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MINSTEKRAV TIL AKSJEKAPITALEN (INNSKUDDSKAPITA- (INNSKUDDSKAPITA-LEN)

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5.2 MINSTEKRAV TIL AKSJEKAPITALEN (INNSKUDDSKAPITA- (INNSKUDDSKAPITA-LEN)

Tendo em comum com outros tipos de Anáfora, o facto de estabelecer uma relação referencial entre dois termos ou expressões, a Anáfora Associativa tem a sua especificidade própria e não tem sido muito consensual o seu tratamento.

Ficou a dever-se a G. Guillaume39 a designação de "associativos" a certos

grupos nominais definidos que, em determinadas sequências, estabeleciam uma qualquer associação com expressões já introduzidas como, por exemplo, un

livre...le titre. O termo, le titre, não pode ser interpretado como uma segunda

menção do objecto, un livre, mas a sua interpretação está ligada ao domínio da interpretação citada anteriormente. Este é um dos tipos de relação associativa possível que tem por base uma inferência baseada num estereótipo.

Para este fenómeno, há na literatura uma grande diversidade de denominações das quais passo a destacar algumas: anáfora inferencial,

interreferência, anáfora conceptual, conexão intrínseca e anáfora indirecta40.

Todas são pertinentes e as diversas terminologias justificam-se porque assentam nas diferentes perspectivas em que o fenómeno tem sido tratado pelos seus autores.

Contudo, a designação de anáfora indirecta justifica-se por comparação com a directa, quando há correferência entre os termos. Embora possa haver anáforas indirectas não associativas, a associativa insere-se neste último tipo de anáfora.

Como se viu no Capítulo anterior, uma anáfora é directa quando um referente é introduzido no texto ou no discurso por um "antecedente" e um termo, designado anafórico, retoma esse mesmo referente, mantendo-o no universo textual ou discursivo. A língua possui vários meios de o fazer através de determinantes diferentes, de pronomes ou mesmo de lexemas sinónimos, como se observou.

O fenómeno da Anáfora Associativa é bem diferente. Tal como o nome indica, é uma relação que assenta em esquemas de associação entre "antecedente" e termo anafórico, esquemas esses que podem ser de vária ordem e ter configurações muito diferentes. Há uma conexão contextual muito forte mas não há retoma de referente. A evocação de um termo (antecedente) desencadeia a do outro (termo anafórico). O mecanismo não é, assim, o da retoma do mesmo referente mas o de uma associação, ou seja, a introdução de um novo referente faz-se por associação com o referente já conhecido. Há, de igual forma, uma relação de interdependência referencial facilmente comprovável pelo facto de o termo anafórico, o que introduz o novo referente, ser sempre uma descrição definida como se esse referente fosse conhecido.

Tratando-se de expressões anafóricas não correferenciais, resta saber que mecanismos permitem passar do referente de um antecedente ao referente da expressão anafórica. Esses mecanismos é que justificam, segundo Kleiber

(2001:10), a utilização dos qualificativos associativa e inferencial para caracterizar esse tipo de processo anafórico.

Com efeito, a interpretação referencial dos termos anafóricos deve-se, fundamentalmente, a operações de inferência lógica que consistem numa relação entre dois ou mais juízos ideais em que um (a conclusão) deriva logicamente de outro anterior (inferência imediata) ou de outros dois anteriores chamados premissas (inferência mediata). Neste último caso, a inferência chamar-se-á dedução ou derivação dedutiva. Este não é o único tipo de inferência mediata possível porque inferência, em sentido amplo, comporta outros tipos de relação entre juizos ideais e/ou reais como a abdução e a indução.

Segundo Kleiber et ai. (1991a:32), a anáfora associativa é um fenómeno inferencial41 porque utiliza qualquer destas operações lógicas e pode combiná-las

possibilitando a existência de termos não realizados lexicalmente. Os cálculos inferenciais podem apoiar-se em elementos textuais, situacionais, em crenças ou no saber presumidamente partilhado e, por isso, certas noções, invocadas habitualmente como as de "estereótipo" e relações "parte-todo" preestabelecidas, podem explicar um certo tipo de relações anafóricas mas não se mostram suficientes para interpretar o fenómeno na globalidade42.

Um dos problemas que se coloca à própria definição deste tipo de anáfora é o da impossibilidade de a integrar não só em categorias exclusivamente formais como em categorias conceptuais ou nocionais. A sua natureza constitutiva é dupla, o que levou alguns autores a aproximá-la da Metáfora. (Kleiber et ai.

1991a:9).

