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Selskapsorganene

7.3 GENERALFORSAMLINGEN .1

A lei da selecção natural parece confirmar-se a cada dia. Os seres que se conseguem adaptar às alterações ambientais têm maiores probabilidades de sobreviver. Agindo em consonância com esta lei natural, muitos animais que vivem perto de cidades têm vindo a alterar os seus hábitos alimentares, de forma a adaptar-se ao que têm disponível. Assim, estudos têm demonstrado que os ratos ingleses já não se satisfazem com o tradicional queijo, preferindo frango, atum e manteiga de amendoim. Nos Estados Unidos, por outro lado, as associações ecológicas conseguiram que a multinacional Yoplait alterasse o formato dos potes de iogurtes. É que os furões são particularmente adeptos deste alimento, mas a forma antiga não lhes permitia, muitas vezes, retirar a cabeça de dentro do pote, quando acabavam de lamber os restos... (Tempo livre, Março,

1999:58).

Tanto é verdade que o texto vai atribuir um sentido aos nominais abstractos constituintes do título, convivência e adaptação, como também é verdade que é o título que vai desencadear as cadeias anafóricas de tipos diferentes que o compõem e que o estruturam de forma coerente.

Na verdade, este título, coordenação de duas nominalizações deverbais, é uma condensação do que vem a seguir.

Tendo como formas de base os verbos, conviver e adaptar, a interpretação dos nominais, convivência e adaptação, é a de "modo de V" porque consiste na referência a um modo particular de acção, processo ou estado. Na sua estrutura argumentai seleccionam, prototipicamente, sujeitos [+anim] porque exprimem atitudes comportamentais. Como são nomes sincategoremáticos, não têm autonomia referencial e a sua interpretação depende de outras entidades, havendo, por isso, a necessidade de preencher os seus argumentos. As suas

estruturas argumentais diferem porque difere a subcategorização do predicado de base.

Logo no primeiro período, a descrição definida, a lei da selecção natural, vai servir de antecedente a vários termos anafóricos e permite atribuir um primeiro sentido aos nominais do título e situar o interlocutor no assunto a desenvolver.

O locutor introduz o antecedente através de uma descrição definida não só porque é uma expressão cujo comportamento é semelhante ao dos nomes próprios, na medida em que designa um referente único, como também pressupõe que o interlocutor tenha competência para aceder a esse referente.

Se o interlocutor não dispuser de conhecimentos acerca da teoria de Darwin,84 à qual se liga o conteúdo da lei da selecção natural, não acederá à

interpretação dos fenómenos anafóricos que se vão encadeando ao longo da progressão textual e aos nominais constituintes do título.

É pressuposto que haja um saber universal partilhado entre os interlocutores. Esse saber conduz à interpretação da primeira anáfora associativa de tipo discursivo-cognitiva estabelecida entre o antecedente, a lei da selecção

natural, e o SN, os seres, denotando uma entidade [+anim]. Este termo anafórico

é complementado por uma relativa que, de forma directa, ao retomar a forma de base, adaptar, do déverbal, adaptação, juntamente com o seu argumento, às

alterações ambientais, permite preencher uma estrutura argumentai possível do

constituinte do título, adaptação.

No período seguinte, com a retoma por anáfora correferencial fiel do mesmo "antecedente", esta lei natural, é evocado outro SN, muitos animais. denotando igualmente entidades [+anim], estabelecendo-se uma anáfora

Darwin, em 1859, publicou a sua célebre obra «On the origin of species by means of natural

selection, or the preservation of favoured races in the struggle of life» onde teorizou sobre a

evolução dos organismos e considerou haver três tipos de selecção: artificial, natural e sexual. De entre os factores selectivos que agem sobre a selecção natural encontra-se o meio físico onde se inclui a adaptação e procura do alimento. Cristo & Galhardo, (1988:116-135).

associativa do mesmo tipo discursivo-cognitiva com o termo "antecedente" mencionado, esta lei natural.

Com uma estrutura semelhante a outra já introduzida no contexto linguístico, o SN, muitos animais, é complementado por uma relativa que vai restringindo a informação.

Efectivamente, o discurso vai progredindo com o recurso a vários elementos de coesão e um adverbial anafórico, assim, marca a passagem de uma informação mais geral para uma informação mais particular relativamente às entidades [+anim] e aos seus comportamentos.

Um novo referente, os ratos ingleses, é introduzido sob a forma do definido porque é um termo anafórico do "antecedente", muitos animais. O modificador,

ingleses, localiza e restringe a classe denotada pelo nome [+anim].

Para além da informação já introduzida, um outro marcador de domínio espacial, nos Estados Unidos vai estabelecer uma anáfora associativa locativa contingente com a expressão, as associações ecológicas, constituída pelo nominal, associações, e um modificador, ecológicas85, pertinente para o seu

enquadramento no discurso.

No último período do texto é introduzido outro termo, os furões, tendo como "antecedente" muitos animais, o mesmo de os ratos ingleses, com o qual estabelecem uma relação de hiponímia sendo, por sua vez, termos anafóricos em relação a os seres que se relaciona com a lei da selecção natural.

A informação foi sendo introduzida do mais genérico para o mais específico não só relativamente às entidades [+anim], seres, animais, ratos, e furões, como do meio ambiente: alterações ambientais, hábitos alimentares, gueijo, atum,

frango, maneiga de amendoim e iogurte. São factores de coesão que contribuem

para a coerência global.

85 Cf. entrada no Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, (2001:1326), Vol. I Ecologia é a «Ciência que se dedica ao estudo das interacções dos seres vivos com o meio que os cerca.».

Compete ao interlocutor, pelos meios linguísticos à sua disposição e por inferências várias, especialmente o conhecimento da Teoria de Darwin, a interpretação das nominalizações, convivência e adaptação, dado que foram sendo fornecidos elementos que implicitamente podem preencher a estrutura exigida pela incompletude dos nominais, atendendo a que, sendo deverbais, implicam a ocorrência de outras entidades.

O sinal gráfico de três pontos86 com que o texto termina, e que não se deve

confundir com reticências, indica que foram suprimidas palavras no fim, facilmente recuperáveis. Pode interpretar-se como uma instrução que conduz o interlocutor à interpretação e ao porquê dos nominais derivados do título, convivência e

adaptação, bem como à primeira entidade introduzida no discurso, a lei da selecção natural e a predicação, parece confirmar-se a cada dia.

Neste caso, é o texto que justifica o título.

86 Cf. Cunha & Cintra (1994:657), «Não se devem confundir as RETICÊNCIAS, que têm valor estilístico apreciável, com os três pontos que se empregam, como simples sinal tipográfico, para indicar que foram suprimidas palavras no início, no meio, ou no fim de uma citação.».

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