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7. RESULTAT OG DRØFTING

7.2 Presentasjon av intervjuresultatet og drøfting

7.2.6 Minoritetsspråklige/flerkulturelle familiens kunnskap om barnets situasjon og

O trabalho científico aqui desenvolvido descreve, analisa e interpreta os sentidos da sexualidade, presentes de forma manifesta ou latente nos depoimentos dos fiéis da Igreja Bola de Neve. Foram adotados, portanto, procedimentos descritivos, analíticos e interpretativos com o intuito de explorar a produção simbólica da vida sexual e afetiva dos sujeitos que participaram da pesquisa. O processo de análise do conteúdo discursivo, que envolveu a formação de categorias temáticas, foi orientado pelos objetivos da pesquisa e pelo referencial teórico que a fundamentou.

A articulação entre os diferentes discursos e o arcabouço teórico tornou-se imprescindível. Contudo, os dados coletados não foram “(...) reduzidos ao estatuto de

exemplos ilustrativos do discurso teórico” (Lefevre, 2005: 37). Eles não apareceram como

meros coadjuvantes, destinados apenas a ratificar e ilustrar a teoria. A voz dos sujeitos ganhou destaque no presente trabalho, expressando-se diretamente, sem a necessidade de mediações teóricas. Os fiéis revelaram, através de manifestações discursivas, suas práticas cotidianas, suas condutas sexuais, as representações simbólicas da vida afetiva e as formas de pensar e entender a sexualidade.

A palavra, pois, é a unidade de análise central desse estudo, uma vez que constrói, anuncia e desvela o sistema representacional, fruto das redes sociais e dos processos de interação. A linguagem, como mediadora do universo simbólico, é a porta de acesso aos sentidos e significados que os sujeitos criam e expressam em suas relações cotidianas. Ela é, desse modo, o “veículo de formação e manifestação das representações sociais”

(Martins, 1987: 05). Por isso, é o material mais apropriado para ser explorado a fim de compreender a complexidade do sistema representacional.

É a linguagem, condição essencial para a comunicação social, que permite o desenvolvimento das representações sociais, ou seja, as explicações e afirmativas do que se acredita ser a realidade (Lane, 1979: 98). As palavras, através dos significados atribuídos por um grupo social, por uma cultura, determinam uma visão de mundo, um sistema de valores e, conseqüentemente, ações, sentimentos e emoções decorrentes (Lane, 1981: 9).

As palavras, pois, possibilitam a apreensão do conjunto de sentidos, símbolos, imagens e representações que o grupo social produz. Por essa razão, a pesquisa aqui apresentada deteve-se no conteúdo dos depoimentos dos sujeitos, sem, no entanto, perder de vista a produção teórica que orientou o trabalho. A fim de sistematizar os dados provenientes dos discursos, trabalhamos com categorizações temáticas. O material discursivo foi dividido em categorias, organizadas de acordo com alguns temas, definidos a

posteriori segundo a abordagem teórica adotada na pesquisa, os objetivos explicitados e os

conteúdos das entrevistas.

Criamos nove categorias, que foram distribuídas nos capítulos analíticos e interpretativos. O capítulo V aborda o tema da sexualidade dentro e fora da igreja e contém as seguintes categorias: 1) A postura da igreja frente à questão sexual e a manutenção institucional dos valores morais; 2) A sexualidade do “mundo”; 3) Vida sexual dos jovens antes do ingresso na igreja. O capítulo VI, por sua vez, analisa os sentidos, crenças, valores e comportamentos dos jovens da igreja em relação à sexualidade. Dele, fazem parte as seguintes categorias: 1) Sexualidade e Desejos: Representações dos fiéis; 2) Pré-namoro e Namoro; 3) Casamento e Sexo: Produções simbólicas; 4) O outro como objeto de desejo. Já o capítulo VII discorre sobre Deus, o diabo e o desejo sexual, sendo composto pelas categorias: 1) A experiência sexual na relação com o sagrado; 2) O diabo como veículo do desejo; 3) Cuidados e tratamentos espirituais. Esses três capítulos são antecedidos pelo capítulo III que desenvolve uma reflexão sobre a inserção da Igreja Bola de Neve no

neopentecostalismo e o capítulo IV que apresenta uma descrição detalhada da igreja, seu funcionamento, os cultos, os fiéis e as mensagens religiosas.

CAPÍTULO III

Igreja Bola de Neve: um fenômeno neopentecostal

Desde a década de 60, o pentecostalismo vem assumindo novos contornos, desenvolvendo novas concepções teológicas, incorporando inovações à esfera litúrgica e definindo novos parâmetros de moralidade e ética, o que deu origem a novas versões das antigas denominações, as quais sofreram tantas modificações que parecem pertencer a diferentes vertentes religiosas. Congregações autônomas surgiram em função da intensa fragmentação do movimento religioso, determinada por dissensões na estrutura eclesiástica.

“O movimento pentecostal, originalmente concebido como uma renovação das igrejas existentes, começou a solidificar-se em grupos independentes, separados por querelas doutrinárias” (Freston, 1996: 74).

Dessas constantes dissidências, constituiu-se o neopentecostalismo em meados da década de 70, trazendo consigo transformações e novidades inesperadas para um segmento religioso considerado austero e segregacionista. As igrejas neopentecostais se submeteram a várias mudanças, adotaram novos padrões comportamentais e flexibilizaram o rígido conteúdo doutrinário, realizando, desse modo, ajustes em sua estrutura burocrática e legislativa e possibilitando, assim, uma maior adequação às novas condições da sociedade moderna. Mostram-se, pois, menos sectárias, não demonstrando repúdio à ideologia do mundo capitalista. Em vez do isolamento intramundano, os grupos neopentecostais esforçam-se para obter prestígio social, respeitabilidade política e poder econômico. Almejam integrar-se ao contexto sócio-político e econômico a fim de receber benefícios e gratificações na vida terrena. Acreditam na vida eterna, porém não estão dispostos a esperar pelo surgimento do paraíso prometido, para realizar seus projetos com sucesso e alcançar a felicidade tão desejada.