2.3 - Anáfora Associativa e Metáfora

Com efeito, a Metáfora adopta termos de uma ordem de realidades ou valores para significar os de outra ordem em que haja uma analogia de sentido entre eles. Essa analogia não só pode ser encontrada no âmbito da experiência,

Veja-se a definição dada pelos seus autores «(...) la relation entre les deux termes d'une anaphore associative est établie grâce à une procédure inférentielle(...)».

no mundo físico, mental, social, metafísico como também no de valores, semelhanças ou afinidades entre seres e valores.

Segundo Ullmann (1987:442), a Metáfora está intimamente ligada à tessitura da fala humana e encontramo-la sob diversos aspectos: factor de motivação, artifício expressivo, fonte de sinonímia e polissemia, fuga para emoções, preenchimento de lacunas no vocabulário e outros mais.

A sua estrutura, tal como a da anáfora, é composta por dois termos, em princípio presentes na sequência linear, que correspondem "à coisa de que falamos e àquilo com que a estamos a comparar". O traço ou traços que têm em comum constituem o fundamento da metáfora. É uma comparação implícita assente em semelhanças ou associações de significados ou sentidos.

Assim é definida também por Coseriu (1967:239) onde se lê «quando un nombre se aplica intencionalmente para denotar un objeto que cae bajo otro concepto que el "nombrado" por el nombre mismo, décimos que nos hallamos frente a una metáfora. Naturalmente, una metáfora se reconoce como tal en la medida en que ambos valores (el "nombrado" y el "denotado") se perciben ai mismo tiempo como diversos y como asimilados.».

Há uma aproximação entre este tropo e a Anáfora Associativa na medida em que ambos os fenómenos assentam em mecanismos inferenciais. Com efeito, na Metáfora, esquemas imaginativos são associados a conceitos racionais

Para Jayez (1994:230), a interpretação metafórica de uma frase poderá ser construída procurando associações para além das associações literais, segundo percursos mais ou menos complexos.

Num enquadramento semântico, a concepção de metáfora43 parece ser um

retorno à concepção aristotélica. Na verdade, só muito recentemente, vários autores alargaram e enquadraram o fenómeno da Metáfora numa perspectiva também semântica, "desalojando-a" da Retórica, seu lugar de privilégio até então, tal como diz Vilela (1996:317) «a analogia entre o paradigma linguístico e o tópico retórico foi descoberto por H. Weinrich no "campo imagético" e transferido para o "campo lexical", para o contexto e para outras metáforas.».

Lexema relacionado, etimologicamente, com o lexema "anáfora" em virtude de, na sua formação, intervir o mesmo verbo grego, "<pepoo" que significa "levar", "transportar". Os prefixos

Em termos muito gerais, a Metáfora pode definir-se como um fenómeno de transferência de um nome, que usualmente tem uma certa denotação, para designar uma outra entidade em virtude de estabelecer com esta uma qualquer analogia. A Metáfora é o resultado dessa aproximação entre os termos.

Com alguma frequência, num texto ou discurso, os termos de uma Anáfora Associativa, tanto o antecedente como o anafórico, podem ser termos metafóricos e a sua interpretação ficará, então, condicionada a parâmetros vários dos interlocutores, tanto empíricos como cognitivos, a nível dá observação, experiências, sentimentos, conceitos, valores, cânones, estereótipos e muitos mais.

A título de exemplo, transcrevo um texto que permite observar o que acabo de dizer:

(1) «Almeida, Estrela de Pedra. Ao longe não se imagina a grandiosidade que as muralhas encerram. Mas quando se chega ao fim do dia, a silhueta da

fortaleza brilha como ouro. Uma verdadeira estrela dourada. Atravessam-se as

muralhas em direcção à fortaleza. Lá dentro, encontra-se a tranquilidade de uma vila medieval.» (Tempo livre, Set. 1999: 12).

O referente é introduzido por um nome próprio geográfico, Almeida, e por um epíteto composto por uma expressão qualitativa da qual faz parte o nome metafórico, Estrela. É um termo metafórico porque não designa a entidade usual, um astro celeste, mas serve de etiqueta a uma entidade de outra ordem cósmica pertencente ao planeta Terra, Almeida. Essa transferência baseia-se numa semelhança entre a configuração física das muralhas de Almeida e a configuração da representação gráfica de uma estrela. É esta analogia entre as formas de uma e outra que é responsável pela transferência de significantes.

O predicado brilha como ouro retoma o sentido do termo metafórico Estrela transferindo-o para fortaleza assim como a expressão qualitativa, estrela dourada, correferencial de Almeida.

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