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Minoritetsrådgivere – hvorfor og hvordan

A

obra, cujo volume I entrego ao público, constitui a continuação de meu texto publicado em 1859: Contribuição à Crítica da Economia

Política. A longa pausa entre começo e continuação deve-se a uma

enfermidade de muitos anos, que reiteradamente interrompeu o meu trabalho.

O conteúdo daquele texto anterior está resumido no capítulo I deste volume.38 Isso aconteceu não só por causa da conexão e da ne-

cessidade de torná-lo completo. A exposição está aperfeiçoada. À medida que, de algum modo, o contexto o permitiu, pontos antes apenas indi- cados foram aqui desenvolvidos, enquanto, inversamente, o que lá foi amplamente desenvolvido é apenas indicado aqui. As partes sobre a história da teoria do valor e do dinheiro foram naturalmente elimina- das. O leitor do texto anterior encontra, no entanto, abertas novas fontes para a história daquela teoria nas notas do capítulo I.

Todo começo é difícil; isso vale para qualquer ciência. O enten- dimento do capítulo I, em especial a parte que contém a análise da mercadoria, apresentará, portanto, a dificuldade maior. Quanto ao que se refere mais especificamente à análise da substância do valor e da grandeza do valor, procurei torná-las acessíveis ao máximo.39 A forma

37 Para maiores esclarecimentos a respeito da obra, ver, neste volume, a Apresentação de Jacob Gorender. (N. do E.)

38 Marx refere-se aqui ao capítulo I da primeira edição (1867) e que tinha o título de “Mercadoria e Dinheiro”. Para a segunda edição, Marx fez a revisão do volume e modificou a sua es- truturação. Subdividiu o antigo primeiro capítulo em três capítulos autônomos que, agora, com o mesmo título, constituem a Seção I. (N. da Ed. Alemã.)

39 Isso pareceu tanto mais necessário quando até mesmo a parte do ensaio de F. Lassalle contra Schulze-Delitzsch, na qual pretende expor “a quinta-essência espiritual” de minhas idéias sobre o assunto, contém mal-entendidos graves. En passant.* Se F. Lassalle tomou

todas as teses teóricas gerais de seus trabalhos sobre Economia, como, por exemplo, sobre o caráter histórico do capital, sobre a conexão entre as relações de produção e o modo de produção etc. etc., de minhas obras, quase literalmente, sem citar as fontes e até com a terminologia elaborada por mim, esse procedimento foi com certeza determinado por objetivos de propaganda. Obviamente não estou falando das suas exposições sobre detalhes nem das suas aplicações práticas, com as quais nada tenho a ver.

do valor, cuja figura acabada é a forma do dinheiro, é muito simples e vazia de conteúdo. Mesmo assim, o espírito humano tem procurado fun- damentá-la em vão há mais de 2 000 anos, enquanto, por outro lado, teve êxito, ao menos aproximado, a análise de formas muito mais complicadas e replenas de conteúdo. Por quê? Porque o corpo desenvolvido é mais fácil de estudar do que a célula do corpo. Além disso, na análise das formas econômicas não podem servir nem o microscópio nem reagentes químicos. A faculdade de abstrair deve substituir ambos. Para a sociedade burguesa, a forma celular da economia é a forma de mercadoria do produto do trabalho ou a forma do valor da mercadoria. Para o leigo, a análise parece perder-se em pedantismo. Trata-se, efetivamente, de pedantismo, mas daquele de que se ocupa a anatomia microscópica.

Por isso, com exceção da parte relativa à forma do valor, não se poderá acusar este livro de ser de difícil compreensão. Pressuponho, naturalmente, leitores que queiram aprender algo de novo e queiram, portanto, também pensar por conta própria.

O físico observa processos naturais seja onde eles aparecem mais nitidamente e menos turvados por influências perturbadoras, seja fa- zendo, se possível, experimentos sob condições que assegurem o trans- curso puro do processo. O que eu, nesta obra, me proponho a pesquisar é o modo de produção capitalista e as suas relações correspondentes de produção e de circulação. Até agora, a sua localização clássica é a Inglaterra. Por isso ela serve de ilustração principal à minha explanação teórica. Caso o leitor alemão encolha, farisaicamente, os ombros ante a situação dos trabalhadores ingleses na indústria e na agricultura ou, então, caso otimisticamente se assossegar achando que na Alema- nha as coisas estão longe de estar tão ruins, só posso gritar-lhe: De

te fabula narratur!40

Em si e para si, não se trata do grau mais elevado ou mais baixo de desenvolvimento dos antagonismos sociais que decorrem das leis naturais da produção capitalista. Aqui se trata dessas leis mesmo, dessas tendências que atuam e se impõem com necessidade férrea. O país industrialmente mais desenvolvido mostra ao menos desenvolvido tão-somente a imagem do próprio futuro.

