9. ASSESSING THE THEORETICAL ARGUMENTS
9.4 C OMPARISON WITHIN CASES
9.4.2 Mopti
No presente capítulo abordam-se questões teóricas acerca da síndrome metabólica. Tais aspectos influenciam no metabolismo e epidemiologia da doença, sobretudo sob o entendimento das repercussões diante das discussões deste estudo.
Síndrome metabólica (SM) é um agrupamento de anormalidades metabólicas que aumentam o risco de desenvolvimento de doença cardiovascular aterosclerótica e diabetes mellitus. Apresenta uma complexa interação entre fatores genéticos, metabólicos e ambientais. Entretanto os hábitos alimentares são de importância central para a prevenção e o tratamento desta condição (TUCKER,2007).
5.1 A SÍNDROME METABÓLICA E AS DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS.
No Brasil, em 2001, as doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), foram responsáveis por 62% de todas as mortes e 39% de todas as hospitalizações registradas no Sistema Único de Saúde (SUS). Os fatores de risco que mais contribuem para o desenvolvimento das DCNTs são: obesidade, colesterol elevado, hipertensão arterial. Estes considerados fatores que contemplam a síndrome metabólica (SM), além do consumo de fumo e de álcool (ACHUTTI, 2004).
A obesidade é considerada uma epidemia global e tem sido enfrentada pela maioria dos países do mundo. O aumento da prevalência da obesidade levou ao desenvolvimento paralelo de complicações como a SM (CRISTINA et al, 2012).
A SM é caracterizada pela associação de fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCVs) como: aumento de circunferência abdominal; hipertrigliceridemia; colesterol HDL baixo; hipertensão arterial; hiperglicemia de jejum. O tecido adiposo possui, além das funções tradicionalmente reconhecidas, uma função endócrina que sintetiza e libera adipocinas participantes do processo inflamatório e da resposta imune, além de atuarem como sensores do balanço energético. Desta forma, a disfunção do tecido adiposo decorrente da obesidade
resulta na produção desregulada de adipocinas, colaborando para a ocorrência dos transtornos metabólicos observados na SM. A função endócrina do tecido adiposo representa o elo entre obesidade e SM (CRISTINA et al, 2012).
A obesidade, assim como sobrepeso, apesar de poder ser visualmente reconhecida, requer métodos diagnósticos específicos que possam, além de determinar o grau de acometimento, definir a distribuição do tecido adiposo corporal e possíveis complicações. O diagnóstico correto da obesidade e de suas comorbidades possibilita o tratamento adequado da doença. O tratamento da obesidade e da SM deve ser multidisciplinar e incluiu mudanças no estilo de vida como: tratamento dietético; terapia comportamental; aumento de atividade física; cessação do tabagismo (CRISTINA et al, 2012).
5.2 ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DA SM.
A obesidade, considerada um problema apenas em países desenvolvidos, tem sua prevalência aumentada em países subdesenvolvidos e em desenvolvimento. O rápido aumento de casos de obesidade, acompanhado da diminuição das taxas de desnutrição, é resultante do processo de transição nutricional que compreende as mudanças ocorridas nos padrões nutricionais da população. Paralelamente à transição nutricional, configura-se o complexo processo de transição epidemiológica, com a modificação nos padrões de adoecimento e morte da população. Basicamente, três mudanças são englobadas no processo de transição epidemiológica: substituição das doenças transmissíveis por doenças não transmissíveis e causas externas; deslocamento da carga de morbidade e mortalidade dos grupos mais jovens para os grupos mais idosos; transformação de uma situação em que predomina a mortalidade para outra na qual a morbidade é dominante.
O aumento da longevidade, associado ao crescimento populacional, eleva o números de adultos de meia-idade e idosos, consequentemente, ocorre aumento no numero de mortes por doenças não transmissíveis. As doenças não transmissíveis constituíram, em 2008, a principal causa de mortes, sendo responsáveis por 63% a cerca de 57 milhões de mortes no mundo. Como resultado desta tendência, estima-se que, até 2030, estas doenças representem 55 milhões de mortes anuais, ao passo que as doenças infecciosas apresentem quedas
expressivas. Os fatores de risco de ordem comportamental como sedentarismo e a dieta pouco saudável, estão associados com as seguintes alterações metabólicas, que, dentre outros aspectos, caracterizam a SM. Elevação da pressão arterial; aumento de peso, que leva à obesidade; hiperglicemia; dislipidemia (WHO, 2008).
Dados demonstram que globalmente 2,8 milhões de pessoas morrem a cada ano em decorrência do excesso de peso, seja sobrepeso ou obesidade (WHO, 2009). O excesso de peso pode levar a diversos efeitos metabólicos. Este aumenta os riscos de: doença coronariana; acidente vascular cerebral isquêmico; diabetes melito (DM) tipo 2 e vários tipos de câncer.
A preocupação com a epidemia da obesidade deve-se, ainda, ao aumento continuo e substancial do percentual de casos. A prevalência mundial de obesidade quase duplicou em menos de 30 anos. Em 2008, 10% dos homens e 14% das mulheres no mundo eram obesos, em comparação com, respectivamente, 5 e 8% em 1980. Em todas as regiões investigadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), as mulheres apresentam maior probabilidade de serem obesas do que os homens (WHO, 2009).
O continente americano é considerado a região com maior prevalência de excesso de peso, apresentando 62% de excesso de peso e 26% de obesidade em ambos os sexos. Na Ásia, são encontrados os menores percentuais, com 14% de excesso de peso e 3% de obesos em ambos os sexos (WHO, 2009).
No Brasil, o Vigitel1, 2011 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para
Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) realizou com a população adulta de todas as capitais e do Distrito Federal um estudo no qual o objetivo foi estimar a frequência e a distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas, apontou, em seu mais recente levantamento, sobrepeso na ordem de 48,5% maior entre os homens (52,6%) do que entre as mulheres (44,7%).
O excesso de peso apresentou tendência à elevação com o aumento da idade, condição encontrada para ambos os sexos, que corresponde a até 44 anos de idade em homens e até 64 anos em mulheres. Avaliando indivíduos de alta escolaridade, os homens apresentaram prevalência de excesso de peso quase duas vezes superior à observada em mulheres. A obesidade atinge, em média, 15,8% dos indivíduos adultos no Brasil. As maiores e menores frequências de obesidade foram observadas entre os homens residentes na capital no Amapá (24,2%) e na capital do Maranhão (10,5%), respectivamente. Entre mulheres, a obesidade apresentou
tendência a aumentar com a idade (até os 64 anos), declinando ligeiramente nos anos posteriores. Tanto a obesidade quanto o excesso de peso foram mais frequentes entre os homens com maior escolaridade e entre mulheres com menor escolaridade, conforme o Vigitel1, (2012).
________________________
Vigitel1, (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico). Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas Não Transmissíveis por meio de Inquérito Telefônico. Realizado pelo Ministério da Saúde em 2011. Objetivos: Medir a prevalência de fatores de risco e proteção para doenças não transmissíveis na população brasileira Subsidiar ações de promoção da saúde e de prevenção de doenças.
Periodicidade: anual ‐ 2006 a 2011. População monitorada: adultos (≥ 18 anos) residentes em domicílios com telefone fixo nas capitais dos 26 estados brasileiros e DF. Parceria: SVS/MS, NUPENS/USP.
6. METODOLOGIA