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ca se faz cozimento em que se lavam as chagas, sendo o mesmo cozimento lavatório perfeito de que as mulhe- res usam nas partes pudendas na ocasião dos partos, e ainda em outras que igualmente a faz preferir, ficam de modo tal qual o de não ter conhecido varão.

A sua casca é sumamente restringente, corrobo- rante, e de sumo proveito. O seu cozimento mingua- da, 3a parte no fogo, é tão adstringente que produz os efeitos acima declarados, é dado em cristéis é provei- tosíssimo para as diarréias de sangue, em bebida, o seu pó é vulnerário e contra a corrupção.

7 Bete: os banhos de cozimento desta erva tomados com frequência são aprovados para sarar dores pelo corpo de qualquer que seja.

8 Contra erva: além dos efeitos que produz por ad- junto com outras ervas e raízes para diversas enfer- midades, é eficacíssimo remédio para soluços, cozida, ou pisada, crua, e deitada em água, e dada a beber.

É contra o veneno de cobras, conforta o coração, e é contra todas as febres malignas tomada a sua raiz deitada em infusão, e feito o cozimento para beber. 9 Cajarana: o caroço desta árvore, raspado e dado a beber em água fria, é eficaz remédio para a diarréia de sangue, e dizem algumas pessoas que ainda pro- duz melhor efeito comer a mesma fruta. A sua raiz em cozimento para tomar banho faz sarar sarnas sem prejuízo, e o seu mesmo cozimento tomado em cris- téis é medicinal para resfriamentos.

10 Caroba: a sua raiz deitada a ferver em água, com este cozimento se lavam as feridas a que chamam fo- gagens10 em homens e mulheres e as faz sarar. A mes-

ma raiz torrada ao fogo, e desfeita em pó, com este se polvilham as mesmas feridas que faz a fogagem, depois de bem lavadas, e brevemente saram.

É especial remédio contra o mal venéreo, boubas,

9 Escorrimento ou coriza.

10 Dermatose caracterizada pela presença de pápulas, aglomeradas ou discretas, mais ou menos pruriginosas.

cravo e cavalo. Desfeita em pó, e lançados sobre estas enfermidades, depois de bem lavadas com o cozimen- to da mesma caroba, e o mesmo cozimento tomado por bebida, ou cristéis, cura outras muitas enfermi- dades da mesma natureza.

Pisada e posta sobre os cancros, os arranca e mata, e o mesmo faz ao entraz. A mesma folha feita em pó e lançada na garganta cura as feridas gálicas; em garga- rejos o seu cozimento serve para o mesmo, e dizem que este remédio produz melhores efeitos que o sene11.

11 Capim pé de galinha: esta erva, bem fervida em água e depois pisada, extraído o sumo, este, com a mes- ma água do cozimento coado e dado a beber com uma pequena porção de açúcar branco, e deitado em cris- téis, por seis e mais vezes nos enfermos de hemorrói- das, é eficaz remédio para aliviar da grande opressão que causa esta enfermidade. Os talos dos pés do mes- mo capim, depois de tirada a raiz, pisados, o sumo que deitar com uma pequena porção de água é um suave vomitivo para os que padecem de enchimento no es- tômago. O mesmo cozimento já dito, bebido e dado em cristéis, é aprovado para as diarréias de sangue. 12 Cardo Santo: as folhas e raízes desta erva, deitadas a ferver em água, é o seu cozimento eficaz e aprovado remédio neste país para fazer sarar a enfermidade de calor de fígado por bebida, e por banhos, e bebendo continuadamente o dito cozimento se tem visto sarar em quinze dias.

Este mesmo cozimento, tomado em gargarejos, faz sarar as feridas da garganta e da boca. As folhas desta mesma erva pisadas, o seu sumo, ensopado em pano e posto sobre a testa, faz mitigar as dores de olhos, e muitas pessoas usando deste remédio em poucos dias se vêem livres desta moléstia.

O seu cozimento tomado em suadores é singular para dores de juntas venéreas, para os inchaços das pernas e pés, e ainda procedendo de gota ou erisipe- la. A raiz pisada ou ralada embebida em água morna cura a diarréia pondo-se o bagaço no umbigo; o cozi- mento, não só da raiz como das folhas, bebido e dado em cristéis é igualmente aprovado remédio para fa- zer sarar as diarréias de sangue.

13 Cabacinho: produz a terra em grande quantidade este fruto neste país. Cada um cabacinho dividido em quatro partes, uma destas em infusão em água fria a horas de vésperas, no dia seguinte se bate aquela água, que levantando espuma se deita dela um cristél ao enfermo de mal venéreo, da sorte que será preci-

so calcular o estado das suas forças, para ser mais ou menos avantajada a porção do cristel, com uma ou duas partes do cabacinho.

Se estiver debilitado, e for de fraca compleição, bastará uma só parte; se for mais rijo bastarão duas, com advertência de que quanto mais espuma levan- tar e se deitar no cristel com mais violência será ata- cado de operação.

