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Fonte: Fon-Fon (1930, 046, p.58)

Após esse período, nas décadas de 1940 e 1950, a série manteve seus anúncios textuais no rodapé da revista, se fazendo presente como se estivesse

reafirmando e lembrando suas qualidades ao mercado, Propaganda 16. Rafael Sampaio (2003) explica que os objetivos iniciais da publicidade seriam divulgar e promover o produto no mercado a ser conquistado, expandido, educado a comprar mais e mais e corrigido se necessário. Feita a conquista, expansão e educação, o mercado teria que ser reafirmado, lembrado sobre o produto e, se possível, fidelizado.

Propaganda 16 ― Juventude Alexandre

Fonte: Jornal das Moças (1960, 02354, p. 40)

As palavras mais frequentes nos textos da série foram: cabelos, brancos, caspa, calvície, queda, use, beleza, vigor, evita, grande, substituto, vida, desaparecem, loção, prematura, evitam, precoce, seborreia, tintura, usada. A frequência de palavras evidencia a ênfase das propagandas nos aspectos indesejáveis da aparência como os cabelos brancos, a caspa e a calvície, sendo que esta foi anunciada como consequência da outra. Na série, Juventude Alexandre, a funcionalidade social, para estar no padrão Vênus de Milo de beleza, Propaganda 15, os cabelos deveriam ter a sua cor primitiva, ser abundantes e macios. A Juventude anunciava rejuvenescer os cabelos, prevenindo os cabelos brancos ou restabelecendo a cor primitiva dos cabelos e extinguindo a seborreia e a caspa.

Os produtos para a coloração capilar podem ser classificados como: temporários, semipermanentes e permanentes. Os cosméticos temporários são compostos por pigmentos de alto peso molecular que não conseguem penetrar no cabelo, depositando-se sobre fio e podem ser removidos em uma única lavagem. Os semipermanentes são compostos por derivados de nitroanilinas, nitrofenilenediaminas e nitroaminofenóis e penetram parcialmente no cabelo resultando numa coloração que poder ser removida entre cinco a dez lavagens. Já as colorações permanentes são as tinturas oxidativas, mais comuns atualmente; contém duas substâncias misturadas antes do uso e realizam reações químicas dentro do fio capilar gerando a coloração e também as progressivas, compostas de

sais metálicos de chumbo, bismuto ou prata que reagem com a cisteína, aminoácido presente na queratina do cabelo, e fazem com que a fibra modifique sua coloração. Além de modificar a coloração do cabelo branco, os sais metálicos têm atividade antisséptica e cáustica (ARALDI e GUTERRES, 2005).

As tinturas com sais metálicos como chumbo, bismuto e prata tornam os cabelos frágeis, quebradiços e opacos. Devido aos danos que causam nos cabelos e também aos resíduos dos metais que podem reagir com outros princípios ativos o uso de tinturas progressivas com sais metálicos restringe o uso de outros cosméticos (ARALDI e GUTERRES, 2005). A Juventude Alexandre anunciava: Use e não mude! Talvez, como uma forma de prevenção a possíveis incompatibilidades que poderiam ocorrer com os outros colorantes cosméticos.

Sobre a sua composição e princípios ativos, a Juventude Alexandre anunciava que não era uma tintura e nem possuía nitrato de prata e, sendo assim, não manchava e nem queimava a pele. O nitrato de prata é uma substância química perigosa, venenosa e cáustica que pode causar queimaduras na pele e ser nocivo se inalado. Atualmente, integra a lista de substâncias que os produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes não devem conter exceto nas condições e restrições estabelecidas, determinada pela Resolução RDC Nº 3, de 18 de janeiro de 2012, podendo estar presente apenas nos produtos cosméticos com a função de colorir cílios e sobrancelhas, na concentração máxima de 4%. No rótulo do produto deve constar o aviso para enxaguar imediatamente com água caso o produto entre em contato com os olhos. A série Juventude Alexandre tomou a ausência de tal substância e seus consequentes efeitos tóxicos indesejados, como queimar a pele, um elemento positivo para a preferência por seu produto.

Embora nenhuma propaganda da série tenha declarado a composição do tônico e nenhuma outra literatura pesquisada tenha oferecido tal informação, infere- se que a Juventude Alexandre era uma coloração do tipo progressiva composta por outros sais metálicos que não o nitrato de prata. A forma de uso diário leva a crer que não era uma tintura oxidativa, pois esta é utilizada uma única vez num período entre 15 e 30 dias. Provavelmente não era um colorante temporário, pois as tinturas temporárias passaram a ser industrializadas depois desse tempo e a Juventude, além de colorir os cabelos, anunciava atividade contra a caspa, provavelmente pela atividade antisséptica das tinturas metálicas.

Atualmente existe um produto comercializado em Portugal, com o nome Juventude Alexandre, que tem a mesma finalidade e anuncia que: “os cabelos

brancos voltam à cor primitiva com o uso regular de Juventude Alexandre!”.

Produzido pelo laboratório Gestafarma, contém na sua formulação o citrato de bismuto como sal metálico colorante. O laboratório foi contatado pela pesquisadora por e-mail em 18 de janeiro de 2016 e questionado sobre alguma relação com a Juventude Alexandre produzida no Brasil e, em 21 de janeiro de 2016, enviou a seguinte resposta:

Após recebermos o seu mail, somos a informar que não temos, sequer, algum conhecimento que o nosso cosmético Juventude Alexandre tenha qualquer relação ou seja o mesmo que o fabricado no Brasil. Será pois, pura coincidência. ´

Pelas palavras usuais, se pode verificar que o produto apresentava a proposta de atuação em vários estados dos cabelos e pelos como a função de restabelecimento de cor para os cabelos brancos, efeito na produção de sebo com a atuação na seborreia e caspa e também tinha uma proposta de prevenção da calvície. Atualmente se sabe que as causas da calvície não são a seborreia ou a caspa e sim fatores genéticos, emocionais, hormonais podendo ocorrer também como resultado de patologias sofridas pelo organismo como a falta de vitaminas na alimentação. Os usos inadequados de produtos químicos ou de técnicas de penteado também podem causar alopecia. Em duas propagandas da série foi utilizada a figura masculina para ilustrar a calvície, como a Propaganda 17.

O verbo rejuvenescer, utilizado em várias propagandas de cosméticos até os dias atuais, teve sua aparição pela primeira vez, nesta série: o produto se propunha a rejuvenescer os cabelos.

Os apelos à tradição e à autoridade também foram utilizados como técnicas de persuasão para a compra do produto que era vendido em todas as farmácias e drogarias, também enviado pelos correios e era anunciado como sendo utilizado pelas pessoas mais cuidadosas na conservação dos cabelos há mais de 30 e, posteriormente, 50 anos.