Deixemos, porém, isso de lado. Onde a produção capitalista se implantou plenamente entre nós, por exemplo, nas fábricas propria- mente ditas, as condições são muito piores do que na Inglaterra, pois falta o contrapeso das leis fabris. Em todas as outras esferas, tortu- ra-nos — assim como em todo o resto do continente da Europa ocidental — não só o desenvolvimento da produção capitalista, mas também a carência do seu desenvolvimento. Além das misérias modernas, opri- me-nos toda uma série de misérias herdadas, decorrentes do fato de

continuarem vegetando modos de produção arcaicos e ultrapassados, com o seu séquito de relações sociais e políticas anacrônicas. Somos atormentados não só pelos vivos, como também pelos mortos. Le mort saisit le vif!41

Comparada com a inglesa, a estatística social da Alemanha e do resto do continente europeu ocidental é miserável. Ainda assim, levanta o véu o bastante para deixar entrever atrás do mesmo uma cabeça de Medusa. Ficaríamos horrorizados ante a nossa própria situação caso nossos Governos e parlamentares constituíssem periodicamente, como na Inglaterra, comissões de inquérito acerca das condições econômicas; caso essas comissões fossem investidas, como na Inglaterra, da mesma plenitude de poderes para pesquisar a verdade; caso fosse possível encontrar, para tal missão, homens tão especializados, imparciais e intimoratos quanto o são os inspetores de fábrica na Inglaterra e os seus relatores médicos sobre Public Health (Saúde Pública), os seus comissários encarregados de examinar a exploração das mulheres e crianças, as condições de moradia e alimentação etc. Perseu precisava de um capacete da invisibilidade para perseguir os monstros. Nós pu- xamos o capacete mágico a fundo sobre nossos olhos e orelhas, para podermos negar a existência de monstros.

É preciso não se enganar quanto a isso. Assim como, no século XVIII, a Guerra da Independência americana tocou o sino de alarme para a classe média européia, no século XIX a Guerra Civil norte-americana tocou-o para a classe operária européia. Na Inglaterra, o processo de sub- versão tornou-se palpável. Quando alcançar certa altura, há de repercutir no continente. Ali, há de mover-se em formas mais brutais ou mais hu- manas, segundo o grau de desenvolvimento da própria classe operária. Abstraindo motivos mais elevados, os interesses mais específicos das atuais classes dominantes obrigam-nas à eliminação de todos os empecilhos le- galmente controláveis que inibam o desenvolvimento da classe operária. Por isso é que me estendi tanto, neste volume, sobre a história, o conteúdo e os resultados da legislação inglesa relativa às fábricas. Uma nação deve e pode aprender das outras. Mesmo quando uma sociedade descobriu a pista da lei natural do seu desenvolvimento — e a finalidade última desta obra é descobrir a lei econômica do movimento da sociedade moderna —, ela não pode saltar nem suprimir por decreto as suas fases naturais de desenvolvimento. Mas ela pode abreviar e minorar as dores do parto.

Para evitar possíveis erros de entendimento, ainda uma palavra. Não pinto, de modo algum, as figuras do capitalista e do proprietário fundiário com cores róseas. Mas aqui só se trata de pessoas à medida que são personificações de categorias econômicas, portadoras de deter- minadas relações de classe e interesses. Menos do que qualquer outro, o meu ponto de vista, que enfoca o desenvolvimento da formação eco-

nômica da sociedade como um processo histórico-natural, pode tornar o indivíduo responsável por relações das quais ele é, socialmente, uma criatura, por mais que ele queira colocar-se subjetivamente acima delas. No campo da Economia Política, a livre pesquisa científica de- para-se não só com o mesmo inimigo que em todos os outros campos. A natureza peculiar do material que ela aborda chama ao campo de batalha as paixões mais violentas, mesquinhas e odiosas do coração humano, as fúrias do interesse privado. A Igreja Anglicana da Ingla- terra, por exemplo, perdoaria antes o ataque a 38 de seus 39 artigos de fé do que a 1/39 de suas rendas monetárias. Nos dias de hoje, o próprio ateísmo é uma culpa levis42 se comparado com a crítica às

relações tradicionais de propriedade. No entanto, aqui um avanço é inegável. Remeto, por exemplo, ao Livro Azul43 publicado nas últimas

semanas: Correspondence with her Majesty’s Missions Abroad, Regar-

ding Industrial Questions and Trades Unions. Os representantes da

Coroa inglesa no exterior expõem aí, sem subterfúgios, que na Alema- nha, na França, em suma, em todos os países cultos do continente europeu, é tão perceptível e tão inevitável uma modificação das relações vigentes entre capital e trabalho quanto na Inglaterra. Ao mesmo tem- po, do outro lado do Atlântico, Mr. Wade, vice-presidente dos Estados Unidos da América, declarava em reuniões públicas que, depois da abolição da escravatura, a questão posta na ordem do dia seria a mudança das relações de capital e propriedade da terra. São esses os sinais dos tempos e que não se deixam encobrir por mantos purpúreos nem por sotainas negras. Não significam que milagres hão de ocorrer amanhã. Indicam que nas próprias classes dominantes já se insinua o pressenti- mento de que a atual sociedade não é um cristal sólido, mas um organismo capaz de mudar e que está em constante processo de mudança.

O segundo volume desta obra vai tratar do processo de circulação do capital (Livro Segundo) e das estruturações do processo global (Livro Terceiro); o terceiro (Livro Quarto), da história da teoria.

Todo julgamento da crítica científica será bem-vindo. Quanto aos preconceitos da assim chamada opinião pública, à qual nunca fiz con- cessões, tomo por divisa o lema do grande florentino:

Segui il tuo corso, e lascia dir le genti!44

Londres, 25 de julho de 1867

Karl Marx

42 Pecado venial. (N. dos T.)

43 Livros Azuis (Blue Books). Denominação geral das publicações de materiais do Parlamento inglês e documentos diplomáticos do Ministério das Relações Exteriores. Os Livros Azuis, assim chamados devido a suas capas azuis, são publicados na Inglaterra desde o século XVII e são a fonte oficial mais importante para a história da economia e diplomacia desse país. (N. da Ed. Alemã.)

44 Segue o teu curso e deixa a gentalha falar! — Citação derivada de Dante. A Divina Comédia. “O Purgatório”. Canto V. (N. da Ed. Alemã.)