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4.   Methodology

4.2.   Variables  and  model  specification

4.2.1.   Model  specification  and  expectations  when  examining  profitability

Cordas caem do teto, a uma altura de mais ou menos dois metros, cruzando os cantos da sala 32 (sala de teatro da E.A.). Os jogadores estão terminando de amarrá-las. Uma passarela vermelha é estendida à porta de entrada, com o desenho de uma suástica, atravessando toda a sala. Panos pretos dependurados nas paredes cobrem a lousa, o ventilador, os objetos… as velhas rotundas de um teatro mambembe. No chão, materiais de cena: bumbo, coturnos, capacetes com enfeites, bandeiras vermelhas, brancas, vermelhas e amarelas, verde e branca e outras combinações de cor. As vermelhas traziam símbolos da suástica. Uma pilha de banquinhos encostados na parede, ao fundo esquerdo da sala. Os jogadores estão fazendo a contrarregragem (Brecht, na fase das peças didáticas, aludiu à interferência dos atores na arquitetura teatral). Os alunos estão criando uma cenografia, explorando a área de jogo, buscando uma transmutação do espaço da sala de aula, minutos antes da entrada do público. Falam alto, chamam uns aos outros, correm de um lado ao outro. Alguns estão usando capacetes e casacas pretas e aproveitam o tempo restante, antes da apresentação, pulando

corda… Um grupo instala o aparelho de som em cima de uma mesinha. O sonoplasta Bruno encarregou-se da composição da trilha e da operação do som. Outro grupo (de alunos- colaboradores do ateliê de teatro do 1º. ano do E.M.), vestindo preto, leva os objetos até seus lugares, na cena, verificando a contrarregragem. Em meio à gritaria e brincadeiras, o som começa a ser testado: marchas alemãs, discurso do Fuhrer… Alguém grita: “- Faltam dez minutos para o público entrar”. A correria se instaura. Os jogadores terminam de se vestir, fazem os últimos retoques da maquiagem e conferem seus objetos de cena. Vários estão usando suas próprias roupas com algum elemento que compõe o figurino, como por exemplo, coturnos, capacetes… Alguns jogadores costuraram detalhes nas casacas: medalhas, símbolos da suástica… Fazemos a roda. Todos se entreolham. Silêncio. Respirações ofegantes. Apertamos as mãos. Merda! Merda, professora!!! COMEÇA!!! O grupo de alunos sai correndo da sala e se esconde da plateia, que deve entrar na sala antes do grupo. O hino nazista está tocando e o público (alunos e professores da escola) é recebido pelos alunos- colaboradores. Todos se ajeitam, sentando-se no chão, se espremem, se apertam para que possam se acomodar, pois HOJE TEM ESPETÁCULO???Alguns se detém, ao passar pela passarela vermelha. Tecem comentários, se entreolham… Ao longe, ouve-se um apito. Os jogadores estão se aproximando. Tocam tambores e dão ordens em língua inventada com sonoridades semelhantes ao alemão, ao japonês…

Entram cantando em coro: SOURRAH SOURREH SOU SSIRREH SOU SSIR AHHH RRR SOSURREHHH.

Atravessam a sala e param no canto direito, meio amontoados. O comandante Fernando continua executando os comandos em sonoridades, que se assemelham à língua japonesa: Kata Kasutera bodan Kodo Nikansan Fuji Tomokuto To Mo Kuto. A destreza vocal é demonstrada pela velocidade na emissão e articulação dos sons… Continuam marchando, executando a coreografia. O comandante apita, todos correm dirigindo-se à esquerda da sala. Formam um paredão ao fundo da sala (de costas para os espectadores). Discurso do Fuher.

O torturador Leonardo dá chicotadas e o torturado Mário, no chão, solta gritos de dor. O jogador-torturador continua a executar o seu serviço sob vigilância do sargento Alexandre. Ao longe, com seu charuto, de costas para a plateia, encontra-se o general Ricardo. Nada pode interromper os serviços no campo de concentração. O torturador Leonardo fica de olho nos chefes e, quando percebe que estão distraídos, passa o relho para o jogador-torturado e pede para que ele bata o chicote no chão, pois está cansado de trabalhar. Mas o jogador-torturado está muito debilitado e não tem forças para continuar o serviço e não consegue bater o chicote. O torturador Leonardo esbraveja e continua a bater o chicote no banquinho:

- Por que se recusa a dizer sim, seu porco, quando te perguntam se você é comunista? Acaba apanhando. Por que não mandam o Kraplov fazer o serviço? Ele até gosta…

Simultâneos à cena, outros grupos de jogadores fazem o serviço pesado do campo de concentração, carregando pessoas mortas, transportando objetos de cena, limpando o chão…

O jogador-torturado continua gritando. Entra o general Ricardo. As relhadas ficam mais fortes. Os gritos são ensurdecedores.

- Na barriga, não. Suplica o torturado Mário.

- Bata na barriga. Responde calmamente o general João Victor. Última relhada. Último grito!!!

(Fim da primeira cena).

Em meio aos gritos, marcha militar e apitos, os jogadores pegam seus banquinhos e levam aos lugares estabelecidos. Um dos jogadores esqueceu de pegar o seu texto. O general João Victor leva o texto para o seu colega. Continuam a executar uma marcha, só que agora estão marcando passo em seus lugares. Param de marchar e fazem a saudação nazista. HI HITLER! (novamente o discurso do Fuher em VOZ OFF).

Os jogadores sobem em cima dos banquinhos e iniciam o coro: - Todos: Eis aqui…

- Quem é? - cochicha a jogadora Daniela. - Não sei – responde o jogador Alberto.

- Quais são as três coisas que um médico deve saber?Em primeiro lugar? - grita o jogador Roberto.

- Indagar. - responde o coro.

- Em segundo? pergunta o jogador Alberto. - Indagar. - responde o coro.

- Em terceiro? - pergunta o jogador Mário, do alto de uma escada, no canto esquerdo, ao fundo da sala, usando um capacete vermelho com uma trança vermelha feita de lã, que passa por um buraco no centro do capacete e cai pelo ombro. O seu corpo e a escadaestão cobertos por uma rotunda preta. Somente a sua cabeça está visível, bem no alto, ao fundo da sala…

- Indagar, senhor professor. - responde o coro.

- Certo! responde o jogador Leonardo. Indagar o quê? - As condições - responde o jogador Mário.

- O que é que consta no diagnóstico?

(Todos os jogadores pulam de seus banquinhos e caem no chão em meio a gritos). - Queda na escada! - responde o jogador Leonardo.

- De onde vem o paciente e para onde vai? - pergunta o jogador João Victor. (Silêncio).

- Todas as cabeças se voltam para ele - diz o jogador Mário. (Poema Aos que vão nascer – lido por todos os jogadores). (Fim do 1º tempo!!!)