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Como já referi, um dos grandes problemas para combater a proliferação nuclear na atualidade reside na maneira como se deve lidar com os estados proliferadores. A principal dificuldade reside no facto de os estados já mencionados conterem regimes autoritários ou democracias extremamente frágeis, como no caso do Paquistão, onde o verdadeiro poder reside nas forças armadas nacionais e não no Parlamento.
“Em primeiro lugar esses Estados partilham desconfianças de apoio ao terrorismo, proliferação de ADM, e de opressão aos seus próprios cidadãos, tendo como objetivo final a captura, a manutenção e a expansão do seu poder. Este desejo de poder leva a que estes Estados estejam dispostos a usar todos os meios ao seu alcance nomeadamente os ataques terroristas com ADM.
Em segundo lugar muitos destes Estados são regimes corruptos, instáveis e incapazes de ter um sistema de comando e controlo eficaz para as suas ADM. À medida que estes Estados adquirem a sua capacidade de destruição maciça, a sua incapacidade para exercer comando dos seus próprios meios torna-se consideravelmente mais relevante.
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E em terceiro lugar com o poder concentrado num único homem, os regimes
autocráticos estão especialmente propensos a dificultar transições.” 86
É de salientar também que após a invasão do Iraque em 2003, estes estados, desconfiando das intenções americanas e ocidentais, ficaram ainda mais desconfiados e fechados ao exterior, por recearem serem eles as próximas vítimas de uma intervenção militar americana que poderia ter como objetivo o de mudar o regime vigente.
Este comportamento pode associar-se ao facto de alguns não serem democracias e de em muitos casos possuírem sentimentos antiocidentais. Esta atitude dificulta substancialmente a tarefa do combate à proliferação nuclear que tem sido encabeçada pelos países do Ocidente. Levar estados como o Paquistão, o Irão e a Coreia do Norte para a mesa das negociações exige a adoção de procedimentos, tais como:
1) Não tratar os estados em questão como membros renegados da comunidade internacional, pois apesar de mostrarem traços de regimes autoritários, o facto é que quer se goste ou não do tipo de regime interno destes estados, eles fazem parte da comunidade internacional, são nações soberanas e têm voz no seio das Nações Unidas. Tratá-los como renegados e vetá-los ao isolamento apenas aumenta a sua desconfiança e radicaliza ainda mais as suas posições face a qualquer tentativa de diálogo, o que torna ainda mais difícil futuras tentativas de negociação. Os canais de diálogo não podem ser simplesmente ignorados por meras convicções ideológicas. Será necessário tratá-los como membros de pleno direito, com as mesmas obrigações e benefícios, fazendo parte da comunidade internacional. Quando George W. Bush mencionou o Eixo do Mal no seu discurso, antagonizou os estados nele nomeados dando mais força aos setores militantes dentro desses estados;
2) Não lidar com a situação numa ideologia de preto e branco, uma vez que nos círculos mais conservadores, existe uma tendência em definir o nosso lado como o dos bons e o lado oposto como o dos maus, ou seja, simplificar as Relações Internacionais entre estados numa perspetiva quase hollywoodesca. No caso do Irão, por exemplo, existem vários setores políticos e mesmo militares que argumentam que este, após adquirir a bomba nuclear, a poderá vir a utilizar contra Israel ou mesmo contra outros interesses ocidentais, baseando-se no facto de o consideram como um estado irracional. A
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realidade é bem diferente, visto que o Irão é um ator político racional e está consciente das consequências que ocorreriam se usasse a bomba atómica de forma ofensiva. Este mesmo argumento pode ser aplicado também a outro ator nuclear, a Coreia do Norte, que sabe que sofreria represálias ao agir ofensivamente contra o seu vizinho do Sul. Os iranianos não devem ser vistos como antissemitas virulentos, que só desejam a destruição de Israel, como muitos os definem, nem os norte-coreanos devem ser vistos como robôs loucos, que seguem cegamente as ambições do seu incontestável líder. Em muitos casos, é também preferível (como por exemplo no caso da Coreia do Norte) não atacar o sistema político do país em questão, como referem Joel S.Wit e Jenny Town:
“Attacks on the North's political system or its ideology will get you nowhere and will just result in interminable arguments.” 87
3) Conjugar sanções com recompensas por bom comportamento. Theodore Roosevelt, presidente americano dos finais do século XIX, utilizou uma expressão, pela qual ficou historicamente conhecido e que durante anos definiu a sua presidência – Speak softly and carry a big stick. Não sendo literalmente traduzida, a afirmação no seu todo significa que - um estado tem que mostrar uma postura de firmeza perante ameaças -, mas também estar disposto a negociar e dialogar de forma diplomática para obter pacificamente os compromissos. Esta política poderia ser uma forma de, nos dias de hoje, obter compromissos que conseguissem satisfazer ambas as partes, sem no entanto demonstrar fraqueza.
De facto, podem ser oferecidas contrapartidas aos estados que queiram abandonar os seus programas nucleares, tais como: programas nucleares de cariz civil; ajuda alimentar e ajuda e assistência técnica, O mais importante seria mesmo oferecer garantias que não haveria mudanças de regime. Se não se conseguir um compromisso desses estados neste sentido, se os estados quebrarem os seus compromissos ou se não se mostrarem dispostos a negociar, podem-se manter as ameaças de sanções, podendo mesmo a força militar vir a ser utilizada como o derradeiro recurso.
De qualquer forma, se os estados problemáticos souberem que podem vir a ter benefícios a nível económico, tecnológico, social e político pelo seu bom
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http://www.theatlantic.com/international/archive/2013/05/6-dos-and-donts-for-negotiating-with-north-
korea/275492/ [Consult.30.10.2013] - Ataques ao sistema político da Coreia do Norte e da sua ideologia não levarão a lado nenhum e resultarão em discussões intermináveis.
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comportamento, podem concluir que não precisam de prosseguir na pesquisa e desenvolvimento de programas militares nucleares para sua proteção;
4) Utilizar uma abordagem multilateral pois é preciso trazer para a mesa das negociações o maior número de estados possíveis, ou seja, é preciso ter uma aproximação multilateral para levar a cabo negociações bem-sucedidas. A abordagem quase unilateral dos EUA face ao Iraque, por exemplo, foi um rotundo fracasso e destruiu a boa vontade que os americanos tinham conseguido reunir após o 11 de setembro. Aparentemente os governos tanto de G.W Bush como de Barack Obama aprenderam com estes erros, e atualmente, tentam trazer para a mesa de negociações, em casos sensíveis como o da Coreia do Norte e do Irão, um maior número de países, especialmente grandes potências e atores regionais das respetivas zonas geográficas. Em certos casos, como o da Coreia do Norte, atores terceiros como a China ou a Rússia são de facto a única ponte de diálogo com o Ocidente.
5) Continuar com a criação de ZLANs (Zonas Nucleares Livres de Armas Nucleares), onde não existe qualquer tipo de atividade nuclear, seja pesquisa ou teste de armas como as existentes na América do Sul (criada em 1967), no Pacifico Sul (criada em 1985), África (em 1996), e na Ásia do Sudoeste (1995). Tais zonas não estão ao abrigo de qualquer convecção ou tratado global e partem da iniciativa de estados individuais ou de grupos de estados que acordam entre si a não proliferação nuclear.