A velha “mensagem da cruz”, tão valorizada pela doutrina pentecostal, que exorta o cristão a resistir ao sofrimento terreno para ser posteriormente recompensado com bênçãos espirituais, foi abandonada pelos neopentecostais. Conforme essa premissa teológica, os convertidos ao pentecostalismo estão destinados à aflição mundana. Padecerão no mundo, mas caso resistam com perseverança à dor, serão recompensados com a paz

eterna. Devem, pois, aceitar com resignação o triste destino que está reservado à sua vida na terra. O que lhes conforta é a possibilidade da felicidade etérea. Os neopentecostais, por sua vez, buscam a alegria terrena, rejeitam o sofrimento e pregam a prosperidade física e material para todos os que se convertem à sua doutrina.

Seu conteúdo teológico e doutrinário pauta-se especialmente na Teologia da Prosperidade, segundo a qual o cristão fiel atingirá o ápice do sucesso e do progresso material, sendo próspero em todas as áreas da sua vida, sobretudo financeiramente. Todos os crentes devem sair da condição de pobreza e tornar-se ricos, o que testemunha o poder de Deus. Há, portanto, uma intensa valorização da acumulação de bens materiais, característica que distingue o neopentecostalismo das demais correntes protestantes. A fim de evitar equívocos, vale ressaltar que o protestantismo clássico, resultante da Reforma Protestante, favorecia o capitalismo, segundo Weber (2004), não porque valorizava o acúmulo desenfreado de capital, mas porque enaltecia o trabalho, concebendo-o como uma missão religiosa, uma ascese espiritual que aproximava o homem de Deus. A ambição desmedida e as estratégias de lucro eram depreciadas, visto que evidenciavam o apego do cristão às ofertas mundanas. A despeito de sua associação com o desenvolvimento capitalista e industrial, o protestantismo antigo, que adotava postura ascética e austeridade rígida, não se mostrava preocupado com o progresso econômico e com o materialismo intramundano, mantendo-se distanciado do mundo.

O neopentecostalismo, contudo, interessa-se pelo mundo, não estando disposto a abandoná-lo. Os líderes desejam adquirir prestígio social e ingressar na esfera de relações políticas. Participam da política partidária, utilizam os meios de comunicação a fim de promover um proselitismo de massa e gerenciam as igrejas seguindo modelos empresariais, o que as torna, de fato, organizações com fins lucrativos. Percebe-se, pois, que os neopentecostais moldam seus comportamentos e suas cerimônias religiosas de acordo com as exigências sócio-culturais da sociedade moderna, visando inserir-se no contexto social. Não querem mais manter-se à margem do sistema. Estão dispostos a abrir mão de atributos religiosos e adotar padrões seculares. Optaram, desse modo, segundo Mariano (1999), pela “mundanização” da vivência espiritual.

Os crentes acreditam que, ocupando o espaço público e conquistando posições privilegiadas socialmente, conseguirão vencer o Diabo. A Teologia do Domínio, cujo

fundamento apóia-se na idéia de que o poder da fé coloca os fiéis em posição de superioridade em relação ao exército demoníaco, enfatiza que a vitória sobre o mal não depende apenas de rituais espirituais e práticas exorcistas. Considera-se que só é possível dominar o demônio promovendo-se uma dominação sócio-política. É preciso ocupar cargos políticos e fazer uso da mídia eletrônica para derrotar o diabo e assegurar a recristianização da sociedade leiga. “A Teologia do Domínio e a Teologia da Prosperidade, ao dedicarem-

se inteiramente a este mundo e a esta vida, para resolver problemas cotidianos dos fiéis, distanciam o neopentecostalismo da escatologia pentecostal clássica, pré-milenarista, baseada na eterna e resignada espera do retorno de Cristo. Escatologia, frise-se, que tendia a levar ao apoliticismo, à auto-exclusão da vida social e ao ascetismo intramundano” (Mariano, 1999: 44 e 45).

O movimento neopentecostal caracteriza-se também pela flexibilização do código de conduta e a liberalização dos costumes. O legalismo, que marca a doutrina do pentecostalismo clássico, cede lugar à tolerância a novos padrões comportamentais. São rejeitadas a padronização e a regulamentação da aparência do crente, que visam afastá-lo do mundo e evidenciar, através de sinais externos, sua santidade. As igrejas neopentecostais recusam-se a padronizar e regular a imagem física dos fiéis. Algumas até estimulam a diversidade de estilos, gostos e modos de vida para superar os estereótipos. Subvertem, dessa forma, a identidade estética do cristão, a fim de reduzir sua estigmatização e assegurar sua integração social.

O neopentecostalismo, portanto, é resultado das inúmeras metamorfoses que ocorreram nas últimas décadas no campo pentecostal. Não obstante as transformações significativas, as congregações neopentecostais conservam traços importantes do pentecostalismo, como a valorização dos dons espirituais, a presença de autoridades eclesiásticas fortes, o carisma religioso, o incentivo às manifestações emocionais, o anti- ecuminismo, a participação na política partidária e as ofertas de cura divina. No entanto, as modificações na matriz religiosa distinguem o movimento neopentecostal das demais vertentes pentecostais, dando origem a características peculiares como a importância da teologia da prosperidade, a intensificação da batalha espiritual e da utilização de práticas exorcísticas, a modernização da linguagem e a liberalização dos rígidos costumes de santidade.