5 Diskusjon og drøfting
5.3 Hvilke prosesser påvirker endringen av ideene?
5.3.1 Mottak av reformideene
64 Priolli, em palestra no VII Fórum Brasileiro de TVs Universitárias, realizado em Florianópolis,
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Como já foi dito, o distanciamento entre a tevê da universidade e a área de pesquisa é bastante presente no segmento. A tevê vê-se apartada desse setor desde a sua criação. Segundo Priolli (1998), a universidade brasileira levou quase 20 anos para admitir que a televisão podia tornar-se um objeto sério de pesquisa acadêmica. Sobre o papel específico da tevê universitária na área da pesquisa, as referências são escassas. Isso se reflete também nas pesquisas realizadas acerca deste segmento. Isso preocupa alguns raros pesquisadores.
Outro autor, Brasil (2002), considera que a tevê universitária, sem o caráter de inovação, corre o risco de ser uma cópia – muitas vezes de má qualidade – das tevês comerciais. Segundo Maria Pia Mendes, diretora de programação do Canal Universitário do Rio de Janeiro, durante palestra no XI Fórum Brasileiro de TVs universitárias, realizado em Brasília, em 2009, ―fazer televisão universitária é fazer televisão e ponto, e transformá-la em uma TV experimental pode afastar a audiência‖. A diretora apregoa, ainda, que os canais universitários devem diferenciar-se pela qualidade do conteúdo e ressalta que os programas oriundos da pesquisa, ou seja, aqueles mais experimentais devem ocupar uma faixa específica da programação.
Ainda que pareçam opostas, ambas as opiniões devem ser consideradas, na medida em que a universidade é o espaço privilegiado da pesquisa e, portanto, a televisão desta instituição deve refletir isso. Contudo, a tevê não pode perder de vista que o receptor já internalizou o modelo de programação da TV comercial, e, talvez, uma ruptura muito drástica desse padrão possa, efetivamente, afastar ainda mais a audiência. Outra questão que igualmente não pode ser descartada é que pesquisar novos formatos exige tempo para maturação, testes e verificação de resultados, o que é inviabilizado em função do baixo orçamento das tevês universitárias.
Mesmo considerando tal distanciamento, algumas iniciativas de apoio e envolvimento das tevês universitárias junto à pesquisa merecem destaque. Em 2003, a TV USP associou-se a um grupo de pesquisadores que, em um trabalho transdisciplinar, discutiu os mais variados aspectos relacionados à tevê digital. A TV Unisinos (RS), desde 2009, estabelece parceria com o Grupo de Pesquisa ―Comunicação, Economia Política e Sociedade‖ – CEPOS – do Programa de Pós-
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Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, e, em conjunto, produziram uma série de reportagens sobre o uso de instrumentos convergentes de comunicação pelos moradores de um bairro da cidade de São Leopoldo. Num outro viés, a estrutura das tevês universitárias configurou-se como locus de experimentação, quando, em 2002, cinco anos antes da implantação da tevê digital no Brasil, foi realizada uma transmissão digital do sinal da TV da Universidade Federal do Rio Grande do Norte para o estande do Ministério da Ciência e Tecnologia, durante uma Feira de Inovação Tecnológica. Também, em São Paulo, entre 1998 e 2000, a tevê da Universidade Presbiteriana Mackenzie participou de testes para implantação da tevê digital, ao testar parâmetros para a mobilidade, característica prevista no modelo de tevê digital em implantação no Brasil.
Ainda na área da pesquisa, outra iniciativa que merece destaque é a parceria estabelecida entre a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e a Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU), que, juntas, tentam implantar uma rede de intercâmbio de TVs Universitárias (RITU), com o objetivo de possibilitar o efetivo exercício de compartilhamento da programação dessas tevês. O projeto envolve o Lavid (Laboratório de Vídeo Digital)65 – responsável pela programação do software – e as TVs das seguintes universidades: Universidade Federal da Paraíba (PB), Pontifícia Universidade Católica de Campinas (SP); Universidade de Campinas (SP), Universidade de São Paulo (SP), Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Canal Universitário de Niterói (RJ), Universidade Federal de Santa Catarina (SC), Universidade Federal Fluminense (RJ), Centro Universitário de Belo Horizonte (MG), Universidade Federal de Minas Gerais (MG), Universidade Metodista de Piracicaba (SP) e a DoctumTV (MG).
Outro viés que se destaca é que as tevês universitárias exibem, regularmente, resultados de pesquisas realizadas no âmbito das IES, às quais estão vinculadas, configurando-se como veículo de divulgação científica, área já consolidada na mídia brasileira. A diferença é que, nas tevês universitárias, os temas são tratados com tempo para apresentações mais aprofundadas e temas que não têm apelo para audiência são abordados sob a ótica da ciência.
65 O Lavid faz parte da RNP e pertence à Universidade Federal do Rio Grande do Norte. É
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Tais iniciativas não configuram um trabalho conjunto entre tevê e universidade, no sentido da produção e divulgação do conhecimento científico, antes reiterando a inexistência de um projeto de tevê que se insira no processo da produção do conhecimento e em sua divulgação.
Considerando o tripé ensino, pesquisa e extensão, definido como objetivos da universidade contemporânea, a tevê universitária pode ser compreendida como um instrumento da extensão educacional, uma vez que pode mostrar à comunidade externa aquilo que ocorre na vida acadêmica.
Ramalho (2010), citando Ortiz, diz que, embora seja um objetivo legítimo, a utilização da tevê universitária como meio de divulgação do saber científico pode levar a uma compreensão reducionista das potencialidades deste meio ―É uma visão instrumental sobre a comunicação, e um veículo não é somente um difusor de informações; pode ir além‖. Castro (2003) atribui à tevê universitária uma ―dimensão política‖, no momento em que se abre para viabilizar a produção de conteúdo por outros grupos da sociedade, contribuindo, assim, para a formação de telespectadores mais críticos.
A televisão universitária insere-se nas realidades das universidades com amplas possibilidades de, por um lado, caracterizar-se como uma ação extensionista e, por outro, significar uma apropriação do fazer televisivo por novos atores, abrindo brechas para novos usos da televisão por parte de uma sociedade que, desde os anos 1950, acostumou-se a entender esse meio como sinônimo de oligopólio comercial. Paiva complementa:
Eu sempre imagino o quanto seria educativo que os jovens, a partir de suas escolas, grupos, igrejas etc., saíssem do mero lugar de consumidor de imagens e discursos para o de produtor. Imagine o quanto essa audiência passiva iria se transformar em crítica e analítica. Quem produz aprende a ver, a analisar (Paiva, 2004:152).
Pode-se entender que a tevê universitária configura-se como meio de extensão, quando, em vez de somente transmitir valores ou prestar serviços, abre espaço para as expressões da comunidade, tanto interna quanto externa, fazendo a mediação entre as demandas da sociedade e o conhecimento acadêmico.
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