2.8 Den lokale skolen
2.8.4 Faglærer i musikk
A conclusão deste trabalho me traz sensação de alívio, seguida de algum desconforto. De um lado, está o alivio de ter terminado, do outro o desconforto por não ter dito “tudo” da melhor forma ou, por não ter tido coragem de trilhar outros caminhos. Porém, vejo o quanto cresci pessoal e profissinalmente. Consigo ver meus processos educativos e o quanto eles são importantes para conduzir minha própria vida. Minha passagem pelo Programa de Pós- Graduação em Educação me fez perceber o quanto é bom e prazeroso estabelecer processos educativos nos intervalos das aulas, nos encontros nas praças e em tantos outros lugares. Sinto o quanto foi bom aprender com o professor Luiz e com a professora Waldenez.
“Diz-me, por que não nasci igual aos outros, sem dúvidas, sem desejos de impossível? E é isso que me traz sempre desvairada, incompatível com a vida que toda a gente vive... O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade... sei lá de quê!" (FLORBELA ESPANCA)
Lembro-me dos versos de Florbela Espanca e penso nas inquietações que a vida me provoca. O preconceito social, a moral, os bons costumes, tudo colocado no mesmo caldeirão e vemos o futuro repetir o passado. Mas não posso negar que houve algumas mudanças a Daspu, os blogs e livros sobre prostituição. Percebo que o assunto está em pauta na grande mídia.
Junto com estas, outras inquietações, mais subjetivas, falam do meu modo de sentir a vida, de saboreá-la e, às vezes, desperdiçá-la em meio às tormentas de qual o melhor caminho seguir. Florbela, com sua alma exaltada, fala ao meu coração e dá as pistas para o entendimento do mistério do humano. Lugar algum concretiza a sensação de paz e conformidade, a plenitude faz-se de instantes, são apenas momentos, fluídos passageiros e, nesta fluidez, reside sua magia.
Aprendi que a vida não se deixa capturar em um projeto formal, mas delineia-se nas turbulências do cotidiano, segundo a história de cada sujeito. Não há um modo correto e preciso de viver a vida, a vida é, irremediavelmente, experimental. E não existe um manual de instruções explicando qual a melhor maneira de se portar diante do mercado de trabalho, da vida profissional, da Pós-Graduação e de tantos outros dilemas.
Nas várias conversas com as profissionais do sexo discutiram-se essas mesmas angústias e exigências da vida. Sem querer uma terapia em grupo foi feita. Mulheres da vida, mulheres na vida... Para além dos rótulos que buscam determinar a forma de ser que as mulheres devem assumir, dentro e fora da prostituição, alguma coisa acontece no espaço da casa que permite às mulheres da vida construir, para si mesmas, um lugar, uma situação.
As ditas “mulheres de vida fácil” falam das outras mais do que estas últimas gostariam de admitir. “Cair na vida” desafia a fantasia daquelas mulheres que se mantêm “na linha”. Mais do que as fantasias acerca da prática prostitucional, está a ousadia da desmesura, de ultrapassar os limites enquanto se “faz a vida”. E, embora não sejam as representantes da liberdade sexual, no plano imaginário, dão as pistas de que a prática milenar - desde os rituais sagrados até as perseguições higienistas - fala do mais profundo em nós, do corpo e do universo nebuloso dos desejos. Desejos que não se submetem e não se justificam. Mas precisam conviver com o universo da cultura, antítese destes mesmos desejos. Falar de sexo e prostituição desperta curiosidade e risadas incomondas. O mercado do sexo é lucrativo: livros, programas de TV, novelas, revistas tudo o que tem sexo vende. (ALVES, 2002).
Esta dissertação tentou dar pistas sobre os processos educativos relacionados à saúde daS trabalhadoras do sexo de casas noturnas da cidade de São Carlos e como os profissionais de saúde percebem os processos educativos dessas mulheres.
Vimos que, desde tempos remotos, existem várias formas de prostituição, em várias classes sociais. Mas existe um ponto comum entre essas várias formas: a dimensão do convívio, do encontro, da circulação que as cidades proporcionam.
Lembro-me da pesquisa realizada pela Unb e pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2002) que releva um uso sistemático do preservativo com os clientes mas um uso reduzido do mesmo com os compaheiros ou as pessoas que mantém relações de afeto. No entanto, penso na minha vida pessoal e sentimental e vejo que muitas vezes aboli o preservativo nas relações com o namorado. Há uma faceta da prevenção que merece atenção, o silêncio das relações “estáveis” do nosso cotidiano. Como lidar com as relações monogâmicas e introduzir a discussão sobre o preservativo? Ou ainda, como mudar as regras de uma relação que, inicialmente, não estava pautada nessas regras?
Para Martin (2003), que realizou um trabalho de etnografia com trabalhadoras do sexo da zona portuária de Santos, a prevenção está inserida no plano moral da sociedade. Existe uma moral indiscutivelmente aceita de que a prevenção é um bem para todos e que é preciso a qualquer custo evitar os males e infortúnios inerentes da falta de prevenção. Neste sentido esta postura moral escondida em algumas áreas de conhecimento que se propõe a fazer intervenções sociais, como a epidemiologia e a psicologia, é, por um lado defensável do ponto de vista da qualidade de vida das populações. Por outro lado, possibilita uma atitude que pode se tornar totalitária, desconsiderando a imensa diversidade cultural humana.
Um exemplo é a exigência do uso de preservativo em todas as situações e contextos culturais entre os mais variados grupos sociais. A regra é usar o preservativo, independente das práticas sexuais das pessoas. Mesmo em um grupo bem informado como o das prostitutas entrevistadas, ficou evidente que o desejo de um comportamento homogêneo é equivocado e até mesmo impossível na prática (MARTIN, 2003, p. 228).
A força com que organizações não governamentais tentam derrubar o preconceito e desmistificar a figura da profissional do sexo reside na união, muitas vezes instável devido a mobilidade outras vezes forte, desse gupo. O convívio promove rupturas, continuidades, descontinuidades, constrangimentos. Nessa multiplicidade de facetas está o seu maior engenho. Potência para a manutenção de uma escuta viva. Mais do que inventar soluções para os problemas apresentados, é preciso responder às necessidades destes grupos.
Assim, pensar os processos educativos relacionados à saúde desta população implica lançar um olhar sensível sobre o universo desses sujeitos, exercer uma escuta acurada e ter um olhar livre de julgamentos de valor.