MYNDIGHETSUTØVELSE I EN EVENTUELL REGIONKOMMUNE
21. MULIGE ORGANISASJONSMODELLER
Para conferir forma às peças eram usados dois métodos: o torno ou os moldes.
De acordo com o processo aplicado, distinguem-se as peças feitas ao torno ou rodadas – de formas simples, normalmente arredondadas, exequíveis no torno – e as peças feitas em molde ou moldadas – de formas complexas, impraticáveis no torno. Na Arte da Louça Vidrada explica-se que As primeiras, sendo redondas, se fazem sobre o torno; as segundas sendo ovadas, e meias
ovadas, as oblongas, outras; entrelaçadas com filetes, as chanfradas, as triangulares, as de facetas, e de todas as qualidades de fôrma, assim como figuras, vasos, e outros ornatos; as do uso, de certans, e de outras cousas semelhantes, não podendo ser operadas sobre o torno, se fazem em moldes feitos de gesso de proposito, e na forma conveniente ás obras. (ARTE 1805: 10-
11).
Da atividade de modelação das peças, quer ao torno quer no molde, encontramos como vestígio arqueológico um teque em osso de baleia, com 18cm de comprimento e uma secção central subcircular que vai adelgaçando em direção às extremidades, formando dois remates ligeiramente pontiagudos distintos (um mais largo e plano, outro mais estreito). Não encontramos referência a esta peça nas obras antigas consultadas, porém, em publicações recentes sobre o trabalho do barro, figuram entre as ferramentas fundamentais do oleiro. Registam-se vários modelos de teques (ou tecos), com diferentes funções, servindo, sobretudo, para retirar a pasta
em excesso (CHAVARRIA 1999: 9), ajudam a chegar a lugares estreitos, onde a mão não cabe, e permitem dar um toque decorativo (FRIGOLA 2002: 23). Explica-se ainda que a maior parte é
elaborada em madeira de buxo, por serem mais flexíveis e resistentes à humidade (FRIGOLA 2002: 23).
6.2.2.1. Torno
A operação do torno era feita pelo oficial, dispondo o barro preparado em terrões da
grossura proporcionada ás obras, que se quiserem fazer, bem amassado, muitas vezes, para lhe dar a consistencia necessaria para tomar a fórma conveniente (ARTE 1805: 11). Estes torrões de
barro preparado eram depois colocados junto do torno para serem trabalhados.
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Dos dez barreiros que a fábrica então possuía, seis eram grandes e quatro ditos mais pequenos, com divisão a meio, de madeira (ADP/NOT/CNPRT07/001/0644/82v).
Anexo III FIG. 245
Na Arte da Louça Vidrada faz-se referência a dois tipos de tornos: o torno alto e o torno baixo.
O oficial preparava depois o torno, acionando vigorosamente e repetidamente a roda com o movimento do pé esquerdo até que ella tenha hum movimento rápido, continuando sempre, em
quanto for precisa a operação do official (ARTE 1805: 11). Estando esta em movimento,
colocava-se sobre a sua cabeça, na agulheta, um dos torrões de barro preparado, iniciando-se o torneamento da peça com as mãos previamente molhadas. Para modelar o barro no torno começava-se por apertá-lo, pouco a pouco, depois o oficial estende-o, e o faz subir em forma de
cilindro e o dedo polegar apoiado sobre a extremidade: elle o faz descer, alargando pouco a pouco, redondando-o, igualando e unindo com hum páo de ponta por dentro, e com o ferro por fora, a mão por fora, e por dentro, tanto subindo, como descendo, determinando as medidas por huma, ou duas varas da medida conveniente, postas na morada sobre o candieiro assentado na meza da roda. (ARTE 1805: 12).
A peça torneada era depois cortada com hum arame de ferro, ou de latão, quasi semelhante
aquelles, de que se servem para cortar manteiga e colocada sobre uma tábua (ARTE 1805: 12).
Isabel Fernandes explica que O trabalho à roda exige grande preparação e muitas vezes os
oleiros especializavam-se na realização de certas peças. Diz-nos, também, que nas olarias
tradicionais as peças permanecem [nas tábuas] até atingirem determinado grau de enxugo – a
“meia-seca”. Depois voltam de novo à roda para serem fretadas, ou seja, para que lhes seja subtraída a pasta em excesso que ainda contêm e para se definir o seu perfil, cujo levantamento em grosso já se tinha feito anteriormente na roda. Existem diferentes tipos de fretadeiras, pois diferentes são os perfis das peças. O fretamento faz-se com a peça borcada, ou seja virada ao contrário, e colocada sobre a roda do oleiro. (FERNANDES 2008: 27).
Da operação no torno identificamos um fragmento de barro cru com orifício e impressões digitais, que provavelmente corresponde aos restos de um torrão colocado na agulheta descartado após a feitura e separação da peça. São, ainda, testemunhos deste trabalho todos os exemplares de peças rodadas, como as tigelas, representadas em abundância.
6.2.2.2. Molde
As peças moldadas eram feitas com recurso a um molde.
Primeiro aplanava-se o torrão de barro sobre uma tábua, por meio de hum rolo, ou rolete, ou
de hum rodo, até ficarem com huma grossura bem igual, unida, e conveniente ás obras.
Depois, rebocavam-se os moldes ou as formas com o barro aplanado, estendendo-se por
todo igualmente, com huma esponja, e agua […]; tendo o cuidado de afundar com o polegar, ou com os dedos todas as cavidades, para exactamente tomar a fôrma do molde.
Anexo III FIG. 246
Anexo III FIG. 247 e 248
Finalmente, deixava-se repousar por algum tempo para o barro secar e, devido à contração da pasta pela secagem, a peça saía por si mesmo do molde (ARTE 1805: 15-16).
Na obra mais recente de Pedro Prostes (1907), faz-se referência a outros pormenores, como a colocação de uma pele sobre a mesa, fixando-se duas réguas paralelas nas extremidades, compostas por várias réguas até à altura desejada para a pasta. No centro estendia-se a massa. Um
operário prático, pode prescindir das réguas, e passar o rolo sobre a argila, exactamente como um operário pasteleiro estende a massa para bolos folhados. Diz, ainda, que a “folha” ou “lastra”
de argila aplica-se diretamente sobre o molde em gesso que deve estar molhado para a argila não
poder aderir e ser difícil depois de soltar-se (PROSTES 1907: 162-164).
A técnica acima descrita refere-se aos moldes de encher à lastra. Isabel Fernandes menciona mais dois tipos de molde – de imprimir214 e de encher a dedo215, dizendo ser provável que todos se usassem na fábrica de Miragaia desde os primórdios da produção (FERNANDES 2008: 27-28).
Dado que não encontramos qualquer indício de moldes no depósito arqueológico de Vale de Piedade, não podemos caracterizar diretamente os tipos utilizados nesta fábrica. Os únicos vestígios desta operação são apenas as próprias peças moldadas. Observando, porém, estas peças, verificamos a presença dos três tipos de moldes atrás enunciados. Nas pegas em forma de flor, geralmente aplicadas em tampas de terrina, deveriam usar-se os moldes de imprimir, como Isabel Fernandes exemplifica. Nas asas com formas antropomórficas ou de sereia, constatamos, no seu interior, a marca de impressões digitais, prova de que a conformação se fez com recurso a moldes de encher a dedo. As peças como terrinas, bacias ou travessas, provavelmente, executavam-se com o método de encher à lastra.