São violentíssimas, e tanto que em grande quan- tidade farão expelir as próprias entranhas pela via inferior; porém, não sucedendo assim, fazem extin- guir o mal venéreo em grande quantidade, com mais proveito do que o azougue12 . Costumam também fa-

zer vomitivos desta mesma água de cabacinho, e com cautela dos cristéis pela violenta dobra que faz. 14 Capéba: a folha desta erva tem tal virtude para do- res que posta ela sobre as mesmas dores sara o en- fermo, e faz desinchar a mesma parte onde as dores se padece, como se tem experimentado muitas vezes. O sumo bebido com açúcar por nove dias, de ma- nhã e à noite, cura dores internas; as folhas quentes curam inchaços, e a raiz bebida faz urinar. Tomada meia xícara de sumo quente em três pingos de óleo copaúba13, dizem que cura infalivelmente os que pa-

decem de mal de asma; as folhas barrufadas postas na cabeça tiram a enxaqueca. O sumo também bebido, dizem, é singular para os que urinam sangue; o mes- mo preserva de quedas e descoagula o sangue pisado. Bebido com açúcar dizem que cura a tísica e os que lançam sangue pela boca. O sumo e o bagaço posto em qualquer ferida extrai o sangue pisado e ruim, e cura. Dizem, finalmente, ser eficaz esta erva para diferen- tes moléstias das barrigas das mulheres, as quais não exponho por não ter verdadeira notícia delas. 15 Camapú: o cozimento desta erva, dado em cristéis com suas folhas, é aprovado remédio contra malig- nas, febres podres e inflamatórias. Há poucos tempos se viu neste país um enfermo que estando já desenga- nado pelos cirurgiões e, sem lhe aproveitar o uso do bezoártico de Curvo, estando a lançar muitas coisas imundas pela boca, só com o uso de três cristéis que tomou do cozimento desta erva experimentou gran- de alívio, e finalmente ficou bom. Algumas pessoas ajuntam a este cozimento a raiz de angélico. O sumo para curar qualquer ferida, ensopando fios postos em cima, é eficaz remédio, e o mesmo faz o pó das fo- lhas torradas. São banhos desta erva mui prestativos para se tomarem quando se padecem dores. O sumo

12 Mercúrio

13 Copaifera sp. Fabaceae

faz arrancar carnicões em qualquer moléstia que os tenham, ensopando-se nele fios, e pondo-se em cima de qualquer ferida de madre 14quando esta

costuma sair, como acontece em algumas mulhe- res, e tomando-se banhos, não só faz sarar a ferida, como recolhe a madre.

16 Emburana: da casca desta árvore se faz cozimento, o qual, bebido por espaço de três dias, vai azedando, e com esta água azeda se lavará o enfermo de sarnas e ficará bom sem outro remédio.

17 Erva Moura: esta erva pisada, o seu sumo, feito em uma pequena quantidade de água com uma clara de ovo, é eficaz remédio em cristéis para hemorróidas, e ainda a talhar qualquer febre provinda da mesma causa, ou qualquer outra, o mesmo sumo sem polme15

cura erisipela, e posto com leite nas fontes cura as dores de cabeça, e misturado com gema de ovo cura malditas, ou nascidas. O dito sumo sem polme, deita- do em uma cana-do-reino e posto a ferver até miguar a 3a parte, é remédio eficaz para curar palparias. 18 Embira vermelha: a casca desta árvore, bem pisa- da e dada em xarope a beber, é eficaz remédio para os mordidos de cobra. A sua semente, pisada e desfeita em aguardente, se dá a beber a quem tem dores de estômago, ou no ventre, e só com este remédio muitas pessoas ficam livres da dor.

19 Erva mijona ou pimenta da água como alguns lhe chamam: esta erva não é bem conhecida pelo seu nome, e por isso lhe dão diferentes: algumas pessoas a conhecem por mijona pela eficácia com que ela cos- tuma obrar aos que padecem de retenção de urina. Outros a conhecem por pimenta d’água pelo ardor das suas folhas, e por ser uma erva que só costuma nascer em beirada de alagadiço e em partes frescas.

O cozimento desta erva com suas raízes é já ex- perimentado remédio para os que padecem retenção de urinas, e bebendo-se do tal cozimento por uma ou duas vezes não só faz urinar como lanças as pedras que tiver na bexiga.

O mesmo cozimento dado em cristéis com uma pequena porção de clara de ovo é aprovado remédio nesta país para fazer sarar os que padecem de diar- réias de sangue.

Muitas pessoas costumam tomar os cristéis pisan-

14 Útero.

15 Preparação culinária utilizada na fritura de determinados alimentos. É uma massa de consistência mole, com a qual se envolvem os alimentos antes de os fritar. Os seus ingredientes principais são a farinha de trigo e a água.

do a erva e extraído-lhe o sumo, deitando-lhe jun- tamente a porção de água necessária para formar o cristel sem ser necessário fazer o cozimento da for- ma já dita.

20 Gito: raspada a casca da sua raiz e lançada duas ho- ras de infusão, bebida em pouco mais da quantidade de uma oitava, é admirável purgante para frialdades e toda a casta de humor venéreo. O mesmo se dá em cristéis, pisando a casca da raiz, e a fruta que costuma deitar esta árvore, tendo-se sentido não haja excesso na fatura do cristel pela demasiada obra que este cos- tuma fazer quando deitam demasiada quantidade de raspa de raiz e da fruta.

Dizem que também se costuma fazer este purgan- te da forma que se faz o da casca da raiz de Pau de Carne, como se verá em seu lugar. O gusmo que tem na entrecasca, sentado ao redor dos olhos, faz tirar as dores e sarar as carregações dos mesmos.

21 Guabiraba branca: as suas folhas fervidas em