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Modell for prioritering mellom tjenestesektorer basert på et forenklet AIDS-

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8. Modell, modellberegninger og resultatdiskusjon

8.2 Modell for prioritering mellom tjenestesektorer basert på et forenklet AIDS-

Centro da Cidade. 15 horas. O tempo hoje parece mais quente e o Centro mais movimentado de carros e de pessoas. Minha primeira parada é no Cine que ainda não sei nome, aquele da rua Floriano Peixoto que descrevi mais acima. Estou parado do lado oposto à calçada do Cine. Entra no Cine um homem jovem, aparentando uns trinta e poucos anos de idade, branco, usando calça jeans e blusa gola polo azul. Ele é meio calvo e está de óculos de grau. Observo um pouco a rua e olho para os lados. Entro no cinema. Entrego 10 reais ao senhor que está na bilheteria e recebo de troco 4 reais. Reconheço a mulher que está com ele na recepção como sendo aquela que avistei saindo de lá com uma marmita e uma garrafa de água há dois dias. Passo a roleta.

Avisto uma sala quente com uma estrutura antiga e deteriorada, com um aparelho de tv disposto em uma mesa velha onde passa uma novela. Empurro uma porta preta e observo uma casa com piso antigo e azulejos azuis na parede, daqueles que encontramos em banheiros antigos da casa de alguns de nossos avós. O piso me lembrou o da casa de minha vó. Mesmo no escuro consigo ver sem muita dificuldade um piso com tacos de madeira antigos. O cinema está bem quente, embora haja alguns condicionadores de ar antigos em dois dos compartimentos. Em um desses dois há também um ventilador de pé bastante barulhento. O espaço parece não ter sofrido nenhuma mudança em sua estrutura física. Vejo uma porta antiga encostada em uma parede como se a mesma tivesse caído de algum local e tivesse sido posta ali. Consigo contar quatro espaços que lembram quartos onde os filmes são exibidos. Dois deles estão exibindo filmes héteros e dois gays, onde há cadeiras de plásticos brancas e mesas mal conservadas onde se encontram os televisores.

Em um dos espaços em que se exibe filme hétero, vejo um senhor branco, aparentando seus sessenta e poucos anos, vestido de bermuda, camisa e chinelo dividir seu olhar para o filme e para quem entra na sala. Das vezes que o tenho observado ele não larga o seu pênis que está sempre volumoso. Vejo uma aliança dourada em uma de seus dedos. De vez em quando ele quando ele percebe que está sendo visto por alguém ele pressiona sobre o pênis a mão que está sobre ele.

Em outro momento, o vejo sentando em uma das cadeiras de plástico na sala onde se exibe filmes gays. Um homem mais jovem que ele, aparentando uns quarenta e poucos

anos, magro, mas de barriga proeminente, de cavanhaque, regata, chinelo e uma mochila nos costas pega por um instante no pau do homem mais velho que está sentado. A cena dura alguns segundos. Um homem em outra sala assiste a um filme hétero enquanto bate punheta. Outros homens ficam parados encostados nas paredes observando discretamente quem passa. Observo homens em sua maioria brancos, aparentando ter entre trinta e cinquenta anos, magros, com uma performance de gênero discreta. Diferente de outros cines que já entrei, os homens que cá estão se movimentam pouco no local. Ficam em geral sentados ou de pé dividindo seu olhar entre filme exibido e as pessoas que passam ou se aproximam. Vejo também alguns encostados nas paredes do lugar. Não vejo produtos de limpeza nem preservativos no interior do local.

Essa sala fica próximo a um quarto escuro improvisado que parece um quintal de

uma casa coberto. Sinto inicialmente um pouco de medo de entrar no dark-room, mas entro e

permaneço por algum tempo. Olho para o teto e vejo alguns buracos. No quarto escuro um homem moreno, alto, que veste uma roupa branca penetra outro homem magro, moreno, quase da mesma altura. A penetração é rápida e não escuto nenhum som da parte de nenhum dos dois. Percebo a cena pelo movimento. Outros dois homens observam a cena. Não consigo sentir tesão pelo que vejo. Fico no espaço o tempo que dura à cena. O rapaz que é penetrado sobe a bermuda, a abotoa e sai do espaço. Vai ao banheiro, volta sacudindo as mãos ainda molhadas de água e sai do cinema. Fico no cinema em torno de quarenta minutos. Consigo contar em torno de mais ou menos dez homens no lugar. Saio do cinema às 15:40.

