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Entre as razões pelas quais buscaram fazer um curso de música na universidade, todos os 13 alunos (100%) afirmaram as opções: “Para me desenvolver como músico” e “Para ampliar e aprofundar meu conhecimento musical”. Um total de 9 alunos (69%) declarou ainda que a busca se deu “Para estar em um ambiente musical”, o que configura a universidade como um espaço ideal para trocas de conhecimentos entre os estudantes de música, como se verá de forma mais profunda no terceiro capítulo. Nos grupos focais, o relato de Eduardo representa uma boa síntese dessas motivações (apresentando também a universidade como o lugar do conhecimento teórico, ideia que será comum a muitos outros estudantes):

Eduardo: Eu admirava muita gente que compunha músicas boas, e aí comecei a perceber que um dia isso [o conhecimento teórico] ia fazer falta, na nossa banda. Ainda não tava fazendo, mas, se um dia a gente tivesse uma grande chance de estourar, eu ia ser muito mais exigente do que era naquela época, então ia precisar saber muito mais. Aí eu entrei pra

faculdade pelo ambiente, pra conviver com músicos, porque eu não tinha esse ambiente antes. Eu queria estar o dia inteiro com gente que é

melhor ou igual a mim do meu lado, e pra compor melhor.

As opções “Para me desenvolver em uma carreira acadêmica”, “Para me tornar um professor de música” e “Para estudar com um professor específico” foram as menos assinaladas, por 5 alunos em cada uma delas (38%). Três alunos utilizaram o campo “outros” para afirmar ainda o interesse em: “Estudar algo que me traz alegria” (Carla), “Potencializar ao máximo as minhas vivências musicais” (Pablo) e “Conhecer músicos” (Eduardo).

Claudio sintetiza várias dessas motivações, em seu depoimento, enfatizando fortemente o interesse pela aquisição da técnica pianística.

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“[…] what characterises their way of acquiring knowledge is: the centrality of listening and copying; the development of skills in groups; the enjoyment of and identity with the music being played; the value of feel, sensitivity, spirit and creativity in musicianship; the relationship between feel and technique; the value of friendship, commitment, love for music and a receptiveness to other styles including classical music”.

Claudio: Eu estou fazendo curso de popular por quê? Porque eu quero um diploma de superior e não queria fazer isso em outra hora, porque não queria deixar de praticar música. No tempo em que eu tô aqui, mesmo

sacrificando meu tempo diário de estudo no instrumento, pelo menos tô

mexendo com música. Não é como quando eu era lá da Física (eu fiz três anos lá), e tinha semana que eu quase não pegava no piano. Aqui, não. E eu nem sabia que teria o Professor D [de piano], mas, se soubesse,

entraria no curso só por conta do Professor D e de alguns outros

músicos, aí. A universidade abre muita porta pra gente e o contato com

muita gente, com muito músico, tá sendo muito bom. Vale muito.

Eduardo manifestou seu interesse no curso de música para aprimorar suas habilidades como compositor, tendo buscado primeiramente (e, em sua avaliação posterior, equivocadamente) o curso de Licenciatura, em outra instituição:

Eduardo: E aí, um ano e meio depois que eu formei [em Publicidade], eu comecei a pensar em fazer faculdade de música com o único propósito de me tornar compositor melhor. Aí eu entrei na licenciatura na UEMG, com ênfase em educação escolar, só que eu achei que o curso não tinha nada a ver comigo, entendeu? [...] Saí de lá e vim pra cá.

A escolha primeiramente pela licenciatura também foi feita por José, quando tentou o vestibular alguns anos antes.

José: Na época não tinha nem o curso de música popular, tinha o curso de

licenciatura só, que era o único curso que me atendia, assim, digamos.

Além de Eduardo e José, Pablo também optou inicialmente por outra habilitação: um bacharelado em “percussão erudita”. A opção por outros habilitações parece refletir uma “falta de lugar”, isto é: a ausência de um curso superior que atendesse minimamente às demandas e expectativas de alguns dos alunos, em um momento em que ainda não existia o curso de música popular, na UFMG, criado apenas em 2009. Quando indaguei aos alunos a respeito da escolha por uma graduação em “música popular”, Eduardo afirmou sua opinião acerca do nome do curso:

Eduardo: Tinha que ser faculdade de música não-erudita.

Além de confirmar a ideia de um “não-lugar” para o músico que deseja cursar uma graduação em música mas não quer se dedicar exclusivamente à performance de música clássica, a constatação de Eduardo aponta para uma pluralidade de

“estilos” musicais que devem ser abordados (temática que será abordada mais à frente), reforçada pela fala de Thiago:

Thiago: Eu acho válido o nome, sim. Porque você pensa numa música popular: vou estudar outros estilos que não erudito.

Alguns alunos optaram por cursar a graduação em música após terem concluído outro curso, como Eduardo (Publicidade), José (Arquitetura) e Fred (Ciências Sociais) e outros desistiram de graduações em andamento para fazer o curso de música, como Claudio e Pablo, que estudaram até a metade de Física e Biologia, respectivamente. Para Julio, a escolha pela música também não foi a primeira opção após o ensino médio, mas se deu após períodos alternados de empolgação e falta de ânimo, quando “descobriu” que existia um curso superior de música:

Julio: No terceiro ano, eu desempolguei, parei total, por uns dois ou três anos, mais por causa de estudo pro vestibular. Sempre gostei de música e ouvia, mas não treinava e dedicava. Tem um ano e meio, mais ou menos, que eu voltei a empolgar e, no meio do ano passado, em agosto, eu voltei pra Escola X. Aí eu descobri que existia o vestibular pra música.