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2 Teori

2.3 Translasjoner og kunnskapsoverføring

2.3.1 Kunnskapsoverføring

A televisão é muito mais do que um aglomerado de produtos descartáveis destinados ao entretenimento da massa. No Brasil, ela consiste num sistema complexo que fornece o código pelo qual os brasileiros se reconhecem brasileiros. Ela domina o espaço público (ou a esfera pública) de tal forma, que, sem ela, ou sem a representação que ela propõe do país, torna-se quase impraticável a comunicação – e quase impossível o entendimento nacional. [...] O espaço público no Brasil começa e termina nos limites postos pela televisão [...] O que é invisível para as objetivas da TV não faz parte do espaço público brasileiro. O que não é iluminado pelo jorro multicolorido dos monitores ainda não foi integrado a ele (Bucci,1997:9).

Exercendo fascínio em uns e repulsa em outros, a televisão está presente, direta ou indiretamente, na vida dos brasileiros e exerce um papel decisivo na formação e nas atitudes da sociedade. A tevê pode ser considerada uma vitrine pela qual o mundo é descortinado em tempo real e as cenas do cotidiano do planeta são veiculadas, atiçando a sensibilidade e a inteligência do sujeito. Nessa vitrine de acontecimentos, fatos dispersos e inexplicáveis se sucedem – são imagens fragmentadas e, muitas vezes, incompreensíveis do mundo que ajudam a formar a opinião de muitos brasileiros. A televisão preenche o vazio social e é utilizada, pela maioria das pessoas, como uma fuga para as dificuldades do cotidiano. Segundo Bourdieu (1997), a televisão não manipula só pelo que transmite, mas, sobretudo, pelo que omite. E talvez seja por isso que ele insista na tese de que a

[...] televisão tem uma espécie de monopólio de fato sobre a formação das cabeças de uma parcela muito importante da população. Ora, ao insistir nas variedades, preenchendo esse tempo raro com o vazio, com nada ou quase nada, afastam-se as informações pertinentes que deveria possuir o cidadão para exercer seus direitos democráticos (Bourdieu,1997:23).

Antes as pessoas saíam às ruas ou ficavam nas janelas de suas casas para se informarem sobre o que ocorria nas proximidades, na região e até mesmo no mundo. A conversa cara a cara com os vizinhos e com os viajantes possibilitava a troca e a renovação das informações. Hoje a janela é a tela da tevê; através dela é possível saber tudo o que ocorre em tempo real e em todas as partes do mundo. De qualquer lugar e a

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qualquer hora, através da televisão, pode-se saber desde a previsão do tempo até os fatos que sacodem o mundo, como a queda do Muro de Berlin, o atentado de 11 de setembro de 2001 ou uma final de uma copa do mundo de futebol. O conteúdo oferecido pela programação televisiva passou a orientar a vida da maioria dos cidadãos. Pessoas de todas as idades, condições econômicas e níveis intelectuais vivem "ligadas na televisão". Segundo o IBGE (2008), dos 175 milhões de brasileiros com mais de 14 anos, 49,2% assistem à tevê por mais de três horas ao dia. 25

Observa-se nas sociedades contemporâneas, marcadas pelo consumo, pela massificação e pela violência, principalmente nos centros urbanos, o crescente abandono dos espaços coletivos, com a rua perdendo seu aspecto de lazer e assumindo um caráter utilitarista, de passagem e de transporte. Na contramão desse processo, a vida íntima e familiar passa a ser cultuada, com atividades como o lazer e a socialização, cada vez mais, restringindo-se ao ambiente familiar. Dessa forma, o cidadão urbano contemporâneo também se encontra cada vez mais recolhido ao espaço de sua casa, reduzindo seu convívio à família e a um pequeno grupo. No plano subjetivo, esse contexto estimula o recolhimento afetivo das pessoas, em um processo cada vez maior de ensimesmamento e restrição das suas relações interpessoais (Sennet, 1989).

Nesse contexto de valorização da vida familiar e íntima e de desvalorização da vida coletiva, pode-se entender a influência da televisão na contemporaneidade, pensando no trabalho relativo à instituição do espaço imaginário e na mediatização da esfera pública, pois, na expressão de Soares (1994), na atualidade encontramos o espaço público mediatizado. A televisão colabora para a "reorganização do homem com o ambiente" por meio de um processo complexo: reforça o espaço privado ao estimular a vida familiar, muitas vezes até solitária, em frente ao aparelho; veicula "notícias e imagens" do que acontece "na rua", simulando, de certa forma, a participação do indivíduo na vida pública. Ao transmitir o que acontece fora do convívio familiar, ou seja, na rua, ocorre a interpretação do ocorrido, transformando, na maioria das vezes, a versão em realidade. Segundo Marilena Chaui (2006), a

25 Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2008, do Instituto Brasileiro de

Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em 31/03/2010. Disponível em http://www.abril.com.br/noticias/brasil/ibge-43-acima-14-veem-tv-mais-3h-dia-981447.shtml

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sociedade capitalista pós-moderna somente consegue produzir simulacros. E o simulacro é o espetáculo ―[...] quando capturado, produzido e enviado pelos meios de comunicação‖. Ainda segundo a autora:

[...] multimídia potencializa um fenômeno que já tínhamos frisado ao nos referirmos à televisão, qual seja, a indistinção entre as mensagens e entre os conteúdos. Como todas as mensagens estão integradas em um mesmo padrão cognitivo e sensorial, uma vez que educação, notícias e espetáculos são fornecidos pelo mesmo meio, os conteúdos se misturam e se tornam indiscerníveis. (Chaui, 2006:43).

A televisão, tal qual vemos hoje, pode ser considerada como um dos aparelhos ideológicos mais centrais e abrangentes da sociedade contemporânea, configurando um aparente paradoxo entre manutenção do status quo e incentivo à mudança, motivo que levou Althusser (1985) a designar, como Aparelho Ideológico do Estado de Informação, aquele que inclui a imprensa, o rádio e a televisão.