Vejo do outro lado da calçada por entre as grades de uma senhora sentada em uma sala de uma casa. Há vários telefones na parede. Penso que é uma loja de conserto, mas não vi a placa. Entro e pergunto a ela se conversaria rapidamente comigo sobre o cinemão que fica em frente ao seu lugar de trabalho. Começamos a conversar e descubro informações interessantes. Ela começa dizendo que a presença do cinema e o entra e sai de homens não a incomoda, que o lugar fecha cedo, às 22 horas. Revela-me que mora ali em frente há mais de vinte e anos e que já morou na casa onde hoje é o cinemão há quinze anos. Ela parece disposta e interessada em responder as minhas perguntas e a conversar comigo sobre um pouco da história do lugar. Informa-me que onde é o cinemão já foi parte do Hospital das Crianças. Depois ela morou quatro anos de aluguel na casa. Ela me descreve que a casa em sua época tinha dois banheiros, quatro salas, uma cozinha e dois quartos.

Quando a pergunto se a presença dos cinemões a incomoda de algum modo, ela me responde dizendo: “Eles não me incomodam em nada. Incomoda o som da boate”. A boate a que ela se refere é o hotel-sauna Rommeo, que fica na rua Meton de Alencar. Ela fala mais

de uma vez no barulho do som do que ela chama de boate. Diz que já houve denúncias por parte de uma vizinha à polícia, mas que o barulho diminui o tempo que a polícia permanece no local. Quando pergunto se já viu alguma mulher entrando no cinema ela diz que não. Diz que vê homens entrando de carro e acrescenta: “não é homem pobre não, entra só rico”.

Pergunto a ela acerca dos donos do cinema. Ela diz ser o senhor que fica na recepção. Diz ser ele um homem tranquilo e de poucas palavras. Informa também que ele é dono de mais outros dois cinemas na rua e que um já foi fechado por denúncia de uma vizinha. Quando pergunto se ela sabe o nome do cine ela diz que acha que é Cine Sensação e diz que chegou a ir ao cinemão no dia da inauguração a convite do dono. Disse que não viu nada demais, que as televisões estavam desligadas e que a casa não tinha passado por nenhuma reforma da época em que ela morou.

Ela salienta pontos positivos acerca da chegada dos cinemões no centro da cidade. Diz que foi bom quando os cinemas se instalaram por conta do movimento que a região

passou a ter, tornando, segundo ela, menos perigosa. “Antes aqui não tinha ninguém”.

Um senhor de idade chega ao local e ela apresenta como sendo seu marido. Quando pergunto acerca da idade deles ela diz ter cinquenta e oito anos e ele diz que irá completar setenta e um. Pergunto ao seu esposo acerca do que ele acha sobre a presença dos cinemões naquela região. Ele responde: “eles vivem a vida deles e eu a minha. Todo mundo precisa viver, não é?”. Deixo-os à vontade para conversarem e ela acaba voltando a falar da sauna. Começa a me dizer que o espaço onde hoje é a sauna já foi muita coisa. Diz que antes era um restaurante do marido da Zena que morreu atropelado. Fala que o espaço também já sediou uma transportadora, mas seu marido complementa: de fachada. Depois que o INSS ficou por lá temporariamente enquanto uma de suas sedes era reformada. Quando pergunto acerca de algum elemento positivo que a sauna que eles chamam de boate trouxe para o entorno ela afirma que a boate melhorou os assaltos na região. O casal mora há quinze anos

em frente da casa que há alguns anos é o endereço do Cine Sensação.

Quando o assunto parece ter acabado e estou guardando meu caderno para sair seu esposo começa uma cena que ele vivenciou no Cine Moderno. Ele diz que o cinema exibia filmes comuns, de cowboys e que quando tinha uns treze anos foi assistir ao filme de aventura Batalha Sangrenta. Ele relembra o nome de um dos atores do filme. Ele descreve que um rapaz que tinha entre dezoito para dezenove anos aproximou a mão para tocar no pênis dele. Ele perguntou se o rapaz tinha certeza do que estava fazendo. Depois de tê-lo xingado, ele levantou e foi pedir seu dinheiro de volta e saiu do cinema.

Ele descreve o Cine Majestik como um Cine “sem vergonha”. Descreve que o espaço era dividido entre as cadeiras, onde ninguém queria ver o filme e as arquibancadas que eram mais caras. Ele descreve o cine como escuro. Depois de algumas dificuldades para entrar no cinema, ele entra e senta na parte de baixo e é recepcionado pela parte de cima com uma cuspida na cabeça. Depois disso ele vai embora do cinema.

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