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2. TEORIDEL

2.4 Flerkulturelle foreldre og deres mulige utfordringer

2.4.2 Foreldres ulike utfordringer som «ny» i samfunn

As representações sociais são processos cognitivos que favorecem a familiarização do desconhecido através de sua integração em um sistema de valores preexistente e em uma rede de informações conhecida. Nesse processo de assimilação, o estranho é inserido em um quadro de referências estabelecido socialmente, passando por algumas mudanças para ajustar-se a ele. O que é familiar também se modifica com a presença da anormalidade. Ocorre, pois, a institucionalização do novo e a transformação do estabelecido em função do surgimento de algo incomum.

Conforme Moscovici (2004), o desconhecido gera tanta estranheza que o sistema representacional é logo acionado para garantir a familiaridade das coisas. O estranho perturba a comunicação, interrompe o fluxo da interação e desestrutura as relações. Por isso, busca-se agregá-lo a uma cadeia de representações sociais existentes, acomodá-lo a categorias de conceitos convencionais e, desse modo, torná-lo familiar. As representações sociais possibilitam a convencionalização e acomodação da novidade através dos seus mecanismos de funcionamento: os processos de ancoragem e objetivação.

A ancoragem é um mecanismo cognitivo que assegura a assimilação de novos conceitos e a incorporação de novas idéias através de sua acomodação a um sistema de categorização previamente estabelecido e a um conjunto de conhecimentos consolidados e armazenados na memória coletiva. Concepções, práticas e objetos desconhecidos são integrados em categorias e classes constituídas coletivamente a fim de serem familiarizados. Os processos de classificação e rotulação são imprescindíveis para o

conhecimento do que é estranho e desconhecido. Apenas quando classificamos, nomeamos, rotulamos e descrevemos algo, somos capazes de imaginá-lo e representá-lo. Portanto, a representação pressupõe os sistemas de classificação e nomeação dos objetos.

O processo de classificação envolve a comparação do objeto estranho com o protótipo de cada classe com o intuito de inseri-lo nela ou dela afastá-lo. A comparação pode gerar a generalização ou a particularização do objeto. A generalização ocorre quando o objeto não familiar é considerado semelhante ao protótipo da categoria e passa a integrá- la, tornando-se conhecido. A particularização, por sua vez, decorre da exclusão do objeto do esquema de classes em virtude de ser diferente do protótipo. Nesse caso, o estranho não se familiariza e é afastado da convivência diária. Ao classificarmos um objeto desconhecido, visamos padronizá-lo ou exclui-lo das interações sociais, defini-lo como adequado ou desviante da norma.

Além da comparação, o processo de nomeação também acompanha a classificação das coisas. A nomeação assegura a identificação e simbolização do objeto. Ao nomearmos algo, o identificamos e lhe fornecemos um sentido. Um objeto sem nome é um objeto sem existência. Ele é irreal e invisível. É excluído do sistema de informações e do quadro de referências que possuímos. É preciso conceder-lhe um nome para fazê-lo existir e torná-lo conhecido. Ao nome que lhe damos está associado um valor. A nomeação e a classificação, portanto, são processos que abrangem a atribuição de um valor positivo ou negativo ao objeto.

A ancoragem, como enraizamento no sistema de pensamento, atribuição de sentido e instrumentalização do saber, explica a maneira pela qual informações novas são integradas e transformadas no conjunto dos conhecimentos socialmente estabelecidos e na rede de significações socialmente disponíveis para interpretar o real, e depois são nela reincorporadas, na qualidade de categorias que servem de guia de compreensão e de ação (Jodelet, 2005: 48).

