8
No limiar da alegoria, sua imagem salta à vista, já que fotógrafos (ou melhor, funcionários), munidos com aparelhos, além de terem de lidar com textos diversos, acabam tendo de lidar também com imagens técnicas oriundas de vários aparelhos. Com efeito, funcionários devem comumente agir manuseando papéis vários, folheando toda sorte de papéis escritos, documentos impressos que depois de trâmites deverão ser arquivados em caixas de arquivo: leis diversas em coimplicação hierárquica, portarias, resoluções, ofícios, diários oficiais, processos, projetos de lei etc. Mas na idade das informações, sobretudo com a informática e com a cibernética, funcionários são levados a manusear diversos aparelhos outros que funcionam como uma caixa preta, capazes de produzir imagens técnicas que nos inundam de todos os lados, como de computadores, televisores, tablets, smartphones, de telões chamativos (em que se propagam, por exemplo, propagandas) etc.
8 FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Hucitec, 1985. p. 15.
Tendo à sua disposição inúmeros dispositivos, funcionários tendem a agir analisando as probabilidades de combinação de comandos previstos em dispositivos escritos com que brincam, penetrando o(s) respectivo(s) aparelho(s) em que tomam parte, a fim de descobrir- lhe(s) as manhas.9 Procuram examinar cada detalhe e reentrância que puderem perscrutar nos
alinhamentos que se enumeram em sistematizações, em busca de cada especificidade que puderem encontrar para o acionamento dos modos de funcionamento previstos para os mecanismos funcionarem, buscando conhecer/dominar o máximo de técnicas de manuseio que puderem armazenar e antevendo uma possível soma de operações operacionalizáveis nas funções em que atuam. A cada uma das maneiras de se operacionalizar os arranjos que porventura se realize, diminui o número de potencialidades, aumentando o número de realizações: o programa vai se esgotando e o gradiente de operacionalizações possíveis vai se realizando. De modo que, não obstante operacionem fundamentalmente dispositivos contidos em textos e documentos escritos, poderemos dizer que no limiar, através das alegorias relativas ao contexto da fotografia, aparelhos administrativos e judiciários acabam funcionando segundo mecanismo da caixa preta, precisamente em razão do modo como são levados a funcionar na idade das informações, manobrando-se dados e informações desde a superficialidade operacionalizada pelo input/output de comandos nos painéis de controle.
Assim, que o que se poderia dizer do tipo funcionário é que trata-se de um ente que empenha-se continuamente em descobrir as manhas de funcionalidade dos dispositivos com que joga e com os quais brinca. E ao fazê-lo, desenvolve então artimanhas10. Quanto mais
próximo do aparelho, isto é, quanto mais fundo puder penetrar nas funcionalidades de que têm à disposição, com maior destreza poderá dominar (artimanhosamente) as funções do aparelho em que esteja imerso, embora um tal intento de empreender um domínio do aparelho acabe ficando restrito ao âmbito das funções (e do fluxo de informações) que estejam ao seu alcance, já que, confinados nas atribuições de suas funções respectivas, funcionários figurem apenas como um componente específico do aparelho. Muito provavelmente perderão de vista, por exemplo, o funcionamento de outras partes do aparelho específico em que atuem, e sobretudo de outros aparelhos de que não tenham acesso, mas que venham exercer influência tanto sobre
9 Cf. FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Hucitec, 1985. p. 15.
10 Apesar do prefixo, não poderíamos dizer aqui que artimanhas tenham propriamente caráter de arte (no sentido de habilidade como auxílio para nos liberarmos do que quer que possa nos atar). Conforme insertos num contexto de reprodução e repetição técnicas, uma tal habilidade tende a se fechar e se emperrar como habilidade de manuseio (ou habilidade manual) astuciosa nos jogos que permeiam as disputas de tramas junto ao funcionamento de aparelhos programados com que se manobram.
o aparelho específico de que tomem parte quanto sobre suas próprias atuações, consoante os cálculos resultantes das programações inseridas em diversos aparelhos que se coimplicam. Além disso, muito frequentemente lhes escapam as implicações e as razões dos funcionamentos dos dispositivos programados para funcionar nos próprios aparelhos em que estejam assimilados, estando geralmente restritos ao fluxo de informações a que porventura tenham acesso no âmbito restrito de suas funções, de modo que poderíamos dizer que o interior do aparelho a partir do qual venham a desempenhar suas funções é, em grande medida, por ele imperscrutável, quer dizer, é pretidão que não se enxerga direito.
Isto porque o fotógrafo domina o aparelho, sem no entanto, saber o que se passa no interior da caixa. Pelo domínio do input e do output, o fotógrafo domina o aparelho, mas pela ignorância dos processos do interior da caixa, é por ele dominado. Tal amálgama de dominações – funcionário dominando aparelho que o domina – caracteriza todo funcionamento de aparelhos. Em outras palavras: funcionários dominam jogos para os quais não podem ser totalmente competentes.11
Com efeito, funcionários tendem a lidar apenas com as superfícies de contato que lhes estejam à disposição, sejam de papéis sejam de telas, quer apertem comandos de textos quer apertem comandos de teclas. Tendo ao alcance de suas vistas ou de seus dedos as superfícies de dispositivos programados para acionar comandos – é dizer, tendo à sua disposição mecanismos de input e output –, para o mero desempenho funcional de funcionários, o domínio dos modos de funcionamento na superficialidade dos comandos seria o bastante, sem que necessariamente conheçam (ou procurem conhecer) o aparelho mais a fundo, em suas implicações, por exemplo. Aparelhos, pois, tendem apenas a funcionar, sendo reproduzidos, de tal modo que produzam (e reproduzam) resultados calculados: aparelhos fotográficos, por exemplo, produzem fotografias, uma vez que se acionem seus mecanismos de input.
Além disso, encerrados que estão na funcionalidade das superfícies de aparelhos, poderíamos dizer também que os efeitos ou consequências então decorrentes dos acionamentos de inputs/entradas e outputs/saídas acabem sendo indiferentes a agentes no desempenho de suas funções. Primeiramente, porque, não raro, costumam se confinarem nas funcionalidades dos dispositivos que operam, tão apenas empenhados em dominar os funcionamentos técnicos de dispositivos que os rodeiam: nas minúcias de suas definições, dos artigos de lei, incisos, alíneas, de teorias destrinchadoras, descrições de comentadores, configurações de aplicações de comandos, configurações de aplicações recorrentes de
11 FLUSSER, Vilém. Filosofia da caixa preta: ensaios para uma futura filosofia da fotografia. São Paulo: Hucitec, 1985. p. 15-16.
comandos, padrões de decisões, emissões de ordens de funcionários hierarquicamente superiores, etc. Segundo, porque, encerrados nos prédios de concreto, basta que funcionários deem canetadas (ou acionem botões e teclas) para que os dispositivos se operem e aparelhos continuem a funcionar, resultando posteriormente em pesquisas de dados (em inglês, datas), a fim de extrair números12 e estatísticas dos quais se geram informações capazes de dar
retorno, retroalimentando o ativamento de funções a serem desempenhadas por aparelhos. E bits e mais bits, computadoramente calculados para retroalimentar diversos aparelhos: aparelhos econômicos e financeiros, aparelhos administrativos, legislativos e judiciários, aparelhos midiáticos, aparelhos religiosos, aparelhos de ensino, aparelhos da indústria cultural... Aparelhos que, por sua vez, procuram números, percentuais, cifras e montantes que se acumulam, estimativas de audiência, além de quantidades de seguidores (e de público), porções de hectares e metros quadrados acumulados, volumes de toneladas para o mercado externo e interno, produções em série de artigos acadêmicos em universidades, etc. Números e mais números, quantidades a serem exibidas nas divulgações de informações.
Com efeito, muitos são os tipos de aparelhos levados a funcionar, agrupando conjuntos