Não apenas a ancoragem possibilita o funcionamento das representações sociais, garantindo a familiarização de conceitos desconhecidos. A objetivação também é um mecanismo que faz funcionar a rede representacional. Corresponde a um processo por meio

do qual o conhecimento é objetivado, adquirindo certa autonomia em relação ao tecido social e às interações coletivas que o produziram. Desse modo, o saber aparece como uma realidade objetiva, independente e natural. Segundo Moscovici (2004), a objetivação equivale à materialização e cristalização de conceitos, que se afastam daqueles que o formularam e passam a ter vida própria. Circulam livremente pela sociedade como entidades concretas. As idéias tornam-se materialidades vivas e alcançam uma existência real e objetiva.

O processo de objetivação envolve a associação de idéias e imagens, a integração de conceitos e figuras, a articulação de palavras e objetos. As idéias convertem-se em imagens e passam a ser visíveis. Os conceitos são apresentados sob a forma de ícones e se mostram concretos. As palavras se vinculam a figuras e ganham objetividade. As representações, portanto, são compostas de elementos conceituais e icônicos. Nelas ocorrem a formação dos conceitos e a produção das imagens. As imagens que acompanham as idéias e palavras se misturam e se agregam, dando origem ao “(...) núcleo figurativo, um

complexo de imagens que reproduzem visualmente um complexo de idéias” (Moscovici,

2004: 72).

As imagens que propiciam a objetivação das palavras e idéias podem separar-se delas, vir a ser uma realidade concreta e atingir a autonomia. Após serem assimiladas e internalizadas, desvinculam-se das palavras e conceitos que acompanham e adquirirem existência própria. Convertem-se na realidade que representam. Tornam-se a coisa que simbolizam. Não são mais formações abstratas do sistema de pensamento. São estruturas da realidade objetiva. As palavras, do mesmo modo, assumem a forma dos objetos que anunciam e significam. Elas se desprendem das coisas que reproduzem e as substituem, materializando-se. “Cada caso implica uma representação social que transforma palavras

em carne, idéias em poderes naturais, nações ou linguagens humanas em linguagens de coisas” (Moscovici, 2004: 77 e 78).

Conforme Moscovici (2004), o perigo da objetivação dos conceitos é a sua naturalização, que favorece as formas de dominação e submissão. O conhecimento construído socialmente, uma vez objetivado, é naturalizado. Aparece como uma realidade independente daqueles que o elaboraram, como uma entidade objetiva que sempre existiu, sem a participação do sujeito. A idéia materializada distancia-se de seus criadores e se

apresenta como uma coisa pronta e acabada. O autor encontra-se ausente, como afirma Foucault (2004). A objetivação do saber faz-nos desconhecer suas origens. Ignorada a gênese do conhecimento, ele nos aparece como um fenômeno concreto, autônomo e isolado. “Não objetivamos nós de tal modo que esquecemos que a criação, que a

construção material é o produto de nossa própria atividade, que alguma coisa é também alguém?” (Moscovici, 2004: 75).

Essas constelações intelectuais, uma vez fixadas, nos fazem esquecer que são obra nossa, que tiveram um começo e que terão um fim, que sua existência no exterior leva a marca de uma passagem pelo psiquismo individual e social (Sá, 1993: 34).

Esses conhecimentos cristalizados acumulam-se, formam a memória coletiva e servem de apoio a novos saberes, assegurando sua familiarização. As idéias, após o processo de objetivação, são sedimentadas e depositadas na memória coletiva, sendo utilizadas no processo de ancoragem, responsável pela assimilação de novos conceitos. Os sentidos acumulados na memória e consolidados no passado histórico são preservados pela experiência subjetiva e pelas práticas culturais, servindo de suporte para o surgimento de novos sentidos.

De acordo com Moscovici (2004), a memória é o fundamento das representações sociais. Ela garante o desenvolvimento de novas estruturas representacionais e a formação de um quadro de referências, indispensável ao mecanismo de ancoragem. É constituída por aglomerados de idéias que passaram pelo processo de objetivação. A memória que preserva o passado e conserva a tradição está, portanto, vinculada aos processos de ancoragem e